O que é O que é Cateter?
No dia a dia de um consultório de clínica geral, especialmente dentro do SUS ou de uma clínica popular, a palavra “cateter” aparece com uma frequência que muitos pacientes não imaginam. Quando falamos em cateter, estamos nos referindo a um tubo fino, flexível e estéril que é inserido no corpo para realizar funções específicas: drenar líquidos, administrar medicamentos, medir pressões internas ou até mesmo desobstruir vasos. Diferente do que muita gente pensa, o cateter não é um objeto de laboratório distante – ele está presente em procedimentos comuns, como uma sonda vesical (para urinar) ou um acesso venoso que permanece por mais de 24 horas.
Na prática clínica brasileira, o uso de cateteres é tão rotineiro que faz parte do cuidado básico em emergências, UTIs, enfermarias e até em casa, quando o paciente precisa de cuidados prolongados. O SUS realiza anualmente mais de 100 mil cateterismos cardíacos (procedimento que utiliza cateteres para diagnosticar e tratar problemas no coração), e estima-se que um em cada quatro pacientes internados em UTI utilize algum tipo de cateter venoso central. Esses números reforçam a importância de entender o que é esse dispositivo – não por medo, mas para que você, paciente ou cuidador, saiba reconhecer quando algo está errado e como cuidar desse recurso tão comum na medicina.
Como médico que já passou por plantões em hospitais públicos e atendimentos em clínicas de bairro, posso afirmar: o cateter é um aliado indispensável, mas exige atenção. A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) possui protocolos rígidos para prevenir infecções relacionadas a cateteres, e o CFM (Conselho Federal de Medicina) orienta os médicos sobre a indicação correta e o tempo máximo de permanência. No Brasil, infecções de corrente sanguínea associadas a cateteres venosos centrais representam uma das principais causas de eventos adversos nas UTIs, mas com cuidados adequados esse risco cai drasticamente.
Como funciona / Características
Imagine um canudo muito fino, feito de silicone, poliuretano ou PVC, que é introduzido dentro de uma veia, artéria, bexiga ou cavidade do corpo. A função básica do cateter é criar um canal de acesso direto. Por exemplo:
- Cateter venoso periférico (aquele “jelco” ou “abbocath” no braço): permite infundir soro, medicamentos ou coletar sangue. Ele fica na veia superficial, geralmente por até 3 dias.
- Cateter venoso central (inserido em veias do pescoço, tórax ou virilha): usado em UTI, para medir a pressão venosa central, administrar nutrição parenteral ou drogas irritantes para as veias periféricas. Pode ficar semanas.
- Sonda vesical (cateter urinário): drena a urina da bexiga quando o paciente não consegue urinar sozinho, muito usada em cirurgias e internações.
- Cateter cardíaco: inserido por uma artéria (geralmente na virilha ou punho) e guiado até o coração para fazer angiografias, colocar stents ou medir pressões intracardíacas.
O funcionamento depende do tipo: uns trabalham por gravidade (como a sonda vesical), outros por pressão ou bomba infusora (cateteres arteriais). A característica fundamental é que todos são estéreis no momento da inserção, e qualquer sinal de sujeira, dobra, vazamento ou dor no local deve ser comunicado imediatamente a um profissional de saúde.
Tipos e Classificações
Para organizar a enorme variedade de cateteres usados no Brasil, classificamos principalmente por:
- Via de acesso: venoso (periférico ou central), arterial, urinário, nasogástrico, retal, peritoneal (usado em diálise).
- Duração prevista: cateteres de curta permanência (até 7 dias) x longa permanência (semanas ou meses, como cateter de Hickman ou port-a-cath para quimioterapia).
- Material: silicone (mais flexível, menos trombogênico), poliuretano (mais rígido, resistente), PVC (comum em sondas urinárias, mas menos usado atualmente).
- Número de lúmens: um cateter pode ter um único canal (lúmen) ou múltiplos (duplo, triplo) para administrar diferentes medicações ao mesmo tempo sem misturá-las.
No contexto do SUS, a maioria dos cateteres usados é padronizada por licitação, seguindo normas da ANVISA. Nas clínicas populares, os cateteres venosos periféricos são os mais comuns – aqueles de 20G a 24G (quanto maior o número, menor o calibre). Já em hospitais de referência, cateteres centrais com fio-guia (técnica de Seldinger) são rotina em UTIs.
