O que é O que é Câncer de células gigantes?
Câncer de células gigantes é um termo que mais frequentemente se refere a um tipo específico de tumor ósseo chamado Tumor de Células Gigantes (TCG). Na minha prática de 15 anos no SUS e em clínicas populares, muitas pessoas chegam assustadas com esse nome, achando que é um câncer que se espalha pelo corpo. Na verdade, o TCG é classificado como um tumor benigno (não é câncer propriamente dito), mas ele é localmente agressivo, ou seja, pode crescer bastante e destruir o osso onde aparece, causando dor e fraturas.
No Brasil, os tumores ósseos representam cerca de 2% de todos os tumores malignos, mas o TCG é o mais comum entre os tumores ósseos benignos. Ele ocorre principalmente em adultos jovens entre 20 e 40 anos, e atinge mais mulheres do que homens. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que a incidência de tumores ósseos no país é de aproximadamente 2.700 casos novos por ano, com o TCG correspondendo a cerca de 3 a 5% desses. Na rotina de uma clínica popular, vejo pacientes que convivem com dor no joelho, punho ou coluna por meses antes de procurar ajuda, muitas vezes confundindo com problemas comuns como artrose ou tendinite. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações.
É importante deixar claro: o nome “câncer de células gigantes” pode gerar confusão, pois existe também o carcinoma de células gigantes, que é um tipo raro e agressivo de câncer de pulmão ou de outros órgãos. No dia a dia, quando falamos em câncer de células gigantes no consultório, estamos quase sempre falando do tumor ósseo. Vou usar esse verbete para esclarecer tudo que você precisa saber, com a linguagem que uso com meus pacientes.
Como funciona / Características
O Tumor de Células Gigantes é formado por células chamadas osteoclastos (células que reabsorvem o osso) em excesso, misturadas com outras células do estroma. Isso cria uma lesão que “come” o osso saudável, deixando uma cavidade cheia de tecido tumoral. Imagine uma broca que vai abrindo um buraco no osso: é mais ou menos assim que ele age. Por isso, o paciente sente dor localizada, que piora com o movimento, e pode até ter uma fratura patológica (o osso quebra sem trauma importante).
Na minha experiência, o local mais comum é ao redor do joelho (fêmur distal ou tíbia proximal), seguido pelo punho (rádio distal) e a coluna (sacral). O tumor cresce lentamente, mas pode atingir grandes tamanhos. Ele não metastatiza para outros órgãos (como pulmão) na grande maioria dos casos, mas pode recidivar localmente após o tratamento, especialmente se não for removido por completo. Em cerca de 1 a 2% dos casos, pode haver transformação maligna (virar um sarcoma), mas isso é raro e geralmente associado a radioterapia prévia.
O diagnóstico é feito por radiografia simples (que mostra uma lesão lítica, “buraco” no osso), tomografia computadorizada (para ver detalhes) e, principalmente, biópsia guiada por imagem. No SUS, o acesso a esses exames pode levar semanas, mas o encaminhamento para centros de referência em ortopedia oncológica é essencial. Na clínica popular, quando suspeito, peço logo uma radiografia e, se houver lesão suspeita, já oriento o paciente a procurar um ortopedista especializado.
Tipos e Classificações
Embora o termo “câncer de células gigantes” seja usado popularmente, a classificação médica é bem específica. No Brasil, seguimos a Classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para tumores ósseos. O Tumor de Células Gigantes Ósseo é classificado como:
- Benigno: a grande maioria, mas com potencial agressivo local.
- Maligno (raro): quando sofre transformação sarcomatosa.
Os patologistas usam graus histológicos (I, II e III) para avaliar a agressividade, mas isso só é relevante após biópsia. Além disso, existe o Tumor de Células Gigantes de Tendão e Bainha Sinovial (antigo “tumor de células gigantes da bainha tendinosa”), que não é câncer e atinge tecidos moles ao redor das articulações. Na prática clínica, muitas vezes o paciente confunde os dois, mas o tratamento é bem diferente.
No SUS, o Ministério da Saúde padroniza o tratamento por meio de protocolos oncológicos, com cirurgia de ressecção (curetagem com enxerto ósseo ou prótese) e, em alguns casos, radioterapia adjuvante. A ANVISA regula os medicamentos usados no tratamento, como o denosumabe (um anticorpo monoclonal) que tem sido usado para tumores inoperáveis ou recidivados, mas com acesso restrito via judicialização.
