sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Antigripal

O que é Antigripal?

Antigripal é o nome popular dado a medicamentos que prometem aliviar os sintomas da gripe (influenza) e de resfriados comuns. Na prática clínica do SUS e das clínicas populares brasileiras, esse termo é usado diariamente por pacientes que chegam dizendo: “Doutor(a), quero um antigripal forte”. No entanto, do ponto de vista científico, não existe um remédio que “cure” a gripe – o que esses produtos fazem é atuar sobre os incômodos como febre, dor no corpo, coriza, congestão nasal e dor de cabeça. São, em geral, associações de princípios ativos, como analgésicos, antitérmicos, anti‑histamínicos, descongestionantes nasais e, em algumas formulações, cafeína ou expectorantes.

No Brasil, os antigripais são amplamente consumidos, especialmente durante o outono e inverno, quando os casos de síndrome gripal aumentam. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2023, foram registrados mais de 1,2 milhão de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, muitos deles associados ao vírus Influenza. O uso indiscriminado de antigripais é uma preocupação: muitas pessoas os tomam por conta própria, sem orientação médica, e podem exceder doses seguras – o que leva a efeitos adversos como sonolência, taquicardia e, principalmente, lesão hepática pelo paracetamol. A ANVISA regula esses medicamentos como isentos de prescrição (MIP), mas reforça que a automedicação deve ser feita com critério e por curto período (até 3‑5 dias).

No dia a dia de uma clínica popular, vejo muitos pacientes que usam antigripais para qualquer tipo de mal‑estar – desde dor de garganta até enxaqueca. É preciso educar sobre a diferença entre gripe e resfriado, e lembrar que o repouso, a hidratação e, quando indicada, a vacinação anual contra a gripe são as bases da prevenção. O antigripal não substitui o atendimento médico, especialmente para grupos de risco como crianças menores de 2 anos, gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Fonte: Ministério da Saúde – Gripe.

Como funciona / Características

Um antigripal age sobre vários sintomas ao mesmo tempo porque combina princípios ativos com ações diferentes. Os mais comuns são:

  • Paracetamol (analgésico e antitérmico) – reduz a febre e alivia dores no corpo.
  • Clorfeniramina ou dexclorfeniramina (anti‑histamínico) – combate coriza, espirros e coceira no nariz.
  • Fenilefrina ou pseudoefedrina (descongestionante nasal) – diminui a sensação de nariz entupido.
  • Cafeína – presente em alguns preparados para reduzir a sonolência causada pelo anti‑histamínico e dar uma sensação de “disposição”.

Na prática, o paciente chega com quadro de início súbito: febre (38‑39°C), calafrios, dores musculares, dor de cabeça, coriza clara e cansaço. Após tomar um antigripal, muitos se sentem mais confortáveis em 30‑60 minutos. Porém, é fundamental entender que o efeito é temporário – os sintomas podem voltar quando o remédio passa. O vírus continua lá, e o sistema imunológico é que combate a infecção.

Uma característica importante é que esses medicamentos não contêm antibióticos. Muitos pacientes acreditam que “antigripal” trata a causa, mas ele apenas alivia. Se houver suspeita de infecção bacteriana secundária (como sinusite ou pneumonia), o médico deve ser procurado. Além disso, o uso prolongado ou excessivo de antigripais pode mascarar sintomas de uma doença mais grave, como dengue ou COVID‑19.

Tipos e Classificações

No Brasil, os antigripais podem ser classificados segundo a composição e a forma farmacêutica:

  • Por composição: Combinações fixas (ex.: paracetamol + clorfeniramina + fenilefrina) ou monocomponentes (apenas paracetamol, mas nem sempre chamado de antigripal).
  • Por forma: Comprimidos, cápsulas, pós efervescentes, líquidos (gotas ou xarope) – os pós são muito populares no Brasil por serem práticos.
  • Por prescrição: A maioria é isenta de prescrição (MIP), mas alguns contêm codeína (para tosse) ou pseudoefedrina em altas doses, e nesses casos a receita médica é exigida. A ANVISA mantém uma lista atualizada de medicamentos que podem ser vendidos sem prescrição.

