sábado, maio 30, 2026

O que é Bursite

O que é O que é Bursite?

No dia a dia do consultório, seja no SUS ou em clínicas populares, uma das queixas mais comuns é: “doutor, estou com uma dor no ombro que não passa, parece que tem areia dentro da articulação”. Muitas vezes, após examinar o paciente, o diagnóstico é de bursite. Mas o que exatamente significa isso?

Bursite é a inflamação de uma pequena bolsa cheia de líquido chamada bursa. Essas bolsas existem em várias articulações do corpo (ombro, cotovelo, quadril, joelho, calcanhar) e funcionam como “almofadas” que reduzem o atrito entre os ossos, tendões e músculos durante o movimento. Quando a bursa inflama, ela incha, produz mais líquido e passa a comprimir as estruturas ao redor, causando dor, vermelhidão local e limitação dos movimentos.

No Brasil, a bursite é uma das causas mais frequentes de dor articular em adultos, especialmente entre trabalhadores braçais, donas de casa e atletas. Dados do Ministério da Saúde indicam que as doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT), que incluem a bursite, representam cerca de 30% dos afastamentos temporários de emprego registrados no INSS. Embora não haja um número exato para bursite isolada, ela aparece como diagnóstico secundário em muitas consultas de clínica geral e ortopedia.

Como funciona / Características

Imagine uma articulação como uma dobradiça. Para que os ossos deslizem sem se desgastar, existe entre eles uma fina camada de líquido lubrificante. A bursa é um reservatório desse líquido. Quando fazemos movimentos repetitivos (como erguer o braço para pintar um teto, lavar louças ou digitar), a bursa pode ser comprimida ou irritada repetidamente, desencadeando uma reação inflamatória.

Na prática clínica, observo dois cenários principais:

  • Bursite aguda: aparece após um esforço incomum ou trauma, como cair de joelhos ou bater o cotovelo. A região fica inchada, quente e dolorida. Com repouso e gelo, melhora em alguns dias.
  • Bursite crônica: evolui lentamente, sem causa aparente, comum em pessoas que exercem atividades repetitivas por meses ou anos. A dor é mais “surda”, aparece ao final do dia e melhora com o repouso, mas nunca desaparece totalmente.

Outra característica marcante é que a dor costuma piorar com movimentos específicos, como elevar o braço acima da cabeça (no caso da bursite no ombro) ou ajoelhar-se (bursite no joelho). Muitos pacientes relatam dificuldade para dormir do lado afetado, por causa da pressão sobre a bursa inflamada.

Tipos e Classificações

No Brasil, usamos a classificação anatômica (por localização) e a classificação etiológica (causa). As bursites mais frequentes que atendo no consultório são:

  • Bursite subacromial/subdeltoidea (ombro): a mais comum, associada a movimentos repetitivos de elevação do braço. Muitas vezes vem junto com tendinite do manguito rotador.
  • Bursite trocantérica (quadril): dor na lateral do quadril, muito frequente em mulheres acima dos 40 anos, principalmente após longas caminhadas ou ficar deitada de lado.
  • Bursite pré-patelar (joelho): popularmente chamada de “joelho de empregada doméstica” ou “joelho de freguês”, surge por ajoelhar-se repetidamente no chão para lavar, lustrar ou rezar.
  • Bursite olecraniana (cotovelo): conhecida como “cotovelo de estudante” ou “cotovelo de mineiro”, aparece por apoiar o cotovelo em superfícies duras por muito tempo.
  • Bursite retrocalcânea (calcanhar): dor na parte posterior do calcanhar, comum em corredores e pessoas que usam sapatos apertados.

Quanto à causa, classificamos em mecânica (por esforço repetitivo ou pressão), infecciosa (quando uma bactéria invade a bursa através de um ferimento) e inflamatória (associada a doenças como artrite reumatoide ou gota). A bursite infecciosa é grave e requer antibiótico e drenagem – jamais tente espremer ou furar sozinho!

Quando procurar um médico

Se você apresenta dor articular persistente por mais de três dias, mesmo com repouso e gelo, é hora de buscar atendimento. Mas existem sinais de alerta que indicam urgência:

  • Vermelhidão intensa e calor na articulação, acompanhados de febre (acima de 37,8°C). Pode ser bursite infecciosa.
  • Inchaço que cresce rapidamente e limita completamente o movimento.
  • Trauma recente seguido de deformidade ou impossibilidade total de mover a articulação.
  • Dor que acorda você à noite ou que não melhora com analgésicos comuns.

No SUS, você pode procurar sua Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação inicial. O médico clínico fará o diagnóstico clínico, solicitará ultrassom ou ressonância se necessário, e iniciará o tratamento com anti-inflamatórios (via oral ou tópica), fisioterapia e, em casos mais graves, infiltração com corticoide. Persistindo a dor por mais de 4 semanas, o encaminhamento para a ortopedia ou reumatologia está indicado.

Termos Relacionados

  • Bursa – pequena bolsa de tecido conjuntivo revestida por membrana sinovial, preenchida com líquido lubrificante. Existem mais de 150 bursas no corpo humano.
  • Tendinite – inflamação do tendão, muitas vezes confundida com bursite, pois ambas podem ocorrer juntas (tendinobursite). A dor localiza-se mais no trajeto do tendão do que na bursa.
  • Líquido sinovial – fluido viscoso que nutre e lubrifica as articulações e bursas. Na bursite, sua produção aumenta e o líquido pode ficar turvo ou com sangue.
  • LER/DORT – Lesões por Esforços Repetitivos / Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho. A bursite é um dos diagnósticos mais comuns nesse grupo.
  • Fisioterapia – tratamento não medicamentoso essencial na bursite crônica, com exercícios para fortalecer a musculatura ao redor da articulação e evitar recidivas.
  • Infiltração articular – injeção de corticoide diretamente na bursa inflamada, realizada sob anestesia local, para reduzir rapidamente a inflamação.
  • Artrosc

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