O que é Câncer de células escamosas do pulmão?
O câncer de células escamosas do pulmão (também chamado de carcinoma espinocelular pulmonar) é um tipo de tumor maligno que se origina nas células que revestem as vias aéreas principais – os brônquios. Na prática do dia a dia de um clínico geral no SUS ou em clínicas populares, esse diagnóstico aparece frequentemente em pacientes com histórico de tabagismo prolongado, geralmente acima dos 50 anos, que chegam ao consultório com queixas de tosse que não passa, falta de ar progressiva ou até mesmo dor no peito. Diferente de outros tipos de câncer de pulmão, o de células escamosas tem uma forte ligação com o ato de fumar (cerca de 90% dos casos) e costuma se desenvolver nas regiões centrais do pulmão, o que facilita a obstrução dos brônquios e o acúmulo de secreções.
No Brasil, esse subtipo representa aproximadamente 30% a 40% dos cânceres de pulmão, sendo o segundo mais comum, perdendo apenas para o adenocarcinoma. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pulmão é o quarto mais frequente entre homens e o quinto entre mulheres no país, com cerca de 30 mil novos casos por ano. A realidade nas clínicas populares é que muitos pacientes só procuram atendimento quando os sintomas estão avançados – falta de ar aos pequenos esforços, emagrecimento inexplicável e rouquidão persistente. O atraso no diagnóstico é um desafio, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros, onde o acesso a exames como tomografia computadorizada e broncoscopia é limitado.
A boa notícia é que o SUS oferece, através da Política Nacional de Atenção Oncológica, acesso a diagnóstico e tratamento, incluindo cirurgia, radioterapia e quimioterapia. No entanto, a fila para exames especializados e a fragmentação do cuidado ainda são obstáculos reais. O clínico geral da atenção primária é, muitas vezes, o primeiro a suspeitar do diagnóstico e a fazer o encaminhamento para o pneumologista ou oncologista. Por isso, saber reconhecer os sinais precoces é fundamental para aumentar as chances de cura.
Como funciona / Características
Imagine o pulmão como uma árvore de cabeça para baixo. O tronco são os brônquios principais, que se ramificam em galhos cada vez menores. O câncer de células escamosas do pulmão surge justamente nas células que revestem esses “galhos” mais grossos (brônquios proximais). Essas células, chamadas de escamosas, têm a função de proteger e secretar muco. Quando sofrem mutações – principalmente pelo contato prolongado com substâncias cancerígenas do cigarro – elas começam a se multiplicar de forma descontrolada, formando um tumor.
Esse tumor tem uma característica importante: ele pode crescer para dentro do brônquio, obstruindo a passagem do ar. Na prática clínica, isso se traduz em sintomas como chiado no peito (sibilos), tosse seca ou com catarro (às vezes com sangue) e pneumonias de repetição no mesmo local. Por estar em uma região central, o tumor também pode comprimir estruturas vizinhas, como o nervo que controla a prega vocal (causando rouquidão) ou o esôfago (dificuldade para engolir).
Do ponto de vista microscópico, essas células escamosas se organizam em camadas, lembrando a pele, e podem formar “pérolas córneas” – aglomerados de queratina. Essa é uma assinatura desse subtipo. Em exames de imagem, como a tomografia computadorizada, o tumor aparece como uma massa central, muitas vezes com cavitação (uma área oca no meio). Para um clínico popular, explicar isso ao paciente de forma simples é essencial: “É como se um ‘caroço’ estivesse crescendo dentro do cano da respiração, atrapalhando a passagem do ar”.
Tipos e Classificações
No Brasil, a classificação usada pelos patologistas e oncologistas segue a da Organização Mundial da Saúde (OMS), adaptada pelo Ministério da Saúde. O câncer de células escamosas do pulmão é subdividido em alguns tipos, que ajudam a definir o tratamento e o prognóstico:
- Queratinizante: o mais comum, com formação de queratina e pérolas córneas. Costuma ser mais diferenciado (células que lembram mais o tecido normal).
- Não queratinizante: células que não produzem tanta queratina. Pode ser confundido com adenocarcinoma em alguns casos, exigindo testes especiais (imuno-histoquímica).
- Basaloide: uma variante mais agressiva, com crescimento rápido e pior resposta ao tratamento.
- Carcinoma de células escamosas in situ: a fase inicial, quando as células malignas ainda não invadiram os tecidos profundos. É raro ser diagnosticado porque não causa sintomas.
Além disso, todo câncer de pulmão é estadiado de acordo com o sistema TNM (Tumor, Linfonodos, Metástase), que define o tamanho do tumor, se atingiu gânglios linfáticos e se se espalhou para outros órgãos. No SUS, o estadiamento é feito com tomografia, PET-CT (quando disponível) e, se necessário, mediastinoscopia. Os estágios vão de I (localizado) a IV (metastático). A classificação é crucial para indicar cirurgia, quimioterapia ou radioterapia.
Quando procurar um médico
Na experiência de quem atende nas clínicas populares e no SUS, muitos pacientes demoram a buscar ajuda porque consideram a tosse “normal” para quem fuma. É fundamental estar atento aos seguintes sinais de alerta:
- Tosse persistente por mais de 3 semanas, especialmente se piorar.
- Escarro com sangue (hemoptise) – mesmo que seja apenas um raio ou estrias.
- Falta de ar que vem piorando, principalmente ao fazer esforço.
- Dor no peito constante ou que piora com a respiração funda.
- Rouquidão ou mudança na voz sem gripe.
- Perda de peso sem explicação (mais de 5% do peso em 6 meses).
