O que é O que é Candidíase?
No meu dia a dia como clínico geral no SUS e em clínicas populares de Fortaleza, atendo semanalmente pacientes – na grande maioria mulheres – com queixas de coceira intensa na região genital, corrimento esbranquiçado e ardência ao urinar. Muitas chegam já tendo tentado pomadas caseiras ou duchas íntimas, o que muitas vezes piora o quadro. A causa mais frequente desses sintomas é a Candidíase, uma infecção causada pelo fungo do gênero Candida, principalmente pela espécie Candida albicans.
A Candidíase é uma infecção oportunista: o fungo vive naturalmente em nossa pele, boca, intestino e vagina, em equilíbrio com outros microrganismos. Quando esse equilíbrio se rompe – por uso de antibióticos, diabetes descontrolada, estresse, gestação, uso de anticoncepcionais ou baixa imunidade – o fungo se prolifera desordenadamente, causando os sintomas. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 75% das mulheres brasileiras terão pelo menos um episódio de Candidíase vulvovaginal ao longo da vida, e 5% a 8% desenvolvem a forma recorrente (quatro ou mais episódios por ano).
No contexto do SUS, o tratamento é acessível: cremes e comprimidos antifúngicos como nistatina, miconazol e fluconazol estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e farmácias populares. A ANVISA regula a qualidade desses medicamentos, e o CFM orienta que o diagnóstico seja clínico e, quando necessário, confirmado por exame microscópico. O importante é entender que a Candidíase não é uma doença vergonhosa, nem exclusiva de mulheres – homens também podem ter candidíase peniana – e que o tratamento adequado resolve o quadro na maioria dos casos.
Como funciona / Características
O fungo Candida se alimenta de glicose e se reproduz em ambientes quentes e úmidos. Quando o sistema imunológico está baixo ou a microbiota vaginal (ou peniana) perde seus “guardiões” naturais – como os lactobacilos – o fungo cresce sem controle. Os sintomas clássicos incluem:
- Corrimento vaginal branco, grumoso, semelhante a nata de leite ou ricota, geralmente sem odor forte.
- Coceira intensa (prurido) na vulva e na vagina, que pode piorar à noite e atrapalhar o sono.
- Ardência ao urinar ou durante a relação sexual.
- Vermelhidão e inchaço dos lábios vaginais.
No homem, a candidíase peniana (balanopostite) causa vermelhidão, coceira, pequenas manchas brancas e, às vezes, secreção esbranquiçada. Um exemplo que vejo com frequência: um paciente chega dizendo “doutor, minha esposa tratou candidíase e agora estou com coceira”. Isso ocorre porque o fungo pode ser transmitido pelo contato íntimo, embora a Candidíase não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST) típica – ela pode ser desencadeada pelo ato sexual, mas não é uma DST clássica.
Outro cenário comum: mulheres grávidas, que têm alterações hormonais que favorecem o crescimento do fungo. No SUS, orientamos que gestantes com sintomas procurem a UBS para tratamento seguro, pois alguns antifúngicos orais são evitados na gestação, mas cremes como nistatina podem ser usados com segurança.
Tipos e Classificações
A Candidíase pode ser classificada de acordo com a localização e a frequência das infecções. As principais formas clínicas no Brasil são:
- Candidíase vulvovaginal – a mais comum, atinge a vagina e a vulva. Subdivide-se em:
- Não complicada: episódios leves a moderados, que respondem bem ao tratamento padrão.
- Complicada: formas graves, recorrentes ou em pacientes com diabetes, gestantes ou imunossuprimidos.
- Candidíase oral (sapinho) – comum em bebês, idosos, usuários de próteses dentárias e pessoas com HIV. Aparecem placas brancas na língua e mucosa da boca, que podem sangrar ao serem raspadas.
- Candidíase cutânea – atinge dobras da pele (axilas, virilhas, abaixo das mamas), causando vermelhidão, coceira e pequenas pústulas.
- Candidíase invasiva – forma grave, que atinge a corrente sanguínea e órgãos internos, mais comum em pacientes hospitalizados, em UTI, ou com imunossupressão profunda (quimioterapia, transplantes).
No Brasil, o Ministério da Saúde classifica a Candidíase recorrente como quatro ou mais episódios por ano. Essa condição merece investigação aprofundada: diabetes, anemia, deficiência de ferro, HIV e uso crônico de antibióticos devem ser descartados.
Quando procurar um médico
Procure atendimento médico se você apresentar:
- Coceira vaginal ou peniana persistente por mais de dois dias.
- Corrimento branco grumoso, especialmente se for acompanhado de ardência.
- Vermelhidão, inchaço ou fissuras na região genital.
- Dor ou desconforto durante as relações sexuais.
- Sintomas que voltam com frequência (três ou mais episódios no ano).
- Placas brancas na boca que não saem com a escovação.
- Febre, calafrios ou mal-estar geral associados a qualquer um dos sintomas acima (pode indicar forma invasiva).
O ideal é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Lá, o médico ou enfermeiro fará uma anamnese e poderá solicitar exame de microscopia do corrimento (a fresco) para confirmar a presença do fungo. Evite automedicação: o uso incorreto de antifúngicos pode selecionar cepas resistentes e piorar a infecção. No SUS, o tratamento é gratuito e eficaz.
Termos Relacionados
- Antifúngico: medicamento que combate fungos. Ex.: fluconazol (comprimido) e nistatina (creme).
- Candida albicans: espécie mais comum responsável pela maioria dos casos de candidíase.
- Corrimento vaginal: secreção pela vagina. Na candidíase é branco, grumoso e sem odor forte.
- Disbiose vaginal: desequilíbrio da flora vaginal que favorece o crescimento de fungos.
- Fluconazol: antifúngico oral de dose única, muito usado no tratamento da candidíase vulvovaginal.
- Microbiota: conjunto de microrganismos que vivem em harmonia no corpo. Quando alterada, surgem infecções como a candidíase.
- Sapinho: nome popular da candidíase oral, comum em bebês.
- Vulvovaginite: inflamação da vulva e vagina, que pode ser causada por Candida, Trichomonas ou Gardnerella.
Perguntas Frequentes sobre O que é Candidíase
A candidíase tem cura?
Sim, a grande maioria dos casos de Candidíase


