O que é O que é Axônio?
O axônio é a parte do neurônio responsável por conduzir os impulsos elétricos do corpo celular até outras células (como outros neurônios, músculos ou glândulas). Pense nele como um “cabo” que transmite mensagens do cérebro para o resto do corpo – e vice-versa. Na prática clínica de uma clínica popular brasileira, esse termo aparece toda vez que um paciente chega com queixas de formigamento, dormência, fraqueza ou dores em queimação, principalmente nas mãos e nos pés. Esses sintomas geralmente indicam que algum axônio está comprometido, seja por lesão direta, compressão ou doença sistêmica.
No Brasil, as doenças que afetam os axônios são muito comuns. Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 50% dos pacientes com diabetes tipo 2 desenvolvem neuropatia periférica ao longo da vida – uma condição em que os axônios dos nervos periféricos são danificados. Além disso, o alcoolismo crônico, deficiências de vitaminas (principalmente B12), infecções como hanseníase e doenças autoimunes também lesam esses cabos neurais. Nas minhas consultas no SUS e em clínicas populares de Fortaleza, pelo menos dois ou três pacientes por semana chegam com suspeita de lesão axonal, muitas vezes sem saber que o problema é neurológico. A avaliação clínica, exames de sangue e eletroneuromiografia são os caminhos mais usados para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento.
É fundamental que o paciente entenda que o axônioRede de Atenção à Saúde. O CFM também normatiza a realização da eletroneuromiografia, exame padrão-ouro para avaliar a integridade dos axônios.
Como funciona / Características
O axônio funciona como um fio condutor. A membrana do axônio tem canais iônicos que se abrem e fecham, gerando um potencial de ação – uma corrente elétrica que viaja do início (cone de implantação) até a extremidade (terminal axonal). Esse processo é acelerado pela bainha de mielina, uma camada isolante produzida por células da glia (oligodendrócitos no SNC e células de Schwann no SNP). Nos axônios mielinizados, a condução é saltatória – o impulso “pula” de um nódulo de Ranvier para o outro, tornando a transmissão muito mais rápida (até 120 m/s). Já nos axônios amielínicos, a condução é contínua e bem mais lenta.
No dia a dia de uma clínica popular, explico esse mecanismo usando exemplos simples. Quando você encosta em uma superfície quente e tira a mão rápido, o axônio sensitivo leva a informação de perigo até a medula espinhal, e o axônio motor devolve a ordem para os músculos se contraírem. Tudo isso em milissegundos. Se um axônio está danificado, essa comunicação falha. Por exemplo, pacientes com hérnia de disco lombar frequentemente têm compressão do axônio ciático, causando dor irradiada pela perna (ciática). Em clínicas populares, é muito comum atender pessoas que trabalham em pé o dia todo e desenvolvem neuropatia compressiva nos pés, com sensação de “alfinetadas” ou “dormência”.
Outra característica importante é o transporte axonal. Dentro do axônio, moléculas, organelas e vesículas são transportadas do corpo celular para o terminal (transporte anterógrado) e de volta (transporte retrógrado). Esse fluxo é essencial para a manutenção e reparo do neurônio. Doenças como a esclerose lateral amiotrófica (ELA) e algumas neuropatias hereditárias afetam justamente esse sistema de transporte. No Brasil, a ELA tem prevalência estimada de 3 a 5 casos por 100 mil habitantes, e o SUS oferece acompanhamento multidisciplinar para esses pacientes.
Tipos e Classificações
Os axônios podem ser classificados de acordo com dois critérios principais: diâmetro e presença de mielina. Essa classificação é útil para entender quais funções são comprometidas em cada doença.
Quanto ao diâmetro e velocidade de condução:
- Fibras A – axônios grossos e mielinizados, com alta velocidade (até 120 m/s). São responsáveis pela motricidade voluntária e pela sensibilidade tátil e proprioceptiva (sentir a posição do corpo). Por exemplo: ao andar, os axônios motores Aα controlam os músculos.
- Fibras B – axônios finos e mielinizados, velocidade moderada (5–15 m/s). Atuam no sistema nervoso autônomo, controlando funções como sudorese e ritmo cardíaco.
- Fibras C – axônios amielínicos, muito finos e lentos (0,5–2 m/s). Conduzem dor crônica, temperatura e sensações de coceira. Quando um paciente chega com dor em queimação no pé (polineuropatia diabética), as fibras C estão frequentemente envolvidas.
Quanto ao tipo de lesão (classificação clínica usada no Brasil):
Nas laudos de eletroneuromiografia, os neurologistas diferenciam padrão axonal (quando o axônio é diretamente danificado) de padrão desmielinizante (quando a bainha de mielina é atacada, mas o axônio permanece intacto). Essa distinção orienta o tratamento. Por exemplo, na síndrome de Guillain-Barré, o padrão inicial é desmielinizante; já na neuropatia alcoólica, predomina o dano axonal. O SUS segue protocolos do Ministério da Saúde para o manejo de cada uma dessas condições, com acesso a imunoglobulina ou plasmaférese na forma desmielinizante aguda.
Quando procurar um médico
Nem todo formigamento ou dormência indica lesão axonal, mas alguns sinais merecem atenção. Procure um médico (clínico geral na UBS ou neurologista) se você apresentar:
- Dormência ou formigamento persistente em mãos, pés, braços ou pernas, especialmente se for simétrico (dos dois lados) e piorar à noite.
- Fraqueza muscular progressiva (dificuldade para segurar objetos, levantar da cadeira ou subir escadas).
- Dor em queimação, “choque” ou “alfinetada” sem causa aparente, principalmente nos membros inferiores.
- Perda de coordenação ou quedas frequentes.
- Alterações na sensibilidade – sentir menos dor, calor ou frio em alguma área.
- Se você tem diabetes, histórico de alcoolismo, já tratou hanseníase ou tem doença autoimune (como lúpus), o risco de neuropatia é maior. O rastreamento precoce com exames de sangue e, se indicado, eletroneuromiografia, pode evitar complicações como úlceras nos pés e amputações.
No contexto do SUS, o caminho é: procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O clínico geral vai fazer uma avaliação inicial e, se necessário, encaminhar para o neurologista. Muitas clínicas populares também oferecem consultas com neurologista a preços acessíveis e, em alguns casos, realizam eletroneuromiografia no local. Lembre-se: lesões axonais não tratadas podem se tornar permanentes. Quanto antes o diagnóstico, melhores as chances de recuperação.
Termos Relacionados
- Neurônio: Célula do sistema nervoso composta por corpo celular, dendritos e axônio. É a unidade funcional que transmite informações elétricas e químicas.
- Sinapse: Ponto de comunicação entre um axônio e outra célula (neurônio, músculo ou glândula), onde ocorre a liberação de neurotransmissores.
- Mielina: Substância lipídica que forma a bainha isolante ao redor dos axônios, acelerando a condução do impulso nervoso. Sua degradação está presente em doenças como esclerose múltipla.
- Neuropatia periférica: Conjunto de doenças que afetam os nervos periféricos (axônios e/ou mielina). Causa dor, dormência, fraqueza e alterações autonômicas. Muito frequente em diabéticos no Brasil.
- Eletroneuromiografia (ENMG): Exame que avalia a função dos axônios motores e sensitivos e a integridade da placa motora. É o padrão-ouro para diagnosticar lesões axonais e desmielinizantes. Oferecido pelo SUS em serviços de referência.
- Esclerose múltipla: Doença autoimune que ataca a bainha de mielina no sistema nervoso central, interrompendo a condução axonal. No Brasil, estima-se que afete cerca de 15 a 20 pessoas por 100 mil habitantes.
- Dor neuropática: Dor causada por lesão ou disfunção do sistema nervoso (incluindo axônios). É descrita como queimação, choque ou agulhada. Pode ser tratada com medicamentos específicos disponíveis no SUS.
- Transporte axonal: Mecanismo de movimentação de substâncias dentro do axônio, essencial para a manutenção e regeneração neuronal. Sua falha está associada a doenças neurodegenerativas.
Perguntas Frequentes sobre O que é Axônio
O axônio se regenera depois de uma lesão?
Sim, mas de forma limitada. No sistema nervoso periférico (SNP), os axônios podem regenerar, especialmente se a lesão for leve e o corpo celular do neurônio estiver intacto. A regeneração ocorre a uma taxa de aproximadamente 1 a 2 mm por dia. Já no sistema nervoso central (SNC), a regeneração é muito mais difícil devido a fatores inibitórios e à falta de células de Schwann. Não apenas: o sucesso depende do tipo de lesão, da idade do paciente e do tratamento precoce.


