sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Câncer de células escamosas da gengiva

O que é Câncer de células escamosas da gengiva?

O câncer de células escamosas da gengiva é um tipo de tumor maligno que se origina nas células escamosas, aquelas que revestem a superfície da gengiva e a mucosa da boca. Na prática clínica do SUS e em clínicas populares brasileiras, ele é o subtipo mais comum de câncer bucal, responsável por mais de 90% dos casos diagnosticados nessa região. Diferente de outras lesões benignas, esse tumor tem capacidade de invadir tecidos vizinhos, como o osso da mandíbula ou maxila, e de se espalhar para linfonodos do pescoço se não for tratado precocemente.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 15 mil novos casos de câncer de boca por ano, sendo que uma parcela significativa atinge a gengiva. O perfil típico do paciente que chega ao consultório de um clínico geral é de um homem acima dos 40 anos, com histórico de tabagismo e consumo frequente de álcool, mas também vemos mulheres e pessoas mais jovens, especialmente com infecção por HPV. O diagnóstico precoce ainda é um desafio no país, pois muitos pacientes demoram a procurar ajuda, confundindo os sintomas com uma afta ou uma gengivite comum. No contexto do SUS, o encaminhamento para atendimento especializado (estomatologia, cirurgia de cabeça e pescoço) segue o fluxo das Unidades Básicas de Saúde, com possibilidade de realização de biópsia e exames de imagem pela rede pública.

É importante entender que o câncer de células escamosas da gengiva não é uma sentença. Quando descoberto no estágio inicial, as chances de cura são altas, e o tratamento pode ser feito com cirurgia, radioterapia ou uma combinação de métodos. O conhecimento sobre os fatores de risco e os sinais de alerta é a melhor arma que temos para reduzir a mortalidade — e é aí que a atuação do médico de família e do clínico geral nas clínicas populares se torna essencial.

Como funciona / Características

O câncer de células escamosas da gengiva se desenvolve a partir de uma alteração no DNA das células da mucosa gengival, que passam a se multiplicar de forma descontrolada. Esse processo pode levar meses ou anos até que uma lesão visível apareça. No dia a dia do consultório, o paciente costuma relatar um ou mais dos seguintes sintomas:

– Uma ferida (úlcera) na gengiva que não cicatriza em mais de duas semanas.
– Uma mancha branca (leucoplasia) ou vermelha (eritroplasia) que não desaparece.
– Dor local, sensibilidade ou sangramento espontâneo ao escovar os dentes.
– Dificuldade ou dor para mastigar, engolir ou falar.
– Inchaço na gengiva ou no pescoço, muitas vezes indolor.
– Mobilidade de dentes sem causa aparente (devido à invasão do osso).

Na avaliação clínica, o médico palpa a lesão e examina os linfonodos do pescoço. Muitas vezes, o paciente chega com o dente já extraído em outro serviço, achando que era um problema dentário, mas a ferida não sara. Esse atraso é comum em populações de baixa renda, que recorrem primeiro a farmácias ou a dentistas sem experiência em oncologia. Por isso, reforço sempre: se uma ferida na boca durar mais de 15 dias, procure um médico ou um cirurgião-dentista na UBS.

O crescimento do tumor pode ser rápido, principalmente em pacientes imunodeprimidos. Ele invade o periósteo e o osso alveolar, causando reabsorção óssea que é vista em radiografias panorâmicas ou tomografias. A disseminação para os linfonodos do pescoço (metástase regional) é o principal fator de pior prognóstico. O uso de álcool e tabaco em conjunto aumenta em até 15 vezes o risco de desenvolver esse câncer.

Tipos e Classificações

O câncer de células escamosas da gengiva é classificado de acordo com o sistema TNM (Tumor, Nódulo, Metástase), adotado pelo INCA e pelo Sistema Único de Saúde. Essa classificação permite definir o estádio da doença e planejar o tratamento:

– **T (Tumor primário):** T1 (tumor com ≤2 cm), T2 (2-4 cm), T3 (>4 cm) ou T4 (invasão de estruturas profundas, como osso mandibular, pele, músculo ou seios da face).
– **N (Linfonodos regionais):** N0 (sem comprometimento), N1 (linfonodo único ipsilateral ≤3 cm), N2 ou N3 (maior extensão).
– **M (Metástase a distância):** M0 (ausente), M1 (presente, geralmente em pulmões, fígado ou ossos).

Além do estadiamento, a análise histopatológica classifica o grau de diferenciação celular:

– **Bem diferenciado:** as células ainda se parecem com escamosas normais; prognóstico um pouco melhor.
– **Moderadamente diferenciado:** características intermediárias.
– **Pouco diferenciado:** células muito atípicas, comportamento mais agressivo.

No Brasil, os laudos de biópsia são padronizados pela Sociedade Brasileira de Patologia e seguem a Classificação Internacional de Doenças (CID-10: C03.0 – Gengiva superior; C03.1 – Gengiva inferior). O tratamento é definido por comitês multidisciplinares em centros de alta complexidade do SUS, como os hospitais do câncer.

Quando procurar um médico

Não espere o quadro piorar. Procure um clínico geral, um dentista ou uma Unidade Básica de Saúde imediatamente se você notar:

– Uma ferida na gengiva que não cicatriza em **15 dias**.
– Uma mancha branca, vermelha ou acinzentada que persiste.
– Dor na gengiva que não melhora com analgésicos comuns.
– Sangramento espontâneo ou ao toque, sem causa traumática.
– Inchaço na gengiva ou no pescoço, mesmo que indolor.
– Dente que fica mole ou mudança no encaixe da prótese dentária.
– Dormência ou formigamento na região da gengiva ou lábio.