Quando procurar um médico
Se você ou um familiar está com um cateter – seja em casa ou durante a internação – fique atento a estes sinais de alerta que indicam que algo precisa ser avaliado por um profissional:
- Sinais de infecção local: vermelhidão, inchaço, calor ou secreção amarelada ao redor do local de entrada do cateter.
- Febre (temperatura acima de 37,8°C) sem causa aparente, especialmente se o cateter está no lugar há mais de 48 horas.
- Dor intensa no trajeto do cateter ou no local da inserção.
- Dificuldade para infundir soro ou medicação (se o cateter está obstruído ou dobrado).
- Sangramento ativo ou hematoma crescente no local.
- Ruptura ou desconexão do cateter (nunca tente recolocar ou colar, procure o serviço de saúde imediatamente).
- Urina com sangue ou ausência de urina na sonda vesical.
Na clínica popular, orientamos: “Se o cateter parecer ‘diferente’ do que estava antes, ou se você sentir algo que não é normal, não hesite em ir ao posto de saúde ou hospital. Infecções relacionadas a cateter podem evoluir rápido”. Lembre-se: o cateter é um corpo estranho dentro do organismo, e qualquer sinal de mau funcionamento merece atenção médica.
Termos Relacionados
- Cateterismo cardíaco: procedimento invasivo que usa um cateter para diagnosticar e tratar doenças coronarianas, como colocar stent ou desobstruir artérias.
- Cateter venoso central (CVC): inserido em veias de grosso calibre (subclávia, jugular, femoral), usado para monitorização, nutrição e drogas vasoativas.
- Cateter de Swan-Ganz: tipo especial de CVC que mede pressões no coração e no pulmão, comum em UTIs cardiológicas.
- Infecção relacionada a cateter (IRC): complicação infecciosa que pode ocorrer em até 5% dos cateteres centrais, monitorada pela ANVISA (veja dados oficiais).
- Trombose associada a cateter: formação de coágulo na veia onde está o cateter, pode causar inchaço e dor no membro.
- Cateter periférico (abocath/jelco): o mais comum, inserido em veias do braço ou mão, trocado a cada 72-96 horas.
- Cateter de Hickman: cateter de longa permanência (semanas a meses), usado em quimioterapia ou hemodiálise, que sai por um orifício no tórax.
- Port-a-Cath (cateter totalmente implantável): dispositivo colocado sob a pele, acessado por agulha, ideal para tratamentos prolongados.
Perguntas Frequentes sobre O que é Cateter
Colocar um cateter dói?
Depende do tipo e do local. Na maioria das vezes, a pele é anestesiada com uma pequena injeção de anestésico local (como lidocaína), então a dor é mínima. Você pode sentir uma pressão ou um leve desconforto, mas é rápido. Cateteres periféricos (no braço) são feitos com uma picada rápida, parecido com tirar sangue. Em crianças ou pacientes mais sensíveis, podemos usar pomadas anestésicas antes. O importante é avisar o profissional se estiver sentindo dor intensa durante o procedimento, para que ele possa ajustar.
Quanto tempo posso ficar com um cateter?
Varia muito. Cateteres venosos periféricos (abocath) são trocados a cada 3-4 dias para evitar infecções. Cateteres venosos centrais podem ficar de 7 a 14 dias, e alguns específicos (como Hickman ou port-a-cath) podem durar meses ou anos, desde que sejam bem cuidados. O médico determina o tempo máximo baseado na necessidade do tratamento e no risco de complicações. Nunca ultrapasse o prazo sem orientação: se o cateter estiver funcionando bem, mas o tempo de troca chegou, procure o serviço para reavaliação.
Posso tomar banho com cateter?
Depende do tipo. Cateteres venosos periféricos (no braço) podem ser cobertos com filme plástico impermeável (como os usados para curativos) e permitir banho rápido, desde que não molhe o curativo. Cateteres centrais e sondas vesicais requerem cuidado redobrado: o ideal é usar um avental impermeável ou pedir ajuda de um profissional para proteger o local. Molhar o curativo aumenta o risco de infecção. Pergunte sempre ao enfermeiro ou médico como proceder no seu caso específico. Em clínicas, fornecemos orientações por escrito para o cuidador.
O que devo observar no local do cateter?
Você deve verificar diariamente: o curativo está seco e íntegro? A pele ao redor está sem vermelhidão, inchaço ou secreção? O local dói ao


