O que é Cirurgia de catarata?
A cirurgia de catarata é um procedimento oftalmológico que substitui o cristalino natural do olho, quando este se torna opaco, por uma lente artificial chamada lente intraocular (LIO). Na prática do dia a dia do consultório, é comum o paciente chegar dizendo: “Doutor, sinto como se estivesse olhando por um vidro embaçado” ou “minha visão piorou, parece que tem uma névoa”. Essa sensação é exatamente a descrição da catarata, a principal causa de cegueira reversível no Brasil e no mundo.
Na minha experiência de 15 anos entre o SUS e clínicas populares, vejo que a maioria dos pacientes com catarata tem mais de 60 anos, mas também atendo pessoas mais jovens, especialmente diabéticas, que podem desenvolver catarata precocemente. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 17% dos brasileiros acima de 60 anos já foram diagnosticados com catarata, e a cirurgia é o único tratamento definitivo. Felizmente, o SUS cobre o procedimento em toda a rede pública, e nas clínicas populares conseguimos oferecer preços acessíveis, com parcelamento no cartão, para quem não quer esperar na fila de espera.
Na consulta, explico ao paciente: a catarata não é uma “película” que cresce sobre o olho, como muitos pensam. É o próprio cristalino (nossa lente natural) que perde a transparência com o envelhecimento, exposição solar sem proteção, tabagismo, uso prolongado de corticoides ou doenças como diabetes. A cirurgia, hoje, é rápida, segura e feita com anestesia local – o paciente fica acordado, mas não sente dor. No SUS, a espera média pode variar de 6 meses a 2 anos, dependendo da região. Já nas clínicas populares, muitos conseguem agendar em menos de 2 semanas.
Como funciona / Características
A cirurgia de catarata moderna é realizada por um método chamado facoemulsificação. O cirurgião faz uma incisão minúscula (cerca de 2 a 3 mm) na córnea, insere um aparelho de ultrassom que fragmenta o cristalino opaco e aspira os pedaços. Em seguida, uma lente intraocular dobrável é colocada no mesmo local, onde se expande e permanece definitivamente. Tudo isso leva de 15 a 30 minutos e não precisa de pontos – a incisão sela sozinha.
Na rotina da clínica popular, oriento o paciente: no dia da cirurgia, ele pode comer leve, tomar os medicamentos de rotina (menos anticoagulantes, que devem ser suspensos com orientação médica), e geralmente é liberado no mesmo dia. Importante: a visão não fica perfeita de imediato. Nos primeiros dias, pode haver ardência, lacrimejamento e visão embaçada – isso é normal. O resultado visual completo aparece entre 2 e 4 semanas, quando o olho cicatriza.
Um exemplo prático: dona Maria, 72 anos, diabética, esperou 8 meses no SUS para operar. Chegou com catarata madura em ambos os olhos, quase não enxergava para cozinhar. Na consulta de retorno, após 30 dias da cirurgia no olho direito, ela me disse: “Doutor, agora vejo as cores das flores de novo. Não sabia que estava tão cego”. Histórias assim são comuns e reforçam o impacto dessa cirurgia na qualidade de vida.
Vale destacar que, pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e pelas diretrizes da ANVISA, as lentes intraoculares usadas no Brasil são certificadas e seguras. O procedimento é classificado como de média complexidade e pode ser feito em regime ambulatorial, sem internação.
Tipos e Classificações
Na prática clínica, classificamos a catarata principalmente pela localização e maturidade:
- Catarata nuclear: afeta o centro do cristalino, muito comum em idosos. Piora a visão para longe e pode causar miopia temporária – paciente às vezes volta a ler sem óculos, mas depois perde a visão.
- Catarata cortical: começa na periferia e avança como raios de roda. Causa ofuscamento e dificuldade com luz forte (halos à noite).
- Catarata subcapsular posterior: ocorre atrás do cristalino, comum em diabéticos e usuários de corticoides. Dificuldade com leitura e luz brilhante, e progride rápido.
- Catarata imatura/madura/hipermadura: classificação por estágio. A imatura é inicial; a madura já atrapalha muito a visão; a hipermadura é muito densa e mais difícil de operar, mas ainda possível com técnica específica.
Além disso, existem as cataratas congênitas (presentes ao nascimento, raras) e as cataratas traumáticas (após pancada no olho). No SUS, o tratamento é garantido para todos os tipos, incluindo a remoção e a lente intraocular, sem custo para o paciente.
