sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Câncer de células escamosas da tireoide

O que é Câncer de células escamosas da tireoide?

O câncer de células escamosas da tireoide (também chamado de carcinoma espinocelular primário da tireoide) é um tipo raro e agressivo de tumor maligno que se origina nas células escamosas – aquelas células achatadas que normalmente revestem a superfície da pele e de algumas mucosas. Na tireoide, essas células não existem em condições normais; elas surgem por um processo de metaplasia, ou seja, uma transformação das células foliculares da tireoide em células escamosas, geralmente como resposta a uma inflamação crônica, como na tireoidite de Hashimoto, ou após exposição à radiação.

No meu dia a dia de atendimento no SUS e em clínicas populares, esse câncer aparece com menos frequência que os tumores papilífero ou folicular (que são os mais comuns). Estima-se que o carcinoma escamoso corresponda a menos de 1% de todos os cânceres de tireoide no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que, em 2023, foram esperados cerca de 15.000 novos casos de câncer de tireoide no país, mas menos de 150 seriam desse subtipo. Por ser agressivo e de crescimento rápido, muitas vezes o diagnóstico é feito em estágios mais avançados, o que exige uma abordagem multidisciplinar – endocrinologista, cirurgião de cabeça e pescoço, oncologista e radioterapeuta – disponível nos centros de referência do SUS.

É importante que o paciente entenda que, apesar do nome assustador, existem opções de tratamento. O oncologista pode indicar cirurgia (tireoidectomia total), radioterapia e, em alguns casos, quimioterapia. A ANVISA regulamenta os medicamentos usados e as diretrizes do CFM orientam os médicos sobre o manejo adequado. O acolhimento na clínica popular faz diferença: muitas pessoas chegam com nódulos no pescoço e medo de ser câncer, e a primeira escuta já ajuda a aliviar a ansiedade.

Como funciona / Características

O câncer de células escamosas da tireoide se comporta de maneira muito diferente dos tumores mais comuns da tireoide. Enquanto o carcinoma papilífero cresce lentamente e tem altas taxas de cura, o escamoso costuma crescer rápido, invadir estruturas vizinhas (traqueia, esôfago, nervos) e dar metástases para linfonodos do pescoço e para órgãos distantes, como pulmão e ossos.

Imagine a cena: na clínica, chega um senhor de 55 anos, ex-fumante, que notou um caroço no pescoço há 2 meses. Ele reclama de rouquidão (porque o tumor comprime o nervo laríngeo) e dificuldade para engolir. Ao exame, o nódulo é duro, fixo e indolor. A ultrassonografia mostra uma lesão heterogênea com calcificações grosseiras. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) – exame simples feito em ambulatório – confirma a presença de células escamosas malignas. A partir daí, o paciente é encaminhado para um centro de referência do SUS, onde fará cirurgia e radioterapia.

Uma característica importante é que esse câncer pode estar associado a outras doenças da tireoide, como a tireoidite de Hashimoto (inflamação autoimune) ou a bócio multimodular. Por isso, o clínico geral deve estar atento a qualquer nódulo que mude de tamanho rapidamente, mesmo em pacientes sem fatores de risco. No SUS, o acesso à ultrassonografia e à PAAF é garantido pela Política Nacional de Atenção Oncológica, mas a fila para exames especializados pode ser longa – daí a importância de um bom encaminhamento com justificativa clínica robusta.

Tipos e Classificações

O câncer de células escamosas da tireoide pode ser classificado de duas formas principais, de acordo com sua origem histológica:

  • Carcinoma escamoso primário da tireoide: surge diretamente das células tireoidianas que sofreram metaplasia escamosa. É o verdadeiro tumor escamoso da glândula.
  • Carcinoma escamoso secundário ou metaplásico: ocorre quando outro tipo de câncer de tireoide (como o carcinoma papilífero ou medular) sofre diferenciação escamosa. Nesse caso, o tratamento segue o do tumor original, mas com pior prognóstico.

Na prática clínica brasileira, usamos o sistema de estadiamento TNM (Tumor, Linfonodo, Metástase), recomendado pelo INCA e pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia). Esse sistema avalia:

  • T: tamanho e invasão do tumor (T1 a T4)
  • N: comprometimento de linfonodos (N0 a N1)
  • M: presença de metástases a distância (M0 ou M1)

Como esse câncer é raro, não existe uma classificação específica para subtipos, mas o grau de diferenciação celular (bem, moderadamente ou pouco diferenciado) ajuda a prever a agressividade.

