quinta-feira, maio 28, 2026

O que é Câncer de células escamosas da glândula salivar

O que é Câncer de células escamosas da glândula salivar?

O Câncer de células escamosas da glândula salivar é um tipo raro e agressivo de tumor maligno que se origina nas células que revestem os ductos das glândulas salivares. Essas células, chamadas de células escamosas, normalmente formam a camada mais superficial da pele e das mucosas, mas quando surgem dentro das glândulas salivares, indicam uma transformação anormal (metaplasia) que pode evoluir para um carcinoma. Na prática clínica do SUS e em clínicas populares brasileiras, esse diagnóstico costuma aparecer após meses de queixas vagas, como um caroço indolor na região do pescoço ou abaixo da orelha, frequentemente confundido com caxumba, infecção dentária ou linfonodo reacional.

No Brasil, os tumores de glândulas salivares representam cerca de 3% a 5% de todas as neoplasias de cabeça e pescoço, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Dentro desse grupo, o carcinoma de células escamosas é uma minoria (aproximadamente 2% a 5% dos casos), mas sua importância clínica é grande devido ao comportamento agressivo e à tendência a metástases precoces. A maioria dos pacientes tem mais de 50 anos, e há discreta predominância em homens. Fatores de risco como tabagismo, etilismo crônico e radiação prévia na região da cabeça e pescoço estão bem estabelecidos. No contexto do SUS, o acesso ao diagnóstico pode ser demorado, especialmente em regiões com poucos serviços de imagem e biópsia, o que exige do médico da atenção básica um olhar atento para sinais de alerta.

É importante esclarecer que esse tipo de câncer não é o mesmo que o carcinoma de células escamosas da pele ou da boca (como o de lábio ou língua), embora compartilhem o mesmo tipo celular. A origem dentro da glândula salivar torna o diagnóstico e o tratamento mais complexos, exigindo avaliação por uma equipe multidisciplinar que inclui cirurgião de cabeça e pescoço, patologista e oncologista clínico. Na rede pública, o paciente geralmente é encaminhado a um centro de oncologia após confirmação por biópsia, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde e da ANVISA para medicamentos e radioterapia.

Como funciona / Características

O câncer de células escamosas da glândula salivar se comporta como um tumor de crescimento rápido, muitas vezes com invasão de estruturas vizinhas como nervo facial, músculos e vasos sanguíneos. Na consulta da clínica popular, o paciente relata ter notado um nódulo endurecido na região da parótida (próximo à orelha) ou abaixo do queixo, que não desaparece após antibióticos. Diferente de tumores benignos, como o adenoma pleomórfico, esse câncer costuma causar dor, dormência na face ou dificuldade para abrir a boca (trismo) à medida que avança.

O diagnóstico começa com exame clínico minucioso, seguido por ultrassom de partes moles e, em seguida, biópsia aspirativa por agulha fina (PAAF), um procedimento simples feito no próprio ambulatório do SUS. Se houver suspeita, a tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) é usada para avaliar a extensão do tumor e possíveis linfonodos comprometidos. No Brasil, o acesso à RM é mais restrito, sendo a TC a ferramenta mais comum na rede pública. A confirmação final é dada pelo exame anatomopatológico do tecido retirado na cirurgia ou na biópsia.

O tratamento padrão é cirúrgico: a remoção completa da glândula salivar afetada (parotidectomia, submandibulectomia, etc.) com esvaziamento cervical (retirada de linfonodos do pescoço). Devido ao risco de invasão do nervo facial, o cirurgião deve ter experiência em cirurgia de cabeça e pescoço. Pós-operatório pode incluir radioterapia adjuvante, principalmente se houver margens comprometidas ou metástases linfonodais. A quimioterapia é reservada para casos avançados ou recidivas. No SUS, esses procedimentos são realizados em hospitais habilitados em oncologia, e o paciente tem direito a acompanhamento multiprofissional.

Tipos e Classificações

Na prática oncológica brasileira, a classificação do carcinoma de células escamosas de glândula salivar segue a Classificação da OMS para Tumores de Cabeça e Pescoço e o sistema TNM (Tumor, Node, Metastasis) para estadiamento. As variantes histológicas mais comuns são:

  • Carcinoma de células escamosas clássico: apresenta queratinização e pontes intercelulares.
  • Variante basaloide: mais agressiva, associada a pior prognóstico.
  • Carcinoma de células escamosas de células claras: raro, diagnóstico diferencial com tumores de células claras renais metastáticos.
  • Associado ao HPV (papilomavírus humano): menos comum em glândulas salivares, mas possível.

O estadiamento TNM classifica o tumor conforme o tamanho (T1 a T4), comprometimento de linfonodos (N0 a N3) e presença de metástases à distância (M0/M1). Essa classificação é essencial para definir o prognóstico e a conduta terapêutica. No Brasil, o Ministério da Saúde adota as diretrizes do INCA e da National Comprehensive Cancer Network (NCCN) adaptadas à realidade local, com ênfase em cirurgia radical para tumores localizados e terapia multimodal para casos avançados.

