quinta-feira, maio 28, 2026

O que é Câncer de células de Leydig

O que é Câncer de células de Leydig?

O câncer de células de Leydig é um tumor raro que se origina nas células intersticiais de Leydig, localizadas nos testículos. Essas células são responsáveis pela produção de testosterona, o principal hormônio masculino. Na minha prática de 15 anos em clínicas populares e no SUS, atendo poucos casos – menos de 1 a cada 1.000 consultas urológicas –, mas quando aparecem, geram muita ansiedade no paciente. A maioria desses tumores é benigna (não cancerosa), mas uma minoria pode se comportar de forma maligna, invadindo outros tecidos.

No Brasil, dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que os tumores testiculares correspondem a cerca de 5% dos cânceres urológicos, e o subtipo de células de Leydig representa menos de 0,5% de todos os tumores testiculares. A faixa etária mais comum é entre 30 e 60 anos, mas já atendi um jovem de 19 anos com esse diagnóstico na periferia de Fortaleza. A dificuldade está no diagnóstico precoce, porque os sintomas são sutis: aumento testicular indolor, sensação de peso no escroto ou alterações hormonais como ginecomastia (crescimento das mamas masculinas) e diminuição da libido.

No SUS, o acesso ao diagnóstico inclui ultrassonografia escrotal, dosagens hormonais (estradiol, testosterona, LH, FSH) e, se necessário, biópsia por agulha fina guiada por ultrassom. O tratamento padrão é a orquiectomia (remoção cirúrgica do testículo afetado), disponível nas unidades de referência oncológica do SUS. Como clínico geral, meu papel é identificar suspeitas e encaminhar rapidamente ao urologista, evitando atrasos que podem comprometer o prognóstico.

Como funciona / Características

Para entender o câncer de células de Leydig, é útil saber como funcionam essas células. Elas ficam entre os túbulos seminíferos (onde os espermatozoides são produzidos) e secretam testosterona sob comando do hormônio luteinizante (LH) da hipófise. Quando uma célula de Leydig sofre mutação e começa a se multiplicar sem controle, forma-se um nódulo. Esse nódulo muitas vezes continua produzindo hormônios – principalmente testosterona e estrogênio – o que explica os sintomas endócrinos.

No dia a dia da clínica popular, recebo homens que vêm com queixas como “meu seio cresceu” ou “perdi o desejo sexual”. Quando examino, palpo um nódulo duro no testículo, geralmente indolor. Faço a propedêutica inicial: ultrassom (mostra massa sólida hipoecoica) e exames de sangue (estradiol elevado, testosterona normal ou aumentada, LH suprimido). A biópsia confirma o diagnóstico. A maioria dos casos é benigna e curada com a cirurgia, sem necessidade de quimioterapia ou radioterapia. Apenas em casos malignos (10-15%) – quando há invasão de vasos sanguíneos ou linfáticos – o paciente precisa de acompanhamento com oncologista e, eventualmente, linfadenectomia retroperitoneal.

Um detalhe importante: ao contrário de outros tumores testiculares (como seminomas), o câncer de células de Leydig não cursa com elevação dos marcadores tumorais clássicos (alfa-fetoproteína e beta-HCG). Por isso, o diagnóstico depende mais da imagem e da histologia. No SUS, a cirurgia é feita em hospitais de referência, como o Hospital Geral de Fortaleza ou o Instituto do Câncer do Ceará. Após a orquiectomia, o paciente pode precisar de reposição hormonal com testosterona, regulamentada pela ANVISA, para manter a libido, massa muscular e saúde óssea.

Tipos e Classificações

Na classificação adotada no Brasil, o câncer de células de Leydig é dividido em dois grandes grupos funcionais e prognósticos:

  • Benigno (tumor de células de Leydig não metastático): corresponde a cerca de 85-90% dos casos. O tumor é localizado, não invade vasos nem a túnica albugínea (cápsula do testículo). A cirurgia é curativa.
  • Maligno (carcinoma de células de Leydig): representa 10-15%. Apresenta invasão vascular, necrose tumoral, atipia celular e mitoses frequentes. Pode metastatizar para linfonodos retroperitoneais, pulmões, fígado e ossos. O prognóstico é pior, com sobrevida em 5 anos de 50-70%.

