O que é O que é Câncer de células escamosas da vagina?
O câncer de células escamosas da vagina é um tumor maligno que se origina no revestimento interno da vagina, conhecido clinicamente como epitélio escamoso. Na rotina de uma clínica popular no Brasil, esse diagnóstico aparece com menos frequência que os cânceres de colo de útero ou de mama, mas quando surge, costuma vir acompanhado de muita angústia e dúvidas. Em termos simples, as células que revestem a vagina sofrem transformações anormais e começam a se multiplicar descontroladamente, formando uma lesão que pode invadir tecidos vizinhos ou se espalhar para outras partes do corpo.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de vagina representa cerca de 1% a 2% dos tumores malignos do trato genital feminino no Brasil. A maioria dos casos é do tipo carcinoma de células escamosas, especialmente em mulheres acima dos 60 anos. No SUS, esse câncer é tratado dentro da Rede de Atenção Oncológica, com acesso a cirurgia, radioterapia e quimioterapia, dependendo do estadiamento. Infelizmente, muitas pacientes chegam ao consultório já em estágios avançados, porque os sintomas iniciais são discretos ou confundidos com outras condições ginecológicas comuns, como corrimentos ou infecções.
Como médico que atende há 15 anos entre o SUS e clínicas populares, vejo que o maior desafio é o diagnóstico precoce. Muitas mulheres negligenciam exames ginecológicos de rotina por vergonha, medo ou falta de acesso. Por isso, é fundamental que toda mulher conheça os sinais de alerta e entenda que o câncer de vagina, embora raro, pode ser prevenido e tratado com sucesso quando detectado cedo. A vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, é uma das principais formas de prevenção.
Como funciona / Características
O desenvolvimento do câncer de células escamosas da vagina geralmente é lento e passa por etapas. Tudo começa com alterações pré-cancerosas chamadas de neoplasia intraepitelial vaginal (NIVA), que muitas vezes não causam sintomas e podem regredir sozinhas ou evoluir para câncer invasivo. Na prática clínica, é comum encontrarmos mulheres com histórico de infecção persistente pelo HPV (papilomavírus humano), especialmente os tipos 16 e 18, que são os principais responsáveis por esse tipo de tumor. Outros fatores de risco incluem tabagismo, imunossupressão (como em pacientes HIV positivas ou transplantadas), radioterapia pélvica prévia e uso prolongado de dispositivo intrauterino (DIU) – embora esse último seja menos relevante.
No dia a dia da clínica popular, a queixa mais frequente que leva a uma suspeita é o sangramento vaginal anormal, especialmente após a relação sexual ou após a menopausa. Também podem aparecer corrimento com mau cheiro, dor pélvica, vontade frequente de urinar e, em fases mais adiantadas, inchaço nas pernas (linfedema) ou fístulas (comunicação anormal entre a vagina e a bexiga ou reto). Quando uma paciente chega com esses sintomas, o primeiro passo é realizar um exame ginecológico completo, incluindo a palpação e a visualização da vagina com o espéculo. Muitas vezes, a lesão é visível como uma área elevada, avermelhada ou ulcerada.
Para confirmar o diagnóstico, é feita uma biópsia – retirada de um pequeno fragmento da lesão para análise em laboratório. No SUS, esse procedimento é realizado em unidades básicas de saúde ou ambulatórios de ginecologia, e o resultado costuma sair em algumas semanas. Exames de imagem, como ressonância magnética ou tomografia computadorizada, ajudam a avaliar a extensão da doença (estadiamento). Infelizmente, ainda é comum o diagnóstico tardio por falta de acesso a exames preventivos, principalmente em regiões Norte e Nordeste do Brasil. Dados do INCA indicam que a taxa de mortalidade por câncer de vagina no Brasil é maior em mulheres negras e pardas, refletindo desigualdades sociais e de acesso à saúde.
Tipos e Classificações
O câncer de células escamosas da vagina é classificado histologicamente de acordo com o grau de diferenciação celular (quanto as células tumorais se parecem com as normais):
- Bem diferenciado (grau I): as células ainda são muito semelhantes às células escamosas normais, com crescimento mais lento.
- Moderadamente diferenciado (grau II): características intermediárias.
- Pouco diferenciado (grau III): células muito diferentes, com maior agressividade e tendência a metástases.
