sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Câncer de glândula mamária

O que é Câncer de glândula mamária?

O câncer de glândula mamária (popularmente chamado de câncer de mama) é uma doença caracterizada pelo crescimento desordenado e anormal das células que revestem os ductos ou os lóbulos da mama. Essas células multiplicam-se sem controle, podendo invadir tecidos vizinhos ou espalhar-se para outras partes do corpo (metástase). Na minha prática diária, tanto no SUS quanto em clínicas populares, vejo que o diagnóstico ainda provoca muito medo e desinformação, mas a boa notícia é que, quando detectado precocemente, as chances de cura ultrapassam 90% no Brasil.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo mais frequente entre as mulheres brasileiras (excluindo o câncer de pele não melanoma), com estimativa de 73.610 novos casos por ano no triênio 2023-2025. A taxa de mortalidade, infelizmente, ainda é alta – cerca de 18 mil óbitos anuais –, em grande parte porque muitas pacientes chegam ao consultório com tumores já avançados. O câncer de glândula mamária também pode ocorrer em homens, embora seja muito mais raro (cerca de 1% dos casos).

No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), as diretrizes do Ministério da Saúde recomendam a mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 69 anos. Em clínicas populares, frequentemente atendo pacientes mais jovens que descobriram nódulos ao toque e buscam orientação. A ANVISA regula os medicamentos oncológicos e os equipamentos de diagnóstico, enquanto o Conselho Federal de Medicina (CFM) normatiza a conduta médica. Saiba mais no site do INCA.

Como funciona / Características

O câncer de glândula mamária começa, na maioria das vezes, de forma silenciosa. As células doentes podem levar anos para formar um nódulo palpável. Na consulta, explico que a mama é composta por tecido glandular (lóbulos, que produzem leite) e ductos (que levam o leite ao mamilo). Cerca de 80% dos cânceres de mama surgem nos ductos (carcinoma ductal) e 10% nos lóbulos (carcinoma lobular).

O tumor sólido, ao crescer, pode provocar alterações que a própria paciente nota: um caroço endurecido, irregular, que não dói (mas pode doer em alguns casos). Em estágios mais avançados, podem surgir retrações na pele (como uma “cova”), vermelhidão, descamação no mamilo ou secreção sanguinolenta. No dia a dia, oriento as pacientes a conhecerem suas mamas, mas não substituo o autoexame pela mamografia – pois o autoexame tem baixa sensibilidade para tumores pequenos.

Em clínicas populares, muitas mulheres chegam com medo de que qualquer nódulo seja câncer. Acolho dizendo que a maioria dos nódulos mamários é benigna (cistos, fibroadenomas), mas que todo nódulo novo deve ser investigado. O exame clínico das mamas, feito pelo médico, é o primeiro passo; depois, exames de imagem (mamografia, ultrassom) e, se necessário, biópsia (punção por agulha fina ou core biopsy) confirmam o diagnóstico.

Tipos e Classificações

O câncer de glândula mamária é classificado conforme o tipo histológico, o grau de diferenciação celular e a presença de receptores hormonais. As principais classificações usadas no Brasil são baseadas na Organização Mundial da Saúde (OMS) e no sistema TNM (tumor, linfonodo, metástase), adotado pelo SUS:

  • Carcinoma ductal in situ (CDIS): células cancerosas confinadas aos ductos, sem invasão. É considerado uma lesão precursora, com altíssima chance de cura.
  • Carcinoma lobular in situ (CLIS): alteração nos lóbulos, não é câncer verdadeiro, mas aumenta o risco de desenvolver câncer invasivo no futuro.
  • Carcinoma ductal invasivo (CDI): o tipo mais comum (cerca de 75%), invade o tecido adjacente e pode metastatizar.
  • Carcinoma lobular invasivo (CLI): mais raro, tende a ser multicêntrico e mais difícil de detectar na mamografia.
  • Carcinoma inflamatório: forma agressiva, com a mama inchada, vermelha e quente, sem nódulo palpável. Exige tratamento urgente.
  • Classificação molecular: luminal A (RE+/RP+, HER2-, baixa proliferação), luminal B (RE+, HER2+ ou alta proliferação), HER2 puro (RE-, RP-, HER2+) e triplo negativo (sem receptores). Isso guia a hormonioterapia e a quimioterapia.

No SUS, a biópsia com imuno-histoquímica é padronizada para definir o perfil molecular e indicar o tratamento mais adequado. O CFM normatiza a prática da mastologia e a indicação de exames.

