sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Arterite temporal

# Verbete de Glossário: Arterite temporal

## O que é Arterite temporal?

A **arterite temporal**, também conhecida como **arterite de células gigantes** (ACG) ou **doença de Horton**, é uma inflamação crônica que afeta as artérias de médio e grande calibre, especialmente os ramos da artéria carótida externa, como a artéria temporal (localizada nas têmporas, ao lado dos olhos). Na prática clínica do SUS e em clínicas populares brasileiras, essa condição aparece com frequência em pacientes idosos, principalmente mulheres acima de 50 anos, que chegam queixando-se de dor de cabeça persistente, sensibilidade no couro cabeludo e, às vezes, dificuldade para mastigar.

A doença é considerada uma **emergência médica** porque, se não tratada rapidamente, pode levar à perda irreversível da visão. No Brasil, estima-se que a incidência seja de cerca de 15 a 25 casos por 100 mil habitantes acima de 50 anos, embora os dados epidemiológicos nacionais sejam limitados. A maioria dos diagnósticos ocorre em serviços de atenção secundária e terciária do SUS, como hospitais universitários e unidades de referência em reumatologia. O Ministério da Saúde inclui a arterite temporal no protocolo de doenças reumáticas autoimunes, e o tratamento com corticoides é padronizado e acessível na rede pública.

Na rotina de uma clínica popular, o médico de família ou clínico geral deve suspeitar de arterite temporal diante de um paciente idoso com cefaleia nova, intensa e localizada na região temporal, associada a rigidez matinal de ombros e quadris (sinal de polimialgia reumática, que frequentemente acompanha a arterite). O diagnóstico precoce e o encaminhamento imediato para um reumatologista ou serviço de urgência oftalmológica podem salvar a visão do paciente. Por isso, é fundamental que o clínico saiba reconhecer os sinais de alerta e iniciar a corticoterapia empiricamente, sem esperar a confirmação por biópsia, conforme recomendam as diretrizes do CFM e da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

## Como funciona / Características

A arterite temporal é uma **vasculite** – inflamação da parede dos vasos sanguíneos. No caso específico, o sistema imunológico ataca as camadas média e adventícia das artérias, provocando espessamento da parede, estreitamento do lúmen (canal por onde o sangue flui) e, em casos graves, oclusão total do vaso. Isso reduz o fluxo sanguíneo para os tecidos irrigados por essas artérias, especialmente o couro cabeludo, os músculos da mastigação e, o mais preocupante, o nervo óptico.

**Na prática do dia a dia**, o paciente típico chega ao consultório com:
– **Dor de cabeça unilateral** (mais comum de um lado só) na têmpora, que pode ser latejante ou constante.
– **Sensibilidade extrema ao tocar o couro cabeludo** – muitos relatam que “não conseguem pentear o cabelo” ou “dói encostar o travesseiro”.
– **Claudicação de mandíbula** – dor ao mastigar, que melhora quando para de comer. Esse é um sintoma muito específico e importantíssimo.
– **Sintomas gerais**: febre baixa, perda de peso, cansaço, sudorese noturna.

A doença pode evoluir rapidamente: em dias ou semanas, a inflamação pode comprometer a artéria oftálmica ou a artéria central da retina, levando à **perda visual aguda**, geralmente irreversível. Cerca de 15 a 20% dos pacientes não tratados desenvolvem cegueira definitiva. Por isso, o clínico popular deve ter um **índice de suspeição elevado** e agir com urgência.

No SUS, o diagnóstico é confirmado por meio de:
– **Velocidade de hemossedimentação (VHS)** e **proteína C reativa (PCR)** – marcadores inflamatórios muito elevados.
– **Biópsia da artéria temporal** – exame padrão-ouro, realizado por cirurgião vascular ou oftalmologista, em ambiente hospitalar.
– **Ultrassom com Doppler** das artérias temporais – método não invasivo, disponível em alguns centros de referência.

O tratamento é feito com **corticosteroides em altas doses** (prednisona 40-60 mg/dia) por via oral, mantidos por 4 a 6 semanas e depois reduzidos lentamente. A melhora clínica costuma ser dramática, com alívio da dor em 24 a 48 horas. A duração total do tratamento varia de 6 meses a 2 anos, com acompanhamento reumatológico.

