domingo, junho 14, 2026

O que é Câncer de células escamosas

O que é O que é Câncer de células escamosas?

O câncer de células escamosas, também chamado de carcinoma epidermoide ou carcinoma espinocelular (CEC), é um tipo de tumor maligno que se origina nas células escamosas – células achatadas que formam a camada mais superficial da pele (epiderme) e também revestem mucosas como boca, esôfago, pulmões, colo do útero e ânus. No cotidiano das clínicas populares brasileiras e do SUS, é uma das queixas mais frequentes entre pacientes acima dos 50 anos, principalmente trabalhadores rurais, pedreiros e pessoas que se expõem ao sol sem proteção adequada. Diferente do câncer de células escamosas que aparece na pele, quando surge em mucosas (como no colo do útero ou na boca) ele está ligado a infecções virais (HPV) ou ao tabagismo, exigindo abordagens distintas.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele não melanoma – categoria onde o câncer de células escamosas se insere – é o tumor mais incidente no Brasil, com cerca de 180 mil novos casos por ano. Desses, aproximadamente 25% correspondem ao câncer de células escamosas, o segundo mais comum entre os cânceres de pele, atrás apenas do carcinoma basocelular. Na minha prática diária na periferia de Fortaleza, vejo muitos pacientes que chegam com lesões crostosas ou feridas que não cicatrizam há meses, muitas vezes confundidas com “roupa encravada” ou “micose”. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental: quando detectado em estágio inicial, a cura ultrapassa 90%.

No âmbito do SUS, o acesso ao diagnóstico e tratamento é garantido pela Política Nacional de Atenção Oncológica. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) realizam a triagem inicial e encaminham para centros especializados se houver suspeita. A ANVISA regula os medicamentos e equipamentos usados (como os cremes quimioterápicos tópicos), enquanto o CFM orienta os médicos sobre boas práticas. Infelizmente, em clínicas populares, ainda vejo muitos pacientes que adiam a procura por medo ou por falta de informação, o que pode levar à progressão do tumor.

Como funciona / Características

O câncer de células escamosas se desenvolve quando os queratinócitos (células que produzem queratina) sofrem mutações no DNA, geralmente após anos de exposição cumulativa aos raios ultravioleta (UV) do sol ou de câmaras de bronzeamento. Essas células começam a se multiplicar de forma descontrolada, formando uma lesão que pode ser:

  • Pápula ou placa avermelhada – superfície áspera, escamosa, que pode sangrar ao toque.
  • Ferida que não cicatriza – mesmo após semanas de cuidados.
  • Nódulo endurecido – às vezes com crosta central, podendo ulcerar.

No consultório, costumo pedir ao paciente que descreva há quanto tempo a lesão apareceu e se houve mudança de tamanho ou dor. Na clínica popular, com recursos limitados, a dermatoscopia (lente de aumento com luz) é uma ferramenta valiosa para diferenciar o câncer de células escamosas de lesões benignas, como verrugas seborreicas. Quando há dúvida, a biópsia é o padrão-ouro: um pequeno fragmento da lesão é analisado no laboratório de patologia do SUS, geralmente sem custo para o paciente.

É importante saber que esse tumor pode se espalhar para linfonodos próximos e, em casos avançados, para outros órgãos (metástase). Por isso, lesões em áreas como lábios, orelhas, mãos e genitália exigem maior vigilância. Fatores de risco comuns no Brasil incluem: pele clara, queimaduras solares na infância, exposição ocupacional ao sol (agricultores, pescadores, garis), imunossupressão (transplantados, HIV), cicatrizes antigas e tabagismo (para casos na boca e pulmão).

Tipos e Classificações

O câncer de células escamosas pode ser classificado de acordo com sua localização e características histológicas. As principais classificações usadas na prática clínica brasileira são:

  • Carcinoma in situ (Doença de Bowen) – tumor restrito à epiderme, sem invasão da derme. Aparece como placa avermelhada, bem delimitada, escamosa. É o estágio mais inicial e tem altíssima chance de cura.
  • Carcinoma invasivo – quando as células malignas ultrapassam a membrana basal e invadem tecidos mais profundos. Pode ser de baixo risco (bem diferenciado) ou alto risco (pouco diferenciado, com maior potencial de metástase).
  • Classificação por localização: cutâneo (pele), oral (boca, língua), genital (pênis, vulva), anal, esofágico, pulmonar, cervical (colo do útero – embora este seja mais associado ao HPV, é classificado como carcinoma de células escamosas).

