O que é Asfixia?
Asfixia é a condição em que o corpo não recebe oxigênio suficiente para manter as funções vitais. Tecnicamente, ocorre quando há uma obstrução das vias aéreas, falha na troca gasosa nos pulmões ou até mesmo quando o ar inspirado não contém oxigênio suficiente. No dia a dia do SUS e das clínicas populares brasileiras, é um termo que aparece com frequência em situações de emergência: uma criança que engasgou com um pedaço de brinquedo, um adulto que inalou fumaça em um incêndio doméstico, um idoso com crise de asma grave que não consegue respirar, ou um recém-nascido que aspirou mecônio durante o parto. A asfixia não é uma doença, mas sim uma condição crítica que exige intervenção imediata. Em clínica popular, o relato típico que escuto de mães e pais é: “Doutor, ele ficou roxo, não respirava direito” – é a clássica cianose, um dos sinais mais evidentes.
Dados do Ministério da Saúde mostram que asfixia por causas externas, como sufocação, estrangulamento e afogamento, estão entre as principais causas de morte acidental em crianças menores de 5 anos no Brasil. Segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS), cerca de 1.200 crianças morrem por ano no Brasil vítimas de asfixia mecânica acidental. Além disso, a asfixia neonatal é uma das principais causas de morbimortalidade perinatal, especialmente em partos sem assistência adequada. Na emergência do SUS, a asfixia exige protocolos rápidos como a manobra de Heimlich ou, nos casos mais graves, intubação orotraqueal e ventilação mecânica. É uma situação que mexe com qualquer profissional de saúde, porque a janela de tempo é muito curta – o cérebro começa a sofrer danos irreversíveis após 4 a 6 minutos sem oxigênio.
Para o paciente leigo, é importante entender que asfixia pode acontecer de várias formas: comer rápido demais e engasgar, cair na água sem saber nadar, ficar em um ambiente fechado com vazamento de gás, ou ter uma crise alérgica grave (anafilaxia) que fecha a garganta. O tratamento depende da causa, mas o princípio é sempre o mesmo: restabelecer a chegada de oxigênio ao cérebro e aos órgãos o mais rápido possível. Na clínica popular, oriento sempre os pais a aprenderem manobras de desobstrução das vias aéreas e a não tentarem “tirar o objeto” com os dedos, pois isso pode piorar a obstrução. O SUS oferece treinamento básico em primeiros socorros nas unidades de saúde, e programas como o Saúde da Criança do Ministério da Saúde têm cartilhas de prevenção de acidentes envolvendo asfixia.
Como funciona / Características
O mecanismo da asfixia é relativamente simples de entender: o oxigênio do ar não consegue chegar até os alvéolos pulmonares ou, se chega, não é transferido para o sangue. Isso pode ocorrer por bloqueio físico (um objeto na garganta), por compressão do tórax (alguém deitado sobre o peito de uma criança), por falta de oxigênio no ambiente (salas com monóxido de carbono) ou por incapacidade do sangue de transportar oxigênio (intoxicação por cianeto, por exemplo). No corpo, a falta de oxigênio leva à hipóxia tecidual, e os primeiros órgãos a sofrer são o cérebro e o coração.
No cotidiano da clínica, vejo situações clássicas: uma mãe chega desesperada com o filho de 2 anos que colocou uma moeda na boca e engasgou. A criança fica agitada, com os olhos arregalados, não consegue tossir ou falar e começa a ficar com os lábios arroxeados. Esse é o sinal de obstrução total das vias aéreas. Outro exemplo é o paciente com DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) que tem uma crise e fica com falta de ar progressiva, evoluindo para confusão mental e sonolência – asfixia por insuficiência respiratória. Ou ainda o afogamento em piscina: a pessoa aspira água para os pulmões, e a água bloqueia a troca gasosa, causando asfixia mesmo que as vias aéreas não estejam totalmente obstruídas.
