terça-feira, junho 9, 2026

O que é Câncer de sangue

O que é Câncer de sangue? Causas, sintomas e tratamento no Brasil

O que é O que é Câncer de sangue?

O câncer de sangue (também chamado de neoplasia hematológica) é um grupo de doenças malignas que afetam a produção e o funcionamento das células do sangue. Em vez de as células se multiplicarem de forma controlada, a medula óssea passa a fabricar células defeituosas que crescem desordenadamente, prejudicando a fabricação de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas saudáveis. No Brasil, os tipos mais comuns são as leucemias, os linfomas e o mieloma múltiplo.

Na minha experiência de 15 anos no SUS e em clínicas populares de Fortaleza, o que mais ouço dos pacientes é: “Doutor, eu estava me sentindo cansado e com umas manchas roxas no corpo. O exame de sangue mostrou que estava tudo baixo.” Muitas vezes, o diagnóstico começa com um hemograma simples, que sugere alterações típicas. O acesso ao tratamento pelo SUS, embora possa ter filas, é garantido pela Política Nacional de Atenção Oncológica, e hospitais de referência como o INCA (Instituto Nacional de Câncer) e os Centros de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) oferecem quimioterapia, radioterapia e transplante de medula óssea.

Segundo dados do INCA, a estimativa para cada ano do triênio 2023-2025 é de cerca de 11 mil novos casos de leucemia e 15 mil de linfomas no Brasil. A incidência é maior em adultos acima de 60 anos, mas também atinge crianças – a leucemia é o tipo de câncer mais comum na infância. O diagnóstico precoce e o acompanhamento regular são fundamentais para o sucesso do tratamento.

Como funciona / Características

Para entender como o câncer de sangue age, imagine a medula óssea como uma “fábrica” que produz as células do sangue. Quando surge uma mutação em uma célula-tronco, ela começa a se reproduzir sem parar, formando células imaturas (blastos) que não cumprem sua função. Essas células ocupam o espaço da medula, impedindo a produção normal de glóbulos vermelhos (causando anemia), glóbulos brancos (aumentando o risco de infecções) e plaquetas (provocando sangramentos e hematomas).

No cotidiano de uma clínica popular, recebo pacientes com queixas vagas: cansaço persistente, palidez, febre sem causa aparente, suores noturnos, perda de peso sem dieta e dores ósseas. Esses sintomas, quando duram mais de duas semanas, já acendem o alerta. Em muitos casos, o paciente chega após um exame de rotina com resultado alterado. Por exemplo, um hemograma mostrando leucocitose (aumento de glóbulos brancos) com blastos é um sinal clássico de leucemia aguda. Já em linfomas, o paciente pode notar um caroço (gânglio) no pescoço, axila ou virilha que não dói e vai crescendo.

O tratamento depende do tipo e estágio, e no Brasil é oferecido pelo SUS conforme protocolos do Ministério da Saúde e da ANVISA, que regulamenta os medicamentos oncológicos. A quimioterapia, a imunoterapia e o transplante de medula óssea são as principais armas. Muitos pacientes precisam de internação para controle de infecções e suporte transfusional, o que reforça a importância do acompanhamento em centros especializados.

Tipos e Classificações

O câncer de sangue é classificado em três grandes grupos, e cada um tem suas variantes. As classificações mais usadas no Brasil são as da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a classificação franco-americano-britânica (FAB) para leucemias.

  • Leucemias: afetam a medula óssea e o sangue periférico. Dividem-se em agudas (de evolução rápida) e crônicas (de evolução mais lenta). As principais são:
    • Leucemia Linfoide Aguda (LLA): mais comum em crianças;
    • Leucemia Mieloide Aguda (LMA): mais comum em adultos;
    • Leucemia Linfoide Crônica (LLC): típica de idosos;
    • Leucemia Mieloide Crônica (LMC): associada à translocação cromossômica (cromossomo Filadélfia).
  • Linfomas: começam nos linfonodos (gânglios) ou em outros tecidos linfoides. Podem ser:
    • Linfoma de Hodgkin: tem células de Reed-Sternberg e maior chance de cura;
    • Linfoma não Hodgkin: grupo heterogêneo de mais de 30 subtipos.
  • Mieloma Múltiplo: câncer das células plasmáticas (que produzem anticorpos), acomete principalmente a medula óssea e os ossos, causando dores ósseas e fraturas.

