quarta-feira, junho 3, 2026

O que é Artrite

O que é O que é Artrite?

A artrite é uma condição médica que se caracteriza pela inflamação de uma ou mais articulações. No dia a dia de uma clínica popular ou do SUS, é uma das queixas mais comuns, especialmente entre pacientes acima dos 40 anos. A inflamação provoca dor, inchaço, vermelhidão, calor local e dificuldade para movimentar a articulação. Muitas pessoas confundem artrite com artrose – enquanto a primeira tem um componente inflamatório ativo, a segunda é um desgaste mecânico da cartilagem. Mas ambas exigem atenção médica e podem ser tratadas com recursos disponíveis na rede pública.

Na minha experiência como clínico geral no SUS de Fortaleza, atendo frequentemente pacientes que chegam com as mãos rígidas pela manhã, joelhos que “estalam” ao subir escadas ou tornozelos inchados após um dia de trabalho. A artrite não é uma doença única, mas um conjunto de doenças reumáticas que inflamam as juntas. Estima-se que no Brasil cerca de 15% da população acima de 60 anos tenha osteoartrite (o tipo mais comum de artrite), e a artrite reumatoide afete de 0,5% a 1% da população adulta, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia. O Ministério da Saúde inclui a artrite reumatoide na lista de doenças que garantem tratamento especializado pelo SUS, com acesso a medicamentos biológicos de alto custo.

O diagnóstico precoce é fundamental. Muitos pacientes acham que “dor de juntas é normal na idade” e demoram a procurar ajuda. Isso pode levar a deformidades articulares irreversíveis, perda de função e necessidade de cirurgias. Por isso, é importante entender que a artrite é uma condição médica que tem tratamento e não deve ser banalizada.

Como funciona / Características

O processo inflamatório da artrite ocorre quando o sistema imunológico ataca a membrana sinovial (revestimento interno da articulação) ou quando há uma irritação local por cristais de ácido úrico (como na gota) ou por desgaste mecânico que gera inflamação secundária. Na prática clínica, vejo pacientes que descrevem a dor como “uma queimação” ou “uma fisgada” que piora com o repouso prolongado e melhora um pouco com o movimento, mas que retorna após esforço.

Um exemplo típico: seu João, 58 anos, pedreiro aposentado, chega ao posto de saúde com os dois joelhos inchados e quentes. Ele diz que acorda com rigidez matinal que dura mais de 30 minutos. Ao exame, identifico derrame articular (líquido dentro da articulação) e dor à palpação. Os exames de sangue mostram aumento do PCR (proteína C reativa) e do VHS (velocidade de hemossedimentação), indicadores de inflamação. Caso típico de osteoartrite inflamada, que trata-se com anti-inflamatórios, analgésicos e fisioterapia – tudo disponível no SUS.

Outra característica marcante é a rigidez matinal: pacientes com artrite reumatoide podem demorar mais de uma hora para conseguir fechar a mão completamente pela manhã. Já na osteoartrite, a rigidez costuma durar menos de 30 minutos. Essa diferença é importante para orientar o diagnóstico e o tratamento.

Tipos e Classificações

No Brasil, as classificações mais usadas na prática clínica separam a artrite em dois grandes grupos: inflamatórias e não inflamatórias (ou degenerativas). Dentro de cada grupo, há subtipos:

  • Osteoartrite (artrose): a forma mais comum, causada pelo desgaste da cartilagem. Afeta joelhos, quadris, mãos e coluna. Está associada ao envelhecimento, obesidade e histórico de trauma.
  • Artrite reumatoide: doença autoimune que ataca pequenas articulações de mãos e pés, simetricamente. Acomete mais mulheres entre 30 e 50 anos. Pode causar deformidades se não tratada.
  • Artrite gotosa (gota): causada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico, geralmente no grande artelho (joanete). Muito comum em homens após os 40 anos, associada a alimentação rica em purinas (carnes, frutos do mar, álcool).
  • Artrite psoriásica: ocorre em pacientes com psoríase (doença de pele). Pode afetar articulações grandes e pequenas, além da coluna.
  • Artrite séptica: infecção bacteriana da articulação, geralmente aguda, com dor intensa, rubor, calor e febre. É uma urgência médica que requer internação hospitalar e antibióticos intravenosos.
  • Artrite reativa: surge após uma infecção em outra parte do corpo (intestino, urinária, genital). Comum em jovens adultos.
  • Artrite idiopática juvenil: forma que acomete crianças e adolescentes, muitas vezes confundida com “reumatismo no sangue”. Exige acompanhamento com reumatologista pediátrico.

