sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Câncer de células escamosas dos lábios

O que é Câncer de células escamosas dos lábios?

O câncer de células escamosas dos lábios, também chamado de carcinoma espinocelular labial, é um tipo de tumor maligno que se origina nas células escamosas, que são as células planas que revestem a superfície dos lábios. Na minha prática diária no SUS e em clínicas populares de Fortaleza, vejo com frequência pacientes que chegam com uma “feridinha” no lábio que não cicatriza há semanas. Muitos acham que é herpes ou afta, mas, ao examinar com atenção, percebemos bordas elevadas, base endurecida e, às vezes, sangramento fácil. Esse é o retrato clássico do câncer de células escamosas dos lábios.

No Brasil, o câncer de pele não melanoma é o tipo mais comum, e o carcinoma espinocelular representa cerca de 20% a 30% desses casos. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que, em 2023, foram estimados mais de 220 mil casos novos de câncer de pele não melanoma no país. Embora o lábio seja uma localização menos frequente que o tronco ou a face, a região labial é particularmente vulnerável por ser uma área de exposição solar crônica. Na atenção básica do SUS, muitas vezes o diagnóstico é feito tardiamente, pois a lesão pode ser confundida com queilite actínica (ressecamento crônico causado pelo sol) ou outras dermatoses.

O principal fator de risco no contexto brasileiro é a exposição solar acumulada ao longo da vida, especialmente em trabalhadores rurais, pescadores, motoboys e pessoas que exercem atividades ao ar livre sem proteção labial adequada. O tabagismo também é um fator importante, assim como a infecção pelo HPV (papilomavírus humano) em alguns casos. No SUS, o diagnóstico é confirmado por biópsia da lesão, procedimento disponível nas unidades básicas de saúde com encaminhamento para dermatologia ou cirurgia de cabeça e pescoço. O tratamento precoce, que pode ser cirúrgico, radioterápico ou com quimioterapia tópica, aumenta muito as chances de cura.

Como funciona / Características

O câncer de células escamosas dos lábios se desenvolve quando os queratinócitos (células da camada mais superficial da pele) sofrem mutações no DNA, geralmente induzidas pela radiação ultravioleta (UV) do sol. Essas células começam a se multiplicar descontroladamente e, com o tempo, formam um tumor que pode invadir tecidos adjacentes e, em estágios avançados, dar metástases para linfonodos da região cervical.

Na rotina de uma clínica popular, recebo pacientes com queixas variadas: “doutor, esse caroço no lábio está crescendo”, “essa casca não sai”, “mordi o lábio e a ferida não fecha”. A lesão inicial pode ser uma placa avermelhada ou esbranquiçada, uma crosta persistente, uma úlcera rasa ou uma verruga endurecida. Diferente da afta ou herpes, que geralmente cicatrizam em 7 a 14 dias, o carcinoma espinocelular labial não some. O lábio inferior é o mais afetado (cerca de 90% dos casos), pois recebe mais radiação solar direta.

Outra característica importante é a relação com a queilite actínica, uma condição pré-maligna comum em pessoas que se expõem muito ao sol. Muitos pacientes chegam com os lábios ressecados, descamativos e com fissuras. Se isso não for tratado com protetor labial e acompanhamento médico, pode evoluir para um câncer de células escamosas dos lábios. Por isso, ensino meus pacientes a usar um protetor solar labial com FPS 30 ou maior, especialmente os que trabalham expostos ao sol.

Tipos e Classificações

O câncer de células escamosas dos lábios é classificado de acordo com o sistema TNM, utilizado internacionalmente e também adotado pelo SUS para o planejamento terapêutico:

  • T (tumor): T1 (tumor até 2 cm), T2 (2 a 4 cm), T3 (maior que 4 cm ou invasão de osso, nervos), T4 (invasão de estruturas profundas como mandíbula, base do crânio).
  • N (linfonodos): N0 (sem metástase em linfonodos), N1 (metástase em um linfonodo ipsilateral menor que 3 cm), N2 (maiores ou múltiplos).
  • M (metástase): M0 (sem metástase à distância), M1 (metástase presente).

Além disso, a classificação histopatológica leva em conta a diferenciação celular:

  • Bem diferenciado: células muito parecidas com as normais, melhor prognóstico.
  • Moderadamente diferenciado: células com alterações moderadas.
  • Pouco diferenciado: células muito alteradas, maior risco de metástase.

No Brasil, o INCA (Instituto Nacional de Câncer) publica diretrizes para o diagnóstico e tratamento, e o SUS oferece cirurgia e radioterapia nos centros de alta complexidade (CACON). A classificação por localização também é relevante: lábio inferior, lábio superior e comissura labial (canto da boca). O lábio inferior é o mais comum; o lábio superior e a comissura têm maior risco de metástase precoce.

