O que é Câncer de células basais?
O câncer de células basais (também chamado de carcinoma basocelular) é o tipo mais comum de câncer de pele no Brasil e no mundo. Ele se origina nas células basais, que ficam na camada mais profunda da epiderme. Na prática de quem atende em clínicas populares e no SUS, esse é um diagnóstico diário: muitos pacientes chegam com uma “feridinha” no rosto, orelha ou couro cabeludo que simplesmente não cicatriza. Muitas vezes, a pessoa acha que é uma espinha, uma casca que vive voltando, ou um machucado que não sara. A grande maioria são trabalhadores rurais, lavradores, pescadores, pedreiros ou pessoas que passaram a vida expostas ao sol sem proteção — o perfil clássico nas unidades básicas de saúde do interior e nas clínicas populares das periferias.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele não melanoma, onde se inclui o carcinoma basocelular, representa cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país, com aproximadamente 180 mil novos casos por ano. É um câncer de baixa mortalidade, mas de alta morbidade: se não tratado, pode invadir tecidos locais, destruir cartilagens e ossos, causando deformidades e comprometendo funções como visão e respiração. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental. No SUS, a remoção cirúrgica é o tratamento padrão e está disponível em toda a rede, embora as filas possam ser longas — o que faz com que clínicas populares sejam uma alternativa mais ágil para quem pode pagar um valor acessível.
O carcinoma basocelular está diretamente relacionado à exposição solar cumulativa, especialmente em pessoas de pele clara, olhos claros, cabelos loiros ou ruivos, e que tenham histórico de queimaduras solares na infância. Também é mais frequente em idosos, já que os efeitos do sol se acumulam ao longo da vida. Na minha experiência, é muito comum o paciente dizer: “Doutor, isso aí é uma espinha que não sara há meses. Já passei pomada e não adianta.” Esse relato é quase um clássico e deve acender o alerta para o exame clínico com dermatoscópio e, se necessário, biópsia.
Como funciona / Características
O câncer de células basais se comporta como um tumor de crescimento lento e localmente invasivo, mas com baixíssimo potencial de metástase (menos de 0,1% dos casos). Isso significa que ele raramente se espalha para órgãos distantes, mas pode destruir os tecidos vizinhos, como pele, gordura, músculo e até osso, se não for removido a tempo. Imagine uma lesão no canto do olho que, com o passar dos meses, vai “comendo” a pálpebra, dificultando o fechamento dos olhos e podendo levar à cegueira. Por isso, apesar de não ser um câncer “grave” como o melanoma, ele exige tratamento precoce.
Na prática clínica, as lesões típicas aparecem como pápulas peroladas (como uma bolinha brilhante, de cor rosada ou da pele) com vasinhos finos na superfície (telangiectasias). Também podem se apresentar como uma placa avermelhada, descamativa, que lembra uma micose, ou como uma lesão endurecida, cicatricial, de difícil percepção. O paciente comum costuma perceber que a lesão sangra ao lavar o rosto, que forma crosta e a crosta cai, mas a ferida nunca fecha completamente. Um exemplo real: Seu Antônio, 72 anos, lavrador aposentado, cheg


