O que é Anosmia?
A anosmia é a perda total ou parcial do olfato. Em termos práticos, é quando a pessoa não consegue sentir cheiros – desde o aroma do café passando até o cheiro de gás de cozinha. Em 15 anos de atendimento no SUS e em clínicas populares brasileiras, vi inúmeros pacientes chegarem com essa queixa, muitos sem saber que o problema pode ter causas simples, como um resfriado forte, ou algo mais sério, como um traumatismo craniano ou doenças neurodegenerativas.
No Brasil, a anosmia ganhou destaque durante a pandemia de COVID-19, quando se tornou um dos sintomas mais comuns. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 30% dos infectados relataram alguma alteração no olfato, sendo a anosmia um dos principais motivos de procura por atendimento em unidades básicas de saúde. É importante saber que a perda de olfato pode ser temporária ou permanente, e o diagnóstico precoce ajuda a evitar complicações e a melhorar a qualidade de vida.
Na prática clínica, a anosmia é avaliada com testes simples, como pedir para o paciente identificar odores comuns (café, canela, sabão). Em clínicas populares, onde o acesso a exames complexos é limitado, a anamnese detalhada e o exame físico são fundamentais. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento para casos de anosmia, desde a atenção primária até centros de referência em otorrinolaringologia, especialmente quando a causa é infecciosa ou pós-viral.
Como funciona / Características
O olfato humano depende de células especializadas localizadas no fundo do nariz, chamadas de epitélio olfatório. Essas células captam moléculas odoríferas e transformam o estímulo químico em sinal elétrico, que vai para o cérebro através do nervo olfatório. Quando esse caminho é interrompido – por uma inflamação, obstrução, lesão ou doença – a pessoa deixa de sentir cheiros.
Em clínicas populares, o paciente geralmente descreve: “Doutor, parei de sentir o gosto da comida”. Na verdade, o paladar (sentido do gosto) está preservado, mas a percepção de sabores depende muito do olfato – por isso a anosmia afeta tanto a alimentação. Outro relato comum é não perceber o cheiro de vazamento de gás, o que representa risco de acidentes domésticos.
As características clínicas variam: pode ser súbita (como em uma infecção viral) ou gradual (como em doenças crônicas como rinite alérgica não tratada ou pólipos nasais). Durante a pandemia, muitos pacientes apresentaram anosmia transitória, com recuperação em algumas semanas, mas uma parcela significativa desenvolveu parosmia (distorção dos odores, onde algo que cheirava bem passa a ter cheiro ruim) ou fantosmia (sentir cheiros que não existem).
Tipos e Classificações
A anosmia é classificada principalmente de acordo com a causa e a duração. No Brasil, a classificação mais usada em ambulatórios de otorrinolaringologia e neurologia é:
- Anosmia condutiva – causada por obstrução das vias nasais, como em rinites, sinusites, pólipos ou desvio de septo. É a mais comum em clínicas populares e geralmente reversível com tratamento clínico ou cirúrgico.
- Anosmia neurossensorial – ocorre por dano ao nervo olfatório ou às células olfatórias. Exemplos: infecções virais (COVID-19, influenza), traumatismo craniano, doenças neurodegenerativas (como Parkinson e Alzheimer) e exposição a toxinas.
- Anosmia congênita – presente desde o nascimento, geralmente associada a síndromes genéticas raras, como a Síndrome de Kallmann.
- Anosmia funcional – relacionada a distúrbios psiquiátricos, como depressão grave ou simulação. Exige avaliação multidisciplinar.
Quanto ao tempo, classifica-se como aguda (dias a semanas) ou crônica (mais de 12 semanas). O Ministério da Saúde, por meio de protocolos clínicos, orienta que toda anosmia com mais de 4 semanas deve ser investigada por especialista.
