sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Cirurgia cardíaca

O que é O que é Cirurgia cardíaca?

A cirurgia cardíaca é um procedimento médico de alta complexidade que tem como objetivo tratar doenças do coração e dos grandes vasos sanguíneos (como a aorta). Ela pode ser necessária quando medicamentos e tratamentos menos invasivos não são suficientes para controlar problemas como obstrução das artérias coronárias (responsáveis por levar sangue ao músculo cardíaco), defeitos nas válvulas do coração, arritmias graves, aneurismas ou cardiopatias congênitas (presentes desde o nascimento). No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no país, responsáveis por cerca de 30% dos óbitos anuais. Isso significa que a cirurgia cardíaca é uma realidade frequente em hospitais públicos e privados.

No contexto do SUS (Sistema Único de Saúde), a cirurgia cardíaca é considerada um procedimento de média e alta complexidade, regulado por centrais de regulação e realizado em hospitais de referência, como o Instituto do Coração (InCor) em São Paulo e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, entre outros. O acesso ocorre por encaminhamento de um cardiologista ou clínico geral após exames como ecocardiograma, cateterismo e testes de esforço. Infelizmente, as filas de espera no SUS ainda são um desafio, mas a Política Nacional de Atenção Cardiovascular tem buscado ampliar o número de cirurgias e reduzir o tempo de espera. O Conselho Federal de Medicina (CFM) também normatiza os requisitos técnicos para a realização segura desses procedimentos.

Em uma clínica popular, como a em que atuo há 15 anos, a cirurgia cardíaca não é realizada diretamente – somos a porta de entrada. Muitos pacientes chegam com queixas de dor no peito, cansaço excessivo ou inchaço nas pernas, e cabe ao médico clínico geral fazer a suspeita inicial, solicitar exames simples (como eletrocardiograma e ecocardiograma) e, se necessário, encaminhar para um centro especializado. É comum o paciente ter medo da palavra “cirurgia” e acreditar que é algo extremamente arriscado; por isso, o acolhimento e a informação clara são fundamentais.

Como funciona / Características

A cirurgia cardíaca pode ser dividida em duas grandes modalidades: as cirurgias com circulação extracorpórea (quando uma máquina assume temporariamente as funções do coração e dos pulmões, permitindo que o órgão fique parado e o cirurgião opere) e as cirurgias sem circulação extracorpórea (técnica que evita a parada cardíaca, usada principalmente em pontes de safena em pacientes selecionados). A escolha depende do tipo de procedimento, da gravidade e das condições do paciente.

O processo começa com uma avaliação pré-operatória rigorosa, que inclui exames de sangue, eletrocardiograma, ecocardiograma, cateterismo cardíaco (se necessário) e avaliação de riscos anestésicos. O paciente é internado, geralmente, um ou dois dias antes. A cirurgia em si dura de 3 a 6 horas, dependendo da complexidade. Durante o procedimento, uma incisão no meio do peito (esternotomia) é comum, mas atualmente técnicas menos invasivas, como a cirurgia robótica ou por vídeo, estão crescendo, embora ainda não estejam amplamente disponíveis no SUS.

Após a cirurgia, o paciente fica na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por alguns dias e depois é transferido para a enfermaria. A recuperação total pode levar de 2 a 3 meses, com acompanhamento fisioterapêutico e reabilitação cardíaca. No dia a dia da clínica popular, é comum vermos pacientes que passaram por cirurgia cardíaca há anos e retornam para controle de comorbidades (como hipertensão e diabetes), demonstrando que a intervenção bem-sucedida melhora significativamente a qualidade de vida.

Tipos e Classificações

A cirurgia cardíaca é classificada de acordo com a estrutura cardíaca tratada e a técnica utilizada. No Brasil, os tipos mais frequentes são:

  • Revascularização do miocárdio (ponte de safena ou mamária): indicada quando há obstrução das artérias coronárias (causa do infarto). O cirurgião utiliza um vaso saudável da perna (safena) ou do peito (mamária) para criar um novo caminho para o sangue.
  • Cirurgia valvar: reparo ou substituição de válvulas cardíacas (aórtica, mitral, tricúspide ou pulmonar). Pode ser feita com prótese metálica (que exige anticoagulante) ou biológica (de tecido animal ou humano).
  • Correção de cardiopatias congênitas: realizada em crianças ou adultos com malformações cardíacas (como comunicação interatrial ou tetralogia de Fallot).
  • Cirurgia de aorta: tratamento de aneurismas ou dissecções da aorta (rasgos na parede do vaso), uma emergência médica.
  • Transplante cardíaco: indicado para insuficiência cardíaca em estágio terminal, quando outros tratamentos falham. É realizado em centros de alta complexidade, como o InCor.

Além da classificação por tipo, as cirurgias cardíacas são divididas em eletivas (programadas com tempo), urgentes (realizadas em até 24h) e emergenciais (imediato, risco de morte). Essa classificação é crucial para o fluxo de regulação no SUS.

