O que é Câncer de pele?
O câncer de pele é o crescimento anormal e descontrolado das células que formam a pele. Na prática, durante 15 anos atendendo no SUS e em clínicas populares no Nordeste, vi de perto como esse diagnóstico é frequente, especialmente em trabalhadores rurais, pescadores e quem passa muito tempo ao sol sem proteção. O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil, com altas taxas de cura quando descoberto cedo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados mais de 180 mil novos casos por ano no país, a maioria dos tipos não melanoma.
No dia a dia da clínica, muitos pacientes chegam com “feridinhas que não cicatrizam” ou “pintas que mudaram de cor”. Ao examinar, percebemos que podem ser lesões suspeitas. O sistema público (SUS) oferece diagnóstico e tratamento gratuitos, incluindo cirurgias e crioterapia, mas a demora para consulta com dermatologista é um desafio real. Por isso, meu papel é orientar o paciente sobre os sinais de alerta e a importância de procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) ao primeiro sinal.
Vale lembrar: câncer de pele não é uma única doença, mas um grupo de tumores que se originam nas diferentes camadas da pele. O tipo melanoma, embora menos comum, é o mais agressivo e exige atenção imediata. Já os carcinomas basocelular e espinocelular (não melanoma) são mais frequentes e geralmente têm boa resposta ao tratamento quando diagnosticados precocemente.
Como funciona / Características
O câncer de pele se desenvolve a partir do dano ao DNA das células da pele, principalmente pela exposição prolongada aos raios ultravioleta (UV) do sol ou de câmaras de bronzeamento. A pele é o maior órgão do corpo e tem mecanismos de reparo, mas quando as agressões são repetidas ao longo dos anos, o sistema de defesa pode falhar. Aí as células começam a se multiplicar de forma desordenada, formando tumores.
Na clínica, vejo que as lesões mais comuns são:
- Feridas que não cicatrizam em 4–6 semanas, mesmo com cuidados básicos.
- Pintas ou manchas que mudam de tamanho, cor ou formato – uma queixa clássica de pacientes que já tiveram histórico de exposição solar intensa na juventude.
- Nódulos perolados ou avermelhados que podem sangrar com facilidade, típicos do carcinoma basocelular.
- Áreas ásperas e escamosas (ceratose actínica) consideradas pré-cancerosas.
O comportamento biológico varia: os não melanoma crescem lentamente e raramente metastatizam, enquanto o melanoma pode se espalhar rápido pelo sistema linfático e sanguíneo. No SUS, a prioridade é a remoção cirúrgica completa, e o material é encaminhado para análise anatomopatológica – um direito garantido a todo paciente pelo protocolo do Ministério da Saúde.
Tipos e Classificações
No Brasil, a classificação mais usada segue a Organização Mundial da Saúde e os protocolos do INCA. Os principais tipos são:
- Carcinoma Basocelular (CBC) – responsável por cerca de 70% dos casos. Aparece em regiões expostas ao sol (face, orelhas, couro cabeludo). Caracteriza-se por lesão brilhante, por vezes com bordas elevadas e vasinhos visíveis. Raramente se espalha para outros órgãos.
- Carcinoma Espinocelular (CEC) – segundo mais comum. Surge a partir de lesões pré-existentes como ceratose actínica. Pode ser mais agressivo que o CBC, com risco de metástase se não tratado. Apresenta-se como uma ferida ou nódulo que cresce rápido, com crosta e sangramento.
- Melanoma – tipo que se origina nos melanócitos (células que produzem melanina). É o mais perigoso, responsável pela maioria das mortes por câncer de pele. Pode surgir em qualquer parte do corpo, inclusive em áreas sem exposição solar. A regra ABCDE ajuda a identificar: Assimetria, Bordas irregulares, Cor heterogênea, Diâmetro > 6 mm e Evolução (mudança recente).
- Outros subtipos raros: carcinoma de células de Merkel, sarcoma de Kaposi, linfomas cutâneos – mas são menos frequentes e exigem acompanhamento especializado.
O SUS classifica o estadiamento (I a IV) com base no tamanho, invasão de linfonodos e presença de metástases, seguindo as diretrizes do TNM. Essa informação determina a urgência do tratamento e a necessidade de quimioterapia ou radioterapia nos casos avançados.
Quando procurar um médico
Na minha experiência, o maior erro é esperar a lesão sumir sozinha. Oriento meus pacientes a procurarem a UBS ou clínica popular se perceberem:
- Qualquer ferida na pele que não cicatriza em até um mês.
- Pinta que muda de cor, forma ou tamanho – especialmente se ficar preta, azulada ou com mais de uma cor.
- Surgimento de nódulo ou verruga que cresce rápido, sangra ou coça.
