sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Cefaleia

O que é Cefaleia? Guia Completo com Causas, Tipos e Tratamento

O que é Cefaleia?

Cefaleia é o termo médico para o que todo brasileiro chama de “dor de cabeça”. Não é uma doença única, mas um sintoma que pode ter dezenas de causas diferentes – desde uma noite mal dormida até condições neurológicas que exigem acompanhamento especializado. Quem trabalha em clínica popular no Brasil sabe: a queixa de cefaleia está entre as três mais comuns nas salas de espera, junto com febre e dor lombar. No Sistema Único de Saúde (SUS), a maior parte dos casos é resolvida na Atenção Básica, com orientação e medicamentos simples, mas uma minoria exige encaminhamento para neurologia.

Dados epidemiológicos brasileiros reforçam a dimensão do problema. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, do IBGE e Ministério da Saúde, cerca de 20% dos adultos brasileiros relataram ter diagnóstico médico de enxaqueca (migrânea) ou cefaleia crônica. Em números absolutos, são mais de 30 milhões de pessoas. Nas clínicas populares, observamos que a prevalência é ainda maior entre mulheres jovens e pessoas em idade produtiva, o que impacta diretamente o trabalho e a qualidade de vida. A automedicação é a regra: analgésicos comuns, como dipirona e paracetamol, são usados sem prescrição, muitas vezes de forma inadequada, gerando o que chamamos de cefaleia por uso excessivo de medicamentos.

Do ponto de vista clínico, a cefaleia pode ser primária (quando a dor em si é o problema, como na enxaqueca e na cefaleia tensional) ou secundária (quando é sintoma de outra condição, como sinusite, hipertensão, meningite ou até tumores). Felizmente, mais de 90% dos casos são primários e benignos, mas é essencial saber reconhecer os sinais de alerta. Como médico, sempre digo: “dor de cabeça não é frescura; é um sinal do corpo que merece atenção”.

Como funciona / Características

A cefaleia pode se manifestar de maneiras muito diferentes, e entender essas diferenças ajuda o paciente a descrever melhor o que sente. No consultório, costumo perguntar: “Onde dói? É latejando ou como se apertasse? Tem enjoo? A luz incomoda?”. Essas respostas orientam o diagnóstico.

  • Localização: pode ser frontal (testa), temporal (laterais), occipital (nuca), holocraniana (cabeça toda) ou em um dos lados (unilateral). Dor unilateral é muito típica de enxaqueca.
  • Caráter da dor: pulsátil (como batidas do coração), em pressão (torno apertando), em pontada ou queimação. A cefaleia tensional costuma ser em pressão ou peso, enquanto a enxaqueca é pulsátil.
  • Duração: crises de 4 a 72 horas na enxaqueca; horas a dias na tensional; em salvas (rara) dura de 15 a 180 minutos.
  • Sintomas associados: náuseas, vômitos, fotofobia (sensibilidade à luz), fonofobia (sensibilidade ao som), aura visual (pontos brilhantes, linhas em zigue-zague). Na cefaleia tensional geralmente não há náusea intensa.

No dia a dia da clínica popular, o paciente típico chega dizendo: “Doutor, estou com uma dor de cabeça que não passa há três dias. Tomei dipirona, mas volta”. Muitas vezes a cefaleia está associada a estresse, má postura no trabalho, jejum prolongado, desidratação ou privação de sono. O exame físico básico (medir pressão arterial, temperatura, palpar seios da face, avaliar rigidez de nuca) ajuda a descartar causas secundárias. Caso a pressão esteja muito elevada, por exemplo, a cefaleia pode ser sinal de emergência hipertensiva.

Tipos e Classificações

A classificação mais usada no Brasil é a Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3), adotada pela Sociedade Brasileira de Cefaleia e pelo Ministério da Saúde. Para o paciente, o importante é conhecer os tipos mais comuns:

  • Cefaleia tensional: a mais frequente, responsável por cerca de 70% das dores de cabeça. É como se um elástico apertasse a cabeça. Geralmente leve a moderada, sem náusea. Melhora com relaxamento, massagem e analgésicos simples.
  • Enxaqueca (migrânea): afeta cerca de 15% dos brasileiros, com predomínio feminino (3:1). Dor moderada a intensa, pulsátil, unilateral, com náusea e sensibilidade à luz e som. Pode ter aura. Requer tratamento específico com triptanos e medidas preventivas.
  • Cefaleia em salvas: rara, mas extremamente dolorosa. Ocorre em crises de curta duração, várias vezes ao dia, por semanas ou meses, seguidas de remissão. Acomete mais homens. A dor é unilateral, ao redor do olho, com lacrimejamento e congestão nasal.
  • Cefaleia crônica diária: quando a dor ocorre mais de 15 dias por mês por mais de 3 meses. Pode ser consequência do uso excessivo de analgésicos (cefaleia por abuso de medicamentos). O tratamento exige descontinuação dos remédios e abordagem multidisciplinar.
  • Cefaleia cervicogênica: originada na coluna cervical, comum em quem trabalha muito tempo no computador ou dorme em posição inadequada. A dor começa na nuca e irradia para a frente da cabeça.