Em clínicas populares, muitas vezes o paciente chega com uma queixa vaga de “machucado na boca”. Como médico, sempre realizo o exame físico completo, incluindo palpação da gengiva e dos linfonodos. Se houver suspeita, encaminho para biópsia. O SUS oferece esse procedimento gratuitamente no serviço de estomatologia ou cirurgia bucomaxilofacial. Lembrando que o diagnóstico precoce pode significar um tratamento menos agressivo e maior chance de cura.

Termos Relacionados

  • Carcinoma de células escamosas — Tipo histológico mais frequente de câncer de boca, incluindo gengiva, língua, assoalho bucal e palato. Origina-se do epitélio escamoso.
  • Leucoplasia — Mancha branca na mucosa bucal que não pode ser removida por raspagem. É considerada uma lesão pré-cancerosa; até 15% podem evoluir para câncer.
  • Eritroplasia — Mancha vermelha, aveludada, na boca. Tem maior risco de malignização do que a leucoplasia (cerca de 50% já apresentam células cancerosas na biópsia).
  • Biopópsia — Procedimento para retirar um fragmento da lesão e analisá-lo ao microscópio. É o padrão-ouro para o diagnóstico de câncer de gengiva.
  • Estadiamento — Sistema que determina a extensão do tumor (TNM), influenciando diretamente o tratamento e o prognóstico. No SUS, é feito com exames de imagem (TC, RNM) e avaliação clínica.
  • Linfonodo sentinela — Primeiro linfonodo que recebe drenagem do tumor. Sua biópsia ajuda a identificar metástases precoces sem necessidade de esvaziamento cervical completo.
  • Radioterapia — Tratamento com radiação ionizante, usado isoladamente ou após cirurgia. Pode causar efeitos colaterais como mucosite e xerostomia (boca seca).
  • Quimioterapia — Uso de medicamentos para destruir células cancerosas. Em casos avançados, é combinada com radioterapia (quimiorradioterapia) no SUS.

Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de células escamosas da gengiva

1. Câncer de células escamosas da gengiva tem cura?

Sim, tem cura, especialmente quando descoberto precocemente (estádios I e II). O tratamento cirúrgico com margens livres de tumor é a principal abordagem, com taxas de cura acima de 80%. Nos estágios mais avançados, a cura é mais difícil, mas a combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia pode controlar a doença por muitos anos. O mais importante é não atrasar a busca por atendimento.

2. Como é feito o diagnóstico no SUS?

O diagnóstico começa na UBS, onde o médico ou dentista faz o exame clínico. Havendo suspeita, o paciente é encaminhado para um serviço de estomatologia ou cirurgia de cabeça e pescoço. Lá é realizada uma biópsia — pequena cirurgia para retirar um pedaço da lesão. O material é analisado por um patologista. Se confirmado o câncer, exames de imagem (tomografia, ressonância) são feitos para avaliar a extensão. Tudo isso é coberto pelo SUS, sem custos para o paciente.

3. Quais são os fatores de risco?

Os principais são: tabagismo (incluindo cigarros, charutos e narguilé), consumo excessivo de álcool, infecção pelo HPV (principalmente subtipo 16), má higiene bucal, uso de próteses mal ajustadas que causam traumas crônicos, e deficiências imunológicas, como no HIV. A combinação álcool + tabaco é especialmente perigosa, aumentando em até 15 vezes o risco. A exposição solar excessiva também pode causar câncer de lábio, que é um subtipo relacionado.

4. O câncer de gengiva é doloroso?

No início, muitas vezes não dói. O paciente pode sentir apenas uma sensação de incômodo ou uma ferida que não sara. Conforme o tumor cresce, pode surgir dor local, que se irradia para o ouvido, dificuldade para mastigar, sangramento e até dormência na gengiva ou lábio. É comum o paciente negligenciar os sintomas por acharem que é uma afta. Por isso, a regra de ouro: qualquer lesão que persista por mais de 15 dias merece investigação.

5. Como prevenir esse tipo de câncer?

Evite o tabaco (fumado ou mascado), modere o consumo de bebidas alcoólicas, mantenha uma boa higiene bucal e faça visitas regulares ao dentista. A vacina contra HPV (disponível no SUS para meninas e meninos entre 9 e 14 anos) também ajuda a prevenir infecções que podem levar a câncer bucal. Além disso, autoexame da boca — olhar no espelho, perceber feridas, manchas ou inchaços — pode ajudar na detecção precoce. O Ministério da Saúde incentiva a campanha “Maio Vermelho” de conscientização sobre câncer bucal.

6. Quais os tratamentos oferecidos no SUS?

O SUS oferece as seguintes modalidades: cirurgia (remoção do tumor e, se necessário, dos linfonodos do pescoço), radioterapia (externa ou braquiterapia) e quimioterapia. Dependendo do estádio, pode-se fazer apenas cirurgia, radioterapia pós-operatória, ou quimiorradioterapia para tumores avançados. Em centros de referência como o INCA e as unidades de alta complexidade em oncologia (UNACONs), há suporte multidisciplinar com fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia. A reabilitação com próteses faciais também é disponível. Todos os tratamentos são gratuitos


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