sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Angioplastia coronária

O que é O que é Angioplastia coronária?

A angioplastia coronária é um procedimento médico minimamente invasivo que tem como objetivo desobstruir as artérias que levam sangue ao coração (as chamadas artérias coronárias). Na prática do dia a dia, principalmente no SUS e em clínicas populares, eu vejo muitos pacientes chegarem com queixas de dor no peito ou falta de ar, e após exames como o teste ergométrico ou a cintilografia, descobrimos que eles têm obstruções parciais ou totais nessas artérias. É aí que entra a angioplastia: ela é uma das principais formas de tratar a doença arterial coronária sem precisar de uma cirurgia de coração aberto.

No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte, respondendo por cerca de 300 mil óbitos por ano, segundo dados do Ministério da Saúde. Desses, grande parte está ligada ao infarto agudo do miocárdio, que muitas vezes é tratado com angioplastia de urgência. Na rede pública, o procedimento é oferecido pelo SUS, mas infelizmente o acesso ainda é desigual: enquanto nos grandes centros há hospitais de referência com hemodinâmica 24 horas, em regiões mais afastadas o paciente pode precisar ser transferido para outra cidade, o que atrasa o atendimento. Essa realidade faz parte do meu cotidiano, e sempre oriento os pacientes sobre a importância de buscar um serviço especializado assim que surgirem sintomas.

Por ser um procedimento menos invasivo que a cirurgia de revascularização (a famosa “ponte de safena”), a angioplastia coronária permite uma recuperação mais rápida e menor tempo de internação. Na clínica popular, muitos pacientes me perguntam se vão precisar ficar muito tempo no hospital. A resposta é: geralmente de 1 a 3 dias, dependendo da complexidade e se houve complicações. Para quem depende do SUS, a fila para a angioplastia eletiva (não emergencial) pode ser longa, mas nos casos de infarto ou angina instável a prioridade é total.

Como funciona / Características

O procedimento é feito por um médico especialista em hemodinâmica (cardiólogo intervencionista), geralmente em um hospital com sala de cateterismo. Explico para meus pacientes de forma simples: primeiro, o médico insere um cateter (um tubo fino e flexível) em uma artéria da virilha ou do punho (geralmente a artéria radial). Esse cateter é guiado com ajuda de raio-X até as artérias do coração. Quando chega no local da obstrução, um balão na ponta do cateter é inflado para comprimir a placa de gordura contra a parede da artéria, abrindo passagem para o sangue. Na maioria das vezes, um stent (uma pequena malha de metal) é colocado no local para manter a artéria aberta.

No Brasil, o SUS disponibiliza tanto stents comuns quanto farmacológicos (revestidos com remédio que evita que a artéria feche de novo). A escolha depende do caso: em pacientes com maior risco de reestenose, como diabéticos ou com lesões muito longas, os stents farmacológicos são preferíveis. A ANVISA regula todos esses dispositivos, e o CFM estabelece as diretrizes para a indicação do procedimento. No meu consultório, sempre vejo pacientes que já passaram por angioplastia e que precisam de acompanhamento com antiagregantes plaquetários (como AAS e clopidogrel) por meses ou até anos para evitar que o stent entupa.

Um exemplo prático que vivi recentemente: um homem de 58 anos, motorista de aplicativo, chegou à clínica com dor no peito aos esforços. Fiz um eletro e um teste ergométrico que mostraram isquemia. Encaminhei para o cardiologista, que pediu um cateterismo. Descobriu-se uma obstrução de 90% na artéria descendente anterior. Ele fez a angioplastia com stent no SUS da região, ficou dois dias internado e voltou ao trabalho após 15 dias, com acompanhamento regular. Hoje está sem dor e controlando a pressão e o colesterol.

Tipos e Classificações

Na prática, a angioplastia coronária pode ser classificada de diferentes formas, e no Brasil usamos principalmente as seguintes categorias:

– **Angioplastia primária**: realizada de urgência durante um infarto agudo do miocárdio. É o padrão-ouro no tratamento do infarto com supra de ST (IAMCSST). O Ministério da Saúde tem programas para garantir que hospitais de referência façam esse procedimento em até 90 minutos desde a chegada do paciente.
– **Angioplastia eletiva**: feita em pacientes com angina estável ou após um infarto recente, para tratar obstruções que não se romperam. Geralmente programada com antecedência.
– **Angioplastia com balão**: sem stent, usada raramente hoje em dia, apenas em situações específicas (vasos muito pequenos ou lesões muito curtas).
– **Angioplastia com stent**: a mais comum. Pode ser com stent convencional (de metal nu) ou farmacológico (eluidor de drogas, como sirolimus ou everolimus).

Além disso, as obstruções são classificadas segundo o sistema da ACC/AHA (American College of Cardiology / American Heart Association) em tipo A (lesões simples, de fácil tratamento), tipo B (moderadamente complexas) e tipo C (lesões complexas, como as muito longas ou calcificadas). No SUS, essa classificação ajuda a definir a prioridade na fila e a necessidade de recursos mais avançados.