## Tipos e Classificações

Na prática clínica brasileira, a arterite temporal é classificada de acordo com o **tamanho dos vasos afetados** e a **presença de manifestações associadas**:

– **Arterite temporal clássica** (com comprometimento de grandes vasos): A forma mais comum, que afeta a artéria temporal superficial e seus ramos. Cursa com os sintomas típicos de cefaleia, sensibilidade no couro cabeludo e claudicação mandibular.
– **Arterite temporal associada à polimialgia reumática**: Cerca de 50% dos pacientes com arterite têm ou terão polimialgia reumática, caracterizada por rigidez e dor muscular matinal em ombros, pescoço e quadris. Muitos pacientes chegam à clínica popular com queixas de “reumatismo” ou “dor no corpo” que não melhora com analgésicos comuns.
– **Arterite temporal sistêmica**: Quando a inflamação atinge outras artérias de médio calibre, como a aorta, as artérias subclávias ou as carótidas. Pode causar sintomas como claudicação de membros superiores (dor nos braços ao levantar objetos) e até aneurisma de aorta.

**Classificações usadas no Brasil** (baseadas nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Reumatologia e do Colégio Americano de Reumatologia – ACR):
1. **Critérios diagnósticos do ACR 1990**: idade ≥ 50 anos, cefaleia de início recente, sensibilidade na artéria temporal, VHS ≥ 50 mm/h, biópsia positiva. A presença de pelo menos 3 critérios confirma o diagnóstico.
2. **Classificação por risco de perda visual**: pacientes com sintomas oftalmológicos (visão turva, amaurose fugaz – perda temporária da visão) são considerados de alto risco e necessitam de tratamento imediato, mesmo antes da biópsia.

No contexto do SUS, a classificação é essencial para definir a prioridade no agendamento de exames e referenciamento para serviços especializados. Pacientes com suspeita de arterite temporal devem ser encaminhados com **urgência** para avaliação reumatológica e oftalmológica.

## Quando procurar um médico

A arterite temporal é uma condição que exige **ação rápida**. Qualquer pessoa com mais de 50 anos que apresentar um ou mais dos seguintes sinais deve procurar atendimento médico imediato:

– **Dor de cabeça nova, persistente e localizada em uma ou ambas as têmporas**, que não melhora com analgésicos comuns.
– **Sensibilidade extrema ao tocar o couro cabeludo**, como se o cabelo estivesse “dorido”.
– **Dor ao mastigar** (claudicação de mandíbula) – especialmente se for um sintoma novo.
– **Perda visual súbita, visão dupla ou turvação visual** – mesmo que passageira.
– **Sintomas gerais inexplicáveis**: febre baixa, perda de peso, cansaço intenso, rigidez matinal de ombros e quadris (polimialgia reumática).

**Na clínica popular**, o paciente muitas vezes minimiza os sintomas, atribuindo a dor de cabeça ao estresse ou à idade. O clínico geral deve investigar ativamente, perguntando sobre:
– Já teve episódio de “cegueira momentânea”?
– Sente dor ao mastigar pão ou carne?
– Consegue pentear o cabelo sem dor?
– Sente rigidez nos ombros ao acordar?

Se a resposta for positiva para qualquer um desses itens, o paciente deve ser **encaminhado com urgência** para um pronto-socorro ou ambulatório de reumatologia. No SUS, a **classificação de risco Manchester** geralmente atribui prioridade laranja (muito urgente) ou vermelha (emergente) para esses casos, dependendo da presença de sintomas visuais.

**Jamais** o paciente deve esperar para ver se melhora sozinho. A arterite temporal não desaparece sem tratamento, e cada hora conta para preservar a visão.

## Termos Relacionados

– **Polimialgia reumática**: Condição inflamatória que causa dor e rigidez muscular em ombros, pescoço e quadris. Muitas vezes acompanha a arterite temporal.
– **Vasculite**: Inflamação dos vasos sanguíneos. A arterite temporal é um tipo de vasculite de grandes vasos.
– **Biópsia de artéria temporal**: Exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, no qual um pequeno fragmento da artéria temporal é retirado e analisado ao microscópio.
– **Velocidade de hemossedimentação (VHS)**: Exame de sangue que mede a velocidade com que as hemácias se depositam. Valores muito elevados indicam inflamação.
– **Proteína C reativa (PCR)**: Outro marcador inflamatório no sangue, também muito elevado na arterite temporal.
– **Corticosteroides**: Medicamentos anti-inflamatórios potentes (como a prednisona) usados como primeira linha no tratamento da arterite temporal.
– **Amaurose fugaz**: Perda temporária da visão, que dura segundos ou minutos, podendo ser um sinal de alerta para arterite temporal.
– **Doença de Horton**: Nome alternativo para arterite temporal, em homenagem ao médico que a descreveu.

