sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Artrose

O que é Artrose?

Artrose, também chamada de osteoartrite ou doença articular degenerativa, é uma condição crônica que afeta as articulações, principalmente aquelas que suportam peso, como joelhos, quadris, mãos e coluna vertebral. No Brasil, estima-se que cerca de 15% da população adulta tenha algum grau de artrose, especialmente a partir dos 50 anos, e a prevalência sobe para mais de 30% entre os idosos. Dados do Ministério da Saúde mostram que a artrose é uma das principais causas de procura por atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e de afastamento do trabalho devido a dores crônicas.

Na minha prática de 15 anos no SUS e em clínicas populares, atendi centenas de pacientes como a dona Maria, 65 anos, que chega com dor no joelho ao levantar da cama ou ao subir escadas. Muitos confundem a artrose com “reumatismo” ou acham que é um “mau jeito” que vai passar. Na verdade, a artrose é o desgaste progressivo da cartilagem – aquela “almofada” que reveste as extremidades dos ossos e evita o atrito. Com o tempo, a cartilagem se desgasta, os ossos começam a se chocar, surgem inflamações e formações ósseas extras (chamadas de osteófitos, ou “bicos de papagaio”). Isso gera dor, rigidez e perda de movimento.

No contexto do SUS, o manejo da artrose é feito em todos os níveis de atenção: desde orientações na UBS, passando por encaminhamento para fisioterapia e uso de medicamentos como paracetamol e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) – todos padronizados na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME). Já os casos avançados podem ser encaminhados para a atenção especializada, onde são avaliados para cirurgia de prótese (artroplastia) de quadril ou joelho, procedimentos cobertos pelo SUS. A Anvisa regula os medicamentos e os implantes ortopédicos, enquanto o CFM estabelece as diretrizes para o tratamento cirúrgico e as boas práticas clínicas.

Como funciona / Características

A artrose não é uma doença de início súbito; ela se desenvolve lentamente ao longo de anos. O principal mecanismo é a perda de colágeno e proteoglicanos na cartilagem, que perde sua capacidade de absorver impactos. Com a degeneração, o espaço articular diminui, os ossos se aproximam e a fricção causa microtraumas que ativam uma resposta inflamatória de baixo grau. Isso explica os sintomas clássicos: dor articular que piora com o movimento e melhora com o repouso; rigidez matinal que dura menos de 30 minutos (diferente da artrite reumatoide, que dura mais); crepitação (estalos ao movimentar a articulação); e perda de amplitude de movimento.

No cotidiano de uma clínica popular, vejo pacientes que dizem: “Doutor, meu joelho está travando quando vou levantar da cadeira” ou “Sinto uma fisgada no quadril ao andar”. Muitas vezes, a dor é mais forte no início do movimento (a chamada “dor inicial”) e depois melhora um pouco, mas retorna com atividades prolongadas. Com o avanço da doença, pode haver deformidades, como o alargamento da articulação do dedo das mãos (nódulos de Heberden na falange distal e nódulos de Bouchard na proximal) ou o desvio do eixo do joelho (varo ou valgo, o popular “joelho torto”). A artrose também pode causar fraqueza muscular ao redor da articulação, o que agrava a instabilidade e o risco de quedas – um problema grave em idosos.

Um fator que sempre oriento é a importância do peso corporal. Cada quilo extra sobrecarrega os joelhos em cerca de 3 a 5 quilos de pressão durante a caminhada. Por isso, a perda de peso é uma das intervenções mais eficazes para aliviar a dor e retardar a progressão da artrose, especialmente no quadril e joelho.

Tipos e Classificações

Na prática clínica brasileira, classificamos a artrose de duas formas principais:

  • Quanto à causa:
    • Primária (idiopática): ocorre sem causa aparente, geralmente associada à idade e ao desgaste natural. É a forma mais comum, especialmente em mulheres acima de 50 anos.
    • Secundária: resultado de fatores como traumatismos (fraturas articulares, lesões de ligamentos), obesidade mórbida, doenças metabólicas (diabetes, gota), doenças congênitas (displasia do quadril) ou uso excessivo repetitivo em atletas ou trabalhadores braçais.
  • Quanto à localização anatômica:
    • Coxartrose: artrose do quadril.
    • Gonartrose: artrose do joelho (mais frequente no Brasil).
    • Artrose de mãos: acomete as interfalangianas e a base do polegar (rizartrose).
    • Espondiloartrose: artrose da coluna vertebral, especialmente na região lombar e cervical, cursando com dor e rigidez.

