O que é Artéria carótida?
As artérias carótidas são os principais vasos sanguíneos que levam sangue rico em oxigênio do coração para a cabeça e o pescoço, especialmente para o cérebro. No dia a dia de uma clínica popular ou de um posto do SUS, esse termo aparece com frequência quando um paciente chega com queixas de tontura, desmaio, fraqueza de um lado do corpo ou até mesmo após um exame de ultrassom Doppler solicitado pelo médico. Muita gente descobre que tem “placa na carótida” ou “estreitamento da carótida” durante um check-up, e é aí que começam as perguntas: isso é perigoso? Vou ter um derrame?
No Brasil, o acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade. Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 100 mil brasileiros morrem por ano devido ao AVC, e a aterosclerose das carótidas é um fator de risco importante — principalmente em pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo e acima dos 60 anos. Em clínicas populares, vemos muitos pacientes que só descobrem o problema depois de um episódio de “derrame” ou quando um médico ausculta o pescoço e ouve um sopro, um som anormal que pode indicar estreitamento.
Vale lembrar que as carótidas são duas: uma do lado direito e outra do lado esquerdo do pescoço. Elas se dividem em carótida interna (que irriga o cérebro) e carótida externa (que irriga a face, a língua e outras estruturas). O conhecimento sobre essas artérias é essencial não só para neurologistas e cirurgiões vasculares, mas também para clínicos gerais que atuam na atenção primária, pois a prevenção e o diagnóstico precoce podem evitar sequelas graves.
Como funciona / Características
As artérias carótidas funcionam como “rodovias” que levam sangue do coração para o cérebro. Elas sobem pelo pescoço, uma de cada lado da traqueia, e você pode sentir o pulso delas colocando os dedos suavemente entre o pomo de adão e o músculo lateral do pescoço (o esternocleidomastóideo). No seu trajeto, elas se dividem em dois ramos principais: a carótida interna, que entra no crânio e fornece sangue para a maior parte do cérebro (incluindo áreas responsáveis pela fala, movimento e visão), e a carótida externa, que nutre a face, o couro cabeludo e os tecidos superficiais.
No cotidiano de uma clínica popular, o que mais vemos é a consequência do envelhecimento e dos maus hábitos: o acúmulo de placas de gordura (ateroma) nas paredes das carótidas. Esse processo, chamado aterosclerose, pode estreitar o vaso (estenose) ou até formar coágulos que se soltam e entopem artérias menores no cérebro, causando um AVC isquêmico. Quando um paciente com mais de 50 anos, hipertenso e fumante chega com queixa de “visão embaçada de um olho” ou “fraqueza que passou rápido”, já pensamos em ataque isquêmico transitório (AIT) e examinamos as carótidas com atenção.
Outro ponto prático: o exame de ultrassom Doppler de carótidas é um dos mais pedidos no SUS e em clínicas parceiras. Ele é indolor, sem radiação, e mostra o fluxo sanguíneo e o grau de estreitamento. A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) recomenda o rastreamento para homens acima de 65 anos e mulheres acima de 75, ou para qualquer pessoa com fatores de risco. Na rede pública, o acesso a esse exame pode demorar, mas é priorizado em casos de sintomas suspeitos.
Tipos e Classificações
Na prática clínica brasileira, as artérias carótidas são classificadas de duas maneiras principais: pela anatomia e pelo grau de obstrução.
Classificação anatômica:
- Carótida comum: é o tronco principal que sobe pelo pescoço. A carótida comum direita nasce do tronco braquiocefálico; a esquerda nasce diretamente do arco da aorta.
- Carótida interna: ramo profundo que entra no crânio e irriga o cérebro. Divide-se em segmentos (cervical, petroso, cavernoso e cerebral) — detalhes que geralmente ficam para os neurocirurgiões.
- Carótida externa: ramo superficial que nutre o rosto, pescoço e couro cabeludo. Tem vários ramos, como a artéria facial e a temporal superficial.
Classificação por estenose (estreitamento): usada no dia a dia para decidir o tratamento.
- Estenose leve: menos de 50% de obstrução. Geralmente tratada com controle de fatores de risco (medicação, dieta, exercício).
- Estenose moderada: 50% a 69%. O tratamento clínico é a base, mas pode ser necessário cirurgia em casos selecionados, conforme avaliação do angiologista.
- Estenose grave: 70% ou mais. Em pacientes sintomáticos (que já tiveram AIT ou AVC), a endarterectomia de carótida (cirurgia para remover a placa) ou a angioplastia com stent são indicadas para prevenir novos eventos.
No Brasil, o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para AVC recomenda a cirurgia para estenoses graves sintomáticas, e o procedimento é realizado em hospitais credenciados pelo SUS, como os de referência em neurocirurgia vascular.
Quando procurar um médico
Você deve procurar um médico, de preferência um clínico geral ou um angiologista, se apresentar algum dos seguintes sinais ou fatores de risco:
- Fraqueza ou dormência repentina de um lado do corpo (face, braço ou perna).
- Dificuldade para falar ou entender o que os outros dizem.