No SUS, o tratamento das cefaleias primárias é feito com protocolos padronizados: analgésicos (dipirona, paracetamol), anti-inflamatórios (ibuprofeno) e, para enxaqueca, triptanos (sumatriptano, naratriptano) disponíveis na Rede de Atenção Básica ou em farmácias populares. Casos refratários são encaminhados ao neurologista.

Quando procurar um médico

A maioria das cefaleias é benigna, mas existem sinais de alerta que exigem avaliação médica urgente. Como médico, ensino meus pacientes a buscar ajuda se apresentarem algum dos seguintes “sinais vermelhos”:

  • Dor de cabeça súbita, intensa, em trovoada (atinge o pico em segundos) – pode ser sinal de hemorragia subaracnóidea.
  • Dor associada a febre alta, rigidez de nuca e vômitos – suspeita de meningite.
  • Dor que piora com esforço físico, tosse ou mudança de posição.
  • Alterações neurológicas: confusão mental, fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar ou enxergar.
  • Convulsões ou perda de consciência.
  • Dor de cabeça em pessoas com imunossupressão, com câncer ou HIV.
  • Início da cefaleia após os 50 anos (pode ser arterite de células gigantes).

Além disso, se a cefaleia for frequente (mais de 4 crises por mês) ou interferir nas atividades diárias, é importante consultar um clínico geral ou neurologista. Nas clínicas populares, podemos solicitar exames de imagem (tomografia de crânio) conforme critérios clínicos, sempre com indicação criteriosa para evitar supermedicalização.

Termos Relacionados

  • Aura: sintomas neurológicos transitórios (visuais, sensoriais ou de fala) que precedem ou acompanham a crise de enxaqueca. Exemplo: ver pontos brilhantes ou sentir formigamento em um lado do rosto.
  • Fotofobia: sensibilidade anormal à luz, muito comum na enxaqueca e na meningite. Pacientes buscam ambientes escuros.
  • Fonofobia: aversão a sons, também frequente nas crises de enxaqueca.
  • Cefaleia por abuso de medicamentos: cefaleia crônica causada pelo uso excessivo de analgésicos (mais de 10 a 15 dias por mês). O tratamento é a retirada do medicamento.
  • Hipertensão intracraniana: pressão alta dentro do crânio que pode causar cefaleia matinal, vômitos e alterações visuais. Pode ser benigna ou secundária a tumores.
  • Meningite: inflamação das meninges (membranas que revestem o cérebro), geralmente infecciosa, que cursa com cefaleia intensa, febre e rigidez de nuca. É emergência.
  • Hemicrania: termo antigo para enxaqueca, ainda usado em alguns contextos. Significa “metade da cabeça” em grego.
  • Analgesia: alívio da dor. No contexto da cefaleia, pode ser medicamentosa ou não farmacológica (acupuntura, massagem, biofeedback).

Perguntas Frequentes sobre O que é Cefaleia

Cefaleia é perigosa?

A grande maioria das cefaleias é benigna, mas é preciso ficar atento aos sinais de alerta que descrevemos acima. Se a dor for muito diferente do que você já sentiu, vier acompanhada de sintomas neurológicos ou febre, procure atendimento. Não ignore o que seu corpo está dizendo.

Qual a diferença entre cefaleia e enxaqueca?

Cefaleia é o termo geral para dor de cabeça. Enxaqueca (ou migrânea) é um tipo específico de cefaleia primária, com características próprias: dor pulsátil, geralmente de um lado, moderada a forte, que piora com atividade física e vem acompanhada de náusea e sensibilidade à luz e som. Nem toda cefaleia é enxaqueca, mas toda enxaqueca é uma cefaleia.

Posso tomar remédio para dor de cabeça todo dia?

Não é recomendado. O uso de analgésicos por mais de 10 a 15 dias por mês pode causar <


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