Quando procurar um médico

Qualquer pessoa que perceba um ou mais dos seguintes sinais deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), clínica popular ou pronto atendimento:

  • Nódulo no pescoço que aparece ou cresce rápido (em semanas a poucos meses)
  • Rouquidão persistente sem causa aparente (como gripe ou uso excessivo da voz)
  • Dificuldade para engolir (alimentos sólidos ou até líquidos)
  • Sensação de aperto na garganta ou falta de ar
  • Dor na região anterior do pescoço, que pode irradiar para o ouvido
  • Ínguas (linfonodos aumentados) no pescoço, principalmente se endurecidas e sem dor
  • Perda de peso não explicada, cansaço ou suores noturnos

No contexto do SUS, o clínico geral ou o médico da família fará a primeira avaliação, solicitará exames (ultrassonografia, dosagem de TSH e tireoglobulina) e encaminhará para o endocrinologista ou cirurgião de cabeça e pescoço. Não espere o nódulo ficar grande: quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de tratamento curativo. Se você já tem diagnóstico de tireoidite de Hashimoto ou histórico de radiação na região do pescoço (por exemplo, para tratar outro câncer), faça acompanhamento regular com ultrassonografia.

Termos Relacionados

  • Tireoide: glândula em forma de borboleta localizada na parte anterior do pescoço, responsável por produzir hormônios que controlam o metabolismo.
  • Carcinoma: termo médico para um tumor maligno que se origina em tecidos epiteliais (como a pele, mucosas ou glândulas).
  • Nódulo tireoidiano: crescimento anormal de células na tireoide; a maioria é benigna, mas alguns podem ser câncer.
  • Punção aspirativa por agulha fina (PAAF): exame simples, feito com agulha fina, que coleta células de um nódulo para análise microscópica (citologia). É o principal método diagnóstico.
  • Tireoidectomia total: cirurgia de remoção completa da glândula tireoide, indicada na maioria dos cânceres de tireoide.
  • Radioterapia externa: tratamento com radiação ionizante direcionada ao tumor, usada quando a cirurgia não é suficiente ou há metástases.
  • Metástase: disseminação do câncer para outras partes do corpo, como linfonodos, pulmões ou ossos.
  • Estadiamento TNM: sistema internacional usado para descrever a extensão do câncer (tamanho do tumor, comprometimento de linfonodos e metástases), ajudando a definir o tratamento e o prognóstico.

Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de células escamosas da tireoide

Esse tipo de câncer é comum? Quem tem mais risco?

Não, é bastante raro: representa menos de 1% dos cânceres de tireoide. Acomete mais adultos acima de 50 anos, e os principais fatores de risco são: tireoidite de Hashimoto (inflamação crônica da tireoide), exposição à radiação na infância (por exemplo, radioterapia para outros cânceres) e tabagismo. Homens e mulheres são afetados de forma semelhante, ao contrário de outros tumores tireoidianos, que são muito mais comuns em mulheres.

Quais os primeiros sintomas que devo observar?

O sintoma mais comum é um nódulo no pescoço que cresce rápido, em semanas ou poucos meses. Além disso, rouquidão persistente (sem gripe), dificuldade para engolir, dor local, sensação de sufocamento e ínguas endurecidas no pescoço são sinais de alerta. Muitos pacientes também relatam perda de peso e cansaço sem explicação. Se você notar qualquer um desses sintomas, procure um médico da UBS ou clínica popular para avaliação inicial.

Como é feito o diagnóstico no SUS?

O diagnóstico começa com a consulta clínica e a ultrassonografia de tireoide, exame acessível na rede pública. Se houver suspeita, o médico solicita a punção aspirativa por agulha fina (PAAF), que é feita em ambulatório e enviada para análise citológica. Em centros de referência, pode ser feita também uma biópsia guiada por ultrassom. O resultado, que leva de 10 a 30 dias, confirma o tipo de câncer. O SUS garante todos esses exames, mas o tempo de espera varia conforme a região – por isso, acompanhe com a equipe de saúde da família para agilizar o encaminhamento.

Esse câncer tem cura? Qual o tratamento?

Sim, é possível a cura, especialmente quando diagnosticado em estágio inicial, sem invasão de órgãos vizinhos nem metástases. O tratamento principal é cirúrgico: tireoidectomia total (remoção completa da tireoide) com esvaziamento dos linfonodos do pescoço. Depois da cirurgia, geralmente é necessária radioterapia externa para eliminar células remanescentes. A quimioterapia é reservada para casos avançados ou recidivas. No SUS, todo o tratamento é oferecido de forma integral, inclusive com terapia de reposição hormonal (levotiroxina) para a vida toda.

Qual a sobrevida? Dá para ter uma vida normal após o tratamento?

A sobrevida depende do estágio ao diagnóstico. Em tumores localizados (estádios I e II), a taxa de sobrevida em 5 anos gira em torno de 40-60% – menor que a dos cânceres papilíferos, mas ainda significativa. Em estádios avançados (III e IV), a sobrevida cai para 10-20%. No


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