O que é Bradicardia?
Como médico de clínica geral que atende há 15 anos no SUS e em clínicas populares brasileiras, posso dizer que a bradicardia é um dos achados que mais geram dúvidas e ansiedade nos pacientes. Tecnicamente, define-se bradicardia como uma frequência cardíaca abaixo de 60 batimentos por minuto (bpm) em repouso. Isso significa que o coração está batendo mais devagar do que o considerado normal para um adulto saudável. Porém, nem toda bradicardia é doença: muitos atletas e pessoas que praticam atividade física regularmente têm o coração mais eficiente e podem apresentar frequências entre 40 e 50 bpm sem qualquer problema.
No contexto brasileiro, a bradicardia aparece com frequência em consultas de rotina, especialmente em pacientes idosos ou que fazem uso de medicamentos para pressão alta e doenças do coração. Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 1 em cada 10 pessoas acima de 65 anos apresenta alguma alteração no ritmo cardíaco, sendo a bradicardia uma das mais comuns. Em clínicas populares, vejo muitos pacientes que chegam com queixas de cansaço, tontura ou desmaios e, ao medir o pulso, encontramos frequências abaixo de 50 bpm. A bradicardia pode ser um sinal de que o sistema elétrico do coração não está funcionando bem ou de que o organismo está reagindo a algum estímulo externo.
O SUS oferece acesso ao eletrocardiograma (ECG) e encaminhamento para cardiologia em casos suspeitos. A ANVISA regula os medicamentos que podem causar bradicardia como efeito colateral, como betabloqueadores e alguns anti-hipertensivos. O Conselho Federal de Medicina (CFM) também orienta sobre o uso de telemedicina para monitoramento remoto de arritmias. Entender o que é bradicardia vai além da definição: é preciso saber diferenciar quando ela é um sinal de saúde e quando vira motivo de preocupação.
Como funciona / Características
Para entender a bradicardia, imagine que o coração é uma bomba controlada por um gerador elétrico natural chamado nó sinusal. Esse gerador emite impulsos que fazem o coração se contrair em um ritmo regular. No adulto normal, em repouso, a frequência fica entre 60 e 100 bpm. Quando o ritmo cai abaixo de 60 bpm, temos a bradicardia. Isso pode acontecer porque o nó sinusal está disparando mais lentamente (bradicardia sinusal) ou porque os impulsos elétricos encontram bloqueios no caminho (bloqueio atrioventricular).
No dia a dia de uma clínica popular, o que mais observo são casos de bradicardia relacionados ao uso de medicamentos. Por exemplo, Dona Maria, 72 anos, hipertensa, chega com tontura e o pulso em 52 bpm. Ela toma um betabloqueador chamado atenolol, que pode diminuir a frequência cardíaca. Outro cenário comum: um paciente jovem e ativo apresenta 48 bpm no exame admissional, mas não tem sintomas – nesse caso, é uma bradicardia fisiológica do atleta. Já em pacientes com diabetes ou doença de Chagas (ainda prevalente em algumas regiões do Brasil), o coração pode desenvolver fibrose que prejudica a condução elétrica, levando a uma bradicardia patológica.
Uma característica importante é que a bradicardia só se torna perigosa quando o coração não consegue bombear sangue suficiente para o cérebro e órgãos vitais. Por isso, o principal fator que avaliamos em consulta é a presença de sintomas como tontura, cansaço desproporcional, falta de ar ou desmaios. Muitos pacientes convivem com bradicardia leve sem saber – descobrem apenas em exames de rotina. Nesses casos, orientamos acompanhamento periódico e ajuste de medicamentos quando necessário.
Tipos e Classificações
Na prática clínica brasileira, classificamos a bradicardia de acordo com a origem do problema elétrico. As principais categorias são:
- Bradicardia sinusal: o nó sinusal (marca-passo natural) dispara em frequência menor que 60 bpm. É comum em atletas, durante o sono profundo ou como efeito de medicamentos. Quando assintomática, não requer tratamento.
- Bloqueio atrioventricular (BAV): o impulso elétrico sai do nó sinusal, mas encontra obstáculos entre os átrios e ventrículos. Pode ser de primeiro grau (apenas retardo, geralmente benigno), segundo grau (alguns impulsos não passam) ou terceiro grau (bloqueio total, grave, que muitas vezes exige marcapasso). O BAV é mais frequente em idosos e após infarto.