Exemplos de marcas comuns: Coristina D®, Benegripe®, Melhoral®, Naldecon®, Resfenol®. Vale ressaltar que a escolha do “melhor antigripal” depende do perfil do paciente: quem tem pressão alta, por exemplo, deve evitar descongestionantes adrenérgicos (fenilefrina, pseudoefedrina), pois podem elevar a pressão arterial. No SUS, a Atenção Básica dispensa alguns destes medicamentos, mas não há oferta padronizada para todas as formulações – a orientação é usar medicação sintomática conforme protocolos locais.

Fonte: ANVISA – Medicamentos.

Quando procurar um médico

O uso de antigripal não substitui a consulta médica quando há sinais de complicação. Procure atendimento se você ou um familiar apresentar:

  • Febre acima de 39°C que não cede após 3 dias de uso do antigripal.
  • Dificuldade para respirar, sensação de “peito fechado” ou chiado.
  • Dor no peito ou palpitações.
  • Confusão mental, sonolência excessiva ou desmaio.
  • Vômitos persistentes que impedem a hidratação.
  • Piora dos sintomas depois de uma melhora inicial (sinal de infecção secundária).
  • Manchas avermelhadas na pele (podem indicar dengue ou reação alérgica).
  • Crianças com menos de 2 anos, idosos acima de 65 anos, gestantes ou pessoas com doenças crônicas (cardíacas, renais, hepáticas, asma) – mesmo com sintomas leves, o ideal é ter avaliação médica.

Na minha experiência, muitas pessoas esperam que o antigripal “resolva” tudo e demoram a buscar ajuda, o que pode agravar quadros de pneumonia ou insuficiência respiratória. A regra de ouro é: se os sintomas forem intensos ou durar mais de uma semana, procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou clínica de pronto‑atendimento.

Termos Relacionados

  • Gripe (Influenza): Infecção viral respiratória causada pelos vírus Influenza A, B e sazonalmente C. Caracteriza‑se por febre alta, dores musculares e tosse seca. A vacinação anual é a principal forma de prevenção.
  • Resfriado comum: Infecção geralmente mais branda, causada por outros vírus (rinovírus, adenovírus). Sintomas mais leves e em geral sem febre alta ou dores corporais intensas.
  • Paracetamol: Analgésico e antitérmico muito usado em antigripais. Dose máxima segura no adulto: 4g/dia (oito comprimidos de 500mg). Ultrapassar isso pode causar lesão hepática grave.
  • Anti‑histamínico: Substância que bloqueia a ação da histamina, aliviando espirros, coriza e coceira. Exemplos: clorfeniramina, loratadina, cetirizina. Nos antigripais, os mais antigos causam sonolência.
  • Descongestionante nasal: Exemplos: oximetazolina (spray), fenilefrina, pseudoefedrina. Uso prolongado pode causar efeito rebote (piora da obstrução nasal) e dependência.
  • Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): Quadro respiratório que requer hospitalização, muitas vezes associado a Influenza, COVID‑19 ou VSR. A notificação é obrigatória no Brasil.
  • Vacina da gripe (Influenza): Disponível no SUS para grupos prioritários (crianças, idosos, gestantes, profissionais de saúde). Reduz complicações e mortes.
  • Automedicação: Prática de tomar medicamentos sem prescrição. Embora antigripais sejam isentos, o uso inadequado é um problema de saúde pública no Brasil.

Perguntas Frequentes sobre Antigripal

Posso tomar antigripal todos os dias?

Não é recomendado. O antigripal foi criado para alívio sintomático por curto período, geralmente 3 a 5 dias. O uso contínuo pode levar a toxicidade (principalmente hepática pelo paracetamol) e a mascarar doenças crônicas. Se você sente necessidade de tomar antigripal todos os dias, procure um médico para investigar a causa.

Antigripal corta o efeito do antibiótico?

Não, não há interação direta que “corte” o efeito. Porém, é importante nunca misturar antigripais com outros medicamentos sem orientação, especialmente se você faz uso de remédios para pressão, antidepressivos ou sedativos. Converse com o farmacêutico ou médico.

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