O sistema de classificação mais usado para avaliar a gravidade em exames de imagem é a classificação de Kellgren-Lawrence, de 0 a 4, que considera a presença de osteófitos, o estreitamento do espaço articular, a esclerose do osso subcondral e a deformidade. Em radiografias simples, que são o padrão-ouro no SUS, esse sistema ajuda a definir a conduta: pacientes com grau 1 ou 2 geralmente respondem bem a medidas conservadoras; graus 3 e 4 podem necessitar de cirurgia.

Quando procurar um médico

Muitos pacientes demoram a buscar ajuda porque acham que a dor é normal da idade. Mas existem sinais que merecem atenção:

  • dor articular que persiste por mais de duas semanas, mesmo com repouso
  • rigidez matinal que dificulta levantar da cama ou começar o dia
  • inchaço ou calor na articulação (que pode indicar inflamação aguda ou outras doenças)
  • dificuldade crescente para realizar tarefas diárias, como subir escadas, vestir-se ou segurar objetos
  • deformidades visíveis, como “nós” nos dedos ou joelhos tortos
  • despertar noturno por dor (sinal de doença avançada)
  • histórico de trauma na articulação

Oriento que o primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou uma clínica popular. O médico clínico geral ou médico da família pode fazer o diagnóstico clínico, solicitar radiografias simples e iniciar o tratamento conservador. Caso necessário, o paciente é encaminhado para ortopedista ou reumatologista – especialidades que têm ambulatórios no SUS, embora os tempos de espera sejam maiores. Não espere a dor ficar insuportável; quanto mais cedo o tratamento começar, maior a chance de manter a qualidade de vida.

Termos Relacionados

  • Osteoartrite: outro nome para artrose. É a mesma doença. No Brasil, o termo “artrose” é mais usado em clínicas populares, enquanto “osteoartrite” é preferido em artigos científicos e entre reumatologistas.
  • Condropatia: degeneração da cartilagem articular, que pode ser um estágio inicial da artrose. Exame de ressonância magnética pode detectar condropatia antes das alterações radiográficas.
  • Artroplastia: cirurgia de substituição da articulação por uma prótese (de metal, polietileno ou cerâmica). Muito feita no SUS para quadril e joelho.
  • Osteófitos: crescimentos ósseos que surgem nas bordas das articulações desgastadas, popularmente chamados de “bicos de papagaio” na coluna. Podem causar irritação e dor.
  • Crepitação articular: som de estalo ou rangido ao movimentar a articulação. Comum na artrose, ocorre devido à superfície irregular da cartilagem.
  • Nódulos de Heberden: pequenos nódulos ósseos na articulação próxima à ponta dos dedos (falange distal). São característicos da artrose de mãos.
  • Nódulos de Bouchard: nódulos semelhantes aos de Heberden, mas na articulação média dos dedos (falange proximal).
  • Líquido sinovial: fluido que lubrifica e nutre a cartilagem. Na artrose, sua composição se altera, tornando-se menos viscoso, o que contribui para o atrito.
  • Fisioterapia: tratamento não medicamentoso essencial para fortalecer a musculatura ao redor da articulação, melhorar a amplitude de movimento e reduzir a dor. É ofertada nas redes de reabilitação do SUS.

Perguntas Frequentes sobre O que é Artrose

Artrose tem cura?

A artrose não tem cura, pois o dano na cartilagem é irreversível. Mas isso não significa que não haja tratamento eficaz! Com medicamentos, fisioterapia, controle de peso e adaptações no dia a dia, a grande maioria dos pacientes consegue controlar a dor e manter uma


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