Quando procurar um médico

Você deve procurar um médico se apresentar qualquer um dos seguintes sinais de alerta no lábio:

  • Uma ferida que não cicatriza após duas a três semanas.
  • Uma crosta persistente que cai e volta a se formar.
  • Sangramento espontâneo ou ao toque leve.
  • Uma área elevada, endurecida ou com bordas irregulares.
  • Perda de sensibilidade local ou dormência.
  • Dor, formigamento ou aumento de volume progressivo.
  • Lesão que começa como uma afta, mas não melhora com tratamentos comuns.

Na rede pública, procure primeiro sua Unidade Básica de Saúde (UBS) ou uma clínica popular. O médico clínico geral ou da família poderá fazer a avaliação inicial, solicitar biópsia se necessário e encaminhar para o dermatologista ou cirurgião de cabeça e pescoço. Não espere meses: o diagnóstico precoce é fundamental para evitar cirurgias extensas e metástases. Reforço sempre: não ignore “feridas teimosas” nos lábios, principalmente se você é homem acima de 40 anos, fumante, trabalhador rural ou com histórico de exposição solar intensa.

Termos Relacionados

  • Queilite actínica: inflamação crônica dos lábios causada pelo sol, considerada lesão pré-cancerosa. Pode evoluir para carcinoma espinocelular.
  • Carcinoma basocelular: outro tipo comum de câncer de pele, mas menos agressivo e raro nos lábios. Cresce lentamente e raramente dá metástase.
  • Eritroplasia: lesão avermelhada na mucosa labial que pode indicar displasia ou carcinoma precoce.
  • Leucoplasia: placa branca que não sai à raspagem, também considerada lesão potencialmente maligna.
  • Linfonodo sentinela: primeiro linfonodo que recebe a drenagem do tumor; sua biópsia ajuda a detectar metástase precoce.
  • Cirurgia de Mohs: técnica cirúrgica que remove o tumor camada por camada, preservando tecido saudável. Presente em alguns centros de referência do SUS.
  • Radioterapia: tratamento com radiação para destruir células tumorais, indicado para casos em que a cirurgia não é possível ou para complementar o tratamento.
  • Quimioterapia tópica (5-FU ou imiquimode): cremes aplicados na lesão para tratar carcinomas superficiais ou lesões pré-cancerosas.

Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de células escamosas dos lábios

1. Câncer de células escamosas dos lábios é comum?

Sim, é o terceiro tipo mais comum de câncer de pele no Brasil, depois do basocelular e do espinocelular em outras áreas. Segundo o INCA, a incidência de câncer de pele não melanoma (que inclui este tipo) é alta, especialmente nas regiões norte e nordeste devido à maior exposição solar. Em clínicas populares, vemos vários casos por mês, principalmente em trabalhadores rurais e pessoas acima dos 50 anos.

2. Pessoas jovens podem ter esse câncer?

Sim, embora seja mais frequente após os 40 anos, jovens que se expõem intensamente ao sol sem proteção ou que têm imunossupressão (ex: transplantados, HIV positivo) também podem desenvolver. Na minha experiência, já atendi pacientes de 25 anos com lesões iniciais, principalmente mulheres que usam batom sem proteção solar e se expõem a câmaras de bronzeamento (prática perigosa e proibida para menores no Brasil pela ANVISA).

3. O tratamento para câncer de células escamosas dos lábios está disponível no SUS?

Sim, o SUS oferece todo o tratamento de forma gratuita. Inclui diagnóstico (biópsia), cirurgia (excisão local ou mais ampla, dependendo do estadiamento), radioterapia e, em casos avançados, quimioterapia sistêmica. Os hospitais de referência são os CACON (Centros de Alta Complexidade em Oncologia). A espera para consultas e procedimentos pode variar de acordo com a região, mas a Lei dos 60 dias (Lei 12.732/12) garante que o tratamento oncológico comece em até 60 dias após o diagnóstico. Procure a UBS para orientação.

4. É necessário fazer biópsia para confirmar o diagnóstico?

Sim, a biópsia é o padrão-ouro. O médico coleta uma pequena amostra da lesão (com anestesia local) e envia para análise patológica. No SUS, a coleta pode ser feita na UBS por médico treinado ou no ambulatório de dermatologia. O resultado sai em algumas semanas. Sem a biópsia não é possível diferenciar o carcinoma espinocelular de outras lesões benignas ou malignas. Reforço: nunca tente tratar “feridas” do lábio com pomadas caseiras ou antibióticos sem avaliação.

5. Esse câncer pode ser confundido com herpes ou afta?

Sim, é muito comum. Herpes geralmente começa com bolhas e crostas, mas tende a cicatrizar em 7 a 10 dias, mesmo sem tratamento. A afta é dolorida, tem fundo branco/amarelado e borda avermelhada, e desaparece em até 15 dias. O câncer de células escamosas dos lábios não cicatriza, permanece ou aumenta. Se a lesão durar mais de três semanas ou sangrar com frequência, desconfie. Na dúvida, procure um médico.

6. Como prevenir o câncer de células escamosas dos lábios?

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