O que é O que é Astigmatismo?
O astigmatismo é uma condição visual muito comum que faz com que as imagens fiquem distorcidas, embaçadas ou com sombras, tanto para perto quanto para longe. Na prática, é como se o olho tivesse um formato mais parecido com o de uma bola de rugby (ovalada) do que com o de uma bola de futebol (perfeitamente esférica). Essa irregularidade na curvatura da córnea (a parte transparente na frente do olho) ou do cristalino (a lente natural dentro do olho) impede que os raios de luz se concentrem em um único ponto da retina, gerando aquela sensação de “visão duplicada” ou “imagem fantasma”.
Na rotina de uma clínica popular ou do SUS, é um dos diagnósticos que mais aparecem no consultório. Muitas vezes, o paciente chega com queixa de “vista cansada”, “dor de cabeça no fim do dia” ou “dificuldade para enxergar letras na TV”. O astigmatismo pode vir sozinho ou, na maioria das vezes, acompanhado de outros problemas de refração como miopia (dificuldade para enxergar longe) e hipermetropia (dificuldade para perto). Segundo dados do Ministério da Saúde e do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 30% da população brasileira apresenta algum grau de astigmatismo, sendo que esse número pode chegar a 50% entre crianças e jovens devido ao uso excessivo de telas.
Para entender melhor: a luz entra no olho e precisa ser focada exatamente na retina. No olho com astigmatismo, os raios de luz não convergem para um único ponto focal. Em vez disso, formam duas linhas focais diferentes, o que resulta em uma imagem borrada. Esse erro refrativo pode ser corrigido com óculos, lentes de contato ou cirurgia refrativa (como o LASIK), mas é fundamental fazer o diagnóstico correto com um exame de refração (o famoso “vídeo do olhinho” ou “exame de grau”).
Como funciona / Características
O astigmatismo funciona como uma lente de câmera desregulada: enquanto uma parte da imagem pode estar nítida, outra parte fica desfocada. Na prática clínica, os pacientes relatam que veem as letras “com sombra”, “com borda dupla” ou “puxadas”. Durante a leitura, sentem necessidade de apertar os olhos ou franzir a testa para tentar enxergar melhor. Muitas vezes, o cansaço ocular aparece ao dirigir à noite ou depois de horas em frente ao computador.
Uma característica importante é que o astigmatismo costuma ser estável, ou seja, não piora com o tempo como a miopia na infância. Entretanto, ele pode variar ligeiramente com a idade ou após traumas oculares. Em crianças, quando não corrigido, pode prejudicar o desenvolvimento da visão (ambliopia ou “olho preguiçoso”) e o rendimento escolar. Nas consultas de puericultura ou saúde escolar, o médico ou oftalmologista deve ficar atento a sinais como a criança virar a cabeça para olhar de lado, piscar excessivamente ou reclamar de dor de cabeça.
O diagnóstico é feito pelo exame de refração, utilizando o autorefrator (aparelho que mede o grau) e o retinoscópio (luz que o médico projeta no olho). No SUS, esse exame é feito no ambulatório de oftalmologia e o encaminhamento pode ser pela UBS (Unidade Básica de Saúde). É importante lembrar que o astigmatismo não é uma doença ocular, mas sim um erro refrativo – algo como um “defeito de foco” que pode ser corrigido.
Tipos e Classificações
No Brasil, a classificação mais usada na prática clínica (inclusive no SUS) considera dois aspectos principais:
- Quanto ao eixo do cilindro: astigmatismo regular (o mais comum, em que os meridianos são perpendiculares) e astigmatismo irregular (causado por cicatrizes, ceratocone ou cirurgias).
- Quanto ao foco: astigmatismo miópico (um dos focos na frente da retina), astigmatismo hipermétrope (um dos focos atrás da retina) e astigmatismo misto (um foco na frente e outro atrás).
- Quanto ao grau: baixo (até 1,00 dioptria), moderado (de 1,00 a 2,00 dioptrias) e alto (acima de 2,00 dioptrias). Na prática, graus acima de 2,00 costumam trazer queixas mais intensas.
Vale mencionar que o astigmatismo congênito é comum em bebês e muitas vezes regride espontaneamente até os 3 anos. Já o astigmatismo adquirido pode surgir após traumatismo, cirurgia ou doenças da córnea, como o ceratocone (que é uma contraindicação relativa para cirurgia refrativa e exige acompanhamento especializado).