No Brasil, o diagnóstico é feito por exames de sangue, mielograma (aspiração de medula óssea) e biópsia de linfonodo. O estadiamento (classificação da extensão) é essencial para definir o tratamento, e a decisão terapêutica é discutida em reuniões de equipe multidisciplinar (MDT) nos hospitais do SUS.

Quando procurar um médico

Como clínico popular, oriento os pacientes a procurarem atendimento se apresentarem um ou mais dos seguintes sinais de alerta que não passam com o tempo:

  • Fraqueza ou cansaço intenso que não melhora com repouso;
  • Palidez da pele e das mucosas (como a parte interna da boca);
  • Febre inexplicada e recorrente (sem infecção aparente);
  • Sangramentos ou hematomas que surgem sem machucado;
  • Aparecimento de gânglios (caroços) no pescoço, axilas, virilhas ou acima da clavícula;
  • Dor óssea persistente, especialmente nos ossos longos (braços e pernas) ou na coluna;
  • Perda de peso não intencional em poucas semanas.

O primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do SUS para realizar um hemograma completo. Se houver alterações suspeitas, o médico da UBS encaminha o paciente para um ambulatório de hematologia de um hospital de referência. Nunca ignore sintomas persistentes – o diagnóstico precoce pode aumentar muito as chances de cura. No SUS, o tempo máximo para início do tratamento após o diagnóstico é de até 60 dias pela lei (Lei dos 60 dias), mas a recomendação é que o paciente seja avaliado o mais rápido possível.

Termos Relacionados

  • Hemograma: exame de sangue que avalia glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. É o primeiro exame suspeito de câncer de sangue.
  • Mielograma: exame que retira uma amostra da medula óssea (geralmente do osso do quadril) com agulha, usado para confirmar o diagnóstico de leucemia e mieloma.
  • Blastos: células imaturas do sangue; quando em excesso na medula ou no sangue, indicam leucemia.
  • Quimioterapia: tratamento com medicamentos que matam células cancerígenas; pode ser aplicado em ciclos no hospital ou em ambulatório.
  • Transplante de Medula Óssea (TMO): procedimento que substitui a medula doente por medula saudável de um doador compatível; também chamado de transplante de células-tronco hematopoéticas.
  • Imunoterapia: tratamento que estimula o sistema imunológico a combater o câncer; exemplos incluem anticorpos monoclonais e inibidores de checkpoints.
  • Protocolo de tratamento SUS: diretrizes do Ministério da Saúde (MS) que padronizam as terapias oferecidas pelo sistema público, incluindo listas de medicamentos aprovados pela ANVISA.
  • Remissão: estado em que os sinais e sintomas do câncer desaparecem, não significando cura completa – o paciente continua em acompanhamento.

Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de sangue

O câncer de sangue tem cura?

Sim, muitos tipos de câncer de sangue têm altas taxas de cura, especialmente quando diagnosticados precocemente. Leucemias agudas em crianças, linfoma de Hodgkin e leucemia mieloide crônica, por exemplo, podem ser curados com tratamentos modernos. O sucesso depende do subtipo, da idade do paciente, da resposta ao tratamento e do acesso a terapias adequadas. No Brasil, o SUS oferece tratamento gratuito e há centros de excelência como o INCA e o Hemorio que obtêm resultados comparáveis aos melhores do mundo.

Quais exames detectam o câncer de sangue?

O principal exame de rastreio é o hemograma completo, que mostra anemia, aumento ou diminuição de glóbulos brancos e plaquetas. Se houver suspeita, o médico solicita o mielograma (punção da medula óssea) e a biópsia de medula óssea. Para linfomas, é necessária a biópsia de um linfonodo aumentado. Exames de imagem como tomografia e PET-CT ajudam a avaliar a extensão da doença. Todos esses exames estão disponíveis no SUS mediante encaminhamento.

Câncer de sangue é hereditário?

Na maioria dos casos, o câncer de sangue não é hereditário. Apenas cerca de 5% dos casos têm relação com síndromes genéticas familiares, como a síndrome de Li-Fraumeni ou a anemia de Fanconi. Fatores de risco ambientais (exposição a radiação, benzeno, quimioterapia prévia) e infecções virais (como Epstein-Barr) podem contribuir. Se houver histórico familiar de leucemia ou linfoma, é recomendável conversar com um hematologista.

Criança também pode ter câncer de sangue?

Sim, a leucemia é o câncer mais comum entre crianças e adolescentes, principalmente a leucemia linfoide aguda (LLA). Graças aos avanços da oncologia pediátrica, a taxa de cura chega a 80-90% no Brasil, especialmente em serviços especializados do SUS como


Veja Também