- Doença do nó sinusal: o marca-passo natural falha, alternando períodos de bradicardia e taquicardia. Muito comum em pacientes acima de 70 anos. O tratamento pode incluir implante de marcapasso.
- Bradicardia por medicamentos: causada por beta-bloqueadores (atenolol, propranolol), verapamil, diltiazem, digoxina, entre outros. Ajuste de dose ou troca do medicamento costuma resolver.
- Bradicardia reflexa: ocorre em situações como vômito, tosse forte ou durante exames de sangue – é passageira e não preocupa.
No SUS, a classificação é feita com eletrocardiograma (ECG), que pode ser solicitado em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS). Nos casos suspeitos de bloqueio grave, o paciente é encaminhado para um serviço de cardiologia, onde pode ser indicado o Holter (monitoramento de 24 horas) para avaliar a bradicardia durante o dia e a noite. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomenda que toda pessoa acima de 40 anos com sintomas sugestivos faça um ECG ao menos uma vez.
Quando procurar um médico
Nem toda bradicardia exige consulta imediata, mas alguns sinais de alerta devem levar o paciente a buscar atendimento, de preferência no mesmo dia ou em até 24 horas:
- Tontura ou sensação de que vai desmaiar
- Desmaio (síncope) confirmado
- Cansaço extremo sem causa aparente
- Falta de ar aos pequenos esforços
- Dor no peito associada à bradicardia
- Confusão mental ou dificuldade de falar
- Frequência cardíaca persistentemente abaixo de 45 bpm, mesmo em repouso e sem sintomas (requer avaliação em dias úteis).
Em clínicas populares, orientamos que qualquer pessoa com bradicardia e sintomas deve ser encaminhada a uma UBS ou pronto-atendimento para fazer um ECG e medir sinais vitais. Se houver suspeita de bloqueio grave (terceiro grau), o paciente precisa de avaliação hospitalar urgente, pois o risco de parada cardíaca é real. No SUS, as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e hospitais públicos têm capacidade para realizar o diagnóstico inicial e, se necessário, estabilizar o paciente para encaminhamento ao cardiologista.
Para quem não tem sintomas e descobre a bradicardia em exame de rotina, o recomendado é agendar uma consulta clínica para investigar causas e avaliar a necessidade de acompanhamento periódico. Muitas vezes, ajustes simples como reduzir a dose de um medicamento já resolvem.
Termos Relacionados
- Frequência cardíaca: número de batimentos do coração por minuto. É o parâmetro usado para definir bradicardia (menos de 60 bpm) e taquicardia (mais de 100 bpm).
- Arritmia cardíaca: qualquer alteração no ritmo normal do coração. A bradicardia é um tipo de arritmia, mas existem muitas outras, como fibrilação atrial e extra-sístoles.
- Bloqueio atrioventricular (BAV): condição em que o impulso elétrico não consegue passar adequadamente do átrio para o ventrículo, podendo causar bradicardia grave.
- Marca-passo: dispositivo implantado cirurgicamente para regular a frequência cardíaca quando o nó sinusal falha ou há bloqueio. Muito usado pelo SUS em casos de bradicardia sintomática.
- Betabloqueadores: classe de medicamentos que reduzem a frequência cardíaca e a pressão arterial. São a causa mais comum de bradicardia induzida por fármacos no Brasil.
- Holter: exame que monitora o ritmo cardíaco por 24 horas, permitindo identificar episódios de bradicardia que passam despercebidos em um ECG comum.
- Síncope: perda súbita e breve da consciência, frequentemente causada por bradicardia severa que reduz o fluxo de sangue ao cérebro.
- Taquicardia: frequência cardíaca acima de 100 bpm. É o oposto da bradicardia, mas ambas podem coexistir na chamada “doença do nó sinusal”.
Perguntas Frequentes sobre O que é Bradicardia
Bradicardia é perigosa?
Nem sempre. A bradicardia só é perigosa quando causa sintomas ou quando está associada a bloqueios graves. Atletas e pessoas saudáveis podem ter frequências entre 40 e 50 bpm sem risco. Porém, se vier acompanhada de tontura, desmaio ou cansaço, precisa ser investigada. O ideal é que qualquer pessoa com bradicardia e sintomas procure um clínico geral ou cardiologista para avaliação.
Quais são os sintomas de bradicardia?
Os sintomas mais comuns são tontura, sensação de desmaio, cansaço excessivo, falta de ar, confusão mental e, em casos graves, desmaio. Alguns pacientes sentem o coração “parado” ou uma sensação de peso no peito. Contudo, muitas


