O que é O que é Câncer de células escamosas da hipofaringe?
O Câncer de células escamosas da hipofaringe é um tumor maligno que se origina nas células finas e achatadas (chamadas de células escamosas) que revestem a parte mais baixa da garganta, conhecida como hipofaringe. Essa região fica logo atrás da laringe (onde estão as cordas vocais) e antes do esôfago. Na prática clínica do dia a dia, eu vejo muitos pacientes que confundem os primeiros sinais com uma “gripe que não passa” ou “dor de garganta comum”, e é justamente esse atraso na procura por ajuda que torna esse tipo de câncer um desafio. No Brasil, estima-se que cerca de 2% dos casos de câncer de cabeça e pescoço ocorram na hipofaringe, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A maioria dos pacientes é diagnosticada em estágios avançados (III ou IV), o que afeta diretamente o prognóstico e as opções de tratamento.
Em clínicas populares e no SUS, o perfil mais comum é o de homens acima de 50 anos, com histórico de tabagismo e consumo excessivo de álcool. Também vejo casos em mulheres, principalmente quando há infecção pelo HPV (papilomavírus humano), mas ainda em menor frequência. A incidência é maior nas regiões Sul e Sudeste, mas, pela carência de diagnóstico precoce na atenção primária, muitos pacientes chegam ao serviço de oncologia já com nódulos no pescoço (linfonodos aumentados) ou dificuldade grave para engolir. O Câncer de células escamosas da hipofaringe é agressivo porque a região tem muitos vasos linfáticos, facilitando a disseminação para os linfonodos do pescoço. Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais — algo que sempre reforço nas consultas de clínica geral.
É importante destacar que o SUS oferece atendimento integral para esses pacientes, desde a suspeita inicial nas Unidades Básicas de Saúde até o tratamento especializado em hospitais de referência. A ANVISA também regula os medicamentos e equipamentos usados na quimioterapia e radioterapia. Contudo, o maior gargalo ainda é a demora entre os primeiros sintomas e a biópsia confirmatória. Por isso, escrevo este verbete com a esperança de que mais pessoas reconheçam os sinais e busquem ajuda a tempo.
Como funciona / Características
As células escamosas que revestem a hipofaringe, quando expostas a agentes cancerígenos (como os do cigarro e do álcool), sofrem mutações e começam a se multiplicar sem controle. Esse crescimento forma uma lesão que pode ser exofítica (crescendo para dentro do órgão) ou ulcerativa (formando uma ferida). No consultório, os pacientes costumam relatar uma sensação de “nó na garganta”, dor ao engolir (odinofagia) ou até mesmo engasgos frequentes. Um sinal clássico é a rouquidão persistente, porque o tumor pode comprimir a laringe. Outro achado comum que eu observo é o aparecimento de um caroço no pescoço — muitas vezes o próprio paciente percebe ao fazer a barba ou ao passar a mão no local.
O tumor pode se espalhar de três formas: diretamente para os tecidos vizinhos (laringe, faringe, esôfago), através dos vasos linfáticos para os linfonodos cervicais (o que acontece em mais de 70% dos casos) e, em estágios avançados, pela corrente sanguínea para pulmões, fígado e ossos. Na rotina de uma clínica popular, quando suspeito desse diagnóstico, peço uma nasofibroscopia (exame com uma câmera fina pelo nariz) e encaminho para avaliação com otorrinolaringologista. O diagnóstico definitivo é feito por biópsia da lesão. Muitos pacientes se assustam com a palavra “câncer”, mas explico que, quanto mais cedo descobrirmos, maiores as chances de tratamento curativo.
Um aspecto que sempre chamo atenção é a relação com o HPV. Embora o câncer de hipofaringe associado ao HPV seja menos comum do que o de orofaringe (região mais acima), ele vem crescendo no Brasil, principalmente em adultos jovens que não fumam. Isso reforça a importância da vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente no SUS para meninos e meninas de 9 a 14 anos.