- Manchas ásperas e escamosas (ceratose actínica) que aparecem após os 40 anos.
- Ferida que sangra facilmente ao toque ou que forma crosta que volta sempre.
- Qualquer lesão suspeita em paciente com histórico de câncer de pele na família ou exposição solar crônica.
É crucial lembrar que o câncer de pele pode ser tratado com sucesso quando diagnosticado cedo. No SUS, o encaminhamento para o dermatologista pode ser feito pelo médico da UBS, e a cirurgia ambulatorial é o padrão ouro. Se houver suspeita de melanoma, a prioridade é máxima – a biópsia excisional é realizada o mais rápido possível.
Termos Relacionados
- Ceratose actínica: lesão pré-cancerosa, áspera e escamosa, decorrente da exposição solar. Pode evoluir para carcinoma espinocelular se não tratada.
- Dermatoscopia: exame realizado com aparelho de aumento que permite visualizar estruturas da pele não visíveis a olho nu. Muito usado em clínicas e no SUS para identificar lesões suspeitas.
- Biopópsia: retirada de um fragmento da lesão para análise no laboratório. É o método definitivo para confirmar o diagnóstico.
- Fator de proteção solar (FPS): medida que indica a proteção contra os raios UVB. O FPS 30 é o mínimo recomendado para uso diário.
- Melanócito: célula produtora de melanina, pigmento que dá cor à pele. O melanoma surge nesse tipo celular.
- Metástase: espalhamento do tumor para outras partes do corpo (linfonodos, pulmão, fígado, cérebro). É mais comum no melanoma avançado.
- Quimioterapia tópica: medicamento aplicado diretamente sobre a pele – usado no SUS para ceratoses actínicas e alguns carcinomas superficiais (ex: 5-fluorouracil).
- Cirurgia de Mohs: técnica de retirada do tumor em camadas, permitindo a preservação máxima de tecido saudável. Disponível em alguns centros de referência do SUS para casos complexos.
Perguntas Frequentes sobre Câncer de pele
O que causa o câncer de pele?
A principal causa é a exposição excessiva e sem proteção aos raios ultravioleta (UV) do sol. Outros fatores incluem histórico familiar, pele clara, queimaduras solares na infância, uso de câmaras de bronzeamento e sistema imunológico enfraquecido (ex: transplantados, pacientes com HIV). No Brasil, a radiação UV é intensa o ano inteiro, especialmente entre 10h e 16h.
O câncer de pele tem cura?
Sim, a maioria dos casos tem cura, especialmente os carcinomas basocelular e espinocelular quando diagnosticados precocemente. O melanoma, se detectado em estágio inicial (estádio I), também tem alta taxa de cura com cirurgia. Já casos avançados podem exigir tratamentos complementares como imunoterapia (disponível no SUS para melanoma avançado). A chave é o diagnóstico precoce – não ignore aquela pintinha estranha!
Preciso passar protetor solar todos os dias?
Sim, mesmo em dias nublados ou dentro de casa, os raios UV atravessam as nuvens e janelas. O SUS distribui protetor solar para grupos de risco (ex: trabalhadores rurais, pessoas com albinismo) nas Farmácias Populares, mas ainda é limitado. Minha orientação prática: use pelo menos FPS 30 no rosto e áreas expostas, reaplique a cada 2 horas se estiver ao ar livre. E não esqueça chapéu de abas largas e óculos escuros.
Qual a diferença entre pinta normal e câncer de pele?
Pintas normais (nevos) são geralmente simétricas, com bordas regulares, cor uniforme e tamanho estável. Já as lesões suspeitas seguem a regra ABCDE: Assimetria (metade diferente da outra), Bordas irregulares (serrilhadas), Cor variada (diferentes tons de marrom, preto, vermelho), Diâmetro maior que 6 mm (do tamanho de uma borracha de lápis) e Evolução (mudanças recentes). Qualquer pinta que coçar, sangrar ou crescer merece avaliação médica.
O SUS trata câncer de pele? Como faço para ser atendido?
Sim, o SUS oferece atendimento integral: desde a consulta na UBS até cirurgias, biópsias e tratamentos oncológicos em hospitais de referência. Se você tem uma lesão suspeita, vá à UBS mais próxima. O médico fará o encaminhamento para a dermatologia. A espera pode variar conforme a região, mas o sistema prioriza os casos com suspeita de melanoma. As clínicas populares também realizam atendimentos e cirurgias a preços acessíveis, mas o SUS é a porta de entrada para quem não tem plano de saúde.
O que acontece se eu não tratar o câncer de pele?
Depende do tipo. Carcinomas basocelular e espinocelular podem crescer lentamente, invadindo tecidos próximos (músculo, osso) e causando deformidades, além de sangramento e infecção. O melanoma não tratado tende a metastatizar para l


