terça-feira, junho 9, 2026

O que é Câncer de vagina

O que é O que é Câncer de vagina?

O câncer de vagina é um tumor maligno que se origina nas células da vagina – o canal muscular que liga o útero ao exterior do corpo. No meu dia a dia como clínico geral no SUS e em clínicas populares do Nordeste, atendo muitas mulheres que chegam com queixas de sangramento anormal, corrimento com mau cheiro ou dor pélvica, sem saber que esses sintomas podem estar relacionados a essa doença.

É importante deixar claro: o câncer de vagina é considerado raro, representando cerca de 1 a 2% de todos os cânceres ginecológicos. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados aproximadamente 1.500 novos casos por ano no Brasil, com maior incidência em mulheres acima dos 60 anos. Ele é menos comum que o câncer de colo do útero, mas não menos grave – e, infelizmente, muitas vezes é diagnosticado tardiamente por falta de informação ou acesso a exames preventivos.

Na prática clínica, percebo que a maioria das pacientes nunca ouviu falar desse tipo de câncer. Muitas confundem os sintomas com infecções vaginais comuns, como candidíase ou vaginose bacteriana, e só procuram ajuda quando o quadro já está avançado. O principal fator de risco é a infecção persistente pelo HPV (papilomavírus humano), especialmente os tipos 16 e 18. Outros fatores incluem tabagismo, histórico de câncer de colo do útero, lesões pré-cancerosas na vagina (chamadas VAIN) e imunossupressão.

O SUS oferece atendimento para diagnóstico e tratamento, mas a fila para exames como colposcopia e biópsia pode ser longa em algumas regiões. Por isso, é tão importante que a mulher conheça os sinais e busque a unidade básica de saúde assim que notar algo fora do comum. O diagnóstico precoce é a chave para aumentar as chances de cura, que podem chegar a mais de 80% em estágios iniciais.

Como funciona / Características

O câncer de vagina se desenvolve quando células saudáveis da parede vaginal sofrem mutações e começam a se multiplicar de forma descontrolada. Esse processo leva meses ou anos. No início, a doença pode ser assintomática, o que dificulta o diagnóstico. Com o tempo, ela pode causar sintomas que a paciente nota no dia a dia.

Em consultas de rotina, já atendi pacientes que relatavam sangramento após a relação sexual, corrimento vaginal aquoso ou com sangue, dor durante a relação (dispareunia) e, em casos mais avançados, dor na região pélvica, inchaço nas pernas (linfedema) ou até sangramento urinário. Muitas mulheres acham que “é coisa da idade” ou “uma infecçãozinha”, e só procuram o médico quando a dor fica intensa.

O diagnóstico começa com o exame ginecológico de rotina, que inclui a inspeção visual da vagina e do colo do útero. Se houver suspeita, o médico pede uma colposcopia (exame com uma lente de aumento) e, se necessário, uma biópsia (retirada de um fragmento do tecido). O SUS disponibiliza esses exames, mas muitas vezes a paciente precisa aguardar alguns meses. Em clínicas populares, costumamos encaminhar para serviços de referência em oncologia, como o Hospital do Câncer ou centros regionais de alta complexidade.

O tratamento depende do estágio da doença. Para casos iniciais, pode ser feita cirurgia (remoção do tumor ou da vagina inteira – vaginectomia) ou radioterapia. Quando o câncer já se espalhou, usa-se quimioterapia e radioterapia combinadas, ou até imunoterapia em alguns casos. O importante é que a paciente tenha acompanhamento multiprofissional: oncologista, fisioterapeuta, psicólogo e assistente social, pois o tratamento pode afetar a função sexual, a autoestima e a qualidade de vida.

Tipos e Classificações

O câncer de vagina é classificado principalmente pelo tipo de célula de origem. Os mais comuns são:

Carcinoma de células escamosas (cerca de 80% dos casos): origina-se nas células planas que revestem a vagina. Está fortemente associado ao HPV e é mais comum no terço superior da vagina.
Adenocarcinoma (cerca de 10%): surge nas células glandulares, mais frequente em mulheres que foram expostas ao dietilestilbestrol (DES) durante a gestação – um medicamento usado no passado para evitar aborto, mas que hoje é proibido.
Melanoma (raro): origina-se nos melanócitos (células que produzem pigmento). É mais agressivo e de difícil tratamento.
Sarcoma (muito raro): surge nos tecidos conjuntivos, como músculos ou vasos sanguíneos.

Além do tipo histológico, os médicos usam o estadiamento (classificação por estágio) para definir o tratamento e o prognóstico. A classificação mais usada no Brasil é a da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), que vai do estágio I (tumor limitado à vagina) ao estágio IV (disseminação para órgãos distantes). No SUS, o estadiamento é feito com exames de imagem (tomografia, ressonância) e, quando possível, PET-CT.

Há também as lesões pré-cancerosas chamadas de neoplasia intraepitelial vaginal (VAIN), que são classificadas em graus (VAIN 1, 2 e 3) de acordo com a profundidade da alteração celular. O diagnóstico e tratamento dessas lesões podem prevenir a evolução para câncer invasivo.

