O que é O que é Anestesia geral?
A anestesia geral é um estado induzido por medicamentos que provoca perda total da consciência, ausência de dor e relaxamento muscular, permitindo a realização de procedimentos cirúrgicos complexos. Diferente da anestesia local (que adormece apenas uma região) ou da sedação (que deixa o paciente sonolento, mas consciente), na anestesia geral você literalmente “dorme” e não se lembra de nada do que acontece durante a cirurgia.
No Brasil, a anestesia geral é exclusivamente administrada por médicos anestesiologistas, profissionais com residência em Anestesiologia reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) e registrados no Conselho Regional de Medicina (CRM). O Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio da Resolução CFM nº 2.174/2017, regulamenta a prática e exige que o anestesiologista realize uma consulta pré-anestésica antes de qualquer procedimento, mesmo em serviços públicos como o SUS.
Na rotina de uma clínica popular ou no dia a dia do SUS, o termo “anestesia geral” aparece com frequência quando se fala de cirurgias de médio e grande porte: cesarianas, cirurgias de vesícula, hérnia, próstata, tumores, fraturas expostas, entre outras. De acordo com dados do DATASUS (2022), foram realizadas mais de 7,2 milhões de cirurgias eletivas e de urgência no sistema público, das quais cerca de 40% exigiram anestesia geral. Em clínicas populares, a anestesia geral é menos comum (a maioria dos procedimentos é feita com anestesia local ou sedação), mas quando necessária, o paciente é encaminhado a um hospital conveniado com estrutura adequada e presença de anestesiologista.
Como funciona / Características
A anestesia geral é dividida em três fases principais, que ocorrem em sequência durante uma cirurgia:
- Indução: é o momento em que você recebe os medicamentos para “apagar”. Pode ser feita por via venosa (injeção na veia) ou inalatória (máscara com gás). Em crianças e em alguns adultos, a indução inalatória é mais comum. No SUS, os medicamentos mais usados são o propofol (indutor venoso) e o sevoflurano (gás inalatório), ambos padronizados pela ANVISA e pela Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME).
- Manutenção: uma vez adormecido, você recebe uma mistura de anestésicos inalatórios ou venosos para manter o estado de inconsciência, além de analgésicos e bloqueadores neuromusculares (relaxantes musculares). Durante toda a cirurgia, o anestesiologista monitora seus sinais vitais: frequência cardíaca, pressão arterial, saturação de oxigênio, eletrocardiograma e, em cirurgias mais longas, capnografia (CO₂ expirado) e índice biespectral (BIS) para avaliar a profundidade da anestesia.
- Recuperação (despertar): ao final do procedimento, os medicamentos são interrompidos e você começa a acordar lentamente. Você é levado à sala de recuperação pós-anestésica (SRPA), onde fica sob observação até recuperar a consciência e os reflexos protetores (como engolir e tossir). A alta da SRPA depende de critérios como a Escala de Aldrete, que avalia consciência, respiração, circulação e atividade motora.
No cotidiano de uma clínica popular, muitos pacientes chegam com dúvidas: “Doutor, vou sentir dor? Vou acordar no meio da cirurgia? Posso comer antes?”. É importante explicar que a anestesia geral moderna é extremamente segura quando conduzida por profissional habilitado e com equipamentos adequados. O risco de acordar durante a cirurgia (chamado de consciência intraoperatória) é inferior a 0,2% no Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA).
Tipos e Classificações
No Brasil, os anestesiologistas classificam a anestesia geral de acordo com a via de administração e a técnica utilizada:
- Anestesia geral inalatória: os medicamentos são administrados exclusivamente por via respiratória (máscara ou tubo traqueal). Usada especialmente em crianças e em procedimentos curtos. O gás mais empregado é o sevoflurano.
- Anestesia geral venosa total (TIVA): apenas medicamentos intravenosos são usados, sem gases. Exige bomba de infusão controlada. Muito utilizada em cirurgias de médio porte, como cesarianas e laparoscopias.
- Anestesia geral balanceada: combina agentes inalatórios e venosos, analgesia opioide e bloqueadores neuromusculares. É a técnica mais comum no SUS e na maioria dos hospitais brasileiros.
Outra classificação importante é o risco cirúrgico (ASA), definido pela American Society of Anesthesiologists e adotado no Brasil:
- ASA I: paciente saudável (sem doenças crônicas).