Quando procurar um médico

Nem todo problema cardíaco exige cirurgia, mas alguns sinais de alerta devem levar o paciente a buscar um clínico geral ou cardiologista. Procure atendimento imediato se apresentar:

  • Dor no peito (aperto, queimação ou pontada) que pode irradiar para braço, costas ou mandíbula, especialmente durante esforço.
  • Falta de ar repentina ou que piora com o tempo, mesmo em repouso ou com pouco esforço.
  • Palpitações (coração acelerado ou irregular) acompanhadas de tontura ou desmaio.
  • Inchaço nas pernas, tornozelos ou abdômen (sinal de insuficiência cardíaca).
  • Cansaço extremo sem causa aparente, que atrapalha atividades do dia a dia.
  • Histórico familiar de doença cardíaca precoce (pai, mãe, irmãos com infarto antes dos 55 anos para homens e 65 para mulheres).

Na clínica popular, muitos pacientes com esses sintomas demoram a procurar ajuda por medo ou falta de informação. Orientamos que a prevenção é a melhor ferramenta: controle de pressão, diabetes, colesterol, cessação do tabagismo e alimentação saudável podem evitar que uma cirurgia seja necessária. Exames de rotina, como eletrocardiograma e ecocardiograma, são solicitados com frequência para rastreamento.

Termos Relacionados

  • Ponte de safena: técnica cirúrgica que usa um segmento da veia safena da perna para contornar obstruções nas artérias coronárias. É o tipo mais comum de cirurgia cardíaca.
  • Cateterismo cardíaco: exame invasivo que utiliza um cateter (tubo fino) inserido em uma artéria para diagnosticar obstruções coronárias e medir pressões no coração. Pode preceder a cirurgia.
  • Estenose aórtica: estreitamento da válvula aórtica, que dificulta a passagem do sangue do coração para o corpo. O tratamento cirúrgico (troca de válvula) é comum em idosos.
  • Infarto agudo do miocárdio: morte de células do músculo cardíaco por falta de sangue, geralmente causada por obstrução de uma artéria coronária. Pode necessitar de cirurgia de urgência.
  • Circulação extracorpórea (CEC): máquina que substitui o coração e os pulmões durante a cirurgia, mantendo o sangue oxigenado e circulando. É usada na maioria das operações cardíacas abertas.
  • Reabilitação cardíaca: programa de exercícios e educação em saúde recomendado após a cirurgia, fundamental para recuperar a função cardíaca e prevenir novas complicações.
  • Anticoagulante oral: medicamento (como varfarina ou rivaroxabana) usado para prevenir coágulos, principalmente em pacientes com próteses valvares metálicas ou arritmias.
  • Angioplastia coronariana: procedimento menos invasivo que a cirurgia, no qual um balão desobstrui a artéria e, muitas vezes, coloca-se um stent (pequena tela). Pode ser alternativa em alguns casos.

Perguntas Frequentes sobre O que é Cirurgia cardíaca

A cirurgia cardíaca é muito perigosa?

Toda cirurgia tem riscos, mas a cirurgia cardíaca moderna é segura quando realizada em centros com equipe experiente e estrutura adequada. A mortalidade para procedimentos eletivos gira em torno de 2% a 5% no Brasil, segundo dados do DATASUS. O risco é maior em emergências ou em pacientes com muitas comorbidades. O médico avalia cada caso individualmente.

Quanto tempo dura a recuperação?

A internação costuma durar de 5 a 10 dias, sendo os primeiros 2 a 3 dias na UTI. A recuperação total leva de 2 a 3 meses para atividades normais, mas a reabilitação cardíaca pode se estender por 6 meses. O paciente deve evitar esforços físicos intensos e dirigir por cerca de 4 a 6 semanas.

É possível fazer cirurgia cardíaca pelo SUS?

Sim. O SUS oferece cirurgia cardíaca gratuitamente em hospitais credenciados. O paciente precisa ser encaminhado por um serviço de saúde (UBS, clínica, pronto-atendimento) e passar pela regulação. As filas podem ser longas em algumas regiões, mas existem mutirões e programas para agilizar casos graves. Fique atento aos encaminhamentos e mantenha contato com o centro de referência.

Precisa abrir o peito? Existem alternativas menos invasivas?

A incisão no meio do peito (esternotomia) é a via mais comum, especialmente em cirurgias complexas. No entanto, para alguns casos (como troca de válvula aórtica ou ponte de safena em artérias específicas), existem técnicas menos invasivas, como a minitoracotomia (corte lateral) ou a cirurgia robótica. A disponibilidade no SUS ainda é limitada, mas cresce nos grandes centros.

Qual a idade ideal para fazer cirurgia cardíaca?

Não existe uma idade limite. O que importa é a condição clínica geral do paciente, a gravidade da doença e os riscos-benefícios. Já operamos pacientes com 80 anos ou mais com sucesso, desde que tenham boa reserva funcional. A decisão é tomada em equipe, com cardiologista, cirurgião e anestesista.

A cirurgia cardíaca cura a doença?

Depende. A cirurgia pode eliminar ou aliviar sintomas e reduzir o risco de morte, mas não “cura” a doença subjacente. Por exemplo, na ponte de safena, a aterosclerose (acúmulo de gordura nas artérias) continua; o paciente precisa manter tratamento medicamentoso, alimentação saudável e controle de fatores de risco para evitar novas obstruções. Já a troca de válvula resolve o problema valvar, mas o paciente pode precisar de anticoagulante para sempre.


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