Tipos e Classificações
O Câncer de células escamosas da hipofaringe é classificado principalmente pelo sistema TNM (Tumor, Linfonodos, Metástases), adotado pelo INCA e usado em todos os hospitais brasileiros. O “T” descreve o tamanho e a extensão do tumor primário: T1 (tumor menor que 2 cm e limitado a uma sub-região da hipofaringe), T2 (2 a 4 cm ou que atinge mais de uma sub-região), T3 (maior que 4 cm ou que invade a laringe), T4 (invade estruturas além da hipofaringe, como tireoide ou esôfago). O “N” indica comprometimento dos linfonodos: N0 (nenhum linfonodo afetado), N1 a N3 (crescente número e tamanho). O “M” informa se há metástases à distância (M0 = não; M1 = sim).
Além do TNM, o estadiamento clínico vai de 0 (carcinoma in situ, ainda sem invasão) até IV (avançado, com metástases). No Brasil, a maioria dos casos chega ao serviço de oncologia nos estágios III e IV. Do ponto de vista histológico, o tumor pode ser bem diferenciado (células mais parecidas com o normal), moderadamente diferenciado ou pouco diferenciado (células muito alteradas e mais agressivas). Essa graduação influencia o comportamento do tumor e a resposta à radioterapia.
Outra classificação prática usada no dia a dia é a localização anatômica dentro da hipofaringe: seios piriformes (a região mais comum, cerca de 70% dos casos), parede posterior e região retrocricóidea. Cada local pode dar sintomas ligeiramente diferentes — por exemplo, tumores nos seios piriformes costumam causar dor de ouvido reflexa (otalgia). Essa informação ajuda o médico a planejar a cirurgia ou a radioterapia.
Quando procurar um médico
Procure atendimento médico se você apresentar qualquer um dos seguintes sinais por mais de três semanas, principalmente se for homem acima de 40 anos, fumante ou bebedor frequente:
- Disfagia progressiva – dificuldade para engolir que vai piorando, primeiro com sólidos, depois com líquidos.
- Odinofagia – dor ao engolir, que pode irradiar para o ouvido.
- Rouquidão ou mudança na voz persistente, sem causa aparente (gripe, alergia).
- Nódulo ou caroço no pescoço – geralmente indolor, mas que cresce com o tempo.
- Perda de peso involuntária – emagrecimento sem dieta ou exercício.
- Tosse crônica ou sensação de “algo preso na garganta”.
- Dor de garganta que não melhora com analgésicos comuns.
Nas clínicas populares, muitas vezes o paciente vem com queixas vagas. Por isso, eu sempre faço uma anamnese detalhada e examino o pescoço e a boca. Se houver suspeita, encaminho para a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou diretamente para um ambulatório de otorrinolaringologia do SUS. Não ignore sintomas persistentes: o diagnóstico precoce pode salvar sua vida e reduzir a necessidade de tratamentos agressivos.
Termos Relacionados
- Linfonodo – Pequena glândula do sistema linfático, frequentemente a primeira região atingida pelas metástases do câncer de hipofaringe. O aumento de linfonodos no pescoço é um sinal de alerta.
- Disfagia – Dificuldade ou desconforto para engolir, principal sintoma que leva o paciente a procurar ajuda.
- Odinofagia – Dor ao engolir, muitas vezes associada a lesões ulceradas na hipofaringe.
- Nasofibroscopia – Exame endoscópico realizado com um tubo fino e flexível pelo nariz, que permite visualizar a hipofaringe e colher biópsias.
- Estadiamento – Sistema que descreve a extensão do câncer (tamanho, comprometimento linfonodal, metástases) e orienta o tratamento.
- HPV (Papilomavírus Humano) – Vírus sexualmente transmissível que pode causar câncer de cabeça e pescoço, inclusive na hipofaringe. A vacina está disponível no SUS.
- Radioter
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