quinta-feira, maio 28, 2026

O que é Apneia

O que é O que é Apneia?

No meu consultório, tanto no SUS quanto em clínicas populares de Fortaleza, ouço quase todos os dias: “Doutor, minha esposa reclama que eu paro de respirar enquanto durmo”. É aí que entramos no assunto da apneia. De forma simples, apneia é a interrupção temporária da respiração durante o sono. Essas pausas podem durar de segundos a mais de um minuto e se repetir centenas de vezes por noite, impedindo que o cérebro e o corpo descansem como deveriam.

Na prática clínica brasileira, a apneia obstrutiva do sono (AOS) é a forma mais comum, atingindo entre 10% e 15% dos adultos no país, segundo estimativas do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Infelizmente, grande parte dos casos ainda não é diagnosticada. Muitos pacientes procuram ajuda por causa de cansaço extremo, sonolência ao volante ou pressão alta de difícil controle — e só depois de uma investigação mais detalhada descobrem que a raiz do problema está na respiração noturna. No SUS, a oferta de exames como a polissonografia é limitada e há filas, mas o diagnóstico precoce pode evitar complicações sérias como infarto e derrame.

A apneia não é apenas um “ronco alto”. Ela representa um fardo silencioso para o sistema cardiovascular e metabólico. Por isso, entender o que é e como tratá-la pode transformar a qualidade de vida de milhares de brasileiros. Neste verbete, vou explicar tudo de forma clara e acolhedora, como faço na sala de espera das clínicas onde atendo.

Como funciona / Características

Imagine que a garganta é um cano flexível. Durante o dia, os músculos da faringe mantêm esse cano aberto. Ao dormir, esses músculos relaxam naturalmente. Em pessoas com apneia, esse relaxamento é exagerado, causando o colapso das vias aéreas. O ar não passa, o oxigênio no sangue cai e o cérebro “acorda” a pessoa para que ela respire de novo — muitas vezes com um ronco explosivo ou um engasgo. Esse ciclo se repete a noite inteira, sem que a pessoa tenha plena consciência.

No dia a dia do consultório, percebo que os principais sinais são: sonolência diurna excessiva (a pessoa dorme no trabalho, no ônibus ou na reunião), ronco alto e irregular (com pausas seguidas de “ressôo”), boca seca ao acordar, dor de cabeça matinal, irritabilidade e dificuldade de concentração. Muitos pacientes atribuem esses sintomas à “noite mal dormida” ou ao estresse, mas o quadro pode estar relacionado à apneia.

Uma característica marcante é a associação com obesidade, especialmente o acúmulo de gordura no pescoço. No Brasil, o aumento da obesidade tem elevado a prevalência da apneia. No entanto, pessoas magras também podem ter, principalmente se houver fatores anatômicos como amígdalas grandes, desvio de septo ou retrognatia (queixo pequeno). A hipertensão arterial resistente ao tratamento e o diabetes tipo 2 descompensado são bandeiras vermelhas que eu sempre levanto na consulta.

Tipos e Classificações

Na medicina, costumamos classificar a apneia do sono em três tipos principais:

  • Apneia Obstrutiva do Sono (AOS): a mais frequente, causada pelo colapso físico das vias aéreas superiores. O esforço respiratório existe, mas o ar não passa.
  • Apneia Central do Sono (ACS): ocorre quando o cérebro “esquece” de enviar o comando para os músculos respiratórios. O fluxo de ar para sem esforço torácico. É mais comum em pacientes com insuficiência cardíaca, AVC ou uso de opioides.
  • Apneia Mista: começa como central e evolui para obstrutiva, combinando os dois mecanismos.

No Brasil, a classificação da gravidade é feita pelo Índice de Apneia-Hipopneia (IAH) – número de pausas por hora de sono. No laudo de polissonografia, o paciente vê: IAH leve (5 a 15 eventos/h), moderado (15 a 30) e grave (acima de 30). Essa classificação orienta o tratamento, que pode incluir medidas comportamentais, uso de CPAP (aparelho que aplica pressão positiva nas vias aéreas), aparelhos intraorais ou, em casos refratários, cirurgia. O SUS disponibiliza o CPAP para pacientes com IAH grave e sintomas importantes, por meio de protocolos específicos.

Quando procurar um médico

Você deve procurar um clínico geral ou um pneumologista (preferencialmente especialista em sono) se:

  • Você ou seu parceiro percebem pausas na respiração durante o sono (o relato do acompanhante é fundamental).
  • Tem sonolência diurna que atrapalha o trabalho, os estudos ou a direção (ex.: cochila no carro, em reuniões ou assistindo TV).
  • Ronca alto e de forma irregular, com engasgos ou sufocamentos noturnos.
  • Acorda com dor de cabeça, boca seca, cansaço e sensação de noite mal dormida, mesmo tendo dormido 8 horas.
  • Tem pressão alta de difícil controle, diabetes ou arritmia cardíaca.
  • Está acima do peso (especialmente com circunferência do pescoço maior que 40 cm em homens e 36 cm em mulheres).

Na rede pública, o encaminhamento é feito pela Unidade Básica de Saúde (UBS). Após avaliação inicial, o médico pode solicitar uma polissonografia. Em clínicas populares, muitas vezes conseguimos agilizar o exame por meio de parcerias com laboratórios. Se você suspeita de apneia, não adie a consulta – o tratamento pode prevenir infarto, AVC e melhorar sua disposição de forma surpreendente.

Termos Relacionados

  • Polissonografia: exame que monitora o sono, registrando ondas cerebrais, respiração, batimentos cardíacos e movimentos. É o padrão ouro para diagnosticar apneia.
  • CPAP (Continuous Positive Airway Pressure): aparelho que libera ar com pressão positiva para manter as vias aéreas abertas durante o sono. Tratamento de primeira linha para apneia moderada a grave.
  • Ronco: som gerado pela vibração dos tecidos da garganta durante a respiração. Nem todo ronco é apneia, mas ronco alto e irregular merece investigação.
  • Índice de Apneia-Hipopneia (IAH): número de pausas respiratórias por hora de sono. Usado para classificar a gravidade.
  • Sonolência diurna excessiva: tendência a dormir em situações inapropriadas. Pode ser medida pela Escala de Sonolência de Epworth.
  • Hipopneia: redução parcial do fluxo de ar durante o sono, com queda de oxigênio. Juntamente com a apneia, compõe o IAH.
  • Aparelho intraoral: dispositivo dentário que reposiciona a mandíbula para frente, aumentando o espaço das vias aéreas. Opção para apneia leve a moderada.
  • Obesidade e apneia: a obesidade é o principal fator de risco modificável. A perda de peso pode reduzir significativamente o IAH.

Perguntas Frequentes sobre O que é Apneia

Apneia do sono tem cura??

Sim, em muitos casos a apneia pode ser revertida ou controlada. A cura depende da causa. Se a apneia está relacionada à obesidade, a perda de peso pode eliminar o problema. Em casos de amígdalas grandes ou desvio de septo, a cirurgia pode corrigir. Na maioria das situações, especialmente na apneia moderada a grave, o tratamento com CPAP controla os sintomas de forma eficaz, mas não “cura” definitivamente a condição anatômica. O importante é tratar para evitar complicações – e muitos pacientes levam uma vida normal com o uso do aparelho.

Como é feito o diagnóstico pelo SUS??

O primeiro passo é procurar a UBS. O médico da família faz a triagem com base nos sintomas e pode solicitar uma polissonografia. O exame é realizado em laboratórios credenciados, mas há filas que podem demorar meses dependendo da região. Em clínicas populares, algumas oferecem o exame com valores acessíveis. O la