O que é Anestesia peridural?
A anestesia peridural é um tipo de anestesia regional que “adormece” uma grande área do corpo, geralmente da cintura para baixo, mantendo o paciente acordado e consciente. Tecnicamente, ela é feita pela injeção de medicamentos anestésicos (lidocaína, bupivacaína, ropivacaína) associados ou não a opioides (como morfina) no espaço peridural, uma região próxima à medula espinhal, entre a dura-máter e o ligamento amarelo. No Brasil, é um dos procedimentos mais realizados tanto no SUS quanto em clínicas populares, especialmente em partos humanizados, cirurgias ortopédicas de membros inferiores (prótese de quadril, joelho), procedimentos vasculares e no manejo da dor crônica, como hérnias de disco e estenose de canal.
Na prática do dia a dia de uma clínica popular brasileira, a peridural é frequentemente indicada para pacientes com lombociatalgia crônica que não responderam a tratamentos conservadores. Dona Maria, 45 anos, que carrega peso no serviço de limpeza há 20 anos e agora sente dor irradiando para a perna, pode se beneficiar de uma peridural com corticóide para reduzir a inflamação. No SUS, a oferta do procedimento é regulada pela Central de Regulação, mas muitas unidades básicas de saúde encaminham pacientes para serviços de dor ou maternidades de risco habitual. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2023 foram realizadas mais de 1,2 milhão de anestesias peridurais no Brasil (incluindo partos e cirurgias), sendo que a taxa de complicações graves (como hematoma ou abscesso) é inferior a 0,01%, conforme a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA).
Historicamente, a técnica foi descrita pela primeira vez em 1885, mas só se popularizou no Brasil a partir da década de 1940 com o desenvolvimento de agulhas específicas e fármacos modernos. Hoje, a ANVISA regulamenta a qualidade dos anestésicos e cateteres, e o Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio da Resolução 2.174/2017, estabelece que o procedimento deve ser executado exclusivamente por médico anestesiologista ou sob sua supervisão direta. Em clínicas populares, é comum que o mesmo profissional realize a anestesia e o ato cirúrgico – prática permitida, desde que o médico esteja habilitado em Anestesiologia.
Como funciona / Características
A anestesia peridural age bloqueando temporariamente os impulsos nervosos que transmitem dor. Os fármacos são injetados no espaço peridural, uma bainha gordurosa que envolve a medula espinhal. Eles se difundem e alcançam as raízes nervosas, impedindo que o sinal doloroso chegue ao cérebro. O efeito é gradual: após a punção (que leva cerca de 5 a 10 minutos), o paciente começa a sentir calor, formigamento e perda progressiva da sensibilidade. A força muscular pode ficar reduzida (bloqueio motor), mas em doses baixas é possível manter alguma movimentação, o que é desejável em partos.
Na obstetrícia, a peridural é a técnica mais usada para analgesia de parto no Brasil. A gestante recebe uma dose inicial através de um cateter fino (como um canudinho) deixado no local, permitindo administrar mais medicamento durante o trabalho de parto. Em clínicas populares, já atendemos pacientes que chegam com 7 cm de dilatação e pedem a peridural – e é perfeitamente possível realizar, desde que não haja contraindicações (como distúrbios de coagulação). Para cirurgias ortopédicas, como artroscopia de joelho, a peridural proporciona uma recuperação mais rápida, com menos sangramento e menor risco de trombose comparada à anestesia geral.
Uma característica importante é a dose controlada: o anestesiologista pode ajustar a concentração e o volume dos anestésicos conforme a necessidade. Em alguns casos, associamos opioides (morfina, fentanil) para prolongar a analgesia no pós-operatório. É comum o paciente sentir cefaleia pós-punção (dor de cabeça) após a peridural, especialmente se houver punção acidental da dura-máter – isso ocorre em 1 a 2% dos casos e geralmente se resolve com repouso, hidratação e, se necessário, um tampão sanguíneo (injeção do próprio sangue no local).
Tipos e Classificações
No Brasil, classificamos a anestesia peridural de acordo com a técnica, a finalidade e os fármacos utilizados:
- Peridural contínua: realizada com um cateter deixado no espaço peridural. Permite administração intermitente ou contínua de anestésicos. É a escolha para partos, cirurgias longas (como prótese de quadril) e pós-operatório de grandes cirurgias.
- Peridural única: injeção de uma dose única, sem cateter. Indicada para procedimentos curtos (até 2 horas), como cirurgias de varizes ou hemorroidectomia.
- Combinada raqui-peridural (CSE): associa a rapidez da raquianestesia (injeção intra-tecal) com a flexibilidade da peridural (cateter). Muito usada em partos e cesáreas.
- Peridural com sedação: em pacientes ansiosos ou em procedimentos demorados, associamos sedativos leves (midazolam, propofol) para relaxamento, mantendo a capacidade de respirar espontaneamente.
- Peridural para dor crônica: utiliza esteroides (corticoides) e anestésicos locais no tratamento de dores radiculares (hérnia de disco, estenose) e síndrome de dor complexa regional. No SUS, essa modalidade é oferecida em ambulatórios de dor especializados.
- Peridural lombar, torácica ou cervical: varia conforme o nível da coluna. As lombares são as mais comuns; as torácicas são usadas em cirurgias de tórax ou abdome superior; as cervicais são raras e de alto risco.
Quando procurar um médico
Você deve procurar um médico clínico geral ou anestesiologista se apresentar sinais de alerta após uma anestesia peridural, ou se tiver dúvidas sobre a segurança do procedimento. Os sintomas que merecem atenção imediata são:
- Dor de cabeça intensa que piora ao sentar ou levantar e melhora ao deitar (sugere cefaleia pós-punção dural).
- Febre (acima de 38°C) e dor local no local da punção, com vermelhidão ou secreção – pode indicar infecção (abscesso peridural).
- Fraqueza ou dormência nas pernas que persiste por mais de 6 horas após o término do efeito esperado.
- Dificuldade para urinar ou incontinência urinária/fecal.
- Dor lombar intensa e progressiva após o procedimento, podendo ser sinal de hematoma peridural.
Mesmo que você esteja apenas considerando fazer uma anestesia peridural (para parto, cirurgia ou tratamento de dor), é essencial uma avaliação pré-anestésica. No SUS, essa consulta é realizada pelo anestesiologista horas antes do procedimento. Em clínicas populares, o médico assistente deve solicitar exames como coagulograma e contagem de plaquetas para descartar riscos hemorrágicos. Lembre-se: a peridural é segura, mas como qualquer procedimento médico, exige indicação e


