sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Câncer de mama

O que é O que é Câncer de mama?

O câncer de mama é uma doença caracterizada pelo crescimento desordenado e anormal das células do tecido mamário, que podem formar um nódulo (tumor) e, em alguns casos, espalhar-se para outros órgãos (metástase). No meu dia a dia como médico clínico geral no SUS e em clínicas populares, atendo muitas mulheres que chegam assustadas após encontrar um caroço na mama durante o banho ou o autoexame. A primeira coisa que explico é que nem todo nódulo é maligno – a maioria dos nódulos palpáveis é benigna, como cistos ou fibroadenomas – mas todo nódulo precisa ser investigado.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras (excluindo o câncer de pele não melanoma). A estimativa para cada ano do triênio 2023-2025 é de cerca de 73 mil novos casos, o que representa aproximadamente 30% de todos os cânceres femininos no país. A mortalidade ainda é alta, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento é mais limitado. Na clínica popular, vejo com frequência pacientes que demoraram meses para conseguir uma mamografia ou uma consulta com mastologista – uma realidade que reforça a importância das políticas públicas do SUS.

O câncer de mama não é uma doença única: existem vários subtipos, com comportamentos biológicos diferentes, que exigem tratamentos distintos. O SUS oferece cobertura integral, desde o rastreamento (mamografia) até cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde e da ANVISA. Mas o maior desafio que enfrentamos no atendimento diário é vencer o medo e a desinformação, para que a paciente chegue cedo ao médico.

Como funciona / Características

O câncer de mama começa quando uma célula normal da glândula mamária sofre mutações genéticas e passa a se multiplicar sem controle. Esse acúmulo de células forma um tumor primário. Se não for tratado, o tumor pode invadir tecidos vizinhos (parede torácica, pele) ou se disseminar pela corrente sanguínea ou linfática, atingindo linfonodos das axilas, ossos, pulmão, fígado ou cérebro.

No consultório, a queixa mais comum é: “Doutor, achei um caroço”. Mas também ouvimos relatos de mudanças no formato da mama, abaulamentos, “casca de laranja” na pele (aspecto de poros dilatados), vermelhidão, secreção pelo mamilo (especialmente se for sanguinolenta) ou retração do mamilo. Às vezes a paciente vem com dor, mas essa não é uma característica inicial – o câncer de mama em estágio inicial geralmente é indolor.

O crescimento tumoral pode ser lento (alguns anos) ou muito agressivo (semanas), dependendo do subtipo. Por exemplo, o carcinoma inflamatório, que é raro, pode evoluir em poucas semanas, causando inchaço e calor na mama. Por isso, recomendo que qualquer alteração persistente (mais de duas semanas) seja levada a sério. Na clínica popular, muitas vezes a paciente chega encaminhada pela Unidade Básica de Saúde (UBS) após exame clínico das mamas.

Tipos e Classificações

Classificar o câncer de mama é essencial para definir o tratamento. As principais classificações usadas no Brasil são:

  • Classificação histológica (tipo de célula): o carcinoma ductal invasivo (responde por cerca de 70-80% dos casos) e o carcinoma lobular invasivo (10-15%). Existem ainda tipos especiais, como medular, mucinoso, papilífero e o carcinoma inflamatório (raro, de alta agressividade).
  • Classificação molecular (perfil genético do tumor): divide em Luminal A (mais comum, bom prognóstico), Luminal B (um pouco mais agressivo), HER2+ (superexpressão da proteína HER2, responde bem a terapias-alvo) e Triplo Negativo (sem receptores hormonais nem HER2, mais agressivo e sem tratamento específico, infelizmente mais comum em mulheres jovens e negras).
  • Estadiamento (TNM): avalia o tamanho do tumor (T), comprometimento de linfonodos (N) e presença de metástases (M). Vai do estádio 0 (carcinoma in situ) até estádio IV (metástase a distância). O SUS adota a classificação TNM para planejar cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

No dia a dia, o mastologista solicita biópsia do nódulo (punção por agulha grossa ou core biopsy) e o exame imuno-histoquímico, que identifica os receptores hormonais e o HER2. Esse laudo define se a paciente pode usar hormonioterapia (como tamoxifeno, fornecido pelo SUS) ou precisa de quimioterapia.