Quando procurar um médico
Procure atendimento médico se você apresentar perda súbita do olfato, especialmente se associada a sinais de alerta como:
- Dor de cabeça intensa e persistente
- Secreção nasal com sangue
- Dificuldade para respirar ou sensação de pressão no rosto
- Perda de olfato após traumatismo craniano ou queda
- Alteração no paladar que prejudique a alimentação
- Histórico de convulsões ou alterações neurológicas
Na rede SUS, o primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O clínico geral ou médico de família pode fazer a avaliação inicial, solicitar exames simples (como rinoscopia) e encaminhar para otorrinolaringologista ou neurologista se necessário. Em clínicas populares, o atendimento é semelhante, muitas vezes com agendamento rápido. Não ignore a anosmia: além de comprometer a qualidade de vida, pode ser sinal de algo mais sério.
Termos Relacionados
- Hiposmia – redução, mas não perda total, da capacidade de sentir cheiros. É mais comum que a anosmia total.
- Parosmia – distorção dos odores: um cheiro antes agradável passa a ser percebido como desagradável (por exemplo, café com cheiro de queimado).
- Fantosmia – sensação olfatória sem estímulo real, como sentir cheiro de fumaça ou de podre quando não há nada.
- Ageusia – perda total do paladar. Muitas vezes confundida com anosmia, mas é um sentido diferente (língua).
- Rinite – inflamação da mucosa nasal que pode obstruir as vias e causar anosmia condutiva temporária.
- Pólipos nasais – crescimentos benignos na mucosa nasal, comuns em pacientes com rinite crônica, que podem bloquear a passagem de odores.
- Nervo olfatório – primeiro par craniano, responsável por levar a informação do cheiro ao cérebro.
- Teste de olfato – exame clínico ou instrumentado (como o University of Pennsylvania Smell Identification Test) usado no Brasil para quantificar a perda olfatória.
Perguntas Frequentes sobre Anosmia
Anosmia tem cura?
Depende da causa. A anosmia condutiva geralmente tem cura com tratamento da obstrução (medicamentos para rinite, cirurgia para pólipos). A anosmia neurossensorial pós-viral (como após COVID-19) pode regredir espontaneamente em semanas ou meses; em alguns casos, permanece permanente. Existem técnicas de reabilitação olfatória que ajudam na recuperação, como treinar o nariz com odores fortes todos os dias.
Como saber se a perda de olfato é por COVID?
Durante a pandemia, a anosmia súbita sem obstrução nasal (nariz entupido) foi um marcador forte de COVID-19. Se você perdeu o olfato de repente e não tem coriza, procure testagem. Mesmo após a pandemia, essa queixa deve ser investigada, pois outras viroses também podem causar o mesmo sintoma. O SUS oferece testagem gratuita em unidades de saúde.
O que fazer para recuperar o olfato mais rápido?
Além de tratar a causa de base, a reabilitação olfatória é a principal recomendação. Consiste em cheirar quatro odores diferentes (como limão, cravo, eucalipto e baunilha) por 10 a 20 segundos cada, duas vezes ao dia, por pelo menos 12 semanas. Esse treino estimula a regeneração das células olfatórias. Converse com seu médico antes de iniciar.
Anosmia pode ser sinal de Alzheimer ou Parkinson?
Sim, a perda do olfato pode ser um dos primeiros sinais de doenças neurodegenerativas, aparecendo anos antes dos sintomas motores ou cognitivos. Por isso, em pessoas com mais de 60 anos, a anosmia de causa não explicada merece avaliação neurológica. O diagnóstico precoce ajuda no planejamento do cuidado.
Crianças também podem ter anosmia?
Sim, embora menos diagnosticada. Causas comuns em crianças incluem rinite alérgica, adenoides aumentadas e infecções virais. A perda de olfato em crianças pode afetar o apetite e o desenvolvimento. O pediatra pode orientar o tratamento, e o SUS oferece acompanhamento especializado quando necessário.
Existe algum exame para medir a anosmia?
Sim. O médico pode usar testes subjetivos (como identificar odores em potes) ou testes objetivos, como a rinometria acústica ou a avaliação eletrofisiológica (potenciais evocados olfatórios). Esses exames são disponíveis em centros de referência do SUS e em alguns convênios. Na clínica popular, geralmente começamos com a história e um teste simples com café e canela.
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica. Para mais informações, consulte o site do Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Medicina.
Escrito por Ana Beatriz Melo, editora-chefe e jornalista de saúde. Perfil da autora.