Além disso, o estadiamento clínico segue a classificação da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), usada no Brasil e no mundo:
- Estádio I: tumor limitado à parede vaginal, sem invasão de estruturas vizinhas.
- Estádio II: tumor invade tecidos ao redor, mas não atinge a parede pélvica.
- Estádio III: tumor atinge a parede pélvica ou causa obstrução ureteral.
- Estádio IV: invasão da bexiga, reto ou metástases à distância.
No contexto do SUS, a classificação é essencial para definir a conduta terapêutica. Tumores iniciais (estádios I e II) podem ser tratados com cirurgia ou radioterapia exclusiva. Já os avançados (estádios III e IV) geralmente exigem combinação de quimioterapia e radioterapia. A avaliação é feita por uma equipe multidisciplinar em centros de alta complexidade, como as Unacon (Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia) ou os Cacon (Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia).
Quando procurar um médico
Recomendo procurar um ginecologista ou clínico geral imediatamente se você apresentar qualquer um dos seguintes sinais:
- Sangramento vaginal fora do período menstrual, especialmente após a menopausa ou após relação sexual.
- Corrimento vaginal persistente, com odor forte ou com sangue.
- Dor pélvica ou sensação de pressão na região vaginal.
- Dor durante a relação sexual (dispareunia).
- Fezes ou urina saindo pela vagina (sinal de fístula).
- Inchaço em uma das pernas sem causa aparente (pode indicar obstrução linfática).
Mesmo sem sintomas, é fundamental fazer o exame ginecológico preventivo (Papanicolau) anualmente ou conforme orientação médica. O exame pode detectar lesões pré-cancerosas na vagina, embora seja mais sensível para colo do útero. Se houver suspeita clínica, o médico pode solicitar uma colposcopia vaginal para visualizar melhor a lesão. Lembre-se: nenhum sintoma deve ser menosprezado. Na clínica popular, já atendi mulheres que atribuíram o sangramento à menopausa ou a “frescura” e descobriram tardiamente a doença. Não tenha medo de procurar ajuda – o diagnóstico precoce salva vidas.
Termos Relacionados
- HPV (papilomavírus humano): vírus sexualmente transmissível responsável pela maioria dos casos de câncer de colo de útero e também de vagina. A vacina contra o HPV está disponível no SUS.
- Neoplasia intraepitelial vaginal (NIVA): alteração pré-cancerosa das células da vagina. Pode ser de baixo ou alto grau. O tratamento evita a progressão para câncer invasivo.
- Colposcopia: exame que usa um aparelho com lentes para visualizar detalhadamente a vagina e o colo do útero. Permite identificar áreas suspeitas para biópsia.
- Biópsia: retirada de um pequeno pedaço de tecido para análise laboratorial. É o método definitivo para diagnosticar o câncer.
- Estadiamento: processo que determina o quanto o tumor se espalhou. Define o tratamento e o prognóstico.
- Vaginectomia: cirurgia para remover parte ou toda a vagina. Pode ser parcial ou total, dependendo da extensão do tumor.
- Radioterapia: tratamento com radiação para destruir células cancerígenas. No SUS, é oferecida em serviços de radioterapia habilitados.
- Quimioterapia: uso de medicamentos que atuam em todo o corpo para eliminar células malignas. Pode ser associada à radioterapia.
Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de células escamosas da vagina
1. O câncer de células escamosas da vagina tem cura?
Sim, tem cura, especialmente se diagnosticado nos estágios iniciais (I e II). O tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia ou ambos, com altas taxas de sucesso. Em estágios avançados (III e IV), o tratamento é mais complexo e visa controlar a doença e prolongar a vida com qualidade, mas a cura é menos frequente. A chance de cura depende do tamanho do tumor, da invasão de tecidos vizinhos e da resposta ao tratamento. No SUS, há acesso a terapias modernas, como radioterapia de intensidade modulada e quimioterapia combinada.
2. Quanto tempo leva para o câncer de vagina se desenvolver?
O desenvolvimento é geralmente lento, podendo levar de alguns anos a décadas. As lesões pré-cancerosas (NIVA) podem permanecer estáveis ou regredir espontaneamente. A progressão para câncer invasivo está fortemente associada à persistência do HPV de alto risco (tipos 16 e 18) e à ausência de tratamento. Em mulheres imunocomprometidas (como portadoras de HIV), a evolução pode ser mais rápida.
3. Existe prevenção para o câncer de vagina?


