sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Câncer de hipofaringe

O que é Câncer de hipofaringe?

O que é Câncer de hipofaringe?

O câncer de hipofaringe é um tumor maligno que se desenvolve na parte mais baixa da garganta, logo atrás da laringe (caixa de voz). A hipofaringe é a região que liga a faringe ao esôfago, por onde passam o ar e os alimentos. Quando as células dessa área crescem de forma descontrolada, formam um tumor que pode invadir estruturas vizinhas e se espalhar para os gânglios linfáticos do pescoço.

Na prática clínica do SUS e das clínicas populares brasileiras, esse tipo de câncer é um dos mais desafiadores. Pelo fato de a hipofaringe ser uma região “silenciosa” no início, muitos pacientes só procuram atendimento quando a doença já está em estágio avançado. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que os tumores de faringe (incluindo hipofaringe) representam cerca de 2 a 3% de todos os cânceres de cabeça e pescoço no Brasil, com uma incidência maior em homens acima dos 50 anos. O principal fator de risco é a combinação do tabagismo com o consumo excessivo de álcool – um cenário muito comum na população atendida nas unidades básicas de saúde e clínicas populares do Nordeste, onde esses hábitos ainda são prevalentes.

No contexto do SUS, o diagnóstico e tratamento do câncer de hipofaringe seguem o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de tumores de cabeça e pescoço, aprovado pelo Ministério da Saúde. A ANVISA regulamenta os medicamentos e equipamentos usados no tratamento, como a radioterapia e a quimioterapia. O acesso ao diagnóstico precoce ainda é uma barreira, especialmente em regiões com menos recursos – daí a importância de o médico generalista estar atento aos sinais de alerta durante as consultas de rotina.

Como funciona / Características

O câncer de hipofaringe geralmente começa como uma pequena lesão na mucosa, que pode ser confundida com uma inflamação comum. Com o tempo, o tumor cresce e infiltra as camadas mais profundas, podendo obstruir a passagem de alimentos ou comprimir a laringe. No consultório, o paciente típico chega com queixas de “um nó na garganta”, dor persistente para engolir (disfagia) e, às vezes, uma sensação de “caroço” no pescoço – que são os gânglios linfáticos aumentados.

Um exemplo concreto do dia a dia: dona Maria, 58 anos, tabagista há 40 anos, com histórico de etilismo, procura a clínica popular com uma rouquidão que não melhora há três meses. Ela relata que “a comida parece que emperra” e que perdeu peso sem motivo. No exame físico, palpo um gânglio endurecido na cadeia cervical direita. Esse quadro – rouquidão + disfagia + linfonodo palpável – é um alerta clássico para o câncer de hipofaringe. Encaminho para a unidade de referência, onde é feita a nasofibrolaringoscopia e a biópsia, confirmando o diagnóstico.

O crescimento do tumor pode causar ainda dor irradiada para o ouvido (otalgia reflexa), mau hálito, dificuldade para respirar e, em casos avançados, sangramento. A característica mais perigosa é a alta capacidade de metástase para os linfonodos do pescoço, que ocorre em cerca de 60 a 70% dos pacientes já no momento do diagnóstico. Por isso, o estadiamento precoce é crucial, mas infelizmente a maioria dos casos no Brasil ainda é detectada em estágios III ou IV, quando o tratamento é mais agressivo e a sobrevida cai significativamente.

Tipos e Classificações

O tipo mais comum (mais de 90% dos casos) é o carcinoma espinocelular (ou carcinoma de células escamosas), que se origina no revestimento da hipofaringe. Existem subtipos, como o carcinoma verrucoso e o carcinoma basaloide, mas são raros. A classificação usada no Brasil segue o sistema TNM (Tumor, Linfonodos, Metástases), definido pela União Internacional de Controle do Câncer (UICC) e adotado pelo INCA:

  • T (tumor primário): Avalia o tamanho e a invasão local. T1 (pequeno, limitado a uma parte da hipofaringe) a T4 (invasão de estruturas vizinhas como tireoide, esôfago ou vértebras).
  • N (linfonodos): Presença e extensão de metástases nos gânglios do pescoço (N0 a N3).
  • M (metástases): Presença de metástases à distância, geralmente para pulmão, fígado ou ossos.

