O que é Câncer de colo do útero?
O câncer de colo do útero (também chamado de câncer cervical) é uma doença caracterizada pelo crescimento desordenado de células na parte mais baixa do útero, o colo do útero (cérvice). Ele está diretamente ligado à infecção persistente pelo HPV (Papilomavírus Humano), principalmente os tipos 16 e 18, considerados de alto risco. No Brasil, é o terceiro tumor mais comum entre as mulheres, atrás apenas do câncer de mama e do cólon e reto. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados cerca de 17 mil casos novos por ano, com aproximadamente 7 mil mortes anuais.
Na minha experiência como clínico geral no SUS e em clínicas populares, o que mais chama a atenção é que esse é um câncer extremamente prevenível. Em consultas de rotina, muitas pacientes chegam sem nunca ter feito um exame preventivo (Papanicolau). O medo, a vergonha ou a falta de informação ainda afastam as mulheres do rastreamento. O diagnóstico, infelizmente, costuma acontecer em estágios avançados, quando o tratamento é mais agressivo e as chances de cura diminuem. Por isso, insisto: o preventivo é simples, rápido e pode salvar sua vida.
A boa notícia é que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece toda a linha de cuidado: desde a vacina contra HPV (para meninas e meninos de 9 a 14 anos), o exame citopatológico (Papanicolau) em UBS, até o tratamento completo, incluindo cirurgia, radioterapia e quimioterapia, quando necessário. O Ministério da Saúde e a ANVISA regulam os protocolos e garantem acesso. Não há motivo para deixar para depois.
Como funciona / Características
O câncer de colo do útero não surge do dia para a noite. Ele segue uma evolução lenta, passando por fases pré-cancerígenas chamadas de Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC). A infecção pelo HPV altera as células do colo, que podem se tornar atípicas (displasias). Se o sistema imunológico não eliminar o vírus, essas lesões podem progredir para um câncer invasor. Esse processo leva, em média, de 10 a 20 anos.
Em uma clínica popular, atendo muitas pacientes que não apresentam sintomas nos estágios iniciais. O exame de Papanicolau é a principal ferramenta para detectar essas lesões antes que virem câncer. Quando a paciente chega com queixas como sangramento vaginal fora do período menstrual, sangramento após relação sexual, dor pélvica ou corrimento com mau cheiro, geralmente a doença já está mais avançada. Por isso, o exame periódico (a cada 3 anos, após dois exames normais seguidos) é essencial.
O rastreamento é feito com a coleta de células do colo do útero, que são analisadas em laboratório (citologia). Se houver alguma alteração, a paciente é encaminhada para colposcopia (exame com pequeno microscópio) e, se necessário, biópsia. O tratamento das lesões precursoras é simples (cauterização, conização) e evita o câncer. O SUS garante todo esse fluxo, mas é preciso que a mulher procure a unidade de saúde.
Tipos e Classificações
O câncer de colo do útero é classificado principalmente de acordo com o tipo de célula que origina o tumor e o estágio de invasão.
Quanto ao tipo histológico:
- Carcinoma de Células Escamosas – responsável por cerca de 80% dos casos. Origina-se nas células escamosas que recobrem a superfície do colo.
- Adenocarcinoma – cerca de 15% dos casos. Surge nas células glandulares do canal cervical (endocérvice).
- Outros tipos – mistos (adenoescamoso), neuroendócrinos, etc., são mais raros.
Classificação pelo Sistema FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia):
- Estádio I – câncer limitado ao colo do útero.
- Estádio II – invade útero e parte superior da vagina, mas não chega à parede pélvica.
- Estádio III – atinge parede pélvica ou terço inferior da vagina, ou causa hidronefrose (dilatação dos rins).
- Estádio IV – disseminação para bexiga, reto ou órgãos distantes (metástases).
No Brasil, a classificação citológica mais usada é o Sistema Bethesda, que padroniza os laudos: “células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASC-US)”, “lesão intraepitelial de baixo grau (LSIL)”, “lesão de alto grau (HSIL)”, etc. Quanto mais precoce o estádio, maiores as chances de cura (superiores a 90% no estádio I).
Quando procurar um médico
Você deve procurar um médico (ginecologista ou clínico geral) para realizar o exame preventivo periodicamente, mesmo sem sintomas. Mulheres entre 25 e 64 anos devem fazer o Papanicolau a cada 3 anos (após dois exames normais consecutivos). Caso nunca tenha feito, inicie o quanto antes.