Quando procurar um médico

Você deve procurar um médico clínico geral ou cirurgião de cabeça e pescoço se notar qualquer um dos seguintes sinais, especialmente se persistirem por mais de duas a três semanas:

  • Caroco ou inchaço na região da bochecha, abaixo da orelha, no queixo ou no pescoço que não diminui de tamanho.
  • Dor localizada que não melhora com analgésicos comuns.
  • Dormência ou formigamento na face, especialmente no lado do caroço.
  • Dificuldade para abrir a boca (trismo) ou engolir (disfagia).
  • Mudança na simetria facial, como paralisia parcial do nervo facial (um lado do rosto não se movimenta).
  • Ferida na boca ou na face que não cicatriza em 15 dias.
  • Perda de peso sem causa aparente.

Na rotina das clínicas populares, muitos pacientes vêm com a queixa de “íngua no pescoço” que não passa. O médico deve realizar uma palpação cuidadosa e, se houver suspeita, solicitar exames. Lembre-se: a maioria dos nódulos nas glândulas salivares é benigna, mas apenas uma avaliação profissional pode garantir que não seja um tumor maligno. No SUS, o encaminhamento para um serviço de cabeça e pescoço pode ser feito via regulação, portanto, não hesite em buscar atendimento.

Termos Relacionados

  • Glândulas salivares: Estruturas que produzem saliva, localizadas na boca e no pescoço. As principais são parótida, submandibular e sublingual.
  • Tumor de Parótida: Neoplasia que surge na maior glândula salivar, podendo ser benigna (adenoma pleomórfico) ou maligna (como o CEC).
  • Biopópsia aspirativa por agulha fina (PAAF): Procedimento minimamente invasivo para colher células do nódulo e examinar ao microscópio, fundamental no diagnóstico inicial.
  • Esvaziamento cervical: Cirurgia para remover linfonodos do pescoço, feita quando há risco de metástases linfáticas.
  • Radioterapia: Tratamento com radiação ionizante, usado após a cirurgia para eliminar células residuais quando há alto risco de recidiva.
  • Metástase: Disseminação do câncer para outras partes do corpo, como pulmão, fígado ou ossos, comum em casos avançados.
  • HPV (papilomavírus humano): Vírus associado a alguns cânceres de orofaringe, mas raramente relacionado a tumores de glândulas salivares.
  • Oncologia de cabeça e pescoço: Especialidade médica focada no diagnóstico e tratamento de tumores nessa região, incluindo o CEC de glândula salivar.

Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de células escamosas da glândula salivar

O câncer de células escamosas da glândula salivar é comum no Brasil?

Não, é um tipo raro. No Brasil, os tumores de glândulas salivares representam menos de 5% dos cânceres de cabeça e pescoço, e dentro deles o CEC é ainda menos frequente (cerca de 2-5% dos casos). Por isso, muitos médicos da atenção básica podem nunca ter visto um caso. A média de idade é acima dos 50 anos, sendo mais comum em homens.

Quais são os primeiros sintomas que devo observar?

O sintoma mais comum é um caroço indolor na região da parótida (próximo à orelha), submandibular (abaixo do queixo) ou no pescoço. Com o tempo, pode surgir dor, dormência facial, dificuldade para abrir a boca ou engolir. Diferentemente de uma infecção, esses sintomas não melhoram com antibióticos e podem piorar progressivamente.

Esse câncer tem cura?

Sim, especialmente quando diagnosticado precocemente, com tumor restrito à glândula e sem metástases. O tratamento principal é a cirurgia com margens livres, seguida ou não de radioterapia. Casos avançados (metástases linfonodais ou à distância) têm prognóstico mais reservado, mas tratamentos combinados (cirurgia, radioterapia e quimioterapia) podem controlar a doença por anos. No SUS, o acesso a esses tratamentos é garantido pelos protocolos de oncologia.

Como é feito o diagnóstico no SUS?

O caminho típico começa na Unidade Básica de Saúde (UBS) com exame clínico. Se houver suspeita, o médico solicita ultrassom da região e encaminha para um serviço de referência em cabeça e pescoço. Lá, é realizada a biópsia aspirativa (PAAF) ou core biopsy. A confirmação sai em cerca de 10 a 15 dias. Depois, exames de imagem como tomografia complementam o estadiamento. Todo esse fluxo é regulado pela secretaria municipal ou estadual de saúde.

O HPV pode causar esse tipo de câncer?

O HPV está mais associado a cânceres de orofaringe (amígdalas, base da língua). Nas glândulas salivares, a associação é rara e controversa. A maioria dos casos de CEC de glândula salivar tem relação com tabagismo e etilismo, e não com HPV. Portanto, a vacinação contra o HPV não previne diretamente esse câncer, mas é importante para outros tumores.

Depois do tratamento, preciso de acompanhamento? Por quanto tempo?

Sim, o acompanhamento é essencial. Os pacientes são seguidos por exames clínicos periódicos (a cada 3 meses nos primeiros 2 anos, depois a cada 6 meses até 5 anos, e anualmente após). Exames de imagem (ultrassom, TC) são feitos conforme necessidade, para detectar precocemente recidivas ou metástases. O médico orienta também sobre reabilitação, como fisioterapia facial se o nervo facial foi afetado. No SUS, esse acompanhamento é realizado no ambulatório de oncologia do hospital de referência.

Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é


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