sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Astenospermia

O que é O que é Astenospermia?

Astenospermia é o termo médico usado quando a motilidade (movimento) dos espermatozoides está abaixo do normal. Em outras palavras, os “nadadores” do esperma não se movem com força ou velocidade suficientes para conseguir chegar até o óvulo e fecundá-lo. Na prática clínica do SUS e de clínicas populares brasileiras, esse é um achado muito comum em homens que buscam ajuda por dificuldade para engravidar a parceira. Muitos pacientes chegam ao consultório sem nunca ter ouvido falar do termo, e a primeira suspeita surge depois de um espermograma — exame simples que analisa a qualidade do sêmen.

No Brasil, a infertilidade atinge aproximadamente 15% dos casais em idade reprodutiva, segundo dados do Ministério da Saúde. Destes, o fator masculino está presente em cerca de metade dos casos, e a astenospermia isolada ou combinada com outras alterações (como baixa contagem ou formato anormal dos espermatozoides) aparece em até 40% dos homens inférteis. Na rotina de uma clínica popular de Fortaleza, por exemplo, é corriqueiro atender homens jovens que trabalham em atividades de calor intenso (como construção civil ou cozinha industrial) ou que usam roupas apertadas, o que pode contribuir para o problema. Muitos também têm varicocele (dilatação das veias do testículo), uma das causas mais frequentes de astenospermia detectável ao exame físico.

É importante deixar claro: astenospermia não significa esterilidade. Muitos homens com motilidade reduzida conseguem ter filhos naturalmente, especialmente se a alteração for leve. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado — que pode incluir mudanças de hábitos, medicações ou cirurgia, quando indicados — aumentam muito as chances de gravidez. No SUS, o acesso ao espermograma é garantido pelo Sistema Único de Saúde, e o encaminhamento para serviços de reprodução assistida segue os critérios do CFM e das políticas estaduais de atenção à infertilidade.

Como funciona / Características

Para entender a astenospermia, pense nos espermatozoides como pequenos atletas que precisam nadar contra a correnteza do trato reprodutor feminino até encontrar o óvulo. A motilidade é medida em dois tipos principais:

  • Motilidade progressiva: o espermatozoide se move para frente, em linha reta ou em círculos largos, com velocidade adequada. É o tipo mais importante para a fertilidade.
  • Motilidade não progressiva: o espermatozoide se move, mas sem avançar de forma eficaz (como se estivesse “patinando” no lugar).
  • Imóveis: não se movem.

O exame de espermograma classifica a astenospermia quando a soma dos espermatozoides com motilidade progressiva e não progressiva fica abaixo de 40%, ou quando a motilidade progressiva isolada é inferior a 32% (valores de referência da OMS atualizados). No dia a dia, o paciente geralmente não sente nenhum sintoma — a astenospermia é silenciosa. Diferente de dores ou inchaços, a baixa motilidade só é descoberta quando o casal decide investigar a infertilidade.

Um caso típico na clínica popular: João, 34 anos, veio acompanhado da esposa após um ano tentando engravidar sem sucesso. Ele não tinha queixas, mas ao exame físico foi palpada uma varicocele à esquerda. O espermograma mostrou astenospermia moderada (motilidade progressiva de 20%). Após cirurgia de varicocelectomia e orientações sobre evitar calor excessivo no escroto, o exame repetido três meses depois já apresentou melhora significativa. O casal conseguiu uma gestação espontânea seis meses após o procedimento.

Tipos e Classificações

A astenospermia pode ser classificada de acordo com a gravidade e a presença de outras alterações. No Brasil, os urologistas e andrologistas utilizam as seguintes categorias práticas:

  • Astenospermia leve: motilidade progressiva entre 20% e 31%.
  • Astenospermia moderada: motilidade progressiva entre 10% e 19%.
  • Astenospermia grave: motilidade progressiva abaixo de 10%.
  • Astenozoospermia isolada: quando apenas a motilidade está reduzida, com contagem e morfologia normais.
  • Oligoastenozoospermia: associação de baixa contagem com baixa motilidade (é a combinação mais comum).
  • Astenoteratozoospermia: baixa motilidade + muitos espermatozoides com formato anormal.
  • Oligoastenoteratozoospermia (OAT): quando as três alterações ocorrem juntas — situação que exige avaliação mais aprofundada.

Além disso, o laudo do espermograma pode trazer a classificação quanto ao tempo de coleta (ex: astenospermia por abstinência prolongada) ou causas secundárias (como anticorpos antiespermatozoides, que podem ser identificados em exames específicos). No SUS, a classificação é geralmente feita com base no laudo do laboratório de patologia clínica da rede pública ou conveniado.

Quando procurar um médico

O principal sinal de alerta é a dificuldade do casal em engravidar após um ano de relações sexuais regulares e sem uso de métodos anticoncepcionais. Para mulheres acima de 35 anos, esse prazo cai para seis meses. Além disso, alguns sintomas podem indicar problemas subjacentes que levam à astenospermia:

  • Dor ou inchaço nos testículos;
  • Nódulo ou sensação de “vasinhos” no escroto (suspeita de varicocele);
  • Histórico de infecções como caxumba após a puberdade, prostatite ou DSTs;
  • Cirurgia prévia na região inguinal ou testicular (hérnia, hidrocele);
  • Uso de medicações que afetam a fertilidade (como alguns antibióticos, quimioterápicos ou anabolizantes);
  • Exposição ocupacional a calor, agrotóxicos, chumbo ou radiação.

Se você se identifica com alguma dessas situações, procure um médico clínico geral ou urologista na unidade básica de saúde (UBS) mais próxima. O SUS oferece acolhimento, solicitação de espermograma e encaminhamento para especialistas conforme a necessidade. Não se envergonhe: a infertilidade masculina é tão comum quanto a feminina, e o tratamento pode ser simples.

Termos Relacionados

  • Espermograma: exame laboratorial que analisa a quantidade, motilidade e morfologia dos espermatozoides. É o primeiro passo no diagnóstico da astenospermia.
  • Oligospermia: baixa concentração de espermatozoides no sêmen (menos de 15 milhões/mL). Pode vir acompanhada de astenospermia.
  • Teratospermia: alta porcentagem de espermatozoides com formato anormal (morfologia alterada).
  • Azoospermia: ausência total de espermatozoides no sêmen. É diferente de astenospermia, pois aqui não há espermatozoides para avaliar a motilidade.
  • Varicocele: dilatação das veias do cordão espermático, causa tratável de astenospermia e infertilidade masculina.
  • Infertilidade masculina: incapacidade do homem de engravidar a parceira após um ano de tentativas. A astenospermia é uma das causas mais frequentes.
  • FIV (Fertilização in vitro): técnica de reprodução assistida em que o espermatozoide é colocado junto ao óvulo em laboratório. Indicada em casos de astenospermia grave.
  • ICSI (Injeção intracitoplasmática de espermatozoide): técnica em que um único espermatozoide é injetado diretamente no óvulo. Útil quando a motilidade é muito baixa.

Perguntas Frequentes sobre O que é Astenospermia

1. Astenospermia tem cura?

Na maioria dos casos, sim. Quando a causa é identificada e tratada — como varicocele, infecção ou uso de medicamentos — a motilidade pode melhorar significativamente. Em situações onde não há causa reversível, técnicas de reprodução assistida (como ICSI) podem contornar o problema. O importante é não desanimar: muitos homens com astenospermia conseguem ser pais biológicos.

2. O que causa astenospermia?

As causas são variadas: varicocele (