Os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde estabelecem critérios claros para diagnóstico e tratamento de cada tipo, garantindo acesso a medicamentos como metotrexato, sulfassalazina e biológicos (adalimumabe, etanercepte) nos centros de referência do SUS.

Quando procurar um médico

Sinais de alerta que indicam a necessidade de consulta médica:

  • Dor articular que persiste por mais de 2 semanas, mesmo com repouso
  • Inchaço, calor ou vermelhidão em uma ou mais juntas
  • Rigidez matinal que dura mais de 30 minutos
  • Dificuldade para realizar atividades diárias (abrir potes, subir escadas, pentear os cabelos)
  • Deformidades nas mãos, punhos, joelhos ou pés
  • Febre associada a dor articular aguda (suspeita de artrite séptica)
  • Histórico de psoríase na pele ou familiares com doenças reumáticas

Na atenção primária do SUS, o médico da família ou clínico geral pode fazer o diagnóstico inicial, solicitar exames básicos (hemograma, PCR, VHS, ácido úrico, fator reumatoide, radiografia) e iniciar o tratamento. Casos complexos são encaminhados ao reumatologista nos ambulatórios de especialidades. Nunca ignore os sintomas: quanto mais cedo o tratamento começa, menores as chances de danos permanentes.

Termos Relacionados

  • Artrose: termo popular para osteoartrite, forma degenerativa e não inflamatória da artrite. Causa desgaste da cartilagem e dor mecânica.
  • Reumatismo: expressão antiga e genérica usada para descrever qualquer dor muscular ou articular. Hoje prefere-se o termo “doença reumática”.
  • Bursite: inflamação da bolsa sinovial (bursa), estrutura que amortece o atrito entre tendões e ossos. Pode ser confundida com artrite.
  • Tendinite: inflamação de um tendão. Também causa dor localizada, mas não inchaço articular.
  • Gota: tipo específico de artrite causado por cristais de ácido úrico. Muito dolorosa e de início súbito.
  • Fator reumatoide: exame de sangue utilizado para auxiliar no diagnóstico da artrite reumatoide. Pode estar positivo em outras doenças.
  • Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): medicamentos como ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida, usados para alívio da dor e inflamação. No SUS, são fornecidos gratuitamente.
  • Fisioterapia: tratamento não medicamentoso essencial para fortalecer a musculatura ao redor da articulação e melhorar a função. Oferta regulada pelo SUS via unidades básicas de saúde e centros de reabilitação.

Perguntas Frequentes sobre O que é Artrite

Artrite tem cura?

Depende do tipo. A artrite séptica tem cura total com antibióticos adequados. A gota pode ser controlada com dieta e medicamentos que reduzem o ácido úrico, chegando a ficar assintomática por longos períodos. Já a artrite reumatoide e a osteoartrite são doenças crônicas, sem cura definitiva, mas com excelentes opções de tratamento que controlam os sintomas, previnem deformidades e mantêm a qualidade de vida. O acompanhamento regular é fundamental.

Qual é o melhor tratamento para artrite?

Não existe um tratamento único. O sucesso depende do diagnóstico correto. Em geral, o tratamento inclui uma combinação de: medicamentos (anti-inflamatórios, analgésicos, corticoides, imunossupressores ou biológicos), fisioterapia, mudanças no estilo de vida (perda de peso, atividade física de baixo impacto, alimentação anti-inflamatória) e, em casos graves, cirurgia (artroplastia – prótese de quadril ou joelho). O SUS oferece todas essas alternativas, incluindo cirurgias ortopédicas eletivas e medicamentos de alto custo para artrite reumatoide, conforme os PCDT.

Existe prevenção para artrite?

Algumas medidas podem reduzir o risco ou retardar o aparecimento. Manter o peso corporal adequado é a principal, pois o excesso de peso sobrecarrega joelhos e quadris. Praticar atividade física regular (caminhada, natação, pilates) fortalece os músculos e protege as articulações. Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool, bem como controlar o ácido úrico, ajuda a prevenir gota e artrite reumato


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