sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Câncer de pele não melanoma

O que é O que é Câncer de pele não melanoma?

No meu consultório, seja no posto de saúde ou na clínica popular, escuto quase toda semana: “Doutor, essa pintinha que não sara, o que será?”. Muitas vezes, o que o paciente está descrevendo pode ser um câncer de pele não melanoma. Ao contrário do melanoma, que é mais agressivo e tem maior potencial de metástase, os tumores não melanoma (carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular) são os mais frequentes no Brasil e no mundo, mas felizmente têm altíssimas taxas de cura quando diagnosticados precocemente.

O câncer de pele não melanoma é uma proliferação anormal das células da epiderme (camada mais superficial da pele). O principal fator de risco é a exposição cumulativa à radiação ultravioleta (UV) do sol ao longo da vida. No Brasil, país tropical com grande incidência solar, esse tipo de câncer é o mais comum entre todos os tumores malignos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se mais de 180 mil casos novos por ano, o que corresponde a cerca de 30% de todos os diagnósticos de câncer no país. É um problema de saúde pública que sobrecarrega o Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, onde o sol é mais intenso e a população tem maior exposição ocupacional (trabalhadores rurais, pescadores, pedreiros).

Na prática da clínica popular, vejo muitos pacientes que demoram a procurar ajuda por acharem que é “apenas uma feridinha”. No SUS, a porta de entrada costuma ser a Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o clínico ou o enfermeiro avalia a lesão e, se houver suspeita, encaminha para o dermatologista. O diagnóstico é feito principalmente pelo exame clínico e, quando necessário, por biópsia. O tratamento na rede pública inclui desde cirurgia ambulatorial simples (retirada da lesão com anestesia local) até procedimentos mais complexos, como a cirurgia micrográfica de Mohs, disponível em alguns centros de referência. A boa notícia é que, com detecção precoce, a chance de cura ultrapassa 95%.

Como funciona / Características

O câncer de pele não melanoma se desenvolve lentamente. No dia a dia, o paciente costuma notar uma lesão que não cicatriza, uma mancha que descama, uma bolinha brilhosa ou uma crosta que sangra de vez em quando. Não causa dor no início, apenas incômodo estético ou sensação de “coisa crescendo”. Por isso, muitos ignoram por meses ou até anos.

– **Carcinoma basocelular (CBC)**: é o tipo mais comum (cerca de 70% dos casos). Costuma aparecer em áreas expostas ao sol, como rosto (nariz, pálpebras, orelhas), couro cabeludo em homens calvos, pescoço e ombros. Tem crescimento lento e raramente se espalha para outros órgãos. Pode se apresentar como uma pápula perolada (brilhante) com vasinhos visíveis (telangiectasias), ou como uma úlcera que não sara.
– **Carcinoma espinocelular (CEC)**: corresponde a cerca de 20-25% dos casos. É mais agressivo que o CBC, podendo dar metástase para linfonodos (ínguas) em estágios avançados. Aparece também em áreas expostas (lábios, orelhas, dorso das mãos), mas pode surgir em cicatrizes ou úlceras crônicas (como em pacientes com queimaduras antigas). A lesão é geralmente uma placa ou nódulo endurecido, com escamas ou crostas, que sangra facilmente.

Na consulta, eu faço uma pergunta-chave: “Essa ferida já tem mais de 4 semanas e não melhora?”. Se a resposta for sim, já acendo o alerta. Outra característica importante é a assimetria, bordas irregulares e mudança de cor, mas isso é mais típico do melanoma. No não melanoma, o que vale mais é a persistência e o sangramento espontâneo.

Tipos e Classificações

Além dos dois principais (CBC e CEC), existem variantes menos comuns, mas que também entram no guarda-chuva do câncer de pele não melanoma. Veja as classificações usadas na prática clínica brasileira:

  • Carcinoma basocelular (CBC): subtipos nodular, superficial, infiltrativo, micronodular, esclerodermiforme – cada um com características histológicas próprias. O nodular é o mais frequente; o superficial parece uma mancha vermelha descamativa, parecendo eczema ou psoríase.
  • Carcinoma espinocelular (CEC): pode ser classificado como in situ (doença de Bowen), quando ainda não invadiu a derme, ou invasivo. O CEC pode ser bem diferenciado, moderadamente ou pouco diferenciado – isso influencia no risco de metástase.
  • Carcinoma de células de Merkel: raro, mas mais agressivo. Surge como um nódulo vermelho ou arroxeado de crescimento rápido em face ou extremidades.
  • Dermatofibrossarcoma protuberante: tumor raro de partes moles que pode mimetizar um nódulo na pele, mas com comportamento localmente agressivo.
  • Ceratose actínica: não é câncer, mas é uma lesão pré-maligna que pode evoluir para CEC. Trata-se de uma mancha áspera, escamosa, em áreas expostas ao sol. No SUS, é comum tratarmos com crioterapia (nitrogênio líquido) ou pomadas (5-fluorouracil).

No Brasil, a classificação segue a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o sistema de estadiamento TNM (tumor, linfonodo, metástase) para tumores mais avançados. O estadiamento é mais utilizado para o CEC, pois o CBC raramente metastatiza. A maioria dos casos diagnosticados no SUS são estádios I e II, por isso o prognóstico é excelente.

Quando procurar um médico

A regra que ensino aos meus pacientes é: qualquer lesão na pele que não cicatriza em até 4 semanas merece ser avaliada. Mas vou listar os sinais de alerta específicos para o câncer de pele não melanoma:

  • Ferida que sangra facilmente, mesmo com toque leve;
  • Crosta que cai e volta a se formar repetidamente;
  • Lesão que coça, arde ou dói – principalmente se estiver aumentando de tamanho;
  • Pinta ou mancha que muda de cor ou textura;
  • Nódulo brilhante, translúcido, com vasinhos visíveis;
  • Placa áspera e escamosa (ceratose actínica) que não melhora com hidratação ou protetor solar.