Quando procurar um médico

A angioplastia não é um procedimento que se busca por conta própria. Você deve procurar um médico se apresentar **sinais de alerta para doença arterial coronária**:

– **Dor ou desconforto no peito**: sensação de aperto, queimação ou peso, que pode irradiar para o braço esquerdo, ombros, costas, pescoço ou mandíbula. Muitas vezes é desencadeada por esforço ou estresse e melhora com repouso (angina estável). Se a dor for súbita e persistir, pode ser infarto.
– **Falta de ar**: especialmente quando surge aos pequenos esforços ou até em repouso.
– **Sudorese fria, náusea ou tontura**: podem acompanhar a dor do infarto.
– **Palpitações ou sensação de desmaio**.

Na rotina da clínica popular, muitos pacientes ignoram esses sintomas, achando que é “má digestão” ou “ansiedade”. Por isso, reforço sempre: qualquer dor no peito que dure mais de 10 minutos ou que venha acompanhada de falta de ar deve ser avaliada em uma UPA ou pronto-socorro. Se houver suspeita de infarto, o tempo é crucial. O SUS tem a Linha de Cuidado do Infarto, que prioriza o atendimento nessas situações.

Além dos sintomas agudos, pessoas com fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade ou histórico familiar de doença cardíaca devem fazer acompanhamento regular com clínico geral ou cardiologista. Muitas vezes, a angioplastia é indicada após exames como cateterismo, que mostra o grau de obstrução.

Termos Relacionados

  • Aterosclerose – processo de acúmulo de placas de gordura, cálcio e outras substâncias nas paredes das artérias, que pode levar à obstrução e à necessidade de angioplastia.
  • Cateterismo cardíaco – exame invasivo que antecede a angioplastia, usado para visualizar as artérias coronárias e identificar o local e a gravidade das obstruções.
  • Stent – pequena prótese metálica que é implantada na artéria para mantê-la aberta após a angioplastia. Pode ser convencional ou farmacológico.
  • Infarto agudo do miocárdio – morte de uma parte do músculo cardíaco devido à interrupção do fluxo sanguíneo, frequentemente tratada com angioplastia primária.
  • Angina pectoris – dor ou desconforto no peito causado pela redução do fluxo sanguíneo ao coração, geralmente temporária, e que pode indicar a necessidade de angioplastia.
  • Revascularização miocárdica – termo que engloba tanto a angioplastia quanto a cirurgia de ponte de safena, ambas com o objetivo de restaurar o fluxo sanguíneo ao coração.
  • Reestenose – novo estreitamento da artéria no local onde foi colocado o stent, mais comum com stents comuns. O acompanhamento médico e os stents farmacológicos ajudam a prevenir.
  • Doença arterial coronária (DAC) – condição crônica caracterizada pela obstrução das artérias coronárias, principal indicação para angioplastia.

Perguntas Frequentes sobre O que é Angioplastia coronária

Angioplastia dói?

Durante o procedimento você estará acordado, mas com anestesia local no local da punção (virilha ou punho). A sensação é de pressão, mas não de dor forte. Após o procedimento, pode haver um desconforto leve no local de entrada do cateter, que melhora com analgésicos comuns. Na semana seguinte, alguns pacientes relatam cansaço, mas nada que impeça a recuperação.

Quanto tempo dura o procedimento?

Em média, a angioplastia leva de 30 minutos a 2 horas, dependendo da complexidade (quantas artérias, se precisa colocar mais de um stent, etc.). O tempo total no hospital inclui preparo, procedimento e observação pós-operatória, geralmente de 2 a 4 horas na sala de recuperação antes de ir para o quarto.

Precisa de cirurgia? A angioplastia é uma cirurgia?

Não. A angioplastia é um procedimento minimamente invasivo, não uma cirurgia de coração aberto. A incisão é apenas um furinho na pele (às vezes nem precisa de ponto). A recuperação é muito mais rápida – muitas pessoas voltam ao trabalho em 1 a 2 semanas, enquanto na cirurgia de ponte de safena a recuperação leva meses.

Posso voltar a trabalhar depois da angioplastia?

Sim, desde que seu médico libere. Para trabalhos leves e sedentários, é possível retornar em 7 a 14 dias. Para atividades que exijam esforço físico intenso ou dirigir veículos pesados (como caminhão), o prazo pode ser maior – de 30 a 60 dias. No SUS, você tem direito ao afastamento pelo INSS se necessário. Sempre oriento meus pacientes a conversarem com o cardiologista antes de retomar qualquer atividade.

Quais os riscos da angioplastia?

Como todo procedimento invasivo, há riscos, mas eles são baixos quando feito por equipe experiente. Os principais são: sangramento no local da punção, reação ao contraste usado no raio-X (mais