Sinais de alerta que merecem consulta imediata:
- Sangramento vaginal anormal (fora da menstruação, após relação sexual, após menopausa)
- Dor durante a relação sexual (dispareunia)
- Corrimento vaginal com mau cheiro ou aspecto sanguinolento
- Dor pélvica persistente (na parte baixa da barriga)
- Inchaço nas pernas (em casos mais avançados)
- Perda de peso inexplicada
Lembre-se: muitos casos iniciais não causam sintoma algum. Não espere sentir dor para fazer o exame. A prevenção é a melhor estratégia. No SUS, basta ir à UBS mais próxima e agendar a coleta. Se houver alteração, você será encaminhada para os centros de referência. Não deixe o medo ou a vergonha atrapalharem seu cuidado.
Termos Relacionados
- HPV (Papilomavírus Humano) – Vírus transmitido por contato sexual, responsável por praticamente todos os casos de câncer de colo do útero. Existem mais de 100 tipos, mas os de alto risco (16 e 18) causam a maioria dos tumores.
- Papanicolau (Exame Citopatológico) – Exame de rastreamento que coleta células do colo do útero para detectar alterações pré-cancerosas ou cancerígenas. É oferecido gratuitamente no SUS.
- Colposcopia – Exame realizado com um aparelho que amplia a visão do colo do útero, permitindo identificar áreas suspeitas e guiar a biópsia.
- Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) – Lesões precursoras do câncer cervical, classificadas em NIC I, II e III de acordo com a gravidade. Podem regredir espontaneamente ou progredir se não tratadas.
- Vacina contra HPV – Vacina quadrivalente (protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18) oferecida pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Previne a infecção que pode levar ao câncer.
- Conização – Procedimento cirúrgico que remove um cone do colo do útero, usado tanto para diagnóstico (biópsia) quanto para tratamento de lesões precursoras e câncer em estágio inicial.
- Histerectomia – Cirurgia de retirada do útero, indicada em casos de câncer invasor. Pode ser total ou radical, dependendo da extensão da doença.
- Radioterapia e Quimioterapia – Tratamentos complementares ou principais em estágios mais avançados, oferecidos pelo SUS em hospitais de referência.
Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de colo do útero
O câncer de colo do útero tem cura?
Sim, tem cura, especialmente quando diagnosticado precocemente. Nos estádios iniciais (I e IIA), as chances de cura chegam a 90% com cirurgia ou radioterapia. Mesmo em estádios mais avançados, o tratamento combinado (quimio e radioterapia) pode controlar a doença por muitos anos. O segredo está no diagnóstico precoce, que só é possível com o exame preventivo regular.
Quem precisa fazer o exame preventivo (Papanicolau)?
Todas as mulheres que já tiveram relação sexual, entre 25 e 64 anos, devem realizar o exame a cada 3 anos (após dois resultados normais consecutivos). Mulheres com mais de 64 anos que nunca fizeram o exame ou que tiveram exames anteriores alterados também devem ser avaliadas. O SUS recomenda o início aos 25 anos, pois antes disso as lesões são raras e geralmente regridem.
A vacina contra HPV substitui o exame preventivo?
Não. A vacina previne a infecção pelos tipos mais comuns de HPV, mas não cobre todos os tipos de alto risco. Além disso, mulheres vacinadas ainda podem ter sido expostas ao vírus antes da vacinação. Portanto, mesmo quem tomou a vacina deve fazer o Papanicolau regularmente. A vacina é uma ferramenta poderosa, mas não substitui o rastreamento.
Quais são os fatores de risco para câncer de colo do útero?
O principal fator é a infecção persistente pelo HPV de alto risco. Outros fatores aumentam o risco: início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros, tabagismo (fumar enfraquece a imunidade local), uso prolongado de pílulas anticoncepcionais, imunossupressão (HIV, transplante), e falta de exames preventivos. O HPV é transmitido por contato sexual, inclusive oral e anal, e o uso de camisinha reduz, mas não elimina o risco.
Como é feito o tratamento do câncer de colo do útero no SUS?
O tratamento depende do estádio. Lesões pré-cancerosas (NIC) são tratadas com cauterização, conização ou cirurgia de alta frequência (CAF). Para câncer invasor inicial, a cirurgia (histerectomia) é a principal opção. Nos estádios mais avançados, utiliza-se radioterapia externa (acelerador linear) e braquiterapia (radiação interna), combinadas com quimioterapia (cisplatina). O SUS oferece todo esse arsenal em hospitais credenciados, como o INCA (Rio de Janeiro), Hospital de Câncer de Barretos (SP) e várias unidades estaduais. O acesso é regulado por protocolos do Ministério da Saúde.
Homens podem transmitir HPV e causar câncer de colo do útero?
Sim! O HPV é sexualmente trans
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