quarta-feira, junho 17, 2026

O que é Arritmologia

O que é O que é Arritmologia?

A Arritmologia é a especialidade da medicina que se dedica ao estudo, diagnóstico e tratamento das arritmias cardíacas — ou seja, qualquer alteração no ritmo normal do coração. No meu dia a dia como clínico geral, tanto no SUS quanto em clínicas populares, atendo dezenas de pacientes por mês que chegam com a queixa de “coração disparado”, “falta uma batida” ou “sensação de desmaio”. Muitas vezes, a primeira avaliação desses sintomas é feita por nós, clínicos, que precisamos saber quando suspeitar de uma arritmia e encaminhar para o especialista.

No Brasil, as arritmias cardíacas representam um importante problema de saúde pública. Dados do Ministério da Saúde indicam que a fibrilação atrial, a arritmia mais comum, afeta cerca de 2,5% da população adulta, com prevalência que cresce significativamente após os 65 anos — chegando a mais de 10% em idosos. Em clínicas populares, vejo muitos pacientes hipertensos, diabéticos ou com insuficiência cardíaca que apresentam palpitações, e é essencial saber diferenciar aqueles que têm uma extra-sístole benigna daqueles com um distúrbio rítmico que pode levar a um AVC (derrame) ou morte súbita. Por isso, a Arritmologia não é apenas uma subespecialidade da cardiologia; ela é a linha de frente na prevenção de eventos graves.

No contexto do SUS, o acesso ao arritmologista pode ser mais restrito em regiões periféricas, o que reforça o papel do clínico geral na triagem e na solicitação de exames iniciais, como o eletrocardiograma (ECG) e o Holter 24 horas. Quando há necessidade de procedimentos mais complexos — como ablação por cateter ou implante de marcapasso — o paciente é encaminhado a centros de referência. A ANVISA regula todos os dispositivos implantáveis, garantindo a segurança dos equipamentos usados no Brasil. Já o CFM (Conselho Federal de Medicina) reconhece a Arritmologia como área de atuação da cardiologia, e a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SBAC) promove diretrizes nacionais para o manejo dessas condições.

Como funciona / Características

Na prática, o paciente chega ao consultório com uma história que parece simples: “doutor, de vez em quando sinto o coração bater forte e falhar”. O primeiro passo é uma boa anamnese. Pergunto sobre os sintomas: quando acontece, o que estava fazendo, quanto tempo dura, se vem acompanhado de tontura, falta de ar ou desmaio. Percebo que muitos pacientes minimizam os sintomas, achando que é “nervosismo” ou “ansiedade”. Por isso, sempre destaco que qualquer sensação de batimento irregular deve ser valorizada.

Em seguida, realizo o exame físico: ausculta cardíaca para detectar pulso irregular, verificar pressão arterial e procurar sinais de insuficiência cardíaca. O eletrocardiograma (ECG) é o exame fundamental e está disponível em praticamente todas as unidades de saúde — até mesmo em algumas clínicas populares que mantenho parceria. Se o ECG de repouso for normal, mas a suspeita continuar, solicito o Holter 24h (monitoramento contínuo) ou o monitor de eventos (para sintomas esporádicos). No SUS, esses exames têm fila, mas pacientes com sintomas frequentes ou de risco conseguem priorização.

Quando confirmo uma arritmia que precisa de avaliação especializada, encaminho para um arritmologista. A partir daí, o tratamento pode incluir medicamentos (antiarrítmicos, anticoagulantes), mudanças no estilo de vida, ou procedimentos como ablação (cauterização de focos anormais) ou implante de CDI (cardiodesfibrilador implantável) em casos de alto risco. O interessante é que muitos pacientes, após o tratamento, voltam a ter qualidade de vida plena. Já vi casos de pessoas que viviam com medo de desmaiar e, após a ablação, puderam voltar a trabalhar e praticar exercícios.

Tipos e Classificações

Para organizar o raciocínio clínico, classificamos as arritmias de acordo com a frequência cardíaca e o local de origem:

  • Taquiarritmias: quando o coração bate muito rápido (acima de 100 batimentos por minuto em repouso). Exemplos: taquicardia sinusal, fibrilação atrial, taquicardia ventricular.
  • Bradiarritmias: quando o coração bate muito devagar (abaixo de 60 bpm). Exemplos: bradicardia sinusal, bloqueio atrioventricular.
  • Quanto à origem: supraventriculares (surgem nos átrios) e ventriculares (surgem nos ventrículos). As ventriculares geralmente são mais graves.
  • Classificação temporal: paroxísticas (vão e voltam), persistentes (duram mais de 7 dias) ou permanentes (não revertem).

No Brasil, o Escore de CHA₂DS₂‑VASc é amplamente usado para definir a necessidade de anticoagulação na fibrilação atrial — uma ferramenta prática que aplico todos os dias para prevenir AVC.

Quando procurar um médico

Muitos pacientes me perguntam: “doutor, quando devo me preocupar?”. A orientação que dou é: procure atendimento médico se você apresentar palpitações (sensação de coração batendo forte, rápido ou irregular), tontura, desmaio súbito (síncope), falta de ar inexplicada, dor no peito ou cansaço excessivo ao fazer esforços que antes eram fáceis.

Em clínicas populares, atendo muitos pacientes que adiam a consulta porque acham que é “frescura”. Um caso que me marcou foi de uma senhora de 68 anos que estava com palpitações há meses e atribuía à ansiedade. Quando ela veio, o ECG mostrou fibrilação atrial com alta frequência. Iniciamos anticoagulante e encaminhamos para o arritmologista. Essa conduta evitou um provável AVC. Por isso, não hesite: se você sente algo estranho no coração, mesmo que passageiro, marque uma consulta. No SUS, o clínico geral pode solicitar os primeiros exames e organizar o encaminhamento.

Termos Relacionados

  • Eletrocardiograma (ECG): exame que registra a atividade elétrica do coração; é o primeiro passo na investigação de arritmias.
  • Holter 24 horas: monitoramento contínuo do ritmo cardíaco por um dia inteiro; capta arritmias que não aparecem no ECG de repouso.
  • Marcapasso: dispositivo implantado no tórax para corrigir batimentos muito lentos (bradiarritmias).
  • Ablação por cateter: procedimento minimamente invasivo que destrói o foco da arritmia (usado em taquicardias e fibrilação atrial).
  • Fibrilação Atrial: arritmia muito comum, caracterizada por batimentos desordenados dos átrios, que aumenta o risco de AVC.
  • Taquicardia Ventricular: ritmo acelerado originado nos ventrículos; pode evoluir para parada cardíaca se não tratada.
  • Síncope: perda súbita e breve da consciência causada pela diminuição do fluxo sanguíneo cerebral; muitas vezes é o primeiro sinal de arritmia grave.
  • Anticoagulação: uso de medicamentos para prevenir coágulos, essencial na fibrilação atrial para evitar AVC.

Perguntas Frequentes sobre O que é Arritmologia

1. O que causa uma arritmia cardíaca?

As causas são variadas: desde problemas estruturais do coração (como doença das artérias coronárias, insuficiência cardíaca, valvopatias) até fatores externos como estresse, cafeína em excesso, uso de álcool, drogas, distúrbios da tireoide e desequilíbrios eletrolíticos. Muitas arritmias também ocor