O que é Câncer de pênis?
O câncer de pênis é um tumor maligno que se desenvolve nos tecidos do pênis, mais frequentemente na glande (cabeça do pênis) ou no prepúcio (pele que cobre a glande). No Brasil, essa doença ainda é um problema de saúde pública relevante, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o país apresenta uma das maiores incidências mundiais, com cerca de 2.000 casos novos por ano e uma taxa de mortalidade que preocupa, principalmente pela dificuldade de acesso ao diagnóstico precoce.
Na minha prática de 15 anos entre o SUS e clínicas populares, percebo que muitos pacientes chegam ao consultório com vergonha ou medo de falar sobre lesões íntimas. O homem brasileiro, por questões culturais, muitas vezes adia a ida ao médico até que a ferida já esteja avançada. Por isso, o câncer de pênis é um exemplo clássico de doença onde a prevenção e a informação são as melhores armas. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece integralmente o tratamento — desde a cirurgia até a quimioterapia —, mas a chave está em procurar ajuda nos primeiros sinais.
Vale destacar que a grande maioria dos casos está associada a fatores evitáveis, como má higiene íntima, fimose (dificuldade de expor a glande) e infecção pelo papilomavírus humano (HPV). A circuncisão (retirada do prepúcio) na infância ou adolescência reduz drasticamente o risco. Ou seja, estamos falando de um câncer que, com simples cuidados, pode ser prevenido.
Como funciona / Características
O câncer de pênis geralmente começa como uma pequena lesão, verruga, ferida ou mancha que não cicatriza em cerca de 4 a 6 semanas. No início, pode ser indolor, o que leva o paciente a ignorar o sintoma. Com o tempo, a lesão pode crescer, tornar-se ulcerada (com aspecto de ferida aberta), sangrar ou liberar secreção com odor forte. Nos casos mais avançados, o tumor pode invadir a uretra (dificultando a micção) e atingir os gânglios linfáticos da virilha, formando “caroços” palpáveis.
No consultório, o exame clínico é simples: inspeção visual e palpação da região. Quando suspeito, encaminho para biópsia (retirada de um fragmento para análise) — exame feito no SUS por meio de punção ou incisão. O estadiamento (avaliação da extensão) segue a classificação TNM (tumor, nódulo, metástase), usada universalmente e adotada pelos protocolos brasileiros do Ministério da Saúde.
É importante entender que o câncer de pênis não é contagioso. No entanto, as verrugas causadas pelo HPV Sim, são transmissíveis e podem aumentar o risco de câncer. Por isso, a vacina contra HPV está disponível no SUS para meninos e meninas de 9 a 14 anos, sendo uma medida de saúde pública essencial.
Tipos e Classificações
Mais de 90% dos casos de câncer de pênis são do tipo carcinoma espinocelular, que se origina nas células escamosas da pele do pênis. Esse é o subtipo mais comum e responde pela maioria das ocorrências no Brasil.
Existem variações menos frequentes, como o carcinoma verrucoso (com crescimento lento e baixo potencial de metástase) e o carcinoma basocelular (raro no pênis). O estadiamento clínico utilizado pela equipe médica brasileira segue a classificação TNM do American Joint Committee on Cancer (AJCC), adaptada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA – Câncer de Pênis). O estadiamento vai do estágio 0 (carcinoma in situ, confinado à superfície) ao estágio IV (doença metastática para outros órgãos).
Na prática clínica, essa classificação orienta a escolha do tratamento: lesões superficiais podem ser tratadas com cirurgia local, cremes tópicos (como 5-fluorouracil) ou laser; tumores invasivos exigem amputação parcial ou total do pênis, associada ou não à retirada de linfonodos inguinais.
Quando procurar um médico
Procure um médico imediatamente se notar qualquer um destes sinais:
- Ferida, úlcera ou verruga no pênis que não cicatriza em 4 semanas.
- Mancha, descamação ou espessamento da pele peniana.
- Sangramento ou secreção fétida (com mal cheiro) pelo pênis.
- Dor ou dificuldade para urinar, especialmente com jato fraco ou intermitente.
- Nódulo ou caroço na virilha que não desaparece.
- Retração do prepúcio que não ocorria antes (verdadeiro “enrijecimento”).
Nas clínicas populares e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), o médico clínico ou urologista pode fazer o diagnóstico inicial. A recomendação para homens com fimose persistente, história de HPV ou múltiplos parceiros sexuais é realizar autoexame mensal e exame médico anual. No SUS, o acesso ao urologista é feito por encaminhamento da UBS. Não espere o tumor crescer — quanto mais cedo, menor a chance de amputação e maior a chance de cura.