A classificação TNM (Tumor, Node, Metastasis) é usada pelo CFM e pelo INCA para estadiamento:

  • T1: tumor limitado ao testículo e epidídimo, sem invasão vascular
  • T2: tumor com invasão vascular ou extensão além da túnica vaginal
  • N1: metástase em linfonodo regional único até 2 cm
  • M1: metástase à distância

Na prática do SUS, a maioria dos pacientes chega em estágio T1N0M0, graças à alta procura por ultrassom em unidades básicas quando surge um nódulo. Mas em clínicas populares de regiões mais remotas, ainda vejo casos avançados por falta de acesso ao diagnóstico precoce.

Quando procurar um médico

Recomendo que todo homem procure atendimento médico imediatamente se perceber qualquer um destes sinais:

  • Nódulo ou inchaço em um dos testículos – mesmo que indolor
  • Sensação de peso ou “bola dura” no escroto
  • Ginecomastia – aumento anormal de uma ou ambas as mamas
  • Diminuição da libido, disfunção erétil ou queda de pelos corporais – sinais de desequilíbrio hormonal
  • Dor abdominal baixa ou lombar persistente – pode indicar metástase retroperitoneal
  • Perda de peso sem causa aparente

No SUS, o primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS). O clínico geral ou o médico de família faz o exame físico, solicita a ultrassonografia e, se houver suspeita, encaminha ao urologista via regulação. Em clínicas populares, o atendimento pode ser mais rápido, mas o fluxo para cirurgia também depende da rede de referência. Não ignore um nódulo testicular – o diagnóstico precoce eleva a chance de cura para mais de 95% nos casos benignos.

Termos Relacionados

  • Tumor testicular – qualquer crescimento anormal no testículo, incluindo seminomas, teratomas e tumores de células de Leydig. O câncer de testículo é mais comum em homens jovens (20-40 anos).
  • Células de Leydig – células intersticiais do testículo produtoras de testosterona. Também chamadas de células intersticiais de Leydig.
  • Ginecomastia – aumento das mamas masculinas causado por excesso de estrogênio, comum em tumores de células de Leydig produtores de estrogênio.
  • Orquiectomia – cirurgia de remoção do testículo. É o tratamento padrão para o câncer de células de Leydig localizado.
  • Marcadores tumorais – substâncias no sangue que podem indicar câncer. Neste tipo de tumor, os marcadores clássicos (AFP, β-HCG) geralmente são normais, sendo o estradiol e a testosterona os mais alterados.
  • Síndrome de feminização testicular – condição rara em que o tumor produz grandes quantidades de estrogênio, levando a ginecomastia, diminuição da libido e atrofia testicular contralateral.
  • Linfadenectomia retroperitoneal – cirurgia para remover linfonodos atrás do abdome, indicada em casos malignos com metástase linfática.
  • Reposição hormonal com testosterona – terapia necessária após orquiectomia bilateral ou quando o testículo remanescente não produz testosterona suficiente. Regulada pela ANVISA no Brasil.

Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de células de Leydig

1. Como saber se meu nódulo no testículo é câncer de células de Leydig?

Apenas exames podem confirmar. O ultrassom mostra se a lesão é sólida ou cística. Exames de sangue dosam estradiol, testosterona, LH e FSH. Se houver suspeita, a biópsia por agulha fina ou a cirurgia com exame anatomopatológico é o padrão-ouro. Em clínicas populares, encaminhamos para urologista em até 30 dias pelo SUS.

2. Esse câncer é agressivo?

Na maioria dos casos (85-90%), não. O tumor é benigno e não se espalha. Apenas uma minoria é maligna, com capacidade de metástase. Na minha experiência, os casos malignos são mais comuns em homens acima de 50 anos com tumores maiores que 5 cm.


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