Quando procurar um médico

Recomendo que toda mulher, independentemente da idade, procure um médico (clínico, ginecologista ou mastologista) ao notar:

  • Nódulo ou espessamento na mama ou axila (mesmo que não doa);
  • Alteração no tamanho ou formato de uma das mamas;
  • Aspecto de casca de laranja na pele (poros aumentados);
  • Vermelhidão, descamação ou ulceração na pele da mama;
  • Retração ou inversão do mamilo (se não era antes);
  • Secreção espontânea pelo mamilo, especialmente se for clara, amarelada ou sanguinolenta;
  • Dor persistente e localizada em um ponto da mama (menos comum, mas pode ser sinal).

Além disso, siga as orientações de rastreamento do Ministério da Saúde: mulheres de 50 a 69 anos devem fazer mamografia a cada dois anos. Pacientes com histórico familiar de câncer de mama (parente de primeiro grau – mãe, irmã, filha) ou com mutação genética (BRCA1/BRCA2) devem iniciar o rastreamento mais cedo e com mais frequência. No SUS, a mamografia é oferecida nas UBS e em unidades móveis. Na clínica popular, muitas mulheres chegam após o autoexame, mas reforço que o autoexame não substitui a mamografia.

Termos Relacionados

  • Mamografia: exame de raio-X das mamas, padrão-ouro para rastreamento precoce do câncer de mama. Pode detectar lesões não palpáveis.
  • Mastologista: médico especialista em doenças das mamas. É o profissional que fará o diagnóstico e orientará o tratamento.
  • Biópsia: retirada de um fragmento do tumor para análise em laboratório. Determina se é benigno ou maligno e qual o subtipo.
  • Estadiamento: processo que define a extensão da doença (local, regional ou metastática) e orienta o tratamento.
  • HER2: proteína que pode estar superexpressa em alguns tumores de mama. Tumores HER2+ têm tratamento específico (trastuzumabe, fornecido pelo SUS).
  • Quimioterapia: uso de medicamentos para destruir células cancerosas, administrada antes ou depois da cirurgia, dependendo da indicação.
  • Radioterapia: tratamento com radiação para eliminar células tumorais remanescentes após a cirurgia.
  • Linfedema: inchaço do braço do lado operado, decorrente da retirada de linfonodos axilares. Comum após cirurgia, mas pode ser prevenido e tratado com fisioterapia.

Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de mama

Câncer de mama tem cura?

Sim, o câncer de mama tem altas chances de cura quando diagnosticado precocemente (estádios iniciais, I e II). A taxa de sobrevida em 5 anos para casos localizados supera 95%. Infelizmente, no Brasil, muitas mulheres ainda chegam em estádios avançados (III e IV), o que reduz as chances de cura. Por isso, a mamografia de rastreamento é tão importante. Mesmo em estádio metastático (IV), o tratamento pode controlar a doença por muitos anos com qualidade de vida.

Autoexame é suficiente para detectar o câncer de mama?

Não. O autoexame é uma ferramenta de autoconhecimento, mas não substitui o exame clínico das mamas feito por um profissional e a mamografia. Tumores muito pequenos (menos de 1 cm) geralmente não são palpáveis. A recomendação do Ministério da Saúde é que a mulher conheça seu corpo e procure o médico diante de qualquer alteração, mas o rastreamento oficial é a mamografia bienal a partir dos 50 anos.

Homem pode ter câncer de mama?

Sim, embora seja raro (cerca de 1% de todos os casos de câncer de mama). Homens também têm tecido mamário. O principal fator de risco é a idade avançada, obesidade e história familiar de mutação BRCA. Os sintomas são os mesmos: nódulo, retração do mamilo, secreção. O tratamento segue os mesmos princípios da mulher.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com o exame clínico (palpação das mamas e axilas). Se houver suspeita, o médico solicita uma mamografia e/ou ultrassom mamário. Se o exame de imagem mostrar um nódulo suspeito, é feita uma biópsia (punção por agulha grossa) guiada por ultrassom ou mamografia. O material é enviado para análise histológica e imuno-histoquímica, que confirma o diagnóstico e classifica o tumor.

Qual a diferença entre tumor benigno e maligno?

Tumor benigno (como fibroadenoma) cresce de forma organizada, não invade tecidos


Veja Também