As características principais da asfixia incluem: dificuldade respiratória (dispneia), cianose (coloração arroxeada da pele e mucosas), agitação seguida de apatia, tosse ineficaz, estridor (som agudo ao inspirar, comum em obstruções na laringe), e, em casos graves, perda de consciência e parada cardiorrespiratória. Na prática do SUS, o protocolo é imediato: para engasgo, aplicar a manobra de Heimlich (ou golpes nas costas em bebês); para afogamento, iniciar RCP; para inalação de fumaça, fornecer oxigênio a 100% e transportar para unidade de referência. Em todos os casos, a rapidez é o fator mais determinante para o prognóstico.
Tipos e Classificações
Na prática clínica brasileira, classificamos a asfixia de acordo com a causa e o mecanismo, pois isso orienta o tratamento. As principais divisões são:
- Asfixia mecânica obstrutiva: ocorre por obstrução das vias aéreas por corpo estranho (alimentos, objetos), por compressão externa (estrangulamento, sufocação com travesseiro, “morte de berço” por sufocação acidental) ou por compressão do tórax (quando alguém deita sobre a vítima). É a causa mais comum em emergências pediátricas.
- Asfixia por afogamento: resultado da aspiração de líquido (água doce ou salgada) para os pulmões, que impede a troca gasosa. No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que o afogamento é a segunda causa de morte acidental em crianças de 1 a 9 anos. Cerca de 6.000 pessoas morrem por ano no país por afogamento.
- Asfixia ambiental: falta de oxigênio no ar inspirado, como em ambientes confinados (silos, fossas, esgotos) ou com gases tóxicos (monóxido de carbono, metano, gás de cozinha). É comum em acidentes de trabalho e em tentativas de suicídio por intoxicação por monóxido de carbono.
- Asfixia neonatal: também conhecida como asfixia perinatal, ocorre quando o recém-nascido não recebe oxigênio suficiente antes, durante ou logo após o parto. Pode ser causada por circular de cordão, aspiração de mecônio ou problemas placentários. A OMS estima que cerca de 800 mil recém-nascidos morrem por ano no mundo devido a asfixia ao nascer; no Brasil, é uma das principais causas de mortalidade neonatal, e o SUS tem protocolos de reanimação neonatal (Programa de Reanimação Neonatal da SBP).
- Asfixia por anafilaxia: reação alérgica grave que causa inchaço na garganta (edema de glote) e broncoespasmo, levando à obstrução das vias aéreas. É tratada com adrenalina.
Além disso, classificamos a gravidade da asfixia em leve (a pessoa ainda consegue tossir e respirar parcialmente), moderada (tosse ineficaz, cianose leve) e grave (obstrução total, perda de consciência). Essa graduação é usada na triagem do SUS para priorizar o atendimento.
Quando procurar um médico
Qualquer situação de asfixia é uma emergência médica. No entanto, existem sinais de alerta que indicam a necessidade de procurar atendimento imediato. Orientação direta ao paciente e à família:
- Engasgo que não resolve com tosse: se a pessoa não consegue tossir, falar ou respirar, é obstrução total. Ligue para o SAMU (192) imediatamente e inicie a manobra de Heimlich se você for treinado. Nunca coloque os dedos na boca para tentar retirar o objeto, pois pode empurrá-lo mais fundo.
- Cianose (pele azulada ou arroxeada): especialmente nos lábios, unhas e pontas dos dedos. É sinal de falta de oxigênio grave.
- Respiração ruidosa ou estridor: um som agudo ao inspirar, parecido com um chiado alto, indica obstrução na garganta ou laringe.
- Confusão mental, sonolência ou desmaio: o cérebro está sendo privado de oxigênio. A pessoa pode ficar agitada primeiro e depois apática.
- Parada respiratória: se a pessoa parar de respirar, inicie RCP (compressões torácicas) e chame ajuda imediatamente.
- História de afogamento: mesmo que a pessoa pareça bem após sair da água, procure um médico. Pode ocorrer “afogamento secundário” horas depois, com acúmulo de líquido nos pulmões.
No SUS, a porta de entrada são as Unidades Básicas de Saúde (UBS) para orientação e prevenção, mas