Quando procurar um médico

Procure atendimento médico ao notar qualquer alteração persistente nas mamas, como:

  • Nódulo ou caroço novo, mesmo que indolor
  • Alterações na pele da mama (vermelhidão, aspecto de casca de laranja, retração)
  • Mudança no formato ou tamanho da mama
  • Secreção pelo mamilo, especialmente se for sanguinolenta ou espontânea
  • Dor localizada que não passa (embora a maioria das dores mamárias seja benigna)

No SUS, você pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação clínica. As pacientes de 50 a 69 anos são encaminhadas para mamografia de rastreamento. Mulheres com histórico familiar forte (mãe, irmã, filha com câncer de mama antes dos 50 anos) devem começar o rastreamento mais cedo. Homens também devem procurar atendimento se perceberem nódulo ou alteração no mamilo.

Recomendo também que toda mulher, a partir dos 20 anos, faça o exame clínico das mamas anualmente com um profissional de saúde. O diagnóstico precoce salva vidas. Não ignore os sinais – vir ao consultório com um nódulo pequeno faz toda a diferença.

Termos Relacionados

  • Mastologia: especialidade médica responsável pelo estudo e tratamento das doenças da mama.
  • Mamografia: exame de raios-X que detecta nódulos e microcalcificações suspeitas. É o padrão-ouro para rastreamento.
  • Bioṕsia: retirada de um fragmento do nódulo para análise microscópica. Pode ser por agulha fina (PAAF) ou grossa (core biopsy).
  • Quimioterapia: tratamento com medicamentos que destroem células cancerosas, usado antes ou depois da cirurgia.
  • Hormonioterapia: uso de bloqueadores hormonais (ex: tamoxifeno) para tumores com receptores hormonais positivos.
  • Radioterapia: radiação aplicada na mama após a cirurgia para eliminar células remanescentes.
  • Linfonodo sentinela: primeiro linfonodo a receber drenagem da mama; sua biópsia indica se o câncer se espalhou.
  • Triplo negativo: subtipo agressivo sem receptores de estrogênio, progesterona e HER2. Requer quimioterapia.

Perguntas Frequentes sobre Câncer de glândula mamária

Todo nódulo na mama é câncer?

Não. A grande maioria dos nódulos mamários é benigna – cistos, fibroadenomas ou alterações fibrocísticas. No entanto, qualquer nódulo novo deve ser avaliado por um médico. Só a biópsia pode confirmar se é câncer. Na minha prática, cerca de 80% das biópsias que solicito dão resultado benigno.

O câncer de mama tem cura?

Sim, especialmente quando descoberto no início. A taxa de cura para tumores in situ (CDIS) é próxima de 100%. Para tumores invasivos em estágio inicial, a sobrevida em cinco anos ultrapassa 90%. O tratamento envolve cirurgia, radioterapia, quimioterapia e/ou hormonioterapia, sempre individualizado.

Homem pode ter câncer de mama?

Sim, embora seja raro – representa cerca de 1% dos casos. Os sintomas são semelhantes: nódulo, retração do mamilo, secreção. O tratamento segue os mesmos princípios. Homens com histórico familiar ou mutação genética (BRCA) têm maior risco.

O autoexame das mamas substitui a mamografia?

Não. O autoexame não é mais recomendado como método de rastreamento isolado, pois não reduz a mortalidade. A mamografia é o exame que detecta tumores não palpáveis. O autoexame pode ajudar a conhecer as mamas, mas não substitui o exame clínico e a mamografia periódica.

Quais fatores de risco são mais comuns no Brasil?

Idade (acima de 50 anos), histórico familiar de câncer de mama ou ovário, mutações nos genes BRCA1/BRCA2, menarca precoce (antes dos 12 anos), menopausa tardia (após 55 anos), uso prolongado de terapia hormonal, obesidade, consumo de álcool e sedentarismo. No Brasil, o acesso desigual aos exames de rastreamento é um fator agravante.

O que fazer se eu sentir um nódulo na mama durante a pandemia ou em regiões com difícil acesso ao SUS?

Não adie a consulta. Entre em contato com a UBS mais próxima – muitas unidades reabriram e mantêm o rastreamento. Em clínicas populares, oferecemos consulta com mastologista a preços acessíveis. O importante é iniciar a investigação o quanto antes. Se houver demora, o tumor pode progredir.

Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.


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