O que é O que é Apraxia?
Apraxia é um distúrbio neurológico que afeta a capacidade de realizar movimentos aprendidos, mesmo quando a pessoa tem força muscular, coordenação e compreensão preservadas. Em outras palavras, o cérebro “sabe” o que quer fazer, mas não consegue enviar as instruções corretas para os músculos executarem a tarefa. No dia a dia de uma clínica popular, muitos pacientes chegam com queixas como “doutor, eu sei como escovar os dentes, mas não consigo mais fazer” ou “minha mão não obedece quando tento abrir uma porta”. A apraxia costuma ser confundida com fraqueza muscular (paralisia) ou com falta de atenção, mas é uma condição específica do planejamento motor.
No Brasil, a apraxia é mais frequentemente observada como sequela de acidente vascular cerebral (AVC) – condição que atinge cerca de 100 mil brasileiros por ano, segundo dados do Ministério da Saúde. Também pode ocorrer em traumas cranioencefálicos, tumores cerebrais e doenças neurodegenerativas, como a demência de Alzheimer. No contexto do SUS, o diagnóstico é feito por neurologistas ou fonoaudiólogos, com auxílio de exames de imagem (tomografia ou ressonância) e testes específicos. É fundamental que o médico da atenção básica saiba reconhecer os sinais iniciais para encaminhar rapidamente o paciente, pois a reabilitação precoce melhora significativamente a qualidade de vida.
Fonte: Ministério da Saúde – AVC
Como funciona / Características
A apraxia não é um problema de força ou de vontade; é uma falha no “mapa” que o cérebro usa para organizar os movimentos em sequência. Imagine que você quer preparar um café: seu cérebro precisa ativar a memória da ação (pegar a garrafa, abrir a tampa, despejar a água) e coordenar cada etapa. Na apraxia, uma ou mais dessas etapas são perdidas, mesmo que os músculos do braço estejam perfeitos.
Exemplos práticos do cotidiano:
- Apraxia de vestir-se: o paciente tenta colocar uma camisa, mas erra a ordem (coloca o braço na cabeça ou tenta vestir as pernas).
- Apraxia de utensílios: não consegue usar um garfo ou uma tesoura, mesmo sabendo para que servem.
- Apraxia da fala: a pessoa sabe o que dizer, mas não consegue articular as palavras corretamente, trocando sons ou travando em uma sílaba. Isso é diferente de afasia (perda da linguagem) e de disartria (fraqueza dos músculos da fala).
- Apraxia construtiva: dificuldade para desenhar um círculo ou montar quebra-cabeças simples.
No dia a dia da clínica popular, é comum familiares acharem que o paciente está “fingindo” ou “relaxado”. Por isso, a orientação empática é essencial: explicar que não é falta de esforço, mas uma falha neurológica que precisa de reabilitação específica.
Tipos e Classificações
As classificações mais usadas no Brasil seguem a neurologia clássica e o CID-10 (código R48.2 – apraxia). Os principais tipos são:
- Apraxia ideomotora: dificuldade em realizar movimentos sob comando (ex.: “mostre como se faz um sinal de paz e amor”) – a pessoa sabe o que é, mas não consegue executar.
- Apraxia ideacional: dificuldade em realizar uma sequência de ações que levam a um objetivo (ex.: acender um fósforo e acender uma vela).
- Apraxia da fala (apraxia verbal): distúrbio na programação motora da fala, comum em crianças (dispraxia verbal do desenvolvimento) e em adultos pós-AVC.
- Apraxia construtiva: incapacidade de copiar ou construir figuras, blocos ou objetos.
- Apraxia bucofacial (oral): dificuldade em realizar movimentos voluntários com a boca, como assobiar ou soprar, apesar de movimentos involuntários estarem preservados.
No SUS, a avaliação é multidisciplinar: neurologista, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional. A classificação ajuda a direcionar a reabilitação.
Fonte: Academia Brasileira de Neurologia
Quando procurar um médico
Você deve procurar ajuda médica se perceber, em você ou em alguém próximo, sinais de alerta como:
- Dificuldade repentina em realizar tarefas simples que antes eram automáticas (escovar os dentes, usar talheres, vestir roupas).
- Fala que parece “travada”, com pausas ou trocas de sons, mesmo sem fraqueza na boca.
- Problemas para desenhar, escrever ou montar objetos.
- Dificuldade em seguir comandos verbais para movimentos (ex.: “levante a mão esquerda” – a pessoa entende mas não executa).
- História recente de AVC, traumatismo craniano ou diagnóstico de demência.
Orientação ao paciente: procure primeiro a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O médico de família poderá fazer uma triagem e encaminhar ao neurologista ou fonoaudiólogo da rede SUS. Não confunda apraxia com “teimosia” ou “falta de vontade” – o paciente sabe o que quer, mas o cérebro não consegue executar. O tratamento é baseado em terapia ocupacional, fonoaudiologia e treino motor, e os resultados costumam ser positivos quando iniciado cedo.
Termos Relacionados
- Afasia – Distúrbio da linguagem (falar, compreender, ler, escrever). Difere da apraxia da fala porque na afasia o conteúdo da fala está alterado, não apenas a coordenação motora.
- Ataxia – Falta de coordenação motora devido a problemas no cerebelo. Parece-se com apraxia, mas a ataxia cursa com movimentos desajeitados e tremor, enquanto a apraxia tem perda da sequência correta.
- Disartria – Dificuldade em articular palavras por fraqueza ou paralisia dos músculos da fala. É um problema de execução, não de planejamento como na apraxia.
- Demência – Declínio cognitivo global. A apraxia construtiva e ideacional são comuns em demências como Alzheimer.
- AVC (Acidente Vascular Cerebral) – Principal causa de apraxia no Brasil. O infarto ou hemorragia cerebral atinge áreas responsáveis pelo planejamento motor.
- Paralisia – Perda de força muscular (paresia) ou movimento voluntário (plegia).


