O que é Câncer de estômago?
O que é Câncer de estômago?
O câncer de estômago, também chamado de câncer gástrico, é um tumor maligno que se forma na mucosa que reveste o estômago, geralmente começando de forma silenciosa. Na minha prática de 15 anos no SUS e em clínicas populares de Fortaleza, vejo muitos pacientes chegarem com queixas que inicialmente confundem com gastrite ou má digestão, como azia persistente e sensação de estômago cheio após pouca comida. O problema é que o diagnóstico precoce ainda é um desafio no Brasil: dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam cerca de 21 mil novos casos por ano, sendo o quarto tipo mais comum entre homens e o sexto entre mulheres. A incidência é maior nas regiões Norte e Nordeste, onde fatores como alimentação rica em sal e defumados e a infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) são mais prevalentes.
No dia a dia da clínica popular, o câncer de estômago aparece muitas vezes em pacientes que já estão em estágio avançado, porque os sintomas iniciais são vagos. O médico precisa estar atento a sinais como perda de peso sem motivo aparente, vômitos frequentes, dificuldade para engolir (disfagia) e sangue nas fezes ou vômito. O SUS oferece endoscopia digestiva alta como principal exame diagnóstico, mas a fila de espera pode ser longa — um desafio para o clínico que precisa priorizar casos suspeitos. Quando diagnosticado cedo, as chances de cura são altas. Infelizmente, a maioria dos pacientes que atendo descobre o câncer em fases avançadas, quando o tratamento é mais agressivo e a sobrevida menor.
O Ministério da Saúde e a ANVISA regulam os protocolos de tratamento e os medicamentos usados no SUS, como quimioterápicos e terapias-alvo. A CFM orienta os médicos sobre condutas baseadas em evidências. Mas, na prática, a orientação mais importante que dou aos meus pacientes é não normalizar sintomas gástricos persistentes — especialmente em pessoas acima de 45 anos, com histórico familiar de câncer gástrico ou infecção por H. pylori não tratada. O diagnóstico precoce salva vidas.
Como funciona / Características
O câncer de estômago se desenvolve quando células da mucosa gástrica sofrem mutações genéticas e passam a se multiplicar descontroladamente, formando um tumor. No cotidiano clínico, vejo isso de forma prática: um paciente chega com gastrite crônica mal cuidada, associada a H. pylori, e anos depois o quadro evolui para uma lesão maligna. O tumor pode crescer lentamente invadindo as camadas mais profundas da parede do estômago, podendo se espalhar para gânglios linfáticos, fígado, pâncreas e outros órgãos — é o que chamamos de metástase.
Os sintomas variam conforme a localização do tumor. Na clínica popular, escuto relatos recorrentes: “Doutor, tenho uma queimação no estômago que não passa com remédio caseiro”, “Emagreci 10 quilos nos últimos dois meses sem dieta” ou “Sinto como se a comida ficasse parada depois de comer pouco”. Muitos associam isso a “nervoso” ou “úlcera”, mas o médico experiente sabe que a persistência de sintomas gástricos por mais de três semanas merece investigação. Outra característica importante é a anemia ferropriva causada por sangramentos crônicos do tumor, que muitas vezes é descoberta em exames de rotina.
O diagnóstico é confirmado por endoscopia digestiva alta com biópsia. No SUS, esse exame é a porta de entrada — e eu costumo explicar ao paciente que é como “uma câmera que entra pela boca e vê o estômago por dentro”. A partir daí, o estadiamento (tomografia, ultrassom endoscópico) define o tratamento: cirurgia para tumores iniciais, quimioterapia e radioterapia para casos mais avançados. A ANVISA aprova medicamentos como trastuzumabe para tumores com superexpressão de HER2, e a CFM recomenda a discussão de cada caso em equipe multidisciplinar.
Tipos e Classificações
O câncer de estômago é classificado principalmente pelo tipo histológico (como as células tumorais se parecem ao microscópio) e pela localização. Na prática brasileira, as classificações mais usadas são:
- Adenocarcinoma (95% dos casos): originado das células glandulares da mucosa. Divide-se em intestinal (mais comum em regiões de alta incidência, associado à gastrite crônica por H. pylori) e difuso (mais agressivo, associado a fatores genéticos, como mutação do gene CDH1).
- Linfoma gástrico: menos comum (cerca de 3-5%), geralmente associado à infecção por H. pylori. Pode regredir com tratamento da infecção.
- Tumor estromal gastrointestinal (GIST): raro, originado de células musculares ou nervosas. Não é um adenocarcinoma, mas também pode ocorrer no estômago.
- Classificação de Lauren: divide o adenocarcinoma em tipo intestinal (melhor prognóstico) e tipo difuso (pior prognóstico, mais frequente em jovens e mulheres). Muito usada por patologistas no Brasil.
Além disso, o estadiamento (0 a IV) segue o sistema TNM (tumor, linfonodos, metástases), adotado pelo INCA e pelos protocolos do SUS. Tumores em estágio 0 (carcinoma in situ, só na camada mais superficial) podem ser tratados apenas por endoscopia. Já no estágio IV, a abordagem é paliativa, focada no controle dos sintomas e qualidade de vida.
Quando procurar um médico
Você deve procurar um médico clínico geral ou um gastroenterologista imediatamente se apresentar qualquer um dos seguintes sinais de alerta:
- Desconforto ou dor abdominal persistente (queimação, sensação de peso) por mais de 3 semanas, mesmo com uso de antiácidos
- Perda de peso inexplicada (acima de 5% do peso corporal em 2-3 meses)
- Náuseas ou vômitos frequentes, especialmente com sangue ou aspecto de “borra de café”
- Dificuldade para engolir (disfagia), sensação de comida “parada” no peito
- Fezes escuras ou com sangue (melena) e anemia persistente
- Sensação de estômago cheio depois de comer pouco (saciedade precoce)
- História familiar de câncer gástrico (parentes de primeiro grau) ou de síndromes genéticas (como HNPCC ou síndrome de Li-Fraumeni)
Na clínica popular, vejo muitos pacientes adiarem a consulta porque “acham que é gastrite”. Por isso, reforço: não normalize sintomas persistentes. O SUS oferece acesso a exames, mas a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS). Lá, o clínico pode avaliar, solicitar uma endoscopia e encaminhar ao especialista. Se houver sangramento ativo, perda de peso rápida ou disfagia severa, procure uma emergência hospitalar.


