O que é O que é Astenospermia?
Astenospermia é o termo médico usado quando a motilidade (movimento) dos espermatozoides está abaixo do normal. Em outras palavras, os “nadadores” do esperma não se movem com força ou velocidade suficientes para conseguir chegar até o óvulo e fecundá-lo. Na prática clínica do SUS e de clínicas populares brasileiras, esse é um achado muito comum em homens que buscam ajuda por dificuldade para engravidar a parceira. Muitos pacientes chegam ao consultório sem nunca ter ouvido falar do termo, e a primeira suspeita surge depois de um espermograma — exame simples que analisa a qualidade do sêmen.
No Brasil, a infertilidade atinge aproximadamente 15% dos casais em idade reprodutiva, segundo dados do Ministério da Saúde. Destes, o fator masculino está presente em cerca de metade dos casos, e a astenospermia isolada ou combinada com outras alterações (como baixa contagem ou formato anormal dos espermatozoides) aparece em até 40% dos homens inférteis. Na rotina de uma clínica popular de Fortaleza, por exemplo, é corriqueiro atender homens jovens que trabalham em atividades de calor intenso (como construção civil ou cozinha industrial) ou que usam roupas apertadas, o que pode contribuir para o problema. Muitos também têm varicocele (dilatação das veias do testículo), uma das causas mais frequentes de astenospermia detectável ao exame físico.
É importante deixar claro: astenospermia não significa esterilidade. Muitos homens com motilidade reduzida conseguem ter filhos naturalmente, especialmente se a alteração for leve. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado — que pode incluir mudanças de hábitos, medicações ou cirurgia, quando indicados — aumentam muito as chances de gravidez. No SUS, o acesso ao espermograma é garantido pelo Sistema Único de Saúde, e o encaminhamento para serviços de reprodução assistida segue os critérios do CFM e das políticas estaduais de atenção à infertilidade.
Como funciona / Características
Para entender a astenospermia, pense nos espermatozoides como pequenos atletas que precisam nadar contra a correnteza do trato reprodutor feminino até encontrar o óvulo. A motilidade é medida em dois tipos principais:
- Motilidade progressiva: o espermatozoide se move para frente, em linha reta ou em círculos largos, com velocidade adequada. É o tipo mais importante para a fertilidade.
- Motilidade não progressiva: o espermatozoide se move, mas sem avançar de forma eficaz (como se estivesse “patinando” no lugar).
- Imóveis: não se movem.
O exame de espermograma classifica a astenospermia quando a soma dos espermatozoides com motilidade progressiva e não progressiva fica abaixo de 40%, ou quando a motilidade progressiva isolada é inferior a 32% (valores de referência da OMS atualizados). No dia a dia, o paciente geralmente não sente nenhum sintoma — a astenospermia é silenciosa. Diferente de dores ou inchaços, a baixa motilidade só é descoberta quando o casal decide investigar a infertilidade.
Um caso típico na clínica popular: João, 34 anos, veio acompanhado da esposa após um ano tentando engravidar sem sucesso. Ele não tinha queixas, mas ao exame físico foi palpada uma varicocele à esquerda. O espermograma mostrou astenospermia moderada (motilidade progressiva de 20%). Após cirurgia de varicocelectomia e orientações sobre evitar calor excessivo no escroto, o exame repetido três meses depois já apresentou melhora significativa. O casal conseguiu uma gestação espontânea seis meses após o procedimento.
Tipos e Classificações
A astenospermia pode ser classificada de acordo com a gravidade e a presença de outras alterações. No Brasil, os urologistas e andrologistas utilizam as seguintes categorias práticas:
- Astenospermia leve: motilidade progressiva entre 20% e 31%.
- Astenospermia moderada: motilidade progressiva entre 10% e 19%.
- Astenospermia grave: motilidade progressiva abaixo de 10%.
- Astenozoospermia isolada: quando apenas a motilidade está reduzida, com contagem e morfologia normais.
- Oligoastenozoospermia: associação de baixa contagem com baixa motilidade (é a combinação mais comum).
- Astenoteratozoospermia: baixa motilidade + muitos espermatozoides com formato anormal.
- Oligoastenoteratozoospermia (OAT): quando as três alterações ocorrem juntas — situação que exige avaliação mais aprofundada.
Além disso, o laudo do espermograma pode trazer a classificação quanto ao tempo de coleta (ex: astenospermia por abstinência prolongada) ou causas secundárias (como anticorpos antiespermatozoides, que podem ser identificados em exames específicos). No SUS, a classificação é geralmente feita com base no laudo do laboratório de patologia clínica da rede pública ou conveniado.
Quando procurar um médico
O principal sinal de alerta é a dificuldade do casal em engravidar após um ano de relações sexuais regulares e sem uso de métodos anticoncepcionais. Para mulheres acima de 35 anos, esse prazo cai para seis meses. Além disso, alguns sintomas podem indicar problemas subjacentes que levam à astenospermia:
- Dor ou inchaço nos testículos;
- Nódulo ou sensação de “vasinhos” no escroto (suspeita de varicocele);
- Histórico de infecções como caxumba após a puberdade, prostatite ou DSTs;
- Cirurgia prévia na região inguinal ou testicular (hérnia, hidrocele);
- Uso de medicações que afetam a fertilidade (como alguns antibióticos, quimioterápicos ou anabolizantes);
- Exposição ocupacional a calor, agrotóxicos, chumbo ou radiação.
Se você se identifica com alguma dessas situações, procure um médico clínico geral ou urologista na unidade básica de saúde (UBS) mais próxima. O SUS oferece acolhimento, solicitação de espermograma e encaminhamento para especialistas conforme a necessidade. Não se envergonhe: a infertilidade masculina é tão comum quanto a feminina, e o tratamento pode ser simples.
Termos Relacionados
- Espermograma: exame laboratorial que analisa a quantidade, motilidade e morfologia dos espermatozoides. É o primeiro passo no diagnóstico da astenospermia.
- Oligospermia: baixa concentração de espermatozoides no sêmen (menos de 15 milhões/mL). Pode vir acompanhada de astenospermia.
- Teratospermia: alta porcentagem de espermatozoides com formato anormal (morfologia alterada).
- Azoospermia: ausência total de espermatozoides no sêmen. É diferente de astenospermia, pois aqui não há espermatozoides para avaliar a motilidade.
- Varicocele: dilatação das veias do cordão espermático, causa tratável de astenospermia e infertilidade masculina.
- Infertilidade masculina: incapacidade do homem de engravidar a parceira após um ano de tentativas. A astenospermia é uma das causas mais frequentes.
- FIV (Fertilização in vitro): técnica de reprodução assistida em que o espermatozoide é colocado junto ao óvulo em laboratório. Indicada em casos de astenospermia grave.
- ICSI (Injeção intracitoplasmática de espermatozoide): técnica em que um único espermatozoide é injetado diretamente no óvulo. Útil quando a motilidade é muito baixa.
Perguntas Frequentes sobre O que é Astenospermia
1. Astenospermia tem cura?
Na maioria dos casos, sim. Quando a causa é identificada e tratada — como varicocele, infecção ou uso de medicamentos — a motilidade pode melhorar significativamente. Em situações onde não há causa reversível, técnicas de reprodução assistida (como ICSI) podem contornar o problema. O importante é não desanimar: muitos homens com astenospermia conseguem ser pais biológicos.
2. O que causa astenospermia?
As causas são variadas: varicocele (


