sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Câncer de ovário

O que é O que é Câncer de ovário?

O câncer de ovário é uma doença que começa com o crescimento descontrolado de células malignas nos ovários – os dois pequenos órgãos em forma de amêndoa que produzem os óvulos e os hormônios femininos (estrogênio e progesterona). Na prática clínica, especialmente aqui no Brasil, esse tumor é conhecido como um “inimigo silencioso” porque, nos estágios iniciais, muitas vezes não dá sinais claros. Eu já atendi dezenas de mulheres em clínicas populares e no SUS que chegaram com queixas vagas – “minha barriga está inchada”, “estou com má digestão”, “sinto um desconforto na pelve” – e só depois de exames descobriam o diagnóstico.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de ovário é o terceiro tumor ginecológico mais comum no Brasil, atrás do câncer de colo do útero e do câncer de endométrio. Estima-se que surjam cerca de 6.000 novos casos por ano, com maior incidência em mulheres acima dos 50 anos, especialmente após a menopausa. A taxa de mortalidade ainda é alta – perto de 4.000 óbitos anuais – porque mais de 70% dos diagnósticos acontecem em fases avançadas, quando o tumor já se espalhou para outras partes do abdômen. No dia a dia do SUS, isso significa que muitas pacientes chegam ao oncologista com a doença em estágio III ou IV, o que dificulta o tratamento e reduz as chances de cura.

Infelizmente, não existe um programa de rastreamento populacional para o câncer de ovário no Brasil, como há para o câncer de mama (mamografia) ou de colo do útero (Papanicolau). O diagnóstico precoce depende muito da atenção da própria mulher aos sinais do corpo e da capacidade do médico de suspeitar do quadro. Em clínicas populares, é comum que a paciente tenha feito vários exames de imagem (ultrassom, tomografia) sem uma conclusão, até que um marcador tumoral ou uma biópsia confirmem a doença. Por isso, a orientação é sempre buscar um ginecologista ou clínico geral diante de qualquer sintoma persistente.

Como funciona / Características

O câncer de ovário se desenvolve a partir das células que revestem a superfície do ovário (epitélio) ou, menos frequentemente, das células germinativas (que formam os óvulos) ou do estroma (tecido de suporte). A doença costuma crescer de forma lenta e silenciosa, sem dor intensa no início. Conforme o tumor avança, ele pode bloquear vasos linfáticos e causar acúmulo de líquido na barriga – a chamada ascite. Muitas pacientes que atendi em posto de saúde descreviam uma sensação de “barriga d’água” ou aumento do volume abdominal que não melhorava com dieta ou exercícios.

No cotidiano clínico, o cenário típico é o seguinte: uma mulher entre 50 e 70 anos chega à consulta relatando cansaço, perda de apetite, dor pélvica leve e sangramento vaginal pós-menopausa. Por vezes, ela já foi tratada para gastrite, síndrome do intestino irritável ou até mesmo para “nervoso”. O ultrassom pélvico pode mostrar uma massa cística ou sólida no ovário, mas nem sempre é conclusivo. Nesse momento, entram em cena exames como o CA-125 (um marcador tumoral) e a ressonância magnética. Se houver suspeita, o encaminhamento para um centro de oncologia do SUS ou para a rede de clínicas conveniadas é urgente.

Uma característica importante é a capacidade de metástase precoce: as células cancerígenas podem se desprender do ovário e se implantar no peritônio (membrana que reveste o abdômen), no omento (um “avental” de gordura) e em órgãos vizinhos como bexiga, intestino e fígado. Por isso, o tratamento muitas vezes envolve cirurgia radical (retirada dos ovários, trompas, útero e omento) seguida de quimioterapia. No SUS, o acesso a esses procedimentos é garantido pelo Sistema Único de Saúde, mas o tempo de espera pode variar conforme a cidade – em Fortaleza, por exemplo, há serviços de referência como o Hospital Haroldo Juaçaba e o Instituto do Câncer do Ceará.

Tipos e Classificações

O câncer de ovário é classificado de acordo com o tipo de célula de origem. Essa classificação é fundamental para definir o tratamento e o prognóstico. No Brasil, seguimos a mesma classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os principais tipos são:

  • Carcinoma epitelial – corresponde a cerca de 90% dos casos. Surge das células que revestem a superfície do ovário. Subdivide-se em seroso (o mais comum), mucinoso, endometrioide, células claras e outros. É o tipo mais agressivo e o que mais frequentemente chega em estágio avançado.
  • Tumores de células germinativas – originam-se das células que produzem os óvulos. São mais comuns em meninas e mulheres jovens, com boa resposta ao tratamento. Exemplos: disgerminoma, teratoma imaturo, tumor do seio endodérmico.
  • Tumores do estroma do cordão sexual – partem das células que produzem hormônios. Geralmente são de baixo grau e podem secretar estrogênio, causando sangramento vaginal anormal. Incluem tumores de células da granulosa e fibromas.

Além da histologia, a doença é estadiada de acordo com o sistema FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia), que vai do estágio I (tumor limitado ao ovário) ao estágio IV (metástases à distância, como no pulmão ou fígado). Esse estadiamento é feito durante a cirurgia inicial e orienta a necessidade de quimioterapia adjuvante. No sistema público, as pacientes são avaliadas por uma equipe multidisciplinar e recebem o tratamento conforme o protocolo do Ministério da Saúde.

Quando procurar um médico

Na minha experiência, a maioria das mulheres demora a procurar ajuda porque os sintomas do câncer de ovário são inespecíficos e muitas vezes confundidos com problemas benignos. Por isso, é fundamental ficar atenta aos seguintes sinais de alerta, especialmente se eles forem persistentes (mais de duas semanas):

  • Inchaço abdominal – sensação de barriga estufada ou aumento do volume da cintura, sem ganho de peso.
  • Dor pélvica ou abdominal – desconforto constante, que não melhora com analgésicos comuns.
  • Sangramento vaginal anormal – sangramento após a menopausa, fora do período menstrual ou após relações sexuais.
  • Alteração do apetite – perda de apetite, sensação de saciedade precoce ou náuseas frequentes.
  • Mudanças no hábito intestinal – prisão de ventre ou diarreia inexplicada, com sensação de pressão no reto.
  • Fadiga inexplicada – cansaço que não melhora com repouso.
  • Perda de peso sem motivo.

Em clínicas populares, costumo orientar que qualquer mulher com um ou mais desses sintomas, principalmente acima dos 40 anos, deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou uma clínica particular para avaliação. O médico solicitará exames como ultrassom transvaginal e, se necessário, encaminhará para um ginecologista ou oncologista. Não espere o quadro piorar: quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de tratamento conservador e cura.

Termos Relacionados