O que é O que é Angina de Prinzmetal?
A Angina de Prinzmetal (também chamada de angina variante) é um tipo de dor no peito que acontece quando uma ou mais artérias do coração sofrem um espasmo temporário, ou seja, se contraem de repente, reduzindo o fluxo de sangue para o músculo cardíaco. Diferente da angina comum, que geralmente ocorre quando a pessoa está fazendo esforço e tem placas de gordura entupindo as artérias, a angina de Prinzmetal costuma aparecer em repouso, muitas vezes de madrugada ou nas primeiras horas da manhã, e não está necessariamente associada a um entupimento fixo. Essa condição foi descrita pelo médico norte-americano Myron Prinzmetal na década de 1950, mas no dia a dia das clínicas populares e do SUS brasileiro ela ainda é pouco conhecida, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados.
Na prática de uma clínica popular em Fortaleza, por exemplo, recebemos pacientes que chegam com queixas de “queimação no peito”, “aperto” ou “dor que parece uma facada” e que muitas vezes já foram tratados para gastrite, ansiedade ou refluxo sem melhora. Quando a pessoa é jovem, não tem os fatores de risco clássicos (diabetes, colesterol alto, obesidade) e a dor aparece em repouso, principalmente à noite, precisamos pensar na Angina de Prinzmetal. O diagnóstico é feito pelo clínico geral ou cardiologista por meio de um eletrocardiograma (ECG) no momento da crise, um teste de esforço e, às vezes, um cateterismo cardíaco com teste de provocação para espasmo. Embora não existam dados oficiais do Ministério da Saúde sobre a prevalência exata no Brasil, estima-se que ela corresponda a cerca de 2% dos casos de angina atendidos nos serviços públicos, sendo mais comum em mulheres abaixo dos 50 anos e em pessoas que fumam ou usam drogas como cocaína. O SUS oferece todo o suporte diagnóstico e terapêutico, desde a Atenção Primária até a alta complexidade, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde — Angina.
É importante que o paciente leigo entenda que a Angina de Prinzmetal não é um “infarto”, mas precisa ser levada a sério porque os espasmos podem desencadear arritmias perigosas ou até mesmo um infarto se não forem tratados. A boa notícia é que, com o tratamento correto, a maioria das pessoas consegue controlar os sintomas e ter uma vida normal. Os medicamentos mais usados no Brasil são os bloqueadores de canal de cálcio, como diltiazem e nifedipino, que relaxam os vasos e previnem os espasmos. Esses remédios estão disponíveis na Relação Nacional de Medicamentos (RENAME) e podem ser retirados nas farmácias populares ou nas unidades de saúde do SUS.
Como funciona / Características
A principal característica da Angina de Prinzmetal é o espasmo coronariano: a artéria que leva sangue ao coração se contrai de forma exagerada, reduzindo o fluxo sanguíneo. Isso provoca isquemia (falta de oxigênio) no músculo cardíaco, gerando a dor. Diferente da angina estável, que ocorre durante atividade física porque as artérias já estão estreitadas por placas de gordura, na angina de Prinzmetal o vaso pode estar normal ou apenas com pequenas placas; o problema é a tendência a espasmos. Esses espasmos podem ser desencadeados por frio, estresse emocional, tabagismo, uso de drogas (principalmente cocaína e anfetaminas), bebidas alcoólicas em excesso e até mesmo por alguns medicamentos (como certos descongestionantes nasais).
No cotidiano de uma clínica popular, um caso típico é o de uma mulher de 45 anos, não obesa, sem diabetes, que relata acordar várias vezes por mês com uma dor forte no peito, que vai e vem em 5 a 15 minutos, às vezes acompanhada de suor frio e náusea. Ela já foi ao pronto-socorro, fez exames de sangue e ECG que estavam normais, e foi liberada com diagnóstico de “ansiedade”. Quando o clínico investiga melhor, descobre que ela fuma um maço de cigarros por dia e está passando por um divórcio estressante. Um ECG feito durante uma crise (se possível) mostra uma elevação transitória do segmento ST, que é o sinal clássico. Esse padrão é diferente do infarto, pois volta ao normal quando a dor passa. O teste terapêutico com nitrato sublingual (como isossorbida) também ajuda: se a dor passar em poucos minutos, é um forte indício de Angina de Prinzmetal.
Outra característica importante é que a Angina de Prinzmetal pode ser confundida com outras condições que também causam dor no peito em repouso, como embolia pulmonar, pericardite, dissecção de aorta ou até mesmo dor musculoesquelética. Por isso, o clínico geral do SUS precisa estar atento aos “sinais vermelhos”: dor que acorda o paciente, que não melhora com antiácidos, que vem acompanhada de síncope (desmaio) ou palpitação. A confirmação diagnóstica muitas vezes exige a realização de um cateterismo com teste de provocação, procedimento disponível nos hospitais de referência do SUS, como o Instituto do Coração (InCor) em São Paulo ou unidades cardiológicas regionais.
Tipos e Classificações
Embora a Angina de Prinzmetal seja frequentemente classificada como um subtipo de angina instável, na prática clínica brasileira não existe uma classificação oficial única. Os especialistas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) costumam dividi-la em duas apresentações principais:
- Angina de Prinzmetal pura: ocorre em pacientes com artérias coronárias angiograficamente normais (sem placas significativas). Geralmente tem bom prognóstico e responde bem aos bloqueadores de canal de cálcio.
- Angina de Prinzmetal associada a aterosclerose: quando há placas de gordura leves ou moderadas nas artérias, e o espasmo acontece justamente no local da placa, aumentando o risco de infarto ou progressão da doença. Nesses casos, além do tratamento medicamentoso, são necessárias mudanças no estilo de vida e, eventualmente, intervenção (angioplastia ou cirurgia).
Na rotina do SUS, o que mais importa é identificar se o paciente tem angina de Prinzmetal isolada ou se existe doença coronariana obstrutiva associada, pois isso muda a conduta. O Ministério da Saúde, através das Diretrizes de Atenção à Saúde Cardiovascular, orienta que todo paciente com suspeita de angina variante seja encaminhado para avaliação cardiológica, especialmente se houver alterações no ECG de repouso ou se a dor for recorrente. A classificação também pode levar em conta a frequência das crises e a resposta ao tratamento, mas, na prática das clínicas populares, o que guia a decisão é a presença ou ausência de fatores de risco e a gravidade dos sintomas.
Quando procurar um médico
Qualquer dor no peito nova, que não melhora com repouso ou com medicamentos comuns, deve ser avaliada por um médico. No caso específico da Angina de Prinzmetal, os sinais de alerta que merecem atenção imediata são:
- Dor no peito que aparece em repouso, especialmente à noite ou nas primeiras horas da manhã.
- Dor que dura mais de 5 minutos e passa sozinha ou com nitrato sublingual.
- Sensação de aperto, queimação ou peso atrás do osso do peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula ou costas.
- Dor acompanhada de falta de ar, sudorese fria, náusea, tontura ou desmaio.
- Dor que é desencadeada por frio intenso, estresse emocional ou após uso de tabaco/drogas.
Se você apresenta esses sintomas, o recomendado é procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou um pronto-socorro de hospital do SUS o mais rápido possível. Não espere para ver se passa, porque o espasmo pode evoluir para uma arritmia grave ou infarto. Na clínica popular, orientamos os pacientes a não tomar “chás caseiros” ou anti-inflamatórios, pois podem piorar o quadro ou mascarar a dor. Após a crise, é importante buscar acompanhamento com cardiologista na atenção secundária do SUS para definir o tratamento crôn