- Perda súbita de visão em um olho, que volta em poucos minutos (é um sinal clássico de ataque isquêmico transitório).
- Tontura intensa, desequilíbrio ou queda repentina sem explicação.
- Dor de cabeça muito forte e súbita, diferente do normal.
- Sopro no pescoço percebido por um médico durante a ausculta (pode ser assintomático, mas merece investigação).
Além disso, pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade ou histórico familiar de AVC devem fazer um check-up vascular anualmente, mesmo sem sintomas. Nas clínicas populares, orientamos que o rastreamento com ultrassom Doppler de carótidas pode ser solicitado pelo clínico geral da UBS (Unidade Básica de Saúde), que encaminhará para o especialista se necessário.
Não ignore sinais passageiros: muitas vezes um AIT (mini-derrame) é um alerta de que um AVC maior está por vir. Procure um pronto-socorro ou a UPA mais próxima imediatamente.
Termos Relacionados
- Aterosclerose: doença em que placas de gordura, colesterol e outras substâncias se acumulam nas paredes das artérias, inclusive nas carótidas, estreitando-as e reduzindo o fluxo sanguíneo.
- Acidente Vascular Cerebral (AVC): também chamado de derrame, é a interrupção do suprimento de sangue para uma parte do cérebro, podendo ser isquêmico (entupimento) ou hemorrágico (rompimento). A doença da carótida é uma das principais causas do AVC isquêmico.
- Ataque Isquêmico Transitório (AIT): episódio temporário de sintomas de AVC que dura minutos a horas, sem causar dano permanente. É um sinal de alerta que exige investigação das carótidas.
- Endarterectomia de carótida: cirurgia para remover a placa de ateroma da artéria carótida, reduzindo o risco de AVC. Realizada no SUS em hospitais de referência.
- Angioplastia com stent de carótida: procedimento minimamente invasivo em que um cateter com balão é usado para abrir a artéria estreitada e um stent (malha metálica) é implantado para mantê-la aberta.
- Doppler de carótidas: exame de ultrassom que avalia o fluxo sanguíneo e o grau de obstrução das carótidas. É o principais exame de rastreio na rede pública.
- Sopro carotídeo: som anormal ouvido com o estetoscópio sobre a artéria carótida, causado por turbulência do sangue devido a um estreitamento. Não é diagnóstico definitivo, mas motiva investigação.
- Pulso carotídeo: batida da artéria carótida palpável no pescoço. Sua ausência ou diminuição pode indicar obstrução grave.
Perguntas Frequentes sobre O que é Artéria carótida
1. É normal sentir o pulso da carótida no pescoço?
Sim, é normal. Você pode sentir o pulso das artérias carótidas de cada lado do pescoço, especialmente após exercícios ou em momentos de ansiedade. A palpitação não é perigosa, mas se você notar que o pulso é muito forte, irregular ou acompanhado de tontura, vale conversar com o médico.
2. Estreitamento na carótida sempre causa AVC?
Não. Um estreitamento leve ou moderado, quando bem controlado com medicamentos e mudanças de hábitos, tem baixo risco de causar AVC. O perigo aumenta quando a estenose é grave (70% ou mais) e, principalmente, se já houve sintomas (como AIT). O tratamento adequado reduz muito o risco.
3. Como é o tratamento para placa na carótida no SUS?
O tratamento depende do grau de obstrução. Para estenoses leves a moderadas, o médico prescreve medicações (antiagregantes como AAS, estatinas para colesterol) e orienta controle da pressão, diabetes e cessação do tabagismo. Para casos graves e sintomáticos, o SUS oferece a cirurgia de endarterectomia de carótida, realizada em hospitais credenciados. O acesso é feito através de encaminhamento da UBS ou pronto-socorro.
4. Quais exames detectam problemas na carótida?
O principal exame é o ultrassom Doppler de carótidas, que mede o fluxo e o diâmetro do vaso. É simples, indolor e não usa radiação. Em casos mais complexos, podem ser solicitados angiotomografia (AngioTC), angiorressonância (AngioRM) ou arteriografia, mas o Doppler é o passo inicial na maioria das clínicas e no SUS.
5. Posso ter problema na carótida sem sentir nada?
Sim, muitas pessoas têm placas de ateroma nas carótidas durante anos sem qualquer sintoma. O problema é que, em alguns casos, a placa se rompe ou cresce a ponto de reduzir o fluxo de repente, causando um AVC sem aviso prévio. Por isso, quem tem fatores de risco deve fazer o rastreamento periódico, mesmo se sentindo bem.
6. Atividade física pode ajudar a limpar as carótidas?
Atividade física regular (como caminhada de 30 minutos por dia) ajuda a controlar a pressão, o colesterol e o diabetes, retardando o avanço da aterosclerose. Ela não “limpa” as placas já formadas, mas previne o agravamento. Junto com alimentação saudável e medicação quando indicada, o exercício é uma das ferramentas mais importantes para manter as carótidas saudáveis.
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um clínico geral ou pronto-atendimento. Para mais informações, consulte o site do Ministério da Saúde: Saúde de A a Z – AVC e a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular: SBACV – informações ao paciente.


