sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Câncer de células de Sertoli

O que é O que é Câncer de células de Sertoli?

O câncer de células de Sertoli é um tipo raro de tumor que se forma nos testículos, originado a partir das células de Sertoli, que são responsáveis por nutrir e sustentar os espermatozoides durante a produção. Diferente dos tumores germinativos (que são mais comuns e têm origem nas células que dão origem aos espermatozoides), esse câncer surge no estroma gonadal, ou seja, no tecido de suporte do testículo. Na minha prática como clínico geral no SUS e em clínicas populares, atendo homens que chegam com queixa de nódulo ou aumento testicular, muitas vezes descoberto ao tomar banho ou durante uma relação sexual. Explico que a maioria desses nódulos é benigna, mas é fundamental investigar, já que tumores de Sertoli, embora raros, podem ter comportamento maligno em alguns casos.

No Brasil, os dados epidemiológicos mostram que o câncer de testículo (todos os tipos) representa cerca de 5.000 novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Desse total, menos de 1% são tumores de células de Sertoli, o que torna esse diagnóstico uma condição de baixa prevalência, mas de grande importância clínica. O pico de incidência costuma ser entre os 40 e 60 anos, ao contrário dos tumores germinativos, que são mais comuns em homens jovens (20-35 anos). No consultório, quando suspeito de um tumor testicular, peço ultrassom com Doppler e exames de sangue como alfafetoproteína e beta-hCG para descartar os germinativos. Se esses marcadores estiverem normais e o ultrassom mostrar uma lesão sólida, levanto a hipótese de tumor de Sertoli.

Do ponto de vista do sistema público de saúde, o SUS oferece todo o suporte diagnóstico e terapêutico: ultrassonografia, ressonância magnética quando necessário, orquiectomia (cirurgia de retirada do testículo) e acompanhamento com urologista nos serviços especializados. O Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Medicina (CFM) orientam que qualquer nódulo testicular palpável deve ser investigado em até 30 dias, garantindo acesso rápido ao tratamento. Na prática, vejo que muitos pacientes demoram a procurar ajuda por vergonha ou medo, por isso reforço a importância do autoexame e da consulta precoce.

Como funciona / Características

O câncer de células de Sertoli se desenvolve quando essas células sofrem uma mutação e começam a se multiplicar de forma descontrolada, formando uma massa (nódulo) no testículo. Na maioria dos casos, o tumor é unilateral (atinge apenas um testículo) e costuma crescer lentamente. O paciente pode notar um caroço endurecido, que não dói, ou perceber um aumento do volume testicular. Em homens mais velhos, pode haver produção excessiva de estrogênio pelas células tumorais, levando a sintomas como ginecomastia (crescimento das mamas) e diminuição da libido — algo que já vi em alguns pacientes na clínica.

No dia a dia, o diagnóstico começa com a palpação do testículo durante o exame físico. Se encontro um nódulo, peço um ultrassom testicular. O ultrassom mostra se a lesão é sólida, cística ou mista. Os tumores de Sertoli aparecem como massas bem delimitadas, muitas vezes hipoecoicas (mais escuras que o tecido normal). O médico radiologista geralmente descreve “tumor de células de Sertoli a ser confirmado por histopatologia” — ou seja, a confirmação só vem após a biópsia ou após a cirurgia de retirada (orquiectomia). O exame de sangue para marcadores tumorais (alfafetoproteína, beta-hCG e lactato desidrogenase) costuma ser normal, o que ajuda a diferenciar dos tumores germinativos.

Uma característica importante: a maioria (cerca de 90%) dos tumores de células de Sertoli é benigna, especialmente quando o tumor é pequeno (menor que 2 cm) e não apresenta atipias (células muito alteradas). Porém, tumores maiores ou com características agressivas ao microscópio podem ser malignos e metastatizar para linfonodos retroperitoneais (atrás do abdômen) ou para órgãos distantes. Por isso, o tratamento padrão é a orquiectomia radical (retirada do testículo afetado) e, em casos selecionados, a realização de linfadenectomia (cirurgia para retirar linfonodos). O acompanhamento inclui exames de imagem periódicos (TC de abdômen) para monitorar possíveis metástases.

Tipos e Classificações

Os tumores de células de Sertoli são classificados de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que é a referência utilizada pelos patologistas brasileiros. A classificação divide os tumores em:

  • Tumor de células de Sertoli puro: composto exclusivamente por células de Sertoli. Pode ser benigno ou maligno com base em critérios histológicos (tamanho do tumor, invasão vascular, atipias nucleares).
  • Tumor de células de Sertoli-Leydig: contém também células de Leydig (produtoras de testosterona). É mais comum em mulheres (tumor de ovário), mas pode ocorrer nos testículos. Tem potencial maligno variável.
  • Tumor de células de Sertoli com padrão esclerosante: variante rara em que o tumor apresenta áreas de fibrose (endurecimento). Geralmente benigno.
  • Tumor de células de Sertoli do tipo grande célula calcificante: associado a síndromes genéticas como o complexo de Carney. Pode ser bilateral e tem comportamento mais agressivo.

Na prática clínica, o laudo anatomopatológico após a cirurgia é que define o subtipo e o risco de malignidade. No SUS, as peças cirúrgicas são analisadas por patologistas em laboratórios credenciados, e o laudo segue as classificações internacionais. O tratamento subsequente é definido em equipe multidisciplinar (urologista, oncologista, radioterapeuta). Em muitos serviços, o paciente é encaminhado para um centro de referência em câncer testicular para discussão do caso.

Quando procurar um médico

Qualquer homem que perceba um caroço, nódulo ou aumento de volume em um dos testículos deve procurar um médico o mais rápido possível, de preferência um urologista ou um clínico geral que possa fazer o encaminhamento. Na minha experiência, muitos homens ignoram o sintoma por meses, achando que é “normal” ou que vai passar. É importante saber que a maioria dos nódulos testiculares não é câncer (podem ser cistos, hérnias, varicoceles ou infecções), mas apenas o exame médico pode descartar ou confirmar a suspeita.

Outros sinais de alerta incluem:
– Dor ou desconforto leve no testículo (pode ser uma sensação de peso)
– Alteração na textura do testículo (mais duro que o normal)
– Ginecomastia (crescimento das mamas masculinas) sem causa aparente
– Diminuição da libido ou disfunção erétil (especialmente em homens acima de 40 anos)
– Presença de líquido na bolsa escrotal (hidrocele) que aparece de repente

No SUS, o paciente pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para triagem. O clínico geral ou o enfermeiro fará o exame físico e, se houver suspeita, solicitará o ultrassom e o encaminhamento para o urologista. O tempo de espera pode variar, mas a Portaria do Ministério da Saúde estabelece prioridade para casos de suspeita de câncer. Se o nódulo for confirmado como tumor, a cirurgia deve ser realizada em até 60 dias. Reforço: não espere o nódulo crescer ou aparecerem outros sintomas; o diagnóstico precoce salva vidas e evita tratamentos mais agressivos.

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