Quando procurar um médico

A regra de ouro é: qualquer sintoma anormal na região genital merece atenção médica. No consultório, sempre oriento minhas pacientes a procurarem a unidade de saúde o mais rápido possível se apresentarem:

Sangramento vaginal após a relação sexual, entre os períodos menstruais ou depois da menopausa.
Corrimento vaginal com mau cheiro, de cor amarelada, esverdeada ou com sangue.
Dor ou desconforto durante a relação sexual.
Coceira ou ardência persistentes na vagina ou na vulva.
Dor pélvica (na parte baixa da barriga) sem causa aparente.
Inchaço nas pernas que não melhora com repouso.

Mesmo sem sintomas, mulheres acima de 25 anos devem realizar o exame preventivo (Papanicolau) anualmente, conforme recomendação do Ministério da Saúde. A paciente pode agendar na UBS mais próxima. Se houver qualquer achado suspeito na vagina durante o preventivo, o médico solicitará uma colposcopia.

Em clínicas populares, dou prioridade a mulheres com histórico de HPV, tabagismo, imunossupressão (como HIV ou uso de corticoides) ou que já tiveram câncer de colo do útero. Lembro sempre: não ignore o sangramento pós-menopausa – muitas pacientes acham que é normal, mas é um dos principais sinais de alerta.

Termos Relacionados

  • HPV – Papilomavírus humano, infecção sexualmente transmissível que é a principal causa de câncer de vagina, colo do útero e ânus. A vacina contra HPV está disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos.
  • Câncer de colo do útero – Tumor maligno na parte inferior do útero, mais comum que o câncer de vagina. Ambos compartilham fatores de risco, como HPV e tabagismo.
  • Neoplasia intraepitelial vaginal (VAIN) – Lesões pré-cancerosas na vagina que podem evoluir para câncer se não tratadas. São detectadas por biópsia.
  • Colposcopia – Exame que usa um microscópio especial para examinar a vagina e o colo do útero com mais detalhes. Essencial para diagnosticar lesões suspeitas.
  • Biop sia – Retirada de um pequeno fragmento de tecido para análise em laboratório. É o único exame que confirma o diagnóstico de câncer.
  • Vaginectomia – Cirurgia para remover parte ou toda a vagina. Pode ser necessária no tratamento do câncer localizado.
  • Radioterapia – Tratamento com radiação para destruir células cancerígenas. Pode ser usada como alternativa ou complemento à cirurgia.
  • Linfedema – Inchaço nos membros inferiores devido à obstrução dos vasos linfáticos, comum após remoção de linfonodos ou radioterapia na região pélvica.

Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de vagina

O câncer de vagina tem cura?

Sim, tem cura, especialmente quando descoberto no início. As chances de cura podem ultrapassar 80% nos estágios iniciais (I e II). O tratamento é feito no SUS, com cirurgia, radioterapia e quimioterapia, dependendo do caso. Quanto mais cedo a paciente procurar ajuda, maiores as chances de sucesso.

Quais são os principais fatores de risco?

O principal é a infecção persistente pelo HPV, especialmente tipos 16 e 18. Outros fatores incluem tabagismo, histórico de câncer de colo do útero, lesões pré-cancerosas na vagina (VAIN), imunossupressão (como HIV ou uso de medicamentos que baixam a imunidade) e idade avançada (maioria dos casos ocorre após os 60 anos).

Como é feito o diagnóstico no SUS?

O diagnóstico começa com o exame ginecológico de rotina na Unidade Básica de Saúde. Se houver suspeita, a paciente é encaminhada para um serviço de referência, onde fará colposcopia e biópsia. O material da biópsia é analisado por um patologista. O resultado pode levar de 15 a 30 dias, dependendo da região. O tratamento é realizado em hospitais de alta complexidade credenciados pelo SUS.

Como prevenir o câncer de vagina?

A principal forma de prevenção é a vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, e também para alguns grupos de risco (como pessoas com HIV). Além disso, o uso de preservativo reduz o risco de infecção por HPV. Exames ginecológicos regulares, como o preventivo e a colposcopia, ajudam a detectar lesões pré-cancerosas antes que virem câncer. Parar de fumar também reduz o risco.

O tratamento afeta a vida sexual?

Pode afetar, sim. Cirurgias que removem parte da vagina ou a radioterapia na região pélvica podem encurtar ou estreitar o canal vaginal, causando dor ou dificuldade na relação sexual. Mas existem técnicas de reabilitação, como o uso de dilatadores vaginais e fisioterapia pélvica, que ajudam a recuperar a função. Muitas mulheres conseguem manter uma vida sexual satisfatória após o tratamento, especialmente com acompanhamento adequado. Converse com seu médico sobre suas preocupações.

Há diferença entre câncer de vagina e câncer de vulva?

Sim, são doenças diferentes. O câncer de vagina ocorre dentro do canal vaginal. O câncer de vulva afeta a parte externa da genitália feminina (lábios, clitóris, abertura da vagina). Ambos


Veja Também