O que é O que é Áreas de Brodmann?
As Áreas de Brodmann são como um mapa detalhado do cérebro humano, criado pelo anatomista alemão Korbinian Brodmann no início do século XX. Ele dividiu o córtex cerebral (a camada mais externa do cérebro) em 52 regiões numeradas, baseando-se na organização das células nervosas (neurônios) vistas ao microscópio. Cada número (ex: área 4, área 17) corresponde a uma região com funções específicas, como movimento, visão, linguagem ou memória. Na prática clínica brasileira, esse mapa é usado por neurologistas, neurocirurgiões e radiologistas para interpretar exames de imagem (como ressonância magnética) e planejar tratamentos.
No dia a dia de uma clínica popular ou do SUS, você não ouvirá o paciente dizer “doutor, minha área de Brodmann 44 está inflamada”. Mas esse conceito está por trás de situações comuns: quando um paciente chega com fraqueza no braço direito após um AVC, o médico sabe que a lesão provavelmente atingiu a área motora primária (área 4) do lado esquerdo do cérebro. Da mesma forma, alterações na fala (afasia) frequentemente envolvem as áreas de Broca (44 e 45) ou Wernicke (22). Segundo dados do Ministério da Saúde, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a principal causa de morte no Brasil, com cerca de 100 mil óbitos por ano — e o conhecimento das Áreas de Brodmann é essencial para localizar a lesão e orientar a reabilitação.
Para o paciente leigo, entender que o cérebro tem “bairros” com funções diferentes ajuda a compreender por que sintomas como perda de visão, dormência ou dificuldade para falar podem apontar para um local específico do cérebro. As Áreas de Brodmann não são um exame, mas uma ferramenta de classificação usada em laudos de neuroimagem e em discussões de casos clínicos. No SUS, a ressonância magnética funcional (RMf) e a eletroencefalografia (EEG) frequentemente fazem referência a essas áreas para mapear funções antes de cirurgias de epilepsia ou tumores. A ANVISA regula os equipamentos de imagem, e o CFM estabelece diretrizes para laudos neurológicos, sempre baseados em padrões como a classificação de Brodmann.
Como funciona / Características
O funcionamento das Áreas de Brodmann pode ser comparado a um bairro de uma cidade: cada rua (neurônio) tem uma função, e a área como um todo tem um papel no funcionamento do corpo. O cérebro é dividido em lobos (frontal, parietal, temporal, occipital e insular), e cada lobo contém várias áreas numeradas. Por exemplo:
- Área 4 (córtex motor primário): responsável por iniciar movimentos voluntários, como levantar um braço. Uma lesão aqui causa paralisia do lado oposto do corpo.
- Áreas 1, 2 e 3 (córtex somestésico primário): recebem sensações de tato, dor e temperatura. Se lesionadas, o paciente perde a sensibilidade em uma parte do corpo.
- Área 17 (córtex visual primário): processa as imagens que vemos. Lesão bilateral leva à cegueira cortical (os olhos funcionam, mas o cérebro não interpreta).
- Área 44 e 45 (área de Broca): controlam a produção da fala. Uma lesão aqui causa afasia de Broca (dificuldade para falar frases completas, mas compreensão preservada).
- Área 22 (área de Wernicke): responsável pela compreensão da linguagem. Lesão resulta em afasia de Wernicke (fala fluente, mas sem sentido).
Na rotina de um clínico geral, essas áreas são relevantes em situações como: um paciente idoso com queixa de “falha na memória” pode ter alterações nas áreas do hipocampo (parte do sistema límbico, relacionada a áreas vizinhas, como área 28). Crianças com dificuldade escolar podem ser avaliadas por neurologista que utiliza o mapa de Brodmann para localizar disfunções. Em clínicas populares, onde a demanda por atendimento neurológico é alta — estima-se que cerca de 5% da população brasileira sofre de epilepsia (Fonte: Ministério da Saúde) —, o mapeamento dessas áreas ajuda a indicar o melhor tratamento medicamentoso ou cirúrgico.