Na prática, os estadiamentos I e II são considerados precoces; III e IV são avançados. Infelizmente, como o diagnóstico tardio é a regra, a maioria dos pacientes no SUS já chega com N positivo (linfonodos comprometidos) e necessidade de tratamentos combinados. O CFM (Conselho Federal de Medicina) recomenda que todo paciente com suspeita de câncer de cabeça e pescoço seja avaliado por um otorrinolaringologista ou cirurgião de cabeça e pescoço dentro de 60 dias, conforme a Lei dos 60 Dias (Lei nº 12.732/2012).

Quando procurar um médico

Os sinais de alerta que devem levar o paciente a buscar atendimento médico imediato (em posto de saúde, clínica da família ou pronto-atendimento) são:

  • Dor de garganta persistente por mais de três semanas, que não passa com remédios comuns.
  • Dificuldade para engolir (disfagia) – sensação de “comida parando na garganta”.
  • Rouquidão ou mudança na voz que dura mais de 15 dias.
  • Íngua (caroço) no pescoço, endurecida, que não dói e não diminui.
  • Perda de peso inexplicada (mais de 5% do peso em um mês).
  • Dor de ouvido de um lado só (otalgia reflexa), sem infecção aparente.
  • Tosse com sangue ou mau hálito persistente (halitose intensa).

Na clínica popular, oriento sempre: “Se você fuma ou bebe com frequência e tem algum desses sintomas há mais de três semanas, não espere. Marque uma consulta. O diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença.” No SUS, o encaminhamento para o serviço de otorrinolaringologia ou oncologia é feito via regulação. Se houver suspeita forte, o médico da atenção primária pode solicitar exames iniciais como a nasofibrolaringoscopia, disponível em alguns centros de referência. A demora no diagnóstico ainda é um problema, mas a Rede de Atenção Oncológica (RAO) do SUS tem buscado reduzir esse tempo.

Termos Relacionados

  • Hipofaringe: Parte inferior da faringe, entre a laringe e o esôfago. Local onde se desenvolve o câncer descrito.
  • Disfagia: Dificuldade para engolir. Sintoma frequente e precoce no câncer de hipofaringe.
  • Nasofibrolaringoscopia: Exame realizado com um tubo flexível com câmera para visualizar a faringe e a laringe. Principal método diagnóstico.
  • Tabagismo: Principal fator de risco, responsável por cerca de 85% dos casos. A cessação do hábito é fundamental na prevenção.
  • Etilismo: Consumo excessivo de álcool, potencializa o efeito carcinogênico do tabaco.
  • Estadiamento (TNM): Sistema de classificação usado para definir a extensão do câncer e orientar o tratamento.
  • Radioterapia: Tratamento com radiação, usado isoladamente em estágios iniciais ou combinado com quimioterapia em estágios avançados.
  • Traqueostomia: Abertura cirúrgica na traqueia para auxiliar a respiração, necessária em tumores que obstruem a via aérea.

Perguntas Frequentes sobre Câncer de hipofaringe

O que causa o câncer de hipofaringe?

O principal fator de risco é o uso combinado de tabaco (cigarro, cachimbo, charuto) e bebidas alcoólicas. O tabaco danifica o DNA das células da mucosa, e o álcool facilita a absorção das substâncias cancerígenas. Outros fatores incluem infecção pelo HPV (papilomavírus humano), exposição a produtos químicos (amianto, sílica) e deficiências nutricionais – comuns em populações de baixa renda. A genética também pode ter um papel, mas a prevenção ainda é a melhor arma: parar de fumar e moderar o consumo de álcool reduz drasticamente o risco.

Como é feito o diagnóstico?

O médico suspeita do câncer pela história clínica e pelo exame físico. O exame padrão-ouro é a nasofibrolaringoscopia (ou laringoscopia direta), na qual se visualiza diretamente a lesão. Se houver suspeita, é feita uma biópsia do tecido, que é analisada pelo patologista. Exames de imagem como tomografia computadorizada, ressonância magnética e PET-CT ajudam a avaliar a extensão do tumor e a presença de metástases. No SUS, esses exames são realizados em centros de referência, com regulação pelas centrais de marcação.

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