- ASA II: doença sistêmica leve a moderada controlada (ex.: hipertensão, diabetes sem complicações).
- ASA III: doença sistêmica grave, mas sem risco imediato de morte (ex.: insuficiência cardíaca compensada).
- ASA IV: doença grave com risco constante de morte (ex.: infarto recente, sepse).
- ASA V: paciente moribundo, cuja cirurgia é uma tentativa de salvar a vida.
No SUS, a avaliação do risco cirúrgico (ASA) é obrigatória e deve constar no prontuário, conforme a Sociedade Brasileira de Anestesiologia.
Quando procurar um médico
Você não “procura um médico” para fazer anestesia geral; ela é indicada quando há necessidade de um procedimento cirúrgico que exija inconsciência total. No entanto, existem situações em que você deve conversar com seu médico ou anestesiologista antes de uma cirurgia marcada:
- Se você tem doenças cardíacas (insuficiência cardíaca, arritmias, infarto recente), doenças pulmonares (asma, DPOC, apneia do sono), doenças renais ou hepáticas.
- Se você já teve reação alérgica a algum anestésico ou medicamento.
- Se você fuma, bebe álcool em excesso ou usa drogas ilícitas (a anestesia geral pode ser mais arriscada).
- Se você está grávida (a menos que seja uma cesárea ou cirurgia de urgência).
- Se você tem histórico de consciência intraoperatória (acordou durante anestesia anterior).
- Se você está com gripe, febre ou infecção ativa – a cirurgia pode ser adiada para evitar complicações respiratórias.
Na clínica popular, é comum o paciente chegar com exames de rotina (eletrocardiograma, hemograma, coagulograma) pedidos pelo cirurgião. O anestesiologista analisa tudo na consulta pré-anestésica, que deve ser feita pelo menos 24 a 48 horas antes do procedimento. Se você nunca passou por essa consulta, exija: é um direito seu, previsto pela Resolução CFM nº 2.174/2017. Para mais informações, consulte o site do Conselho Federal de Medicina.
Termos Relacionados
- Anestesia local: técnica que adormece apenas uma pequena região do corpo, sem perda de consciência. Ex.: aplicação de lidocaína em um corte.
- Sedação (ou sedação consciente): estado de relaxamento e sonolência, mas com o paciente capaz de responder a estímulos verbais. Ex.: sedação para colonoscopia.
- Raquianestesia (ou anestesia subaracnóidea): bloqueio regional da parte inferior do corpo, injetando anestésico no líquido cefalorraquidiano. Muito usada em cesarianas.
- Peridural (anestesia epidural): bloqueio regional semelhante à raquianestesia, mas o anestésico é colocado no espaço epidural. Pode ser usada para analgesia de parto.
- Bloqueio neuromuscular: medicamentos que paralisam temporariamente os músculos, facilitando a intubação e a cirurgia. São usados durante a anestesia geral.
- Monitorização anestésica: conjunto de equipamentos (oxímetro, ECG, pressão arterial, capnógrafo) que acompanham seus sinais vitais durante a cirurgia.
- Recuperação pós-anestésica (RPA): sala onde você acorda e fica em observação logo após a cirurgia, antes de ir para o quarto ou para casa (no caso de cirurgia ambulatorial).
- Índice Biespectral (BIS): monitor que mede a atividade cerebral e ajuda a ajustar a profundidade da anestesia, reduzindo o risco de consciência intraoperatória.
Perguntas Frequentes sobre O que é Anestesia geral
A anestesia geral é perigosa?
A anestesia geral moderna é considerada muito segura, com risco de morte relacionado à anestesia estimado em menos de 1 para cada 200.000 procedimentos no Brasil, segundo a SBA. Os maiores riscos vêm do estado de saúde prévio do paciente (doenças cardíacas, obesidade, idade avançada) e não propriamente da anestesia. O anestesiologista avalia esses riscos na consulta pré-anestésica e toma todas as precauções.
É possível acordar durante a cirurgia?
Sim, mas é extremamente raro (menos de 0,2% dos casos). Chama-se consciência intraoperatória e pode ocorrer quando a dose de anestésico é insuficiente. O anestesiologista usa monitores como o BIS para evitar isso. Na maioria das vezes, o paciente não sente dor, apenas percepção de sons ou sens