Quando procurar um médico
O paciente deve procurar um médico oftalmologista quando apresentar:
- Visão embaçada ou “nevoenta” que não melhora com óculos
- Dificuldade para ler, dirigir à noite ou reconhecer rostos
- Ofuscamento excessivo com luz solar ou faróis
- Troca frequente do grau dos óculos (mais de uma vez por ano)
- Visão dupla em um olho (diplopia monocular)
- Dificuldade em distinguir cores – elas parecem desbotadas ou amareladas
Sinais de alerta que exigem urgência: dor ocular intensa, vermelhidão, náuseas ou piora rápida da visão em horas/dias. Isso pode indicar glaucoma agudo ou infecção, não apenas catarata. No SUS, o encaminhamento para o oftalmologista começa pelo médico clínico geral da UBS (Unidade Básica de Saúde). Na clínica popular, podemos realizar a consulta e o exame de fundo de olho no mesmo dia, com agendamento rápido.
Faço questão de lembrar aos meus pacientes: mesmo sem sintomas, após os 60 anos é importante fazer um exame oftalmológico anual. Muita gente descobre a catarata só no check-up. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais fácil a cirurgia e melhor a recuperação.
Termos Relacionados
- Cristalino: lente natural do olho, localizada atrás da íris. Fica opaca na catarata.
- Lente intraocular (LIO): lente artificial implantada durante a cirurgia, substitui o cristalino. Pode ser monofocal (foco único, geralmente para longe) ou multifocal (visão de perto e longe).
- Facoemulsificação: técnica cirúrgica mais moderna que usa ultrassom para fragmentar o cristalino opaco. Menos invasiva e com recuperação rápida.
- Pterígio: crescimento de uma membrana sobre a parte branca do olho (esclera) até a córnea. Às vezes é confundido com catarata, mas é uma doença diferente.
- Glaucoma: doença que aumenta a pressão intraocular e pode danificar o nervo óptico. Pode coexistir com catarata; o tratamento pode ser combinado em cirurgia.
- Degeneração macular relacionada à idade (DMRI): condição que afeta a mácula (centro da retina), causa perda da visão central. Não é catarata, mas também é comum em idosos.
- Anestesia tópica: anestesia em gotas ou gel, usada na facoemulsificação. O paciente fica acordado, mas sem sentir dor.
- Pós-operatório: período de recuperação de cerca de 30 dias, com uso de colírios antibióticos e anti-inflamatórios, além de evitar esforço físico e coçar o olho.
Perguntas Frequentes sobre O que é Cirurgia de catarata
1. A cirurgia de catarata dói?
Não dói. O procedimento é feito com anestesia local em gotas ou pequena injeção ao redor do olho. O paciente pode sentir um leve toque ou pressão, mas não dor. No pós-operatório imediato, pode haver ardência ou sensação de areia, que melhora em 24 a 48 horas com colírios.
2. Quanto tempo dura a cirurgia de catarata?
A cirurgia em si leva de 15 a 30 minutos. Mas o paciente fica cerca de 2 horas no centro cirúrgico, contando preparo, anestesia e observação inicial. Em clínicas populares, o procedimento é ambulatorial – você vai e volta no mesmo dia.
3. A cirurgia de catarata é coberta pelo SUS?
Sim, totalmente. O SUS oferece a cirurgia gratuita, incluindo a lente intraocular padrão (monofocal). No entanto, pode haver fila de espera. Em muitas regiões, o paciente pode optar por clínicas particulares ou convênios para agendar mais rápido. A qualidade e segurança são equivalentes.
4. Preciso ficar sem tomar banho ou lavar o cabelo depois da cirurgia?
Não precisa ficar totalmente sem se lavar, mas deve-se proteger o olho operado. O médico orienta usar um escudo ocular (viseira) nos primeiros dias, especialmente ao dormir. Pode lavar o cabelo deitado para trás, evitando respingos de água e sabão diretamente no olho. Depois de uma semana, a maioria dos pacientes já pode lavar normalmente, com cuidado.
5. Posso voltar a dirigir depois da cirurgia de catarata?
Só quando a visão estiver estável e dentro dos parâmetros legais para habilitação. Em geral, após 2 a 4 semanas, com autorização do oftalmologista. Durante o primeiro mês, a visão pode variar e o ofuscamento noturno é maior – então evite dirigir à noite até liberação médica.
6. Catarata pode voltar depois da cirurgia?
A catarata propriamente dita não volta, porque o cristalino foi removido. Porém, cerca de 20% dos pacientes desenvolvem uma opacidade da cápsula posterior (que é a membrana que segura a lente intraocular). Isso é tratado com um laser simples (capsulotomia YAG) no próprio consultório, indolor e rápido, que resolve a visão embaçada.
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.
Para mais informações oficiais, consulte o site do Ministério da Saúde (catarata) e o Conselho Federal de Medicina (CFM).