Quando procurar um médico
Você deve procurar um oftalmologista (ou um clínico geral que possa fazer o encaminhamento) se apresentar um ou mais dos seguintes sinais:
- Visão embaçada ou distorcida para perto e/ou longe;
- Dificuldade para ler placas de trânsito, letreiros ou legendas na TV;
- Dor de cabeça frequente, especialmente no fim do dia ou após esforço visual (ler, usar celular, dirigir);
- Cansaço ocular, olhos vermelhos ou sensação de “areia” nos olhos;
- Necessidade de apertar os olhos ou franzir a testa para enxergar melhor;
- Para crianças: baixo rendimento escolar, piscar excessivo, virar a cabeça para olhar de lado.
No SUS, o caminho é simples: procure a UBS mais próxima, relate os sintomas e solicite o encaminhamento para o oftalmologista. O exame de refração é um procedimento coberto pelo SUS e não exige pagamento. Em clínicas populares, é comum que se faça o exame no mesmo dia com preços acessíveis. Lembre-se: o astigmatismo não tratado pode causar fadiga visual crônica e, em crianças, ambliopia irreversível. Não espere os sintomas piorarem.
Termos Relacionados
- Miopia – Dificuldade para enxergar de longe; os raios de luz focam antes da retina. Muitas vezes associada ao astigmatismo.
- Hipermetropia – Dificuldade para enxergar de perto; os raios de luz focam depois da retina. Também pode ocorrer junto com astigmatismo.
- Presbiopia – “Vista cansada” natural devido ao envelhecimento do cristalino; não é um erro refrativo como o astigmatismo.
- Córnea – A parte transparente na frente do olho; sua curvatura irregular causa o astigmatismo.
- Refração – Exame que mede o grau dos óculos; é o método padrão para diagnosticar astigmatismo.
- Ceratocone – Doença que afina e deforma a córnea, causando astigmatismo irregular e progressivo.
- Ambliopia – “Olho preguiçoso” que não se desenvolve por falta de estímulo visual; pode ser consequência de astigmatismo não corrigido na infância.
- Lente cilíndrica – Tipo de lente usada nos óculos para corrigir o astigmatismo; seu eixo e valor (dioptria) são indicados na receita.
Perguntas Frequentes sobre O que é Astigmatismo
1. Astigmatismo tem cura?
Não, o astigmatismo não tem “cura” no sentido de reverter a curvatura da córnea, mas pode ser corrigido com óculos, lentes de contato ou cirurgia refrativa (a laser). A correção permite enxergar com nitidez normal. A cirurgia não é indicada para todos os casos e depende de avaliação médica.
2. Quem tem astigmatismo pode dirigir à noite?
Sim, mas com muito cuidado. A visão noturna piora naturalmente, e o astigmatismo aumenta o ofuscamento dos faróis e a sensação de halos e sombras. É fundamental usar óculos de grau atualizados e evitar dirigir se os sintomas forem intensos. A correção adequada melhora significativamente a visão noturna.
3. Astigmatismo pode piorar com o tempo?
Geralmente o astigmatismo é estável na idade adulta. Pode haver pequenas variações, mas não costuma piorar progressivamente como a miopia. Em crianças, pode diminuir espontaneamente até os 3 anos. Já o astigmatismo irregular (ceratocone) pode piorar e necessitar de tratamentos específicos.
4. Como saber meu grau de astigmatismo?
Você precisa fazer um exame de refração com um oftalmologista. O resultado virá em dioptrias (ex: 0,75, 1,50, 2,00) e com um eixo (de 0 a 180 graus). Esse valor indica a potência da lente cilíndrica necessária para corrigir o desvio.
5. Astigmatismo atrapalha o uso de óculos escuros?
Não. Você pode usar óculos escuros normais (sem grau) sobre os óculos de grau ou comprar óculos de sol com lentes corretivas (incluindo o cilindro). O importante é que o grau esteja correto. Em clínicas populares e óticas, é possível fazer lentes de sol com receita.
6. Cirurgia de astigmatismo é coberta pelo SUS?
Raramente. A cirurgia refrativa (LASIK, PRK) não faz parte da tabela do SUS para astigmatismo comum, a menos que haja indicação funcional grave (como em profissionais da segurança pública) ou complicações. O custo no Brasil varia entre R$ 1.500 e R$ 4.000 por olho em clínicas particulares. Avalie com seu médico os riscos e benefícios.
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.


