quinta-feira, maio 28, 2026

O que é Câncer de vulva

O que é Câncer de vulva? – Verbete de Glossário

O que é Câncer de vulva?

O câncer de vulva é um tumor maligno que se origina na vulva, a parte externa da genitália feminina, que inclui os lábios maiores, lábios menores, clitóris, abertura vaginal e o monte púbico. Na minha experiência como médica do SUS e de clínicas populares, esse tipo de câncer ainda é pouco falado, e muitas mulheres chegam com diagnósticos tardios porque confundem os sintomas com assaduras, infecções ou irritações comuns. Diferente do câncer do colo do útero, que tem rastreamento organizado (Papanicolau), o câncer de vulva não possui um exame de rotina específico, o que exige que a mulher e o médico fiquem atentos a qualquer alteração persistente.

No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de vulva representa cerca de 1% de todos os cânceres femininos, com aproximadamente 800 a 1.000 novos casos por ano. A incidência é maior em mulheres acima dos 65 anos, mas também pode ocorrer em pacientes mais jovens, especialmente em associação com infecção por HPV (papilomavírus humano) e lesões pré-cancerosas como a neoplasia intraepitelial vulvar (NIV). No contexto do SUS, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento é garantido por meio dos centros de referência em oncologia, como o INCA e hospitais públicos habilitados. A ANVISA regulamenta os medicamentos usados na quimioterapia e imunoterapia, enquanto o Conselho Federal de Medicina (CFM) orienta a conduta médica baseada em evidências.

É importante esclarecer que câncer de vulva não é a mesma coisa que câncer de vagina – a vagina é o canal interno, enquanto a vulva é a parte externa. Muitas pacientes se referem à região como “parte íntima”, e por vergonha ou falta de informação, adiam a consulta. Como clínica geral, sempre reforço: qualquer ferida, nódulo ou coceira que não melhora em duas semanas merece uma avaliação ginecológica ou de dermatologia.

Como funciona / Características

O câncer de vulva geralmente começa como uma lesão pré-cancerosa (NIV) que, se não tratada, pode evoluir para um tumor invasivo. No dia a dia de uma clínica popular, o que mais vejo são pacientes com queixa de coceira vulvar crônica, queimação ou uma ferida que não cicatriza. Muitas vezes, a paciente já tentou pomadas antifúngicas ou corticoides sem sucesso, e só então procura ajuda. O tumor pode se apresentar como uma mancha branca, vermelha ou escura, um caroço (nódulo), uma úlcera (ferida aberta) ou uma área de pele espessa. É comum que a lesão seja única e evolua lentamente.

Na minha prática, já atendi uma senhora de 72 anos que relatava “assadura” há seis meses, e quando examinei, havia uma úlcera endurecida no lábio maior direito. A biópsia confirmou carcinoma espinocelular. Exemplos assim mostram a importância de palpar a vulva durante o exame ginecológico – não basta apenas o toque vaginal. No SUS, a biópsia vulvar pode ser feita na própria unidade básica de saúde ou encaminhada ao ambulatório de ginecologia, e o resultado histopatológico sai em cerca de 10 a 15 dias pela rede pública.

O tumor pode se espalhar localmente (para a vagina, uretra, ânus) ou por via linfática, atingindo os gânglios da virilha. Por isso, o estadiamento é fundamental. Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de cura – nos estágios iniciais, a sobrevida em cinco anos ultrapassa 80%.

Tipos e Classificações

O câncer de vulva é classificado principalmente pelo tipo histológico (células de origem) e pelo estadiamento (extensão da doença). Os principais tipos são:

  • Carcinoma espinocelular (ou epidermoide): representa mais de 80% dos casos. Surge das células escamosas da pele vulvar. Está fortemente associado ao HPV (tipos 16 e 18) e ao líquen escleroso.
  • Melanoma vulvar: menos comum (5-10%), mas mais agressivo. Origina-se dos melanócitos e pode aparecer como uma mancha escura assimétrica.
  • Adenocarcinoma (do tipo de Bartholin ou outros): raro, surge das glândulas da vulva.
  • Sarcoma e carcinoma basocelular: formas ainda mais raras.

No Brasil, o sistema de estadiamento usado segue a classificação TNM e FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia), que considera tamanho do tumor (T), comprometimento de linfonodos (N) e metástases (M). Esse sistema é padronizado pelo INCA e utilizado em todos os hospitais do SUS para definir o tratamento – cirurgia, radioterapia ou quimioterapia.

Quando procurar um médico

Procure um médico (ginecologista, clínico geral ou dermatologista) se você apresentar algum dos seguintes sinais por mais de duas semanas:

  • Coceira intensa e persistente na vulva, que não melhora com hidratação ou pomadas comuns
  • Ferida, úlcera ou rachadura (fissura) que não cicatriza
  • Caroço, nódulo ou inchaço localizado
  • Mancha branca, vermelha, escura ou com aspecto de verruga
  • Sangramento vaginal anormal (fora da menstruação) ou secreção fétida
  • Dor ou ardor ao urinar ou tocar a região

No SUS, você pode agendar uma consulta na unidade básica de saúde (UBS) mais próxima. O médico fará o exame físico e, se necessário, solicitará uma biópsia – retirada de um pequeno fragmento da lesão para análise. Não tenha vergonha: o exame é rápido e a dor é mínima com anestesia local. Quanto antes descobrir, mais chances de um tratamento conservador, sem grandes cirurgias.

Termos Relacionados

  • Vulva: Conjunto de órgãos genitais externos femininos, incluindo os lábios maiores e menores, clitóris e abertura vaginal.
  • Neoplasia Intraepitelial Vulvar (NIV): Lesão pré-cancerosa, também chamada de displasia vulvar. Pode regredir espontaneamente ou evoluir para câncer se não tratada.
  • HPV (Papilomavírus Humano): Vírus sexualmente transmissível que causa verrugas genitais e está associado ao câncer de vulva, colo do útero e ânus.
  • Líquen escleroso vulvar: Doença inflamatória crônica da pele, que causa coceira e afinamento da vulva, aumentando o risco de câncer.
  • Biópsia vulvar: Exame em que se retira um pequeno pedaço da lesão para análise microscópica – padrão ouro para diagnóstico.
  • Vulvectomia: Cirurgia de remoção parcial ou total da vulva, usada no tratamento do câncer.
  • Linfonodo inguinal: Gânglio linfático na virilha, que pode ser afetado pela disseminação do tumor.
  • Radioterapia pélvica: Tratamento com radiação, usado em conjunto com cirurgia ou quimioterapia para tumores avançados.

Perguntas Frequentes sobre O que é Câncer de vulva

O que causa o câncer de vulva?

As causas exatas nem sempre são claras, mas os principais fatores de risco incluem: infecção persistente por HPV (principalmente os tipos 16 e 18), tabagismo (que enfraquece o sistema imunológico), idade avançada (a maioria ocorre após os 65 anos), histórico de


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