Quando procurar um médico
Você deve procurar um médico (clínico geral, ortopedista ou médico da família) se apresentar:
- Dor persistente em um osso (especialmente joelho, punho, ombro ou coluna) que não melhora com repouso ou anti-inflamatórios.
- Inchaço localizado, às vezes com calor e vermelhidão (pode ser confundido com infecção).
- Limitação de movimento na articulação próxima.
- Uma fratura que aconteceu com um trauma leve ou até mesmo espontaneamente (fratura patológica).
- Dor noturna que acorda o paciente (sinal de alerta para tumores).
Na rotina da clínica popular, muitos pacientes com TCG chegam depois de meses tratando dor no joelho como “reumatismo” ou “mau jeito”. Não ignore uma dor óssea que persiste por mais de 3 semanas. O diagnóstico precoce permite um tratamento menos invasivo e melhores resultados. O SUS oferece acolhimento nas UBS, com encaminhamento para serviços de ortopedia e oncologia. Se você não tem acesso a um especialista rapidamente, insista na consulta e peça uma radiografia simples — ela é o primeiro passo.
Termos Relacionados
- Tumor de células gigantes (TCG): tumor ósseo benigno mas localmente agressivo, composto por células gigantes multinucleadas.
- Osteoclasto: célula que reabsorve o osso; no TCG, há proliferação anormal dessas células.
- Lesão lítica: imagem radiológica que mostra uma área escura (buraco) no osso, típica do TCG.
- Curetagem: procedimento cirúrgico onde o tumor é raspado do osso; principal tratamento do TCG.
- Fratura patológica: fratura que ocorre em um osso enfraquecido por tumor, sem trauma significativo.
- Denosumabe: medicamento biológico que inibe os osteoclastos, usado em casos avançados ou recidivados de TCG.
- Sarcoma: tumor maligno de osso ou tecido mole; o TCG raramente se transforma nisso.
- Bainha sinovial: tecido que reveste tendões; pode dar origem a um tumor benigno de células gigantes (TCG de partes moles), que não é câncer.
Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de células gigantes
O tumor de células gigantes é câncer?
Não é câncer no sentido clássico. Ele é um tumor benigno, mas agressivo localmente. Pode destruir o osso e causar fraturas, mas não se espalha para outros órgãos (metástases) na maioria dos casos. O termo “câncer de células gigantes” é impreciso; o correto é Tumor de Células Gigantes. Se você ouviu esse diagnóstico, não entre em pânico: o tratamento é cirúrgico e a chance de cura é alta.
Quais são os sintomas mais comuns?
O sintoma principal é a dor persistente no osso afetado, geralmente perto de uma articulação (joelho, punho, ombro). Pode aparecer inchaço e dificuldade de movimentar o membro. Muitas vezes a dor piora à noite ou com o peso. Uma fratura sem trauma importante pode ser o primeiro sinal. Na minha experiência, a dor no joelho é a queixa mais frequente.
Como é feito o diagnóstico no SUS?
O diagnóstico começa com a radiografia simples do osso dolorido, disponível nas UBS e em clínicas populares. Se a imagem mostrar uma lesão suspeita (buraco no osso), o médico encaminha para um serviço de ortopedia oncológica ou para um hospital de referência. Lá, serão feitos tomografia, ressonância e eventualmente uma biópsia (retirada de um pedaço do tumor para análise). O tempo de espera pode variar, mas o SUS garante o atendimento pelo Protocolo de Tumores Ósseos.
Qual o tratamento? Precisa de cirurgia?
Sim, a cirurgia é o tratamento principal. A técnica mais comum é a curetagem (raspagem do tumor) seguida de preenchimento do osso com enxerto ósseo ou cimento ortopédico. Em tumores grandes ou recidivados, pode ser necessária a ressecção total e reconstrução com prótese. A radioterapia é usada em casos especiais (tumores inoperáveis na coluna). O denosumabe é uma opção para tumores avançados ou que não podem ser operados; sua prescrição é restrita e muitas vezes depende de ação judicial. O tratamento é curativo na maioria dos casos, mas exige acompanhamento por anos para evitar recidivas.
O tumor de células gigantes pode voltar depois do tratamento?
Sim, a recidiva local ocorre em cerca de 15 a 25% dos casos, especialmente se a curetagem não for completa ou se o tumor estava em locais de difícil acesso (como a coluna). Por isso, o paciente precisa fazer radiografias de controle periódicas e, se houver suspeita de recidiva (dor novamente), repetir a biópsia. A recidiva é tratada com nova cirurgia. O risco de transformação maligna é muito baixo (menos de 1%).
Preciso tomar vacinas especiais ou evitar alguma coisa?
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