## Perguntas Frequentes sobre O que é Arterite temporal

### O que causa a arterite temporal?

A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas sabe-se que é uma **doença autoimune**, na qual o sistema de defesa do corpo ataca erroneamente as paredes das artérias. Fatores genéticos (como o HLA-DRB1*04) e ambientais (infecções virais ou bacterianas prévias) parecem contribuir. Não é contagiosa nem hereditária no sentido clássico, mas há um leve aumento do risco em familiares de primeiro grau. O principal fator de risco é a **idade avançada**: raramente ocorre antes dos 50 anos e é mais comum após os 70. No Brasil, a doença é mais frequente em mulheres (2:1) e em pessoas de pele clara de ascendência europeia.

### Quais os primeiros sintomas da arterite temporal?

O sintoma mais precoce é geralmente uma **dor de cabeça nova, unilateral e persistente na região das têmporas**. Muitos pacientes descrevem como “uma pressão ou pontada” que não passa com dipirona ou paracetamol. Outro sinal inicial importante é a **sensibilidade extrema do couro cabeludo**: o paciente pode sentir dor até ao encostar o pente ou o travesseiro. A **claudicação de mandíbula** (dor ao mastigar) é um sintoma muito específico e aparece em cerca de 50% dos casos. Além disso, sintomas gerais como **febre baixa, cansaço, perda de apetite e rigidez matinal** nos ombros e quadris podem ocorrer semanas antes da cefaleia.

### A arterite temporal tem cura?

Sim, a arterite temporal é uma doença **curável** com tratamento adequado. A corticoterapia em altas doses geralmente controla a inflamação em poucos dias, e a maioria dos pacientes consegue reduzir a medicação gradualmente ao longo de 1 a 2 anos. Porém, o tratamento deve ser mantido por tempo suficiente para evitar recaídas. Com acompanhamento médico regular, o prognóstico é excelente, e o paciente pode levar uma vida normal. A complicação mais temida – a perda visual – é **irreversível**, mas pode ser prevenida com tratamento precoce. Por isso, o diagnóstico rápido é fundamental.

### Quanto tempo dura o tratamento da arterite temporal?

O tratamento inicial com **prednisona** em altas doses (40-60 mg/dia) dura de 4 a 6 semanas. Após esse período, a dose é reduzida lentamente, em média 5-10 mg a cada 2-4 semanas, até a menor dose capaz de controlar a doença. A duração total do tratamento é de, no mínimo, **6 meses**, mas muitos pacientes precisam de **1 a 2 anos** de corticoterapia. Alguns apresentam recaídas e necessitam de pulsos de corticoide intravenoso ou associação com imunossupressores (como metotrexato). O acompanhamento reumatológico é essencial para ajustar a medicação e monitorar os efeitos colaterais dos corticoides, como diabetes, osteoporose e hipertensão.

### O que acontece se não tratar a arterite temporal?

Sem tratamento, a inflamação progride e pode levar a complicações graves e irreversíveis. A mais temida é a **perda da visão**, que ocorre em cerca de 15 a 20% dos pacientes não tratados. Isso acontece porque a inflamação pode obstruir a artéria que irriga o nervo óptico, causando **neuropatia óptica isquêmica anterior** – uma lesão do nervo que leva à cegueira súbita e definitiva. Outras complicações incluem: **aneurisma de aorta**, **dissecção de aorta**, **acidente vascular cerebral (AVC)**, **infarto do miocárdio** e **síndrome de Takayasu** (quando afeta grandes vasos). Além disso, a dor e o mal-estar geral persistem, comprometendo a qualidade de vida. Felizmente, com o tratamento adequado, praticamente todos esses riscos são eliminados.

### A arterite temporal pode voltar depois de tratada?

Sim, podem ocorrer **recaídas**, especialmente durante a redução da dose de corticoides. Estima-se que cerca de 20 a 30% dos pacientes apresentem uma ou mais recaídas ao longo do tratamento. Os sintomas geralmente são os mesmos da crise inicial: cefaleia, sensibilidade no couro cabeludo, claudicação mandibular e elevação dos marcadores inflamatórios. Quando isso acontece, o reumatologista pode aumentar temporariamente a dose do corticoide ou adicionar outro imunoss


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