quarta-feira, maio 27, 2026

O que é Bloqueio cardíaco

O que é Bloqueio cardíaco?

Bloqueio cardíaco é um termo que assusta muitos pacientes quando ouvem pela primeira vez no consultório, mas não se trata de um “coração parado” ou um infarto. Na prática, o bloqueio cardíaco é um distúrbio na condução elétrica do coração — ou seja, o sistema responsável por fazer o coração bater de forma coordenada funciona com atraso ou é interrompido em algum ponto. Imagine o coração como uma casa com fiação elétrica: o bloqueio é quando um trecho dessa fiação não transmite direito o impulso, fazendo com que as luzes (as contrações do coração) pisquem ou demorem a acender.

No dia a dia de uma clínica popular ou do SUS, o bloqueio cardíaco é frequentemente descoberto em exames de rotina, como um eletrocardiograma feito por causa de tontura, cansaço ou até em check-up. Muitos pacientes chegam sem sintomas e ficam surpresos com o diagnóstico. Outros relatam episódios de desmaio (síncope) ou sensação de coração “pulando batidas”. É importante deixar claro: a maioria dos bloqueios é benigna, mas alguns tipos exigem acompanhamento próximo e, em casos graves, a colocação de um marcapasso.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que as doenças do sistema de condução cardíaca, incluindo os bloqueios, representam cerca de 2% a 3% dos atendimentos ambulatoriais em cardiologia no SUS. A prevalência aumenta com a idade: acima dos 70 anos, até 10% dos idosos podem apresentar algum grau de bloqueio no eletrocardiograma. As clínicas populares atendem muitos pacientes hipertensos, diabéticos e com doença de Chagas — esta última, endêmica em regiões Norte e Nordeste, é uma causa importante de bloqueio cardíaco no Brasil. Por isso, o CFM e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomendam que todo paciente com diagnóstico de Chagas faça eletrocardiograma anualmente para rastrear bloqueios.

Como funciona / Características

Para entender o bloqueio cardíaco, é preciso conhecer o sistema elétrico do coração. O coração tem um “marcapasso natural” chamado nó sinusal, que gera um impulso elétrico. Esse impulso passa pelo nó atrioventricular (AV) e depois se espalha pelos ventrículos através de ramos especializados (feixe de His, ramos direito e esquerdo). O bloqueio ocorre quando há um obstáculo em qualquer ponto dessa via.

Na prática clínica, o paciente pode não sentir nada — chamamos de bloqueio assintomático. Outras vezes, o coração bate muito devagar (bradicardia), causando sintomas como cansaço aos pequenos esforços, tontura, sensação de desmaio iminente (pré-síncope) ou desmaio de fato (síncope). Em casos mais graves, o coração pode parar de bater por alguns segundos, exigindo intervenção urgente.

Caracteristicamente, o bloqueio cardíaco é diagnosticado pelo eletrocardiograma (ECG), exame simples, barato e disponível em praticamente todas as unidades de saúde do Brasil. O ECG mostra o traçado elétrico e permite classificar o bloqueio em diferentes graus e localizações. No SUS, o ECG é um dos exames mais solicitados na atenção primária — cerca de 15 milhões de exames por ano, segundo dados da ANS. Em clínicas populares, é comum o médico clínico geral identificar um bloqueio e encaminhar o paciente ao cardiologista para avaliação mais detalhada, muitas vezes com um Holter de 24 horas (monitorização contínua do ritmo) ou um ecocardiograma.

Tipos e Classificações

Os bloqueios cardíacos são classificados de acordo com a localização e a gravidade. As principais classificações usadas no Brasil seguem as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia:

  • Bloqueio sinoatrial (SA): O impulso sai do nó sinusal mas encontra dificuldade para chegar aos átrios. É raro e geralmente benigno.
  • Bloqueio atrioventricular (BAV): O problema está na passagem do impulso dos átrios para os ventrículos. É o tipo mais comum e se divide em três graus:
    • BAV de 1º grau: Apenas um atraso na condução. Não causa sintomas na maioria dos casos. É muito frequente em atletas e idosos.
    • BAV de 2º grau: Alguns impulsos não passam. Pode ser do tipo Mobitz I (Wenckebach) – geralmente benigno – ou Mobitz II – mais preocupante, com risco de progredir para bloqueio total.
    • BAV de 3º grau (bloqueio total): Nenhum impulso dos átrios chega aos ventrículos. O coração fica dependente de um marcapasso próprio mais fraco, localizado nos ventrículos. A frequência cardíaca cai para 30-40 bpm, causando sintomas graves. É emergência e requer marcapasso definitivo.
  • Bloqueio de ramo: O impulso chega aos ventrículos, mas se distribui de forma assimétrica por um dos ramos (direito ou esquerdo). É comum em pacientes com hipertensão, doença coronariana ou cardiomiopatia. O bloqueio de ramo esquerdo merece atenção, pois pode indicar doença cardíaca estrutural.