Vale lembrar que as Áreas de Brodmann têm variações individuais. Não existem dois cérebros exatamente iguais, mas há um padrão geral. Em exames de neuroimagem funcional, o radiologista pode identificar áreas ativadas durante uma tarefa (ex: falar) e correlacioná-las com as áreas de Brodmann. Isso é comum em pronto-atendimentos de hospitais-escola do SUS, como o Hospital das Clínicas, para planejar cirurgias de tumores próximos a áreas nobres (eloquentes).
Tipos e Classificações
Originalmente, Brodmann descreveu 52 áreas no cérebro humano, mas o mapa foi revisado e expandido por outros pesquisadores. Hoje, as áreas são agrupadas em categorias funcionais:
- Áreas sensoriais primárias: recebem informações diretas dos órgãos dos sentidos (visão – área 17; audição – áreas 41 e 42; tato – áreas 1, 2, 3).
- Áreas motoras primárias: iniciam movimentos (área 4).
- Áreas de associação: integram informações de várias áreas sensoriais e motoras (ex: áreas 5, 7, 9, 10, 11). São responsáveis por funções complexas como planejamento, memória e personalidade.
- Áreas límbicas: relacionadas a emoções e memória (áreas 23, 24, 28, 34).
No Brasil, a classificação de Brodmann é amplamente utilizada em laudos de ressonância magnética funcional (RMf) e em estudos de estimulação cerebral (como para epilepsia). O CFM, por meio da Resolução CFM nº 2.330/2023, estabelece critérios para a realização de exames de neuroimagem funcional, que frequentemente citam as áreas de Brodmann. Também é comum em cursos de neurologia das faculdades de medicina brasileiras, sendo uma base para o aprendizado da neuroanatomia.
Quando procurar um médico
Você, como paciente, não precisa saber o número de uma área de Brodmann para procurar ajuda. Mas alguns sinais indicam que pode haver um problema em regiões específicas do cérebro:
- Fraqueza repentina em um braço ou perna (pode indicar lesão na área motora – área 4 ou 6).
- Dormência ou formigamento em um lado do corpo (áreas sensitivas 1,2,3).
- Dificuldade para falar ou entender o que os outros dizem (áreas de Broca e Wernicke).
- Perda de visão em parte do campo visual (área 17 ou vias ópticas).
- Mudanças repentinas de comportamento, memória ou personalidade (áreas de associação frontal e límbicas).
- Crises convulsivas (podem originar-se de qualquer área, mas com frequência envolvem focos em áreas temporais – ex: hipocampo).
Em uma clínica popular ou no SUS, o médico clínico fará uma avaliação neurológica básica (teste de força, sensibilidade, coordenação, fala). Se houver suspeita de lesão cerebral, encaminhará o paciente a um neurologista, que poderá solicitar exames como tomografia ou ressonância magnética. O conhecimento das Áreas de Brodmann ajuda o especialista a interpretar os achados e explicar para o paciente, em linguagem simples, o que está acontecendo. Por exemplo: “O senhor teve um AVC em uma região que controla os movimentos do braço direito, chamada área motora. Vamos trabalhar a reabilitação com fisioterapia para recuperar os movimentos.”
Termos Relacionados
- Córtex cerebral: Camada fina de células nervosas que cobre o cérebro, onde estão as Áreas de Brodmann. É responsável por funções superiores como pensamento, linguagem e consciência.
- Lobos cerebrais: Divisões anatômicas do cérebro (frontal, parietal, temporal, occipital e insular). Cada lobo contém várias áreas de Brodmann com funções específicas.
- Neurônio: Célula básica do sistema nervoso que transmite sinais elétricos. A organização dos neurônios define a arquitetura de cada área de Brodmann.
- Neuroimagem funcional: Técnicas como ressonância magnética funcional (RMf) que mostram quais áreas do cérebro estão ativas durante uma tarefa, utilizando o mapa de Brodmann como referência.
- Afasia: Distúrbio de linguagem caus