Na atenção primária do SUS, o clínico geral pode suspeitar e encaminhar ao dermatologista via regulação. As clínicas populares particulares também realizam a avaliação inicial – muitas vezes com exame de dermatoscopia (uma lente de aumento especial). Se houver suspeita, a biópsia (retirada de um fragmento da lesão) é feita com anestesia local e enviada para o laboratório de patologia. O resultado sai em cerca de 15 a 20 dias.

Oriento especialmente pacientes de risco: pele clara, olhos claros, cabelos ruivos ou loiros, história de queimaduras solares na infância, exposição solar ocupacional (agricultores, pescadores, garis), imunossuprimidos (transplantados, HIV, uso crônico de corticoides) e idosos. Esses grupos devem fazer exame anual da pele com um dermatologista.

Termos Relacionados

  • Melanoma: tipo mais agressivo de câncer de pele, originado dos melanócitos. Tem alto potencial de metástase e exige tratamento urgente.
  • Ceratose actínica: lesão pré-maligna que pode evoluir para carcinoma espinocelular. Comum em áreas expostas ao sol.
  • Dermatoscopia: exame não invasivo realizado com dermatoscópio, que amplia a imagem da pele e ajuda a diferenciar lesões benignas de malignas.
  • Biópsia de pele: procedimento para retirada de um fragmento da lesão para análise anatomopatológica. É o padrão-ouro no diagnóstico.
  • Radioterapia: tratamento com radiação ionizante, indicado como alternativa à cirurgia em idosos ou tumores em áreas de difícil ressecção (ex: pálpebra, nariz).
  • Crioterapia: aplicação de nitrogênio líquido para destruir lesões prémalignas ou tumores pequenos e superficiais. Muito usado no SUS.
  • Cirurgia micrográfica de Mohs: técnica avançada que remove o tumor camada por camada, examinando cada margem ao microscópio, preservando o máximo de tecido saudável. Disponível em poucos centros do SUS.
  • Fotoproteção: conjunto de medidas para proteger a pele da radiação UV, incluindo uso de protetor solar, chapéu, óculos e roupas com proteção UV. É a principal prevenção.

Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de pele não melanoma

1. O câncer de pele não melanoma tem cura?

Sim, na grande maioria dos casos. Quando diagnosticado precocemente, a taxa de cura cirúrgica é superior a 95%. O tratamento principal é a retirada completa da lesão com margem de segurança. Tumores mais avançados ou recorrentes podem exigir radioterapia ou cirurgia mais ampla, mas ainda assim a perspectiva é boa.

2. Qual a diferença entre câncer de pele melanoma e não melanoma?

O melanoma se origina dos melanócitos (células que produzem pigmento) e tem alto potencial de metástase, sendo o tipo mais perigoso. Já o não melanoma (carcinoma basocelular e espinocelular) surge das células da epiderme, tem crescimento mais lento e raramente se espalha para outros órgãos, exceto em casos avançados de carcinoma espinocelular. O melanoma é menos comum (cerca de 3% dos cânceres de pele), mas causa a maioria das mortes.

3. Quem tem maior risco de desenvolver câncer de pele não melanoma?

Pessoas com pele clara (fototipos I e II), cabelos ruivos ou loiros, olhos claros, histórico de queimaduras solares na infância, exposição solar crônica (trabalhadores ao ar livre), idade acima de 50 anos, e imunossupressão (transplantados, HIV, uso de medicamentos imunossupressores). No Brasil, a população rural e de regiões de alta radiação UV (Norte, Nordeste, Centro-Oeste) está mais exposta.

4. O protetor solar realmente previne o câncer de pele não melanoma?

Evidências científicas mostram que o uso regular de protetor solar com FPS 30 ou superior reduz significativamente a incidência de carcinoma espinocelular e de ceratoses actínicas. Para o carcinoma basocelular, a proteção também existe, mas é menos robusta porque a exposição solar cumulativa ao longo da vida é um fator importante. Além do filtro solar, recomendo evitar o sol entre 10h e 16h, usar chapéu de aba larga e óculos escuros com proteção UV.

5. É preciso fazer biópsia para confirmar o diagnóstico?

Na maioria dos casos, sim. O exame clínico e a dermatoscopia são importantes para levantar a suspeita, mas apenas a biópsia com análise anatomopatológica pode confirmar o diagnóstico e o tipo histológico do tumor. Em clínicas populares, a biópsia é feita sob anestesia local, é rápida e não dói. No SUS, é um procedimento coberto e fundamental para direcionar o tratamento correto.

6. Depois de tratado, o câncer de pele não melanoma pode voltar?

Sim, há risco de recidiva local (no mesmo local) ou de surgimento de uma nova lesão em outra área. Por isso, todo paciente tratado deve fazer acompanhamento dermatológico periódico – geralmente a cada 6 meses ou 1 ano, dependendo do tipo e estágio. Também é essencial manter a fotoproteção e fazer autoexame da pele mensalmente: observar pintas, manchas e feridas no espelho. O câncer de pele não melanoma não “pega” em outro órgão como metástase na maioria dos casos, mas o carcinoma espinocelular pode evoluir se não for tratado.

Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.

Fontes consultadas: Instituto Nacional de Câncer – Câncer de pele não melanoma; Ministério da Saúde – Diretrizes para o câncer de pele não melanoma.


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