Termos Relacionados
- Fimose: dificuldade de expor a glande devido ao prepúcio estreito. É um dos principais fatores de risco para câncer de pênis, pois dificulta a higiene e favorece o acúmulo de secreções (esmegma).
- HPV (Papilomavírus Humano): vírus transmitido sexualmente, responsável por verrugas genitais e associado a vários tipos de câncer, incluindo o de pênis. A vacinação no SUS protege contra os tipos mais comuns.
- Circuncisão: cirurgia para remoção do prepúcio. Realizada na infância, reduz em até 60% o risco de câncer de pênis. O SUS realiza a postectomia em casos de fimose.
- Metástase: quando o câncer se espalha para outras partes do corpo, como linfonodos inguinais (na virilha), pulmões ou fígado. A presença de metástase piora o prognóstico.
- Linfadenectomia inguinal: cirurgia para retirar os gânglios linfáticos da virilha, necessária em tumores com risco de disseminação.
- Biópsia: coleta de um fragmento do tumor para análise microscópica. É o padrão‑ouro para confirmar o diagnóstico.
- Amputação parcial/total do pênis: cirurgia que remove parte ou todo o órgão. Atualmente, técnicas de reconstrução peniana e próteses penianas são oferecidas pelo SUS para preservar a função e a autoestima.
- Radioterapia e Quimioterapia: tratamentos complementares para tumores avançados ou com metástase, disponíveis em centros de oncologia do SUS.
Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de pênis
O que causa o câncer de pênis?
O principal fator é a má higiene íntima, principalmente em homens com fimose, que acumulam esmegma (secreção branca) no sulco balanoprepucial. A infecção por HPV, tabagismo, idade acima de 50 anos e história de lesões penianas prévias também aumentam o risco. O câncer de pênis não é hereditário na grande maioria dos casos.
Câncer de pênis tem cura?
Sim, tem cura, especialmente quando diagnosticado precocemente. Tumores superficiais (estágio 0 e I) curam-se em mais de 90% dos casos com cirurgia local. Mesmo tumores invasivos, quando tratados antes de atingir linfonodos, têm boas chances de controle. O SUS oferece todo o tratamento, incluindo cirurgias reconstrutivas e reabilitação.
Precisa amputar o pênis?
Nem sempre. Nos estágios iniciais, a cirurgia pode ser apenas uma ressecção local (retirada da lesão com margem de segurança) ou uso de laser. A amputação parcial ou total é reservada para tumores maiores ou que invadem a uretra. Muitos pacientes se adaptam bem e conseguem manter a função urinária e, em alguns casos, a função sexual. O SUS dispõe de equipes multidisciplinares para suporte psicológico e reconstrução.
Como é o tratamento?
O tratamento principal é cirúrgico (excisão da lesão, amputação quando necessária, linfadenectomia). Em casos avançados, associa-se radioterapia ou quimioterapia. Cremes tópicos como 5-fluorouracil podem ser usados para carcinoma in situ. O protocolo é definido pelo médico conforme o estadiamento e as condições do paciente, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Urologia.
Como prevenir o câncer de pênis?
A prevenção é simples e eficaz:
- Realizar a lavagem diária do pênis com água e sabão, especialmente após as relações sexuais.
- Manter a glande exposta para secar, se houver fimose, ou tratar a fimose com pomadas ou cirurgia.
- Usar preservativo em todas as relações sexuais para reduzir o risco de HPV e outras ISTs.
- Vacinar-se contra o HPV nas faixas etárias recomendadas (meninos de 9 a 14 anos e mulheres de 9 a 45 anos; no SUS, disponível para meninos e meninas de 9 a 14 anos).
- Parar de fumar (o tabagismo duplica o risco de câncer de pênis).
- Realizar autoexame mensal e consultar um urologista ao notar qualquer lesão persistente.
O câncer de pênis é contagioso?
Não, o câncer em si não é contagioso. Você não pode “pegar” câncer de pênis de outra pessoa. No entanto, o HPV, que é fator de risco, é altamente contagioso e transmitido por contato sexual. Por isso, a prevenção com vacina e camisinha é fundamental.
Homens circuncidados podem ter câncer de pênis?
Sim, mas o risco é muito menor. A circuncisão remove o prepúcio, eliminando o ambiente úmido que favorece o acúmulo de secreções e a infecção por HPV. Estudos mostram que homens circuncidados têm 60% a 70% menos chances de desenvolver a doença. Mesmo assim, é importante manter a higiene e fazer exames periódicos.
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