- Cansaço excessivo e infecções respiratórias de repetição (pneumonias).
Se você tem mais de 50 anos, é fumante ou ex-fumante (mais de 20 anos-maço – calcular: número de cigarros por dia dividido por 20, multiplicado pelos anos que fumou), procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O médico pode solicitar uma radiografia de tórax e, se houver suspeita, encaminhar para tomografia e broncoscopia. No SUS, o acesso a esses exames pode levar semanas, mas a prioridade é estabelecida pela gravidade. Não espere os sintomas se agravarem; o diagnóstico precoce aumenta muito as chances de cura.
Termos Relacionados
- Tabagismo: principal fator de risco para o câncer de células escamosas do pulmão. Estima-se que 90% dos casos estejam ligados ao cigarro, incluindo o fumo passivo.
- Broncoscopia: exame em que um tubo fino com câmera é introduzido pela boca até os brônquios, permitindo visualizar o tumor e colher amostras (biópsia) para diagnóstico.
- Adenocarcinoma de pulmão: outro tipo comum de câncer de pulmão, geralmente localizado nas regiões periféricas. Diferente do escamoso, pode ocorrer em não fumantes.
- DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica): condição frequente em fumantes, que causa obstrução ao fluxo de ar. A DPOC aumenta o risco de desenvolver câncer de pulmão.
- Metástase: quando as células cancerosas se espalham para outros órgãos, como fígado, ossos ou cérebro. No carcinoma escamoso, as metástases são mais comuns em estágios avançados.
- Quimioterapia: tratamento sistêmico com medicamentos que matam células que se dividem rapidamente. Pode ser usado antes da cirurgia (neoadjuvante) ou após (adjuvante), e também em casos avançados.
- Radioterapia: uso de radiação para destruir o tumor. Pode ser curativa em estágios iniciais ou paliativa para aliviar sintomas (como dor óssea ou obstrução brônquica).
- Imunoterapia: tratamento mais recente, disponível no SUS para alguns casos, que estimula o sistema imunológico a combater o câncer. Indicado principalmente em tumores com alta expressão de PD-L1.
Perguntas Frequentes sobre o que é Câncer de células escamosas do pulmão
O que causa o câncer de células escamosas do pulmão?
A principal causa é o tabagismo, responsável por cerca de 90% dos casos. A fumaça do cigarro contém mais de 70 substâncias cancerígenas que danificam o DNA das células dos brônquios. Outros fatores incluem exposição ocupacional a asbestos, sílica, radônio e poluição do ar, além de histórico familiar. No Brasil, o uso de tabaco artesanal (palha, fumo de rolo) também é relevante em regiões rurais.
Quais são os primeiros sintomas?
No início, a doença pode ser assintomática. Os primeiros sinais costumam ser tosse persistente (às vezes com catarro claro ou amarelado) e falta de ar leve. Com a progressão, pode aparecer sangue no escarro, dor no peito e rouquidão. Em clínicas populares, muitos pacientes associam a tosse ao “bronquite de fumante” e demoram a procurar ajuda. Por isso, qualquer tosse que dure mais de 3 semanas merece investigação.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com uma radiografia de tórax, que pode mostrar uma massa pulmonar. O exame padrão-ouro é a tomografia computadorizada, que detalha o tamanho e a localização do tumor. Para confirmar o tipo celular, é necessária uma biópsia, geralmente por broncoscopia (com a coleta de fragmentos do tumor) ou por punção guiada por tomografia. O material é analisado pelo patologista. No SUS, esses exames são realizados em hospitais de referência em oncologia.
Qual o tratamento disponível no SUS?
O tratamento depende do estadiamento. Em estágios iniciais (I e II), a cirurgia (lobectomia ou pneumectomia) é curativa, e pode ser complementada com quimioterapia adjuvante. Em estágios localmente avançados (III), usa-se radioterapia combinada com quimioterapia. Em casos metastáticos (IV), o tratamento é paliativo com quimioterapia, imunoterapia (disponível no SUS para alguns perfis) e cuidados de suporte. O SUS cobre todo o tratamento através das Unidades de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) e Centros de Alta Complexidade em Oncologia (CACON), conforme portarias do Ministério da Saúde.
Tem cura? Quais as chances?
Sim, tem cura, especialmente quando diagnosticado em estágios iniciais. A taxa de sobrevida em 5 anos para o estágio I chega a 60-80%. Infelizmente, a maioria dos casos no Brasil é diagnosticada em estágios avançados (III ou IV), reduzindo a chance de cura. O tabagismo ativo após o diagnóstico piora o prognóstico. Mesmo em estágios avançados, o tratamento pode controlar a doença por anos e melhorar a qualidade de vida. O importante é não perder a esperança e seguir as orientações médicas.
Como prevenir o câncer de células escamosas do pulmão?
A principal prevenção é não fumar ou parar de fumar. Nunca é tarde: após 10 anos sem cigarro, o risco de câncer de pulmão cai pela metade. Evitar exposição a poluentes ocupacionais, manter uma alimentação rica em frutas e verduras (que fornecem antioxidantes) e praticar atividade física também ajudam. Para pacientes de alto risco (fumantes pesados com mais de 50 anos), o SUS não oferece rastreamento populacional, mas alguns centros realizam tomografias de baixa dose em programas de busca ativa. Converse com seu médico da UBS sobre seu risco.
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.
Fontes consultadas:
- Instituto Nacional de Câncer (INCA) – Câncer de Pulmão
- Conselho Federal de Medicina (CFM) – Diretrizes sobre Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Pulmão