No Brasil, os protocolos do SUS seguem a classificação TNM (Tumor, Nódulo, Metástase) para estadiamento, que determina o tratamento: cirurgia para lesões pequenas, radioterapia para casos localmente avançados, e quimioterapia (com cisplatina, por exemplo) para metástases. A ANVISA aprova medicamentos como o 5-fluorouracil tópico para ceratoses actínicas (lesões pré-malignas), que podem evoluir para câncer de células escamosas.

Quando procurar um médico

Qualquer lesão na pele ou mucosa que apresente os seguintes sinais deve ser avaliada por um profissional de saúde, de preferência em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou clínica popular com experiência em dermatologia:

  • Ferida que não cicatriza em 4 semanas.
  • Pinta ou verruga que muda de cor, tamanho ou forma.
  • Lesão que sangra facilmente, mesmo sem trauma.
  • Nódulo ou caroço endurecido que cresce progressivamente.
  • Ferida na boca ou lábio que dói e não melhora.
  • Inchaço no pescoço, axila ou virilha (possível linfonodo comprometido).

Orientação importante: não tente arrancar verrugas ou queimar lesões em casa. Isso pode mascarar o diagnóstico e facilitar a disseminação. No SUS, a consulta com dermatologista é gratuita, mas pode haver fila de espera. Em clínicas populares particulares, a consulta costuma ser acessível e o encaminhamento para biópsia rápido. Pacientes com histórico de exposição solar intensa, pele clara e mais de 50 anos devem fazer um check-up anual da pele com dermatoscopia.

Termos Relacionados

  • Carcinoma basocelular – Tipo mais comum de câncer de pele, raramente metastatiza. Diferente do câncer de células escamosas, costuma ser menos agressivo.
  • Melanoma – Câncer de pele mais perigoso, originado nos melanócitos. Exige diagnóstico precoce e tem alto potencial de metástase.
  • Ceratose actínica – Lesão pré-cancerosa, áspera e avermelhada, comum em áreas expostas ao sol. Pode evoluir para câncer de células escamosas se não tratada.
  • Bópsia de pele – Procedimento no qual um fragmento da lesão é retirado e analisado ao microscópio. Essencial para confirmar o diagnóstico.
  • Metástase – Disseminação do tumor para outros órgãos. No câncer de células escamosas, ocorre primeiro nos linfonodos regionais.
  • Radioterapia – Tratamento com radiação para destruir células cancerígenas, usado quando a cirurgia não é possível ou como complemento.
  • Quimioterapia tópica (5-fluorouracil) – Pomada aplicada diretamente na lesão, indicada para ceratoses actínicas e carcinoma in situ.
  • Fotoproteção – Uso de protetor solar, chapéu e roupas com proteção UV. É a principal medida para prevenir o câncer de células escamosas.

Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de células escamosas

O câncer de células escamosas tem cura?

Sim, especialmente quando diagnosticado em estágio inicial. A taxa de cura para lesões pequenas e superficiais é superior a 90%. O tratamento padrão é a remoção cirúrgica com margens seguras. Nos casos em que o tumor já se espalhou, a cura depende do estadiamento e da resposta a tratamentos combinados (cirurgia, radioterapia e quimioterapia). No Brasil, o SUS oferece todo o suporte oncológico de forma integral.

Como prevenir o câncer de células escamosas?

A prevenção é baseada na proteção solar diária: usar protetor FPS 30 ou maior, reaplicar a cada 2 horas, evitar exposição entre 10h e 16h, usar chapéu de aba larga e roupas com proteção UV. Evitar câmaras de bronzeamento também é fundamental. Para lesões na boca, parar de fumar e reduzir o consumo de álcool reduz o risco. Exames periódicos da pele com dermatologista são recomendados para pessoas de risco.

Quais são os primeiros sintomas do câncer de células escamosas?

O sintoma mais comum é uma lesão que não sara, que pode ser uma ferida aberta, uma crosta que cai e volta, uma mancha áspera e avermelhada, ou um nódulo duro. Muitas vezes a lesão coça, dói ou sangra ao menor toque. Em mucosas (boca, lábios), pode aparecer como uma afta que não cicatriza, uma mancha branca ou vermelha, ou um caroço. Qualquer alteração que persista por mais de um mês merece investigação.

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