Na prática do SUS, a classificação é fundamental para decidir a conduta. Por exemplo, um BAV de 1º grau isolado em paciente jovem sem cardiopatia não exige tratamento, apenas acompanhamento. Já um BAV de 2º grau Mobitz II ou um BAV total são indicações formais de marcapasso, conforme protocolo do Ministério da Saúde.

Quando procurar um médico

É importante que o paciente saiba reconhecer os sinais que merecem atenção. Procure atendimento médico se:

  • Sensação de desmaio iminente (pré-síncope) ou desmaio de fato, especialmente se repetido.
  • Cansaço excessivo para atividades que antes eram fáceis (subir escadas, caminhar).
  • Palpitações ou sensação de “coração batendo devagar demais”.
  • Tontura ou vertigem sem causa aparente.
  • Dor no peito associada a esses sintomas.
  • Histórico familiar de bloqueio cardíaco ou morte súbita.

Na atenção primária do SUS, o médico clínico geral pode solicitar um ECG e, se houver suspeita de bloqueio, encaminhar ao cardiologista. Em casos de bloqueio total com sintomas, o paciente deve ir ao pronto-socorro imediatamente. Não se automedique ou ignore os sinais – o bloqueio cardíaco grave pode levar a parada cardíaca.

Para mais informações, consulte o portal do Ministério da Saúde (Conitec) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia via CFM.

Termos Relacionados

  • Bradicardia: Frequência cardíaca abaixo de 60 batimentos por minuto. O bloqueio cardíaco é uma das causas de bradicadia.
  • Marcapasso: Dispositivo implantado cirurgicamente que estimula o coração a bater em um ritmo adequado, usado em bloqueios avançados.
  • Eletrocardiograma (ECG): Exame que registra a atividade elétrica do coração. É o principal método para diagnosticar bloqueio cardíaco.
  • Holter de 24 horas: Monitorização contínua do ECG por um dia, útil para detectar bloqueios intermitentes.
  • Doença de Chagas: Infecção parasitária que pode causar miocardite e bloqueio cardíaco, especialmente no Nordeste brasileiro.
  • Síncope: Desmaio súbito e transitório, muitas vezes causado por bloqueio cardíaco que reduz o fluxo sanguíneo cerebral.
  • Feixe de His: Estrutura que conduz o impulso elétrico dos átrios para os ventrículos; lesões nessa região causam bloqueio AV.
  • Cardiomiopatia: Doença do músculo cardíaco que pode levar a bloqueios de ramo e arritmias.

Perguntas Frequentes sobre O que é Bloqueio cardíaco

1. Bloqueio cardíaco é a mesma coisa que infarto?

Não. Infarto (ataque cardíaco) é a morte de células do coração por falta de sangue, geralmente causada por obstrução de uma artéria coronária. Já o bloqueio cardíaco é um problema no sistema elétrico de condução. Os sintomas podem se parecer (dor no peito, tontura), mas as causas e tratamentos são diferentes. No entanto, um infarto pode causar bloqueio cardíaco como consequência.

2. Bloqueio cardíaco tem cura?

Depende do tipo. Bloqueios leves (1º grau, alguns de 2º grau) não precisam de cura específica – apenas acompanhamento. Bloqueios avançados (3º grau) são tratados com implante de marcapasso, que controla o ritmo, mas não elimina a causa de base. Em algumas situações, como na doença de Chagas, o tratamento da infecção pode estabilizar o bloqueio.

3. Quem tem bloqueio cardíaco pode fazer exercícios?

Sim, mas com orientação. Bloqueios leves não impedem a atividade física. Já pacientes com BAV de 2º grau Mobitz II ou bloqueio total devem ter liberação médica e, geralmente, só podem fazer esforço após implante de marcapasso. Em qualquer caso, consulte um cardiologista antes de iniciar uma rotina de exercícios.

4. O bloqueio cardíaco pode matar?

Raramente, se não tratado. O bloqueio total (BAV de 3º grau) pode levar a parada cardíaca súbita. Por isso, é considerado emergência e exige marcapasso urgente. A maioria dos bloqueios, porém, é benigna e não causa risco de morte.

5. Como é o tratamento no SUS para bloqueio cardíaco?

O SUS oferece todo o suporte: desde o ECG na UBS até a cirurgia para implante de marcapasso em hospitais de referência. O acesso é regulado pela Central de Regulação. Há protocolos nacionais do Ministério da Saúde que padronizam o tratamento. Para bloqueios avançados, o marcapasso é fornecido pelo SUS, e a cirurgia é feita por equipes especializadas.

6. Posso tomar remédios para bloqueio cardíaco?

Não existem medicamentos que “curem” o bloqueio. Alguns remédios podem ser usados para sintomas (como atropina em emergências), mas não substituem o marcapasso quando indicado. Evite automedicação, pois certos remédios, como betabloqueadores, podem